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2.1 Teoria institucional

2.1.6 Trabalho institucional

2.1.6.2 Formas de trabalho institucional

Por meio de uma revisão de literatura nos principais periódicos internacionais que publicam sobre teoria institucional, Lawrence e Suddaby (2006) estabeleceram

algumas formas de trabalho institucional, agrupadas em três grandes grupos:

criação, manutenção e ruptura. Esses grupos cobriam, na visão dos autores, todo o ciclo de “vida” da instituição – criação, manutenção e interrupção. A lista, embora não exaustiva, tem sido a base para o mapeamento do trabalho institucional em diversas pesquisas.

A fase da criação possui a maior quantidade de formas de trabalho institucional identificadas por Lawrence e Suddaby (2006), o que reflete a atenção dispensada ao estudo do empreendedorismo institucional. Entretanto, tais estudos tendem a enfatizar as características e as condições de produção dos empreendedores institucionais, deixando, em segundo plano, o detalhamento sobre

o que os empreendedores efetivamente fazem (LAWRENCE; SUDDABY, 2006). No quadro 4, são sumarizadas as formas de trabalho institucional as suas definições e os seus indicativos.

Forma Definição Indicativos

Advocacia Mobilização de suporte político e regulatório.

Lobby para acesso a recursos, promoção de uma agenda de interesses e debates favoráveis, promoção de um novo conjunto legislatório e atacar a legislação existente

Definição Construção de sistemas de regras

que conferem status ou identidade a uma nova instituição, definindo as fronteiras de participação ou criação de status hierárquico dentro do campo no qual os atores estão inseridos

Formalização de um sistema de regras, construção de padrões de conduta e certificações

Aquisição Criação de regras estruturais que conferem direitos de propriedade

Utilização da autoridade governamental para realocar os direitos de propriedade, a negociação de barganhas regulativas entre dois atores com autoridade coercitiva Construção de Identidades Criação do relacionamento entre os

atores e o campo no qual eles estão operando, isto é, de criar ou alterar a identidade dos atores dentro do campo organizacional

Construção de uma identidade profissional

Mudança de associações normativas

Procura recriar as conexões entre um conjunto de práticas e os seus fundamentos culturais e morais

Não apresentado pelos autores

Construção de redes normativas

Estabelecimento de conexões interorganizacionais através de

práticas sancionadas

normativamente e que formam um grupo de pares relevantes no que diz respeito à observância, acompanhamento e avaliação dessas práticas.

Não apresentado pelos autores

Imitação associação entre a nova prática

com conjuntos existentes de práticas tomadas como certas, facilitando a sua adoção

a justaposição dos novos e velhos arranjos tornando as novas práticas compreensíveis e acessíveis, demonstrando o potencial da nova prática em solucionar determinados problemas

Teorização Desenvolvimento e especificação

de categorias abstratas para o estabelecimento de cadeias de causa e efeito

A nomeação e a associação entre problemas e suas soluções

Educação Atores com conhecimentos e habilidades para dar suporte à nova instituição

Criação de requisitos mínimos para a atuação do ator dentro de um campo

QUADRO 4 - FORMA DE TRABALHO INSTITUCIONAL DE CRIAÇÃO FONTE: Adaptado de Lawrence e Suddaby (2006)

A variedade de formas de trabalho institucional associadas à manutenção de

uma instituição é menor do que as associadas à criação das instituições. No quadro a seguir essas formas são sumarizadas.

Forma Definição Indicativos

Facilitação do trabalho Criação de regras que facilitam, completam e suportam as instituições.

Criação de autorizações para que determinados agentes possam agir, redistribuição de recursos dentro do campo.

Policiamento Assegurar o cumprimento da

instituição, através da fiscalização, audição e monitoração das ações dos atores no campo organizacional

Criação de órgãos para fiscalização, conferir legitimidade para que atores possam representar a instituição

Determinação Criação de barreiras coercitivas para mudança institucional

Criação de sanções, multas, penas.

Valorização e Demonização Criação de exemplos positivos e negativos que ilustram os fundamentos normativos de uma instituição

Estórias, artefatos e premiações e sanções “simbólicas”.

Mitos Preservar a sustentação

normativa de uma instituição por meio da criação e sustentação dos mitos sobre a sua história

Lendas, Heróis, estórias de sucesso

Incorporação e rotinização Infusão dos fundamentos

normativos de uma instituição nas rotinas e práticas organizacionais cotidianas dos atores

Práticas estratégicas e cerimoniais.

QUADRO 5 - FORMA DE TRABALHO INSTITUCIONAL DE MANUTENÇÃO FONTE: Adaptado de Lawrence e Suddaby (2006)

O trabalho institucional dedicado a ruptura da instituição é entre os três grupos identificados por Lawrence e Suddaby (2006) o que possui a menor variedade de formas, estando cada forma associada a uma maneira de ataque a instituição. No quadro 6 são apresentadas as formas, as definições e os indicativos dessa categoria de trabalho institucional

Forma Definição Indicativos

Desconexão de sanções Ação dos atores que procura desconectar recompensas e sanções associadas à instituição

Desconexão dos fundamentos morais

Diluição da relação entre instituição e seus fundamentos morais como apropriado dentro de um contexto cultural específico.

Estratégias discursivas. Textos

convencionais ou

especializados.

Ataque aos pressupostos e a crenças

Redução dos riscos percebidos para inovação e diferenciação, por meio de ataques as principais crenças e pressupostos que sustentam a instituição

Estratégias discursivas. Textos

convencionais ou

especializados.

QUADRO 6 - FORMA DE TRABALHO INSTITUCIONAL DE RUPTURA FONTE: Adaptado de Lawrence e Suddaby (2006)

Por sua vez, Perkmann e Spicer (2008) propõem uma tipificação diferente das formas de trabalho institucional. Na visão dos autores, o trabalho institucional pode ser político, que tem como objetivo a geração de novas configurações de atores e estabelecimento e reconfiguração de regras e direitos de propriedade; técnico, que envolve o desenho de quadro de referência que sugere, recomenda ou prescreve certos cursos de ação; e cultural, que estabelece ou re-enquadra sistema de crenças e valores, geralmente através da ligação das práticas com discursos mais institucionalizados.

Maguire e Hardy (2009) no estudo sobre a desinstitucionalização do uso do

DDT nas plantações agrícolas estadunidenses identificaram a problematização –

ataque aos pressupostos e crenças que sustentam uma instituição, como a principal forma utilizada pelos atores sociais interessados na desinstitucionalização do uso do DDT.