3 FORMAS DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
3.3 Inquérito Policial
3.3.1 Formas de instauração do inquérito policial
Quando a autoridade tomar conhecimento da infração penal, por meio da notitia criminis, instaurará o inquérito policial, dando início as investigações. Essa notícia do crime chegará até a autoridade polícial, de três formas: 1º) por meio das atividades desenvolvidas pela policia judiciária, como um patrulhamento de rotina, por exemplo; 2º) por meio de requerimento da vítima ou de seu representante legal; e 3º) quando a notícia do delito, bem como quem o praticou são apresentados juntos, como nos casos de prisão em flagrante.
Dependendo do delito praticado, a ação penal poderá ser pública (denúncia) ou privada (queixa-crime). É função privativa do Ministério Público, promover a ação penal pública, por força do artigo 129, inciso I, da Carta Magna, que elenca as funções institucionais do Parquet, sendo a primeira delas: “I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei”. Já o legitimado da ação penal privada será o ofendido.
O artigo 5º, do Código de Processo Penal, também indica quem tem legitimidade para requerer a instauração do inquérito, indicando a autoridade judiciária ou o Ministério Público, o ofendido ou seu representante legal.
A ação penal pública pode ser incondicionada, quando o Estado não precisa da anuência do ofendido ou de qualquer outra condição para dar ensejo a persecução penal.
Normalmente essa ação será aplicada a crimes mais graves, nesse sentido, Tourinho Filho (2010, p. 387):
Na incondicionada, o órgão do Ministério Público a propõe sem que haja manifestação de vontade de quem quer que seja. Desde que provado o crime [...], o órgão do Ministério Público deve promover a ação penal, sendo até irrelevante contrária manifestação de vontade do ofendido ou de quem quer que seja.
Por outro lado, a ação penal pública será condicionada à representação, seja ela do ofendido ou de seu representante legal, ou até mesmo condicionada à requisição do Ministro da Justiça. A representação será uma manifestação de vontade expressa dos legitimados, e por força do art. 5º, parágrafo 4º sem ela, o inquérito não poderá ser iniciado.
Nas palavras de Tourinho Filho (2010, p. 387):
Na condicionada, é ainda o órgão do Ministério Público quem a promove, mas sua atividade fica subordinada, condicionada, a uma manifestação de vontade, que se traduz por meio da representação (manifestação de vontade do ofendido ou de quem o represente legalmente) ou da requisição do Ministro da Justiça (manifestação de vontade ministerial).
Já quando a ação penal for de iniciativa privada, o inquérito deverá ser iniciado somente após requerimento do legitimado, também com base no artigo 5º, parágrafo 5º do Código de Processo Penal.
Segundo o doutrinador José Frederico Marques (2000, p. 391) a ação penal privada é: “aquela em que o direito de acusar pertence, exclusiva ou subsidiariamente, ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo”.
A ação penal privada poderá ser exclusiva, quando a lei definir o crime como de ação penal privada, cabendo ao querelante propor a ação. Ou a ação poderá ser subsidiária da pública, quando o querelante se encontrar diante de inércia do Órgão Acusador, nesses casos a ação é pública, mas pela inércia do promotor, o ofendido poderá, por meio de queixa-crime propor a ação.
Dessa forma, Hidejalma Muccio (2006, p. 29) explica: “É a natureza do crime que determina, então, a forma como o inquérito policial pode ser iniciado”.
Assim, quando o crime for de ação penal pública incondicionada, o inquérito policial terá início por meio de portaria, auto de prisão em flagrante, requisição da autoridade judiciária, requisição do membro do Ministério Público, ou requerimento do ofendido ou de seu representante.
Quando a notitia criminis chega ao conhecimento da autoridade policial, por meio das atividades habituais realizadas por no dia a dia, será feita uma portaria, o inquérito será iniciado de oficio pela autoridade (artigo 5º, inciso I do Código de Processo Penal). A portaria é a peça inaugural do inquérito, contendo as circunstâncias de tempo e local do delito, e as providências que deverão ser tomadas durante as investigações (Muccio, 2006, p. 29).
O inquérito também terá início por meio do auto de prisão em flagrante, que será a peça inaugural dos autos. Cumpre salientar que se considera preso em flagrante o indivíduo que é pego nas circunstancias descritas no artigo 302, do Código de Processo Penal.
Dessa forma, sobre o autor de prisão em flagrante Bartolomeu Araújo (2005, p.
26) explica:
[...] consiste no depoimento do condutor de suposto autor de crime, nos depoimentos das testemunhas, na oitiva da vítima, no interrogatório do conduzido e na capitulação da incidência penal, formando um único auto, devidamente assinado por todas as partes.
Outra forma de iniciar o inquérito é por meio de requisição da autoridade judiciária, que ao saber da ocorrência do delito irá requerer a autoridade policial a instauração do inquérito. O requerimento será a peça inaugural do inquérito nesse caso, e a autoridade poderá determinar a instauração do inquérito ainda na requisição (Muccio, p, 2006, p; 39).
Essa possibilidade está prevista no artigo 39, parágrafo 4º, do Código de Processo Penal.
O Ministério Público, como a autoridade judiciária, terá a possibilidade de requisitar a instauração do inquérito policial. De igual modo, a requisição do Parquet, também será peça inaugural do inquérito.
E por fim, o inquérito poderá ser instaurado a requerimento do ofendido, e nesse sentido, Hidejalma Muccio (2006, p. 48) explica: “Sendo apto à desencadear a
investigação criminal, o requerimento será a peça inicial do inquérito policial, pois, ao deferi-lo, a autoridade policial, no seu próprio corpo determina a instauração do investigatório”.
O requerimento deverá ser uma peça completa, com todas as circunstâncias do fato, estando previsto no parágrafo 1º do artigo 5º do Código de Processo Penal:
§ 1º O requerimento a que se refere o n° II conterá sempre que possível:
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.
Importante ressaltar que para evitar a abertura de inquérito, sem motivo plausível, tendo em vista grande numero de solicitação por motivo fútil, é possível que o requerimento seja indeferido.