4 INTERAÇÕES SOCIAIS: UMA VISÃO A PARTIR DA PERSPECTIVA
5.2 FORMAS DE VISUALIZAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DO SUJEITO
CORRELATOS
O diagnóstico de uma turma configura-se como uma prática de grande importância para a definição e o aprimoramento do Modelo Pedagógico, pois permite uma avaliação contínua, de modo a observar se os resultados desejados estão sendo atingidos a contento. Além disso, uma análise constante das interações dos alunos nas ferramentas do ambiente permite ao educador o ajuste da trajetória adotada, de modo a incorporar estratégias que priorizem os aspectos a serem aprimorados, como, por exemplo, a inclusão de alunos que se demonstrem distanciados.
Em estudos correlatos, percebe-se que o foco no acompanhamento das interações sociais dos alunos é uma prática recente, tendo em vista que, em algumas plataformas, esses dados ainda são insuficientes. Nesse sentido, observou-se a necessidade de recorrer a outras ferramentas e de dispor de técnicas quantitativas para que os dados sobre as interações dos alunos possam ser convertidos em informações passíveis de análise. Na grande maioria dos casos observados, são utilizados estudos de Análise de Redes Sociais10 (ARS), visando uma melhor compreensão das dinâmicas estabelecidas nas ferramentas e nas plataformas em questão.
O estudo de Sacerdote e Fernandes (2013) analisa as interações dos indivíduos do Sistema Aprender, AVA baseado no Moodle adotado pela Universidade de Brasília, bem como dos recursos presentes no ambiente. Os dados das trocas de mensagens dos usuários nos fóruns de discussão foram analisados através do método exploratório de Análise de Redes Sociais. O estudo demandou a extração manual dos dados de backup do Moodle sobre os quais foi aplicado um pseudo-algoritmo através do software Pajek11. Estratégia semelhante foi adotada por Moura e Stiubiener (2012), que aplicaram a ARS aos dados do AVA da Universidade Aberta do Piauí (UAPI). Da mesma maneira, os dados foram obtidos manualmente através do acesso em nível de administrador, que permitiu coletar a quantidade e os destinatários das mensagens enviadas por cada participante. Uma vez constituída a base, foram utilizados os softwares MATLAB12 e Pajek para a construção, visualização, manipulação e análise das redes e para a obtenção dos resultados quantitativos do estudo.
Ao buscar a análise dos dados do Moodle, Lavrador (2015) também utilizou como base a análise de redes, visando estudar as interações entre os alunos de dois fóruns de uma disciplina da Universidade de Lisboa. Os dados foram extraídos manualmente através dos registros da plataforma. Para o
10 Silva, Fialho e Saragoça (2013) definem a análise de redes como a observação da realidade social
enquanto estrutura de relações. Essa estrutura envolve entidades interdependentes (grupos, indivíduos, organizações, etc.), sendo o foco entral na análise as diversas formas de relação estabelecidas entre os sujeitos. O agregado destas relações é a rede social.
11 Pajek é um Software gratuito para análise de dados de redes sociais.
12 MATLAB - Software pago utilizado para modelagens e simulações em matemática, estatística e
estudo, uma metodologia estatística foi implementada através de softwares específicos para a sua aplicação, o Ucinet13 e o NetDraw14.
Ribeiro, Melo e Dantas (2016), por sua vez, utilizaram a ARS para estudar as interações dos alunos de um curso de extensão oferecido a alunos de Ensino Médio da rede pública no Estado de Goiás. Os dados foram obtidos através de consultas específicas à base de dados do AVA e-Proinfo, gerando-se assim os arquivos csv necessários. A análise de redes foi conduzida através do pacote estatístico R15.
Para analisar as ferramentas blog, wiki, glossário e fórum do AVA “Vivências”, adotado em cursos de graduação em Ciências da Saúde, Palácio e Struchiner (2016) adotaram uma abordagem descritiva e exploratória para caracterizar o uso dos ambientes pelos seus atores - professores, alunos e pacientes. Os dados foram coletados a partir de arquivos de logs dos participantes das disciplinas, para os quais foram registradas informações como número de participantes, tipo e quantidade de recursos utilizados. Adicionalmente, foi realizada a leitura do material registrado nas ferramentas estudadas com a finalidade de melhor compreender o uso dos dados e as ações dos participantes envolvidos.
