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1 A EMERGÊNCIA DO OBJETO DE INVESTIGAÇÃO “TRAJETÓRIAS

3.2 Apresentação das entrevistas em profundidade segundo as categorias de

3.2.1 Práticas educativas familiares

3.2.1.1 Formas familiares de acompanhamento escolar

Ao se investigar a literatura produzida sobre as formas de acompanhamento escolar em camadas populares, encontram-se evidências mais frequentes de que essas famílias não

teriam práticas de “investimento pedagógico”, geralmente, comuns às camadas médias, tais quais mencionadas por Portes (2011): dedicar recursos para despesas das famílias com educação; o tempo dedicado pelos pais ao acompanhamento das atividades escolares dos filhos; os contatos com os professores; ajuda regular nos deveres de casa; reforço e maximização das aprendizagens escolares, assiduidade nas reuniões convocadas pela escola, assim como a escolha do estabelecimento de ensino. Ao contrário, essas famílias conteriam ações não estratégicas, mas que, de modo periférico ao domínio estritamente escolar, ainda assim, teriam reflexo sobre o que é relativo à escola, sobre o que é pedagógico. No entanto, no conjunto de entrevistas que realizamos, para nossa surpresa, observamos que as famílias de camadas populares que investigamos diferenciam-se entre si – de acordo com os discursos dos alunos entrevistados -, a tal ponto de encontrarmos em algumas, investimentos pedagógicos similares àqueles encontrados nas camadas médias. Dentre aqueles investimentos citados por Portes (2011), portanto, encontramos os contatos com os professores; a ajuda regular nos deveres de casa, a assiduidade nas reuniões convocadas pela escola, assim como a escolha do estabelecimento de ensino. Obviamente, tal qual percebido, o grau de investimento nessas famílias não pareceu se conduzir por uma estratégia racional amparada por uma noção de cálculo de custo/benefício do quanto ganhariam ao investirem escolarmente em seus filhos

(NOGUEIRA, 1998). O que não impediu, no entanto, que se aproximassem de algumas “estratégias de escolarização” típicas das camadas médias. Estaríamos assim, diante daquilo que Portes (2001) nomeou de trabalho escolar, que, por definição não abarcaria ações racionais e intencionais de escolarização, mas

ações ocasionais ou precariamente organizadas – empreendidas pela família no sentido de assegurar a entrada e a permanência do filho no interior do sistema escolar, de modo a influenciar a trajetória escolar do mesmo, possibilitando a ele alcançar os níveis mais altos de escolaridade, como, por exemplo, ter acesso ao curso superior (PORTES, 2011, p. 63).

Sabendo-se quão rentáveis elas são do ponto de vista escolar, isso pode ter contribuído, juntamente com as outras configurações sociais e individuais, para o sucesso acadêmico de nossos entrevistados. Por outro lado, identificamos que as famílias entrevistadas também se portam segundo o modelo já identificado em pesquisas anteriores (LAHIRE, 1995; PIOTTO, 2007; PORTES, 1993; 2000; 2001; 2006; SILVA, 1999; THIN, 2006; VIANA, 1998; 2012; 2009; 2005; ZAGO, 2000; 2006; 2011), ou seja, apresentam ações indiretas, não

pedagógicas, mas que contribuem para o percurso escolar. Podem ser citadas, dentre tantas, o suporte materno, na perspectiva do esforço de compreender e apoiar o filho, o reconhecimento do valor escolar do filho, bem como a existência de disposições familiares que favorecem o desenvolvimento da autodisciplina por parte dos alunos como uma forma de se responsabilizarem pela condução dos estudos, mantendo-os ativos no percurso escolar.

Uma das formas indiretas de atuação familiar relatadas por nossos entrevistados foi o reconhecimento do valor escolar de seus filhos, no sentido de identificar e apreciar o bom desempenho escolar apresentado por eles nas séries iniciais. Na perspectiva de Passos e Gomes (2012), essas famílias seriam orientadas pelo destaque acadêmico de seus filhos no contexto escolar, de modo a serem levadas a investir naqueles que demonstrassem aptidão para o estudo. Isso foi recorrente nas falas de José, Daniela, Mariana e Aline.

