UNIDADE 2 – LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL E SUA APLICAÇÃO NA
2.3 ELEMENTOS DA ESTRUTURA DA LINGUAGEM VISUAL
2.3.2 Formas
Os elementos visuais que são responsáveis pela linguagem visual constituem aquilo que denominamos de forma. Ela não está presa apenas à imagem de uma figura, mas a todo o contexto em que é vista. Neste sentido, ela está relacionada a um formato, a um tamanho, à cor e à textura. A maneira como ela é criada, disposta, organizada junto a outras formas, independente do plano de ação em que será executada, será governada por um elemento que denominamos estrutura. (WONG, 1998).
Como já foi dito anteriormente, vivemos num mundo composto por formas que por sua vez estão carregadas de significados. Estudaremos apenas as formas consideradas básicas, por entender que elas fazem parte da estrutura das coisas.
Os traçados geométricos simples ou também chamados de formas básicas, desde os tempos mais antigos, sugerem do mesmo modo certas expressões tornando-se símbolos de determinada vontade, ou tornando-seja, são figuras que foram encontradas em várias regiões do mundo com significados semelhantes por diversas civilizações.
São consideradas formas básicas o quadrado, o círculo e o triângulo como figuras fechadas e a cruz e flecha para as abertas. (FRUTIGER, 2001).
a) Quadrado
Para o matemático Pitágoras, o quadrado representa a perfeição. Por ser uma forma de linhas e ângulos retos induz a solidez e a firmeza. Ele é o arquétipo e o padrão da ordem no universo e o modelo de proporção. (MALLON, 2009).
b) Círculo
É um símbolo profundo encontrado em todas as culturas e por todas as eras. Ele representa o sol, sem o qual não existiria vida na Terra. Representa o todo, o ser completo, a integridade, o ciclo da vida e renascimento, a roda da vida.
O círculo é o símbolo mais comum e tem significado universal. Ele não tem começo ou fim. Está ligado então à eternidade, perfeição, divindade, infinidade, condução e da ordem cósmica final. O círculo possui associações celestiais com o arco-íris e representa a união do divino e do terreno. Representa a unidade e é a forma preferida para significar igualdade. Na forma da roda, o círculo simboliza movimento. Carl Jung acreditava que o círculo simbolizava o processo da natureza, o Cosmos e os ciclos do universo, enquanto o quadrado representava o universo como o homem o concebe e projeta. As formas circulares evocam harmonia, suavidade e feminilidade. O anel do casamento é um símbolo de amor interminável e é colocado no dedo associado ao coração.
(MALLON, 2009).
c) Triângulo
Símbolo com várias interpretações, mas conciliáveis: luz, trevas e tempo;
passado, presente e futuro; sabedoria, força e beleza; nascimento, vida e morte;
liberdade, igualdade e fraternidade.
Ele define o temário número três: causa, ação e reação. É também a força do etéreo quando o vértice está para cima. (MALLON, 2009).
Segundo Perez (2004), a angularidade é associada a conflito, dureza e masculinidade.
d) Cruz
Há centenas de variedades. A cruz significa a conjunção de dois mundos.
É encontrada nas tumbas de pedras e bandeiras espalhadas pelo mundo e se relaciona com a união do físico e espiritual, a síntese do ativo e do passivo. A cruz indica a natureza dual das preocupações terrenas ou temporais e nossa natureza espiritual. (MALLON, 2009).
As formas retas geralmente são captadas como masculinas, cortantes, abruptas e instáveis, ao passo que as formas curvas são captadas como femininas, suaves e contínuas, evocando retorno. (PEREZ, 2004).
E LITERÁRIA
Símbolo Significado
Quadrado induz a firmeza, força, dureza e sem mobilidade.
Círculo movimento, ação, atitude rápida, velocidade.
Triângulo impressiona como símbolo de equilíbrio.
Cruz induz a sensação de serenidade.
FONTE: Mallon, 2009 QUADRO 12 – RESUMO
3 CORES
A cor tem sido ao longo do tempo um elemento fascinante de descobertas para o homem, principalmente para aqueles que a utilizam como elemento de construção nas artes. Ela sempre esteve presente desde os tempos mais remotos das civilizações, “[...] o homem das cavernas só via em preto, branco e cinza e a evolução para a percepção de cores foi lenta e gradual”, (PEREZ, 2004, p. 74), em função até de habitarem espaços sem iluminação.
No processo de desenvolvimento humano, em função de novos hábitos, houve também uma evolução nos mecanismos de visão proporcionando novas cores e justificando assim nas pinturas rupestres. Algumas cores extraídas da natureza e que eram responsáveis por definir a forma dos desenhos nas paredes das cavernas, Perez (2004) exemplifica o caso da cor vermelha alaranjada usada como estratégia para delimitar a forma do bizão.
Vincent Van Gogh conferiu às suas pinturas sensações cromáticas deslumbrantes, que traduzem intensas cargas emotivas e psicológicas.
FONTE: Disponível em: <http://requiemparaumsonho.zip.net/>.
Acesso em: 15 mar. 2011.
