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2.5 A abordagem sistêmica

2.5.3 Engenharia de sistemas: uma abordagem para a implantação de

2.5.3.2 Formas de procedimento da engenharia de sistemas

Segundo proposto por Haberfellner et al. (1992) o modelo genérico de procedimento é composto pelas seguintes componentes

a) Princípio do geral para o detalhe (top-down): sua idéia básica reside em partir do blackbox e resolvê-lo sucessivamente (figura 2.9). A abordagem da “caixa preta” (black box), interpretada em termos organizacionais, entende que a complexidade de uma organização não permite que sua administração saiba exatamente tudo que ocorre no seu âmbito e como ela realmente funciona, sendo assim, ela, ou uma parte, é entendida como uma “caixa preta”. Segundo Gill (2001), nessa interpretação, a “cáixa preta” tem uma ou mais entradas e uma ou mais saídas, os gestores do processo traçam objetivos, monitoram as saídas e com base nos objetivos realizam ações corretivas (feedback) para modificar as entradas até que as saídas tenham as características requeridas. Uma forma de aumentar a complexidade do processo de gerenciamento decorre de que junto com as entradas, sempre pode ser possível a ocorrência de turbulências que afetem o sistema. Esses distúrbios dependem de como é o sistema em foco, podendo ser fruto das entradas ou variação de serviços, ações e estratégias de um competidor, reestruturação ordenada pela alta direção e distúrbios do meio ambiente. A caixa preta também pode se decomposta em subprocessos e estes podem ser vistos num mesmo caminho, ligados de forma seriada ou paralela.

Um dos méritos da técnica do black box é que representa o melhor antídoto contra a tendência do investigador de simplificar em excesso um fenômeno complexo fragmentando em menores partes (SCHODERBECK, 1990).

Segundo Gill (2001, b) este método de análise é essencial pois apresenta a vantagem de permitir de forma simplificada, modelar a complexidade, pois se constitui de uma forma de traçar limites sobre a área de interesse, reconhecendo atores envolvidos no processo, definindo produtos de entradas e saídas, os prováveis distúrbios no processo e sua integração em um processo de gestão visando alcançar melhores resultados no ambiente de negócios.

Eixo de tempo, direção, pensamento

I = Input

1

o

O = Output

Figura 2.9: Enfoque do geral para o detalhe

Baseado em HABERFELLNER, R. et al Systems engineering: methodik und praxis. 7 ed. Zürich: Ver. Industrielle Organisation, 1992.

Assim, é possível mover-se hora no âmbito do sistema mais abrangente, hora no âmbito de um subsistema sem perder a visão do conjunto das inter-relações. Conforme a necessidade, focaliza-se o todo ou detalhe. No início do projeto delimita- se a área a ser analisada em mais detalhes, e onde poderão ser feitas as intervenções. Elementos importantes da área problema e seus fatores de influência devem então ser reconhecidos e representados (Figura 2.5).

Figura 2.10: Restrição na área de análise

Baseado em HABERFELLNER, R. et al Systems engineering: methodik und praxis. 7 ed. Zürich: Ver. Industrielle Organisation, 1992.

O pesquisador em contato com uma situação complexa manipula os inputs do

black box e divide os resultados em classes distintas baseadas no grau de

similaridade, resumindo, a técnica do black box envolve os seguintes passos seqüenciais: manipulação das entradas, transformação e classificação das saídas (SCHODERBECK, 1990)

b) Princípio da formulação de alternativas: envolve o princípio da equifinalidade do pensamento sistêmico (KATZ & KAHN, 1987) consiste em não se contentar com uma única alternativa mas buscar obter uma visão abrangente daquelas que são possíveis e o de soluções. Considera que, para que se possa fazer uma escolha, é necessário ter uma imagem aproximada das conseqüências, associadas com determinada solução. Em virtude disto é preciso ter em mente idéias mais ou menos concretas sobre as diversas soluções, como elas atuam, quais são os custos esperados, e quais são as vantagens e desvantagens em relação aos Outputs desejados e indesejados ou aos efeitos colaterais.

c) Princípio da divisão do projeto em fases: representa uma macrológica do modelo de procedimentos. Seu objetivo é segmentar o desenvolvimento de uma solução de problemas em etapas logicamente e temporalmente distinguíveis, permitindo a consecução do processo de planejamento, decisão e concretização em passos, com paradas definidas para eventuais correções e ajustes. É necessário distribuir entre as fases de vida de um sistema (solução), de um lado, e de outro, as fases de projeto que servem ao desenvolvimento e realização da solução.

d) Estabelecimento de um ciclo de solução de problemas: o ciclo de solução de problemas representa uma micrológica que deve ser aplicada em todo tipo de problema, em qualquer fase do projeto. Os pontos mais relevantes desta micrológica são: a definição de objetivos, a busca de soluções, e a seleção da solução.

O ciclo de solução de problemas proposto pela engenharia de sistemas baseia-se na lógica e metodologias estabelecidas por Dewey, incluindo, todavia, um componente essencial, o detalhamento da formulação de objetivos, propiciando um refinamento da mesma (HALL, 1962).

O gerenciamento pela engenharia de sistemas envolve planejamento, organização, alocação de pessoal, monitoramento, e controle do processo, desenvolvendo e produzindo um sistema que atenderá às necessidades de uma forma efetiva e eficiente. Ela fornece uma visão geral necessária para assegurar que

todas as disciplinas necessárias e especialidades relacionadas estejam

adequadamente integradas. Isto assegurara que o sistema que está sendo desenvolvido contenha uma adequada combinação de componentes essenciais ao mesmo estejám presentes. O objetivo do gerenciamento pela engenharia de sistemas é fornecer o item adequado, no local adequado, no momento adequado com um mínimo dispêndio de recursos físicos e de pessoal (BLANCHARD e FABRYCKY, 1981).

Muitas são as experiências práticas relacionadas à implantação de SGA's ISO 14001, entretanto observa-se a existência, de um modo geral, de uma visão muito segmentada dos subsistemas da norma, o que é compreensível considerando- se que a própria forma como a norma foi estruturada, em seus requisitos, não induz

a uma visão dos inter-relacionamentos existentes entre seus subsistemas e entre os mesmos e os vários departamentos da organização.

Para possibilitar o desenvolvimento sustentável, a Engenharia de Sistemas deve incorporar ao desenho conceituai de processos produtivos a idéia de diminuição do impacto ambiental associada a racionalização do uso de todas as matérias primas e insumos no processo de produção incorporando os princípios da produção mais limpa ao processo de normatização. Tal abordagem é ilustrada na Figura 2.11.

Figura 2.11 - Desenvolvimento sustentável na concepção de processos

Adaptado de YANG, Youqi, SHI, Lei. Integrating environmental impact minimization in to conceptual chemical process design - a process systems engineering review. Computer and Chemical Engineering. N. 24, pp. 1409-1419, 2000.

Tomando-se como base ás diretrizes da Engenharia de Sistemas torna-se então possível abordar a questão da implantação de SGAs a partir de uma metodologia eficiente, principalmente considerando-se o envolvimento da questão ambiental e suas implicações na implantação dos requisitos da norma ISO 14001.

Diminuição do desperdício Desenvolvimento sustentável

Tendo sido apresentados os fundamentos teóricos que orientaram este estudo, será apresentada a seguir a base metodológica que guiou o desenvolvimento do trabalho.

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