[...] Ah, eu sempre...assim, quando eu era mais nova sempre era aquela menina assim....eu tirava umas notas boas, mas nunca fui assim aquela apaixonada, de ficar o dia todo. Eu nunca fiz isso. Meus pais acham que eu sou assim. Eles acham que a minha vida é o estudo. Só que não é, sabe. Eu falo assim: não, mãe. Eu gosto de estudar. Eu estudo, mas eu não sou aquela pessoa que vive assim o dia inteiro. E eles acham que eu sou assim, que eu consegui as coisas assim. [...] (Daniela, Engenharia Ambiental)

[...] (Então você acha que para os seus pais a sua entrada no ensino superior foi mais natural?) Já foi natural. Foi natural. Porque eu passei no vestibular muito bem colocado, né? Acho que já esperavam que eu passasse. [...](José, Licenciatura em História)

[...]Quando eu entrei acho que já tava meio com essa coisa de ENEM e eu fiz o vestibular seriado. Então já dá pra você saber mais ou menos se você vai entrar ou não na faculdade antes que sai o resultado. Então quando eu fiz eu falei: ah! Com isso eu passo. Então quando eu passei não foi aquela coisa Nossa! Cê passou! Porque eles já tavam meio esperando.[...] (Daniela, Engenharia Ambiental)

(A que/quem você atribui a sua chegada ao ensino superior? E a que outros elementos/aspectos?) Ao meu pai e a minha mãe. Acho que só os dois. O que eles cobraram, o que eles esperam. Acho que muita coisa que eu fiz, também, já foi tipo...porque eles tavam esperando também uma coisa boa. Então tem que corresponder. Eu acho que se eles não tivessem muito essa cobrança, essa expectativa, talvez eu não tivesse seguido esse caminho. [...] E eu me vejo tendo essa vida também assim igual, mas como eles esperavam algo mais, eu tinha que fazer algo mais. Aí eu fui buscar. Acho que eles sempre queriam que eu me destacasse, entendeu? Então, por uma coisa eu tive que arrumar um jeito de me destacar. Aí foi isso e acho que se eles não tivessem feito isso, talvez. Eu não sei também. Eu não posso falar o que teria acontecido. (Daniela, Engenharia Ambiental)

Ah assim. Minha família sempre exigiu que eu estudasse assim. Porque como eu aprendi a ler sozinha, então minha mãe via um potencial ali. Mas como a gente não tinha tipo assim...ah! Um dia cê vai fazer faculdade. Um dia cê vai chegar lá. Mas, assim, não era uma coisa muito: “cê tem que fazer uma faculdade”.Mas todo mundo esperava que um dia eu fizesse uma faculdade por causa disso. Mas não era uma cobrança assim. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras)

[...]Eles sempre apostaram em mim.[...] (Aline, Medicina)

(Como a sua família recebeu a notícia de que você faria um curso superior? Quais as expectativas dela em relação a isso?)Ah! Ótimo. Todo mundo ficou feliz. (Você sentiu apoio?) Nó! Demais. Falar que eu ia fazer Medicina, todo mundo: ai! Cê tem muito jeito de médica. (E a expectativa da sua família em relação ao curso?) Expectativa lá na altura. Todo mundo tinha, né, expectativa pelo fato deu (de eu) ter sido boa aluna na escola. Aí todo mundo falava: “cê vai ser uma ótima médica. Cê tem todo um jeito de médica. Cê vai conseguir passar e alcançar seu objetivo.” Aí falam: cê vai cuidar da gente.” Essas coisas. (Mas isso só em relação a sua família nuclear?) Não. Tios, primos.[...] (Aline, Medicina)

