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3. CLT NA CONSTRUÇÃO EM ALTURA

3.1. CONSTRUÇÕES EM CLT RELEVANTES NO MUNDO

3.1.2. Forté

3.1.2.1. DESCRIÇÃO DO EDIFÍCIO

Forté é considerado, até hoje, o maior edifício residencial do mundo construído exclusivamente em CLT (exceto 1º piso e fundações), situado em Victoria Harbour, Docklands - Austrália. É constituído por 23 apartamentos, tem 10 andares (32,2 m de altura) e foi projetado com o intuito de ser um edifício amigo do ambiente, tendo-lhe sido atribuído uma classificação de 5 estrelas relativas ao seu desempenho ambiental (primeiro edifício a alcançar tal classificação). Foi o primeiro edifício australiano a ser feito a partir de CLT.

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Fig. 41 – Edifício Forté construído em CLT, situado em Victoria Harbour, Docklands – Austrália (reproduzido de http://www.aboutpeople.com.au/stories.html , 05/04/16).

O projeto foi elaborado pela conceituada empresa Lend Lease que possui mais de 10 mil projetos construídos em todo o mundo. O diretor executivo, Mark Menhinnitt prevê que 30 a 50 por cento dos empreendimentos residenciais elaborados pela empresa poderão ter o CLT como material de construção. Desta forma, a empresa aposta, cada vez mais, no desenvolvimento sustentável da construção, oferecendo uma alternativa viável às tradicionais soluções construtivas, marcadamente responsáveis por grandes emissões de carbono. A empresa também procura alargar as aplicações construtivas do CLT, nomeadamente, a edifícios comunitários, a edifícios comerciais e de ensino (escolas e universidades).

O edifício é composto por 759 painéis de madeira lamelada colada cruzada, com um peso total de 485 toneladas. A madeira utilizada na produção dos painéis é oriunda do abeto Europeu (Picea abies). A empresa austríaca KLH foi responsável pelo fornecimento de todos os painéis, tendo sido enviados em 25 contentores, por via marítima. Foram também incluídos os 5.500 suportes metálicos e os 34.550 parafusos necessários para assegurar a estabilidade das ligações.

O Forté teve um impacto bastante positivo no meio ambiente, visto que, as 485 toneladas de madeira armazenam diretamente 761 toneladas de dióxido de carbono. Considerando o CO2

emitido, caso se tivesse optado por uma solução construtiva tradicional em concreto ou aço, o benefício ambiental seria aumentado para 1.451 toneladas de CO2 ou o equivalente a 345 carros nas ruas, durante um ano. Com o uso da madeira estima-se uma poupança de 7,7 milhões de litros de água e também uma redução da taxa de eutrofização (fornecimento de nutrientes em excesso ao sistema de água) em 75 %. Além disso, o projeto inteligente aliado aos sistemas

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eficientes do edifício permite economizar aos residentes, em média, mais de $300 por ano em energia e contas de água.

3.1.2.2. ASPETOS CONSTRUTIVOS

Após o fabrico dos painéis de CLT, cada um é cortado rigorosamente com as mesmas dimensões que constam nos desenhos CAD, usando uma máquina de corte assistida por controlo numérico computadorizado (CNC), dando o aspeto final pretendido a cada painel.

Nesta fase são efetuadas as aberturas para as portas, janelas, mas também, rasgos nos painéis de forma a criar canais para os fios elétricos e outros serviços.

O piso térreo do Forté e a laje do primeiro piso foram construídos a partir de betão geopolymer.

A necessidade de vãos maiores no espaço comercial (piso térreo) e a preocupação em manter a madeira longe do solo, foram fatores determinantes para escolha do betão geopolymer.

Após a finalização dos trabalhos em betão, os painéis CLT foram transportados desde o local de armazenamento até o local da obra, que se encontrava a uma curta distância. Os painéis foram então erguidos e colocados nas suas posições finais e ligados através de parafusos e suportes metálicos. Os primeiros painéis erguidos foram aqueles que constituem os núcleos resistentes da estrutura, nomeadamente, as escadas e as caixas de elevador. Uma vez que os núcleos estavam nos devidos lugares e corretamente instalados, outros painéis foram adicionados sobre os seus lados, formando as paredes internas e externas.

Após a instalação de todas as paredes interiores e exteriores do respetivo piso, outros painéis foram colocados no topo das paredes para dar origem ao pavimento. O processo foi repetido até que a altura total da construção fosse atingida