A FAO, em 1951, acordou entre seus países membros um conjunto de princípios para a formulação e a execução de uma política florestal, expresso em sua resolução de número 26 (UNASYLVA, 1952). Com a realização da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em 1992, realizada em face à crescente degradação dos recursos florestais e aos problemas ambientais, a Assembléia Geral das Nações Unidas acordou novamente um conjunto de princípios visando a um consenso global sobre ordenamento, conservação e desenvolvimento sustentável dos recursos florestais “Declaración autorizada, sin fuerza juridica obligatoria, de principíos para un consenso mundial respecto de la ordenacion, la conservacion y el desarrollo sostenible de los bosques de todo tipo” (ONU, 1992). Em decorrência disso, foi criado, em 2000, o Fórum das Nações Unidas Sobre Florestas, que passa a estabelecer princípios e diretrizes, sem força de lei, de caráter voluntário, para o manejo sustentável das florestas no mundo (ONU, 2008). Para a FAO (2010), uma política florestal é composta basicamente por dois elementos: i) um conjunto de aspirações, metas e objetivos; ii) um esboço da linha de ação que permite alcançar estas aspirações, objetivos e metas. Anteriormente, Husch (1987) elucidara que a política florestal consiste em um sistema composto pelos seguintes elementos: a) uma declaração dos objetivos; b) um corpo de legislação; c) uma estrutura administrativa de uma organização florestal governamental; d) o planejamento, a dotação orçamentária e a execução de programas da organização florestal. A política florestal, de um país ou estado, é o resultado de um acordo entre os diversos interesses de diferentes grupos, organizações e atores que estão relacionados ao uso e à proteção dos recursos florestais (FAO, 2010). Para Byron (2006), leis, regulamentos, estruturas de governança, serviços de pesquisa e instituições de ensino, organizações industriais e organizações profissionais emanam da política florestal. A FAO (2010) referenda que, sendo a política florestal o resultado de um acordo entre governo e partes interessadas, ela resulta em um arcabouço normativo executado tanto pela estrutura de governo quanto pelas partes relacionadas ao tema. No caso do governo, isso ocorre por meio de seus instrumentos jurídicos, econômicos e informações. Já o setor privado e os demais interessados movimentam-se pelos meios que dispõem e atividades que atuam. Neste contexto, a política florestal é, em última instância, a ratificação oficial de governo na qual são declarados os objetivos e metas do país ou estado, face aos recursos florestais. Uma declaração oficial de política florestal afirma explicitamente uma visão compartilhada, assim como as metas relativas às florestas, e traça estratégias para atingir essa visão ou objetivos, mas apoia uma abordagem flexível com relação aos métodos a serem utilizados (FAO, 2010). O processo de elaboração e formulação de uma política e/ou programa, em geral, as fases ou etapas, não é estruturado de forma rígida e estanque, o que compreende vários estratos que ocorrem por detrás de um processo eximiamente planejado e executado (FAO, 2010). O planejamento em políticas públicas deve ser concebido como um processo político-social e não meramente como um produto técnico puro (OLIVEIRA, 2006). Tendo em vista que um país ou estado não formula suas políticas e programas partindo de um estágio inicial, descreve-se o processo de uma política ou programa florestal como uma sequência circular de eventos: a) o diagnóstico da ordenação e da gestão dos recursos florestais; b) a formulação e elaboração da política ou programa; c) a execução; d) a avaliação e; e) a reformulação. Na mesma linha, Merlo e Paveri (1997) caracterizam o processo político florestal como uma sequência que parte da análise dos problemas, seguido pelo estabelecimento de objetivos e metas e dos possíveis cursos de ação, como as ferramentas, a execução, a supervisão dos resultados, a avaliação e a revisão da política. Todavia, o objeto de pesquisa desta tese está centrado na formulação de um programa público, processo que, segundo a FAO (2010) e Howlett et al. (2013), envolve: a) uma análise preliminar da política, da legislação e das instituições, e; b) paralelamente, o diagnóstico e identificação de problemas. A formulação de uma política, segundo Howlett et al. (2013), trata da proposição de meios para resolver os problemas apresentados pela sociedade, o que abrange a identificação e o estabelecimento de alternativas possíveis para a solução de problemas políticos, após um governo reconhecer um problema público. A FAO (2010) faz uma distinção entre política, legislação, programa ou estratégia e plano de ação florestal: a política florestal indica a direção ou a visão geral de longo prazo sobre uso e proteção dos recursos florestais e também estabelece os direitos e responsabilidades sem força jurídica, é um acordo político; o arcabouço legal deriva da política; a legislação trata da distribuição e aplicação dos direitos e deveres relacionados às florestas, é um instrumento para aplicar a política com força jurídica obrigatória. Um programa ou estratégia, em geral, trata especificamente do caminho a ser percorrido para alcançar os objetivos e metas estabelecidos na política; em que pese, o plano de ação ou plano de trabalho abarca ações específicas de curto prazo. Todavia, a FAO destaca que os programas florestais, em sua maioria, representam o marco geral da política, de forma que tanto a elaboração quanto a revisão de uma política ocorre no âmbito de um programa. Para Cassiolato e Gueresi (2010), a construção de um programa deve ser orientado para mudar as causas críticas de um problema, e o seu processo de formulação deverá contribuir para garantir a definição clara e razoável dos objetivos e resultados esperados, como também estabelecimento de indicadores de desempenho e comprometimento dos gestores do programa. O estudo de políticas públicas, diferentemente de outras áreas do conhecimento, não tem uma metodologia única ou aceita universalmente, por ser um processo difuso e desconexo. Aplica-se, em geral,uma combinação de técnicas e ferramentas, fazendo-se uso de métodos quantitativo, descritivo, analítico, organizacional, dentre outros, para tratar do problema político (LESTER; WILDS, 1990; HOWLETT et al., 2013). No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ JOSÉ DAS DORES DE SÁ ROCHA ABORDAGEM PARA FORMULAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICA E PROGRAMAS FLORESTAIS NO BRASIL: O CASO DO AMAPÁ CURITIBA 2015 (páginas 30-33)