A essa expectativa familiar, soma-se a contribuição individual de cada filho. Afinal, como bons filhos-alunos que são eles também desempenham

um papel específico e ativo na construção do seu sucesso escolar, manifestando autodeterminação e dando mostras de um investimento pessoal na sua escolarização. Assim, o trabalho escolar realizado pela família associa-se e, por vezes, é dependente ou condicionado à predisposição do filho para o estudo, ou seja, a família “investe” naquele membro que se mostra predisposto à ação realizada pela escola. (PASSOS E GOMES, 2012, p. 355)

No entanto, observa-se que, tal qual descrito pelo aluno José, o reconhecimento pode, também, ser estimulado pelo contato com outros agentes socializadores, como os professores, que retroalimentam a valorização familiar.

[...] Os meus pais eles sempre me deram estímulo. Principalmente, por causa do retorno dos professores. Os professores falando do interesse, né? Do interesse pela leitura e tal que acontecia. Muito motivado pelos professores mesmo, sabe? Só que uma via de mão dupla. Os professores e meus pais sempre no incentivo ali, a mim, né? [...] (José, Licenciatura em História)

Como se nota, tal ação familiar, também identificada por Lacerda (2006), mostra-se benéfica por estimular, nesses alunos, uma valorização pessoal que os auxiliaria a investir na própria escolarização, facilitando o trânsito pelo espaço educacional.

O trabalho escolar realizado por essas famílias, no entanto, traz outras marcas, como a presença materna e seu suporte constante ao processo de escolarização.

Minha mãe. A minha mãe. Ela ia muito na escola, né? Igual eu te disse, ela tinha um contato mais profundo com os professores. E ela também acompanhava a correção de tarefas, por exemplo, né? E a caligrafia, que era a rotina maldita. [...](José, Licenciatura em História)

[...] (E esse acompanhamento da sua mãe foi até quando?)Até oitava série, com mamãe sempre perguntando. Vai diminuindo a frequência. Até quarta série ela era mais...depois ela começou a trabalhar também, já começou, né? Mas sempre perguntando. E aí aquela coisa do nada: deixa eu ver seu caderno. Sabe assim do nada? Aí então tinha que tá sempre certinho. Porque vai que do nada: “deixa eu ver seu caderno”. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras.)

É.... até a segunda série, a minha mãe me ajudava a fazer dever e conferia se tava.... se o que eu tinha feito tava certo e coisa assim. E depois eu passei a fazer sozinha. (Mas, por exemplo, na terceira série alguém conferia seu caderno?) Não. Geralmente ela sempre conferiu prova. Ela conferia as notas, assim. (Andréa, Direito)

[...] (Mas como você fazia pra se sair melhor nessas recuperações? Porque você ficou uns três anos, né, pegando recuperação.) Eu era sem vergonha. Porque quando chegava a recuperação, na sexta série, por exemplo, minha mãe me fez ficar de castigo.[...] (Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)

[...] Mas quando eu tava no ensino fundamental e ensino médio, minha mãe sempre...sempre...meu pai não muito, mas minha mãe sempre foi mais chegada, de perguntar, ir em reunião de escola, essas coisas assim....Ela me acompanhava mais. [...] (Tiago, Ciências Biológicas)

Hãnn...reunião, assinar, essas coisas assim, sempre foi a minha mãe. Porque eu sempre fui mais chegado a ela do que ao meu pai. Meu pai, a gente sempre foi um pouco mais distante. Mas, aí por causa disso acabou que a minha mãe sempre fazia. Quando não dava pra minha mãe fazer aí eu ia até o meu pai. [...]Mas alguém olhava seu caderno?) Minha mãe. Minha mãe olhava sim. Quando eu era menor ela olhava de vez em quando se eu fazia. (Tiago, Ciências Biológicas)

[...] A minha mãe me orientava muito mais. Eu lembro que eu chegava da escola aí eu tinha lá para-casa, que vinha todo dia. Aí ela me orientava como é que eu tinha que fazer, como é que eu tinha que escrever. (E esse acompanhamento foi até que etapa da sua vida?) Até a quarta série. Quarta, terceira série. Também foi...na infância mesmo, entendeu? (Fabrício, Ciência da Computação)