Em todos esses estudos revelou-se a necessidade do uso de softwares e dados estatísticos para o acompanhamento e a análise das interações que ocorriam nos ambientes em questão. Em geral, o procedimento metodológico para a análise de interações envolve (1) a coleta dos dados - que pode ser feita através de um arquivo de backup do ambiente; (2) a transformação destes para um formato legível pelo software escolhido; (3) a criação de um algoritmo ou a parametrização pelo software escolhido; e (4) a conversão dos resultados obtidos em tabelas e gráficos para que (5) a análise seja realizada.
Em termos de ferramentas existentes em AVAs, destaca-se a iniciativa do
Social Networks Adapting Pedagogical Practice (SNAPP), que consiste em um
13 Ucinet - Software pago para análise de dados de redes sociais.
14 NetDraw - Software gratuito para visualização de dados de redes sociais. Pode ser instalado
separadamente ou quando da instalação do Ucinet.
15 R é um Software estatístico gratuito, de código aberto, de ampla adoção pela comunidade científica.
Destaca-se pelo alto nível de sua linguagem de programação, pela quantidade de pacotes disponíveis e pela facilidade com que permite gerar gráficos.
software para reinterpretar as interações resultantes das postagens na
funcionalidade Fórum de vários AVAs, tais como MOODLE, BlackBoard e WebCT (BAKHARIA; DAWSON, 2011). Essas interpretações são apresentadas em forma de diagrama de rede social. No entanto, esse modelo restringe-se a mapear os dados de forma quantitativa.
Bassani (2006) analisou formas de aprimorar o processo de avaliação de alunos usuários de Ambiente Virtual de Aprendizagem ROODA16 e construiu a ferramenta InterROODA, que possibilita a visualização das interações que ocorrem no AVA. Ele é composto por dois módulos complementares que permitem o acompanhamento de acesso e frequência, bem como a análise das trocas interindividuais.
O módulo de acompanhamento de acesso e frequência dispõe de dados quantitativos que demonstram a presença dos alunos no ambiente através de dados de acesso aos materiais postados, tempo de permanência, entre outras questões, que visam a avaliação em uma perspectiva individual (Figura 10).
Figura 10. Tela do módulo de acompanhamento de acesso e frequência do InterROODA
Fonte: Bassani (2006).
Já o módulo trocas interindividuais apresenta as mensagens inseridas pelo aluno nas ferramentas de interação, além do número de respostas
vinculadas a elas, caracterizando-as como mensagem de citação ou de enunciado (Figura 11).
Figura 11. Tela do módulo de trocas interindividuais do InterROODA
Fonte: Bassani (2006).
Bassani (2006) destaca que essa ferramenta traz grande contribuição ao processo avaliativo do trabalho pedagógico realizado com o uso do ambiente. No entanto, ressalta que a análise dos resultados apresentados depende do paradigma que orienta a prática do professor, pois sua interpretação dependerá de sua compreensão sobre o ensino e a aprendizagem.
Observa-se, a partir do exposto, que os estudos sobre as interações sociais realizadas em AVA ainda são incipientes. Na maioria das vezes, os ambientes virtuais são direcionados à administração de conteúdos e ao monitoramento de alunos não sendo dada a devida importância às interações realizadas no processo de construção de conhecimento. Nas experiências citadas, embora se reconheça o interesse em avaliar as interações no AVA, as ferramentas disponíveis ainda apresentam limitações, dificultando o seu uso no auxílio ao professor na análise das relações.
Entende-se, assim, que a inclusão de ferramentas de análise de interações em Ambientes Virtuais de Aprendizagem possibilitaria que modelo pedagógico fosse avaliado e repensado com maior frequência e facilidade. Dispondo desse tipo de ferramentas, ele pode ser constantemente aprimorado,
através do acompanhamento das interações dos alunos e da aplicação de estratégias que aprofundem esses aspectos.
Embora o trabalho de Bassani (2006) tenha trazido importantes contribuições para a observação desses dados, nos últimos anos novas formas de análise foram sendo desenvolvidas, possibilitando uma noção mais geral e qualitativa das interações realizadas em uma turma. Nesse sentido, o direcionamento das trocas e a ocorrência de grupos informais, por exemplo, são questões que ficavam pouco evidentes nas formas de apresentação dos dados pelo InterROODA. Da mesma forma, a obtenção desses dados ocorria de maneira muito pontual, pois são mais quantitativos, sendo necessário a escolha de um determinado aluno, de uma ferramenta, de um tópico de fórum, entre outras questões. Nesse sentido, foi observada a necessidade de aprimorar a ferramenta, visando tornar estas questões mais evidentes. Para isso, foi implementada a ferramenta Mapa Social, conforme apresentado a seguir.
5.3 INTERAÇÕES SOCIAIS NO ROODA: UM FOCO NA FERRAMENTA MAPA