FIGURA 39 – THE MULBERRY TREE, DE VINCENT VAN GOGH - 1889
O estudo científico da cor teve um avanço maior no século XX por meio dos filósofos e escritores. Muitos estudiosos já perceberam a importância da cor em nossas vidas. Elas propiciam no universo do homem um vasto campo ligado à imaginação e criatividade, oportunizando trabalhos intensos onde a cor é quem determina a obra. Portanto, ela é importante para quem produz a obra, bem como para quem a observa e a contempla.
As cores possuem uma linguagem própria por meio de significados e sensações percebidas. Os povos espiritualizados atribuem maior importância à cor e os mais intelectualizados conferem valor à forma. A cor reflete, em realidade, o sentir de uma época. Não há limites para o uso das cores, todas são belas desde que ocupem o lugar certo, a quantidade certa e sirvam para satisfação das pessoas que vão usufruí-las.
Muitos autores abordam o estudo da cor de uma forma científica, explicando o seu processo físico. Farina aplica ao estudo da cor três características importantíssimas de como ela atua no indivíduo, que recebe a comunicação visual
“[...] a cor exerce uma ação tríplice, a de IMPRESSIONAR, a de EXPRESSAR e a de CONSTRUIR. A cor é vista, impressiona a retina. É sentida, provoca emoção.
E é construtiva, pois, tendo um significado próprio, tem valor de símbolo e capacidade, portanto, de construir uma linguagem que comunica uma ideia”.
(FARINA, 1990, p. 27).
O que percebemos com suas observações é como a cor exerce estas funções de maneira sequencial e quase imediata, que não paramos para pensar sobre cada uma dessas ações.
Para Guimarães (2000), a simbologia das cores é extraída das várias aplicações da cor, nos diversos tipos de objetos, principalmente no tocante à cor como informação, isto é, quando ela é aplicada com determinada intenção, provocando determinadas funções ligadas ao objeto ou muitas vezes ao contexto em que o objeto se encontra.
Caro(a) acadêmico(a)! Observe como esta citação é fundamental para muitos artistas. Citarei o exemplo do artista Johannes Vermeer, que utiliza a cor para conseguir situações próximas da realidade, no século XVII.
IMPORTANTE
E LITERÁRIA
FONTE: Disponível em: <http://www.evimagens.com/
blog/2009/06/>. Acesso em: 15 mar. 2011.
FIGURA 40 – JOHANNES VERMEER, "A LEITEIRA", 1656
FONTE: Disponível em: <http://www.evimagens.com/>. Acesso em: 15 mar. 2011.
FIGURA 41 – MOÇA COM O BRINCO DE PÉROLAS – JOHANNES VERMEER – 1665
DICAS
Sugestão de vídeo: Moça com o brinco de pérolas do diretor Peter Webber, lançado em 2003. Observe atentamente a questão do uso da cor pelo artista e perceba as excelentes tomadas de ângulos, pelo diretor de fotografia.
A cor fazendo parte dos elementos que compõem a estrutura da linguagem visual, assim como a forma, a textura, o cheiro, também, trazem características e informações culturais relevantes no processo de comunicação humana. Portanto, ela passa a ser um código cultural que traz informações e significados variantes de cultura para cultura.
Tiski-Franckowia (1997, p. 108. apud PEREZ, 2004) nos traz o conceito de cor explicando tecnicamente sua formação:
A luz é constituída por ondas eletromagnéticas, ou fluxo de partículas energéticas desprovidas de massa: os fótons, que se propagam no vácuo à velocidade de 300.00km/s, aproximadamente. Mas quando encontram o oxigênio, nitrogênio e outras partículas que fazem da atmosfera um meio denso e transparente, sua velocidade é menor.
Quando a direção é desviada de seu eixo central, a luz é refratada em comprimentos de ondas menores, os raios são também refletidos em direção ao espaço em uma variação de frequência. Essas modificações dos raios de luz são vistas como cores se os centros de espelhamento forem maiores que os comprimentos de luz. Por exemplo, o espectro colorido do vermelho ao violeta é totalmente visível no fenômeno do arco-íris porque as gotículas de água servem como prisma de refração, sendo maiores que os comprimentos de onda.
Portanto, a cor é um fenômeno físico e necessita de três elementos: a fonte de luz, o órgão da visão e um elemento físico.
FONTE: Disponível em: <http://filhodebarbeiro.blogspot.com>.
Acesso em: 17 mar. 2011.
FIGURA 42 – FONTE DE LUZ
Neste sentido, entender como se processam esses códigos e sua aplicação na leitura da imagem, facilita o entendimento da cor como informação, bem como a relação dos aspectos psicológicos provocados por ela.
autoatividade
Adquirimos um bom conteúdo sobre a cor, mas sei que deve perguntar: o que é a cor?
E LITERÁRIA
FONTE: Disponível em: <http://www.floresderaff.org.ar/br>.
Acesso em: 17 mar. 2011.
FIGURA 44 – ELEMENTO FÍSICO
O FENÔMENO: uma luz branca pode ser decomposta em todas as cores (o espectro) por meio de um prisma. Na natureza, esta decomposição origina um arco-íris.
FONTE: Disponível em: <http://s3.amazonaws.com/>. Acesso em:
17 mar. 2011.
FIGURA 45 – ARCO-ÍRIS
FONTE: Disponível em: <http://cronicasdeummundomeu.
blogspot.com>. Acesso em: 17 mar. 2011.
FIGURA 43 – ÓRGÃO DE VISÃO