[...] E na adolescência você havia me dito que a sua mãe já não te acompanhava muito mais. Mas você podia procurá-la se precisasse?) Podia, porque aí ela trabalhava no escritório e aí tinha internet. Na minha casa não. Aí ela podia olhar pra

mim, entendeu? Às vezes, muitas vezes ela já imprimiu coisa de pesquisa pra mim e tudo. [...] (Aline, Medicina)

[...] Minha mãe pagou cursinho pra mim, pré-vestibular [...] (Aline, Medicina)

A esse respeito fala-se, inclusive em um protagonismo das mães no processo de escolarização de alunos de camadas populares. Isto é, apesar de outros membros da família fazerem parte da educação escolar, as mães tomam a dianteira desse acompanhamento, amiúde assumindo “ativamente a condução da administração da casa, da educação dos filhos e, especialmente, de assegurar sua adequada escolarização.” (CARVALHO-SILVA, BATISTA E ALVES, 2014, p. 127)

Gissot, Héran e Manon (1994) apud Nogueira (2011) encontraram, a partir de um Survey sobre práticas familiares de escolarização que gerou um documento do INSEE francês na década de 1990 - Les Efforts éducatifs des familles, que as mães dedicam mais tempo que os pais em relação ao apoio às atividades escolares dos filhos. Assim, “enquanto as mães passam de seis a sete horas por mês ajudando cada filho nas tarefas escolares, os pais gastam de três a quatro horas nessa mesma atividade” (NOGUEIRA, 2011, p. 36). Outra explicação possível que justifica essa maior dedicação materna repousa sobre a tradicional divisão sexual do trabalho doméstico na família (DURU-BELLAT e VAN ZANTEN, 2002; HÉRAN, 1994; TERRAIL, 1992; GLÓRIA, 2007; BOYER e DELCLAUX, 1995; VAN-ZANTEN, 1996; CHARLOT e ROCHEX, 1996; BOUNOURE, 1995). Ou seja, às mulheres caberia enquanto tarefa doméstica cuidar, também, da educação escolar, enquanto os homens incumbir-se-iam de prover o sustento financeiro.

[...] Mas minha mãe contribuía mais que meu pai por ficar mais em casa assim. Me acompanhava mais. Meu pai me acompanhava menos. (Quem te acompanhava nos para-casas era ela?) Era ela. (Seus avós te acompanhavam?) Ah! Chegaram a acompanhar, também. Mais o meu avô. Meu avô ajudava mais do que....principalmente em Matemática, porque ele é serralheiro, sabia fazer fração....então ele me ajudava muito. Minha avó não muito. [...](Mariana, Licenciatura em Letras)

[...] (Agora para-casa, trabalhos, tinha alguém que te ajudava?) Sempre fazia eu e o meu irmão sentados juntos. Se tinha alguma dúvida a gente chamava minha mãe, ou minha avó, meu avô pra me ajudar. Ás vezes tinha alguma pesquisa, porque eu sou da época da Barsa, né? Tinha que ir na Biblioteca, aquela coisa. Aí minha mãe

levava, ajudava, minha mãe ajudava às vezes nessas pesquisas maiores...cê tinha que comprar folha de papel almaço…Aí minha mãe ajudava assim. Nunca fez nada pra mim, mas dava como um suporte. E eu ao meu irmão. Porque ele é mais novo que eu. Então sempre dava suporte a ele. [...] (Mariana, Licenciatura em Letras.)

