6. IMPOSIÇÃO DE OBRIGAÇÕES
6.2. Identificação das obrigações adequadas
6.2.2. Identificação de obrigações adequadas à resolução dos problemas
6.2.2.1. Fornecimento retalhista de circuitos alugados
O mercado retalhista relevante analisado e identificado nos capítulos anteriores coincide com o mercado retalhista de circuitos alugados abrangidos pelo conjunto mínimo, tal como previsto na Recomendação e definido na Decisão 2003/548/CE da Comissão, de 24 de Julho de 2003.
Compete ao ICP-ANACOM, no âmbito do art.º 82.º da Lei n.º 5/2004, impor as obrigações relativas à oferta do conjunto mínimo de circuitos alugados segundo as normas em vigor, bem como as condições para essa oferta definidas no art.º 83.º da mesma Lei, às empresas com PMS relativamente à oferta dos elementos específicos ou da totalidade do conjunto mínimo, em todo ou em parte do território nacional.
O referido art.º 83.º explicita as condições da oferta do conjunto mínimo de circuitos alugados no retalho por parte do operador declarado com PMS, a qual deve obedecer aos princípios da não discriminação, da orientação dos preços para os custos e da transparência.
x Não discriminação
O ICP-ANACOM considera ser a não discriminação um princípio fundamental para garantir uma concorrência leal e justa, pelo que se torna premente a sua imposição e concretização.
O princípio da não discriminação obriga as empresas do Grupo PT a aplicar condições semelhantes em circunstâncias semelhantes às empresas suas clientes finais.
Tendo em conta a dimensão do Grupo PT no mercado retalhista e o p rincípio da não discriminação, qualquer proposta de desconto de fidelidade e/ou de quantidade e/ou capacidade terá que ser devidamente fundamentada e justificada na observância dos princípios de não discriminação e orientação para os custos.
x Transparência
O princípio da transparência obriga à divulgação das seguintes informações sobre o conjunto mínimo de circuitos alugados:
(a) Características técnicas, incluindo as características físicas e eléctricas, bem como as especificações técnicas e de desempenho detalhadas aplicáveis ao ponto terminal da rede;
(b) Preços, incluindo os encargos iniciais de ligação, os encargos periódicos de aluguer e outros encargos, devendo, sempre que os preços sejam diferenciados (incluindo descontos), tal ser indicado;
(c) Condições de fornecimento, incluindo, nomeada e obrigatoriamente, o procedimento de encomenda, o prazo normal de entrega – período de tempo decorrido desde a data do
pedido firme de aluguer de um circuito até à sua colocação à disposição do cliente em 95% dos casos de circuitos alugados do mesmo tipo150–, o período contratual151, o tempo típico de reparação152 e o grau de disponibilidade, e o procedimento de reembolso, quando existente.
O ICP-ANACOM considera fazer todo o sentido manter esta obrigação, considerando que as medidas destinadas a assegurar a transparência dos preços, termos e condições aumentam a capacidade dos consumidores para optimizarem as suas escolhas e beneficiarem, assim, plenamente da concorrência. Esta obrigação assegura ainda uma certeza jurídica aos vários intervenientes no mercado.
x Controlo de preços e contabilização de custos
Para efeitos do princípio da orientação dos preços para os custos, o art.º 83.º da Lei n.º 5/2004 prevê que as empresas com PMS no mercado retalhista de circuitos alugados elaborem e ponham em prática um sistema adequado de contabilidade de custos.
O ICP-ANACOM, considerando que a manutenção das obrigações de não discriminação e transparência não é suficiente para ultrapassar os problemas concorrenciais identificados na análise do mercado retalhista, entende impor a obrigação de pôr em prática um sistema de contabilidade de custos para os circuitos vendidos no retalho, uma vez que se pretende aplicar o princípio da orientação dos preços para os custos, com vista a impedir a prática de preços excessivos por parte do Grupo PT.
O ICP-ANACOM entende que a aplicação da obrigação de orientação dos preços para os custos (i.e. preços máximos retalhistas) acompanhada da definição de uma margem mínima entre os preços retalhistas e grossistas (vide secção 6.2.2.2. Fornecimento grossista de segmentos terminais e segmentos de trânsito), impedirá as empresas com PMS no mercado retalhista de praticarem preços predatórios e/ou comprimirem as margens dos restantes operadores a actuar no mercado de retalho.
O ICP-ANACOM entende, assim, ser de manter a obrigação de orientação dos preços para os custos no mercado de retalho, considerando que a aplicação das obrigações supra referidas não serão suficientes para ultrapassar os problemas de concorrência existentes neste mercado.
Tendo em conta as conclusões da análise de mercado, que evidenciam a inexistência de concorrência ao nível retalhista e permitem designar as empresas do Grupo PT como tendo PMS no mercado de circuitos alugados abrangidos pelo conjunto mínimo, o ICP-ANACOM entende
150
Este prazo deve ser estabelecido com base nos prazos de entrega reais dos circuitos durante um período recente de duração razoável, não podendo o seu cálculo incluir os casos em que os utilizadores tenham pedido prazos de entrega mais longos.
151
Período contratual: o período geralmente estabelecido para o contrato e o período contratual mínimo que o utilizador é obrigado a aceitar.
152
Prazo típico de reparação (PTR): período de tempo decorrido desde o momento da recepção de uma mensagem de avaria pela unidade responsável da empresa até ao momento em que estejam restabelecidos 80% dos circuitos alugados do mesmo tipo e em que os utilizadores tenham sido notificados, nos casos adequados, de que os referidos circuitos se encontram novamente em funcionamento, devendo, quando sejam oferecidas diferentes classes de qualidade de reparação para o mesmo tipo de circuitos alugados, ser indicados os diferentes PTR.
que devem ser mantidas as obrigações regulamentares de transparência, não discriminação e de controlo de custos impostas à PTC ao abrigo do quadro regulamentar anterior, agora extensíveis às empresas do Grupo PT a actuar no mercado de retalho, não sendo necessário impor medidas adicionais ao nível retalhista.