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3.2 A ARTE DO ENCONTRO NA DANÇA CIRCULAR

3.2.3 Formatos da dança circular

As danças circulares recebem denominações. Adquirem o nome de Danças Circulares Sagradas a partir do interesse do alemão Bernhard Wosien13 por uma prática corporal diferenciada para expressar os sentimentos (RAMOS, 1998). Wosien ensinou, pela primeira vez, um grande repertório de danças folclóricas, no norte da Escócia, na década de 1970, quando fez uma visita a Comunidade de Findhorn. A Dança Circular se torna “Sagrada”, pelo fato de permitir que os participantes entrem em contato com sua essência, com seu ‘eu’. No momento deste contato, tem-se a união do corpo (matéria) com o espírito (energia). Acredita-se que, ao dar as mãos em círculo, cria-se um fluxo de energia que vai sustentar o campo que se forma com a presença das pessoas e com todos os elementos da natureza presentes no ambiente (WOSIEN, 2000). As danças possuem passos que vão dos mais simples aos mais elaborados, e podem se utilizar de músicas étnicas, clássicas e new age. Desta forma, pode- se dizer que, de 1976 em diante, este movimento se espalhou pelo mundo.

13 Pesquisador de danças folclóricas e étnicas, pedagogo da dança, pintor, desenhista,

coreógrafo e bailarino. Sua determinação foi uma grande contribuição para o estudo e a expansão internacional das danças circulares no século XX.

A classificação Dança Circular Celta, reporta ao século XII, na Irlanda, começaram a ser apresentadas em castelos, para a realeza no século XVI (POWELL, 1965). Na tradição celta, dançava-se em rituais em honra ao Sol e ao carvalho buscando conectar-se com a sabedoria universal. Segundo Powell (1965), os celtas eram conhecidos por apreciarem a música, a poesia e a dança, com alegria e soltura em seus movimentos, recorrentes nos períodos de celebrações religiosas, em casamentos ou nas celebrações de vitórias militares. Outro formato de dança circular apresentada é a Dança Circular Grega, trazendo, da Grécia Antiga, o costume de dançar, com as mãos dadas. As pessoas, ao fazerem oferendas e homenagearem aos deuses, dançavam em volta de árvores ou fogueiras. As Danças Circulares Gregas, muito semelhantes às Danças Circulares Sagradas, pressupõe caminho para o encontrar a si mesmo, permeando o encontrar-se com a comunidade (WOSIEN, 2000). Nessa dança, pelas amarrações circulares exprimem-se movimentação, sensações, sentimentos e emoções, podendo constituir vínculos e relações. A dança é uma das formas de expressão que melhor representam o espírito grego e também a história da Grécia, seus martírios, suas conquistas e festas, seu dia a dia, suas imensas alegrias e profundas tristezas. Os gregos antigos consideravam a dança essencial para a educação, para o culto e para o teatro. E também acreditavam que era um presente dos Deuses para o sujeito esquecer, através dela, suas dores e tristezas da vida. O filósofo Platão aconselhava que todos os cidadãos gregos aprendessem a dançar desde crianças para desenvolver o autocontrole e o desembaraço na arte da guerra. Havia as danças com armas que faziam parte da educação dos jovens de Atenas e Esparta, e as danças sociais eram realizadas em ocasiões festivas.

Nesse contexto, classificam-se as danças gregas em dois grandes grupos: o primeiro grupo – as danças folclóricas (têm a característica de sua região de procedência, variando desde a vestimenta utilizada até os instrumentos musicais), típicas e tradicionais, originárias das ilhas e das montanhas, são exibidas em dias festivos e de comemorações. As danças populares são: Sirtaki14 (a dança do Zorba), Hasapiko, Zeibekiko,

14 Sirtaki ou Hasapiko é uma dança popular de origem grega, coreografada, por Giorgos Provias

para o filme de 1964, Zorba, o Grego. A dança não foi inspirada nas danças tradicionais, mas uma mistura de versões lenta e rápida da dança Hasapiko. O Sirtaki é dançado por linhas retas

Hasaposervikos, Tsifteteli. A mais conhecida, Sirtaki, dança consagrada através

do filme ‘Zorba, o Grego’, tornou-se de interesse de todo um público, até os dias de hoje. O segundo grupo – as danças boêmias, originárias das prisões, das épocas de guerra e dos portos, especialmente o de Pireus; as mais modernas, como o Tsiftetéli, são exibidas nas boates de Atenas.

As danças circulares ganham ainda, denominações como dança dos

povos (muitas com origem no folclore de cada país, outras tradicionais de

comemorações, colheitas, retratadas em manifestações populares e inicialmente em âmbito familiar); danças meditativas (através do movimento repetido, pode- se entrar em estado de meditação, os ritmos musicais mais usados são de músicas clássicas, tradicionais e new age); danças de natureza e de plantas

curativas (coreografias que reverenciam a natureza e outras que vibram a

energia das plantas curativas); danças contemporâneas (coreografadas por dançarinos da atualidade, algumas para músicas tradicionais, outras para músicas contemporâneas, com base nos passos e nos movimentos de cada tradição, tais como as danças alemãs, italianas, portuguesas tradicionais coreografadas para shows e festas típicas) (RAMOS, 1998). Dessa forma, contam histórias e trazem significados variados de acordo com suas origens. Também é possível perceber que existem danças de variados povos, como as tradições culturais dos ciganos, a alegria e os passos saltitantes dos gregos, os rituais religiosos dos povos indianos, as manifestações indígenas, africanas, israelitas, brasileiras e celtas (OSTETTO, 2006).

Como exemplificações de dança circular no contexto histórico, trago duas referências significativas, por acreditar que pontuam, na relação com a dança, o reconhecimento e sua importância na história. A obra “A Dança” do pintor e escultor francês Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875) que, originalmente disponibilizou em gesso evidenciando mulheres em movimento circular retratando assim a dança e suas vertentes. E também uma pintura “A Dança” do francês Henry Matisse, de 1910, que reproduz um grupo de pessoas brincando de roda.

ou ciclos dos bailarinos, de mãos dadas com os ombros adjacente. A dança começa mais lenta, com movimentos suaves que gradualmente se tornam mais rápido, alegre e muitas vezes incluindo pequenos saltos.

Figura 4: “A Dança”, Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875)

Figura 5: “A Dança”, Henri Matisse (1910)

Fonte: Site EFDeportes (www.efdeportes.com)

3.2.3.1 Formatos escolhidos para a prática da dança

Apresento no Quadro 1 – Comparativo das três danças circulares, uma síntese das principais ideias de cada uma das três danças circulares que foram escolhidas por mim, com o objetivo de serem o escopo, deste estudo, nas ações investigativas.

Quadro 1 – Comparativo das três danças circulares

Dança Circular Sagrada Dança Circular Celta Dança Circular Grega

Surge o olhar e a busca por expressar os sentimentos.

Permite que os participantes entrem em contato com sua essência, com seu ‘eu’. (Século XX – 1976) Laços de proximidade. Simplicidade na vida cotidiana. Alegria e soltura em seus movimentos. Celebrações por diversos motivos. (Século XVI – 1501) Encontrar-se a si mesmo, permeando o encontrar-se com a comunidade.

Utilizada para o sujeito esquecer, através dela, suas dores e tristezas da vida.

(Século XX – 1964)

Fonte: Elaboração do autor

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