(Comente sobre o acompanhamento escolar que você teve na infância e adolescência.) Era só a minha mãe. Minha mãe ela....eu chegava com os exercícios pra resolver. Aí ela sentava junto comigo. Eu começava a fazer. Primeiro eu começava a fazer. Aí ela olhava se tava certo. Se tivesse errado ela desmanchava e falava: “não, Fabrício. Tem que fazer assim e tal.”. Era todo dia. Todo dia tinha um para casa. Aí ela sentava junto comigo e tirava um tempinho, né? Pra fazer os para- casa. (Mas você tinha alguma rotina, como ter horário pra fazer o dever?) Não, eu chegava em casa, tomava um banho. Aí tomava o café. Aí eu fazia o para casa junto com a minha mãe. (Então você não podia deixar pra fazer no outro dia não?) Não. Tinha que fazer nesse dia mesmo quando eu cheguei. Porque aí já faz a atividade de uma vez. Aí levava pra escola pra ver se tava certo. Aí ela queria ver o certo também. Da professora, né? (E se não tivesse certo? O que acontecia?) Se não tivesse certo, não sei...deixa ver...ela queria saber porque não tava certo. Mas aí a professora acho que escrevia alguma coisa no caderno. Acho que de vermelho. Eu não lembro muito bem não. Mas escrevia alguma coisa que que tava errado. (Fabrício, Ciência da Computação)

É possível observar também que esse acompanhamento escolar por parte das mães não se restringe à assistência à confecção de para-casas ou à verificação de notas e boletins, mas estende-se a domínios de cunho pedagógico que englobam a aproximação com a escola, com professores, a disponibilização de tempos e espaços para realização de atividades escolares, verificação das atividades e os comunicados feitos pela escola via caderno, participação em reuniões escolares para tomar conhecimento sobre o comportamento escolar dos filhos, o apoio aos filhos nas atividades escolares, bem como a oferta de suporte emocional para lidar com as adversidades do contexto educacional. Resultados similares a esses esforços em torno da escolarização de nossos entrevistados foram encontrados, igualmente, por Almeida (2006), Andrade (2012), Portes (2001) e Souza (2009).

(E como era na sua casa quando você tinha alguma nota ruim em Matemática? Tinha alguma repercussão?) [...] Nossa! Tinha. Tinha sim. Se eu tivesse uma nota ruim, a minha mãe saberia, porque a supervisora chamava ela e as professoras conversavam com a minha mãe. Então, tipo, tinha um trabalho pedagógico, um trabalho do professor e o trabalho da minha mãe. [...](José, Licenciatura em História)

(Mas você percebe se tinha alguma outra forma de acompanhamento, além de olhar caderno, por exemplo? Que você sentia que ainda era um acompanhamento?) É...se eu tivesse alguma dúvida, minha mãe me ajudava. (José, Licenciatura em História)

[...] (Tinha algum outro tipo de participação além de ir a reuniões?) Teve, igual uma vez eu tive um problema de coluna, aí eu tive que usar colete, aí eu não poderia carregar peso. Aí minha mãe foi lá no Machado de Assis e perguntou a Inspetora lá seu eu podia deixar meus livros guardados e tudo. Ela resolvia essas coisas assim. (Entendi. Ela intervinha no que precisava pra te auxiliar mesmo na seu percurso escolar.) É. (Aline, Medicina)

Quando eu era mais nova, quando eu tava até a quarta série, mais ou menos, minha mãe sempre ajudava muito. Se precisasse dos pais pra fazer alguma coisa, minha mãe era aquela que tava. Ah! Vai ter uma excursão e precisa de pais pra acompanhar os alunos, que só professor não dá conta. Minha mãe ia, se oferecia. (Era mais a sua mãe, então?) Era minha mãe. Meu pai nunca foi de fazer essas coisas. (Daniela, Engenharia Ambiental)

[...]Eu repeti o primeiro ano lá e minha mãe....aí fui eu e um pessoal. Foi até bastante gente, né? Uns desistiram, outros os pais tiraram. Minha mãe falou: “não. Cê vai continuar.” Porque eles viram que não era minha culpa. [...] (Daniela, Engenharia Ambiental)

[...] Quando eu entrei na quinta série eu entrei tipo...as quintas séries eram quinta 1, 2, 3. Aí a 5 era a pior. E a 1 a melhor. Aí acho que eu entrei na 5. Aí minha mãe foi lá e falou: “não, mas ela não é menina de estudar na 5.” Então, a minha quinta série foi conturbada porque eu passei por todas as salas até chegar na 1. E isso minha mãe indo lá. Toda hora eu mudava de sala. Acho que já tava na metade do segundo semestre e eu não tinha chegado no 1, ainda. Mas eu terminei lá. Mas isso era a minha indo lá e falando: “não, porque…” Até porque eu tinha mais facilidade e a turma é diferente, sabe? Então eu ficava meio parada, às vezes. Eu ajudava a professora. E minha mãe: “não. Então eu vou tirar ela daqui porque ela não é monitora. Ela tem que aprender.[...] (Daniela, Engenharia Ambiental)

[...] (Você percebia nos seus estudos o que era mais papel do seu pai e o que era mais de responsabilidade da sua mãe? Como que era essa divisão?) Era da minha mãe, de ir a escola era da minha mãe. É...reunião era a minha mãe. Acho que meu pai ia a escola só no dia da apresentação dos pais. Só. Acho que nada mais ele num ia. Mas era sempre minha mãe. Mas, ele sempre tava sabendo também. É que minha mãe sempre teve o horário mais flexível também, né? E minha mãe sempre ela era participativa. Que ia em reunião, em apresentação, se acontecesse alguma coisa, se passasse mal ela que ia buscar. [...](Daniela, Engenharia Ambiental)

Ah! Eu num era aquela aluna que não tirava nota boa, mas eu também não era aquela CDF. Sempre onde tinha um pouquinho de bagunça eu tava, mas daquele jeito assim que o professor não pode saber que é amigo da minha mãe, sabe? Eu sempre fui aquela coisa...eu tava sendo muito vigiada, mas queria participar junto com os outros [...](Daniela, Engenharia Ambiental)

Olha, eles só iam pra escola pra pegar o boletim. Só isso. (As reuniões de escola...) E conversar com os professores também, como que eu era na escola, pra ficar sabendo assim. (Mas isso era feito pelo seu pai e pela sua mãe?) Era coisa mais da minha mãe. Minha mãe mais que conversava com a professora lá pra ver como que era minha atitude dentro da sala de aula. (Fabrício, Ciência da Computação)

Pessoas que foram significativas? Ah! Tá. Minha mãe. Ela sempre teve na cola de mim, entendeu? Sempre pegou no meu pé pra estudar. Deu um apoio. Hoje eu não

estaria na UFOP se não fosse ela. Porque, ah! Muita coisa que ela já fez já. (Fabrício, Ciência da Computação)

[...]Na época, minha mãe ela era cobradora de ônibus, entendeu? Aí ela transportava, fazia transporte de Mariana a Ouro Preto. Aí ela via a escola lá de Ouro Preto, entendeu? Os técnicos e tal. Aí ela falou. Não, Fabrício. Agora você, eu vou te...fazer a inscrição da prova e você vai estudar lá. Entendeu? Aí eu fui lá, fiz a prova e passei. Foi por causa da minha mãe que eu fui pra lá. (Para o Cefet?) É. [...] (Fabrício, Ciência da Computação)

No começo minha mãe às vezes ficava muito no pé. (Você fala no começo quando?) Até a quinta série. Aí depois da quinta série correu já por conta própria minha mesmo. Aí tinham uns dia que eu chegava mais de bom humor, com a lua virada, né? Aí eu fazia os para casa. Mas normalmente não. Deixava os para casa pra fazer na hora de dormir. Aí fazia, tomava banho e ia dormir. Nada muito planejado assim não. (Aí de primeira a quinta como que era? Sua mãe sentava com você pra fazer o para casa?) Muitas vezes ela sentava. Quando não sentava, ela punha a gente lá pra sentar e fazer. Muitas vezes também ela pedia pra eu cobrar dos meus irmão pra fazer. [...](Carlos, Ciência e Tecnologia de Alimentos)

Sobre a participação em reuniões, vale ressaltar que para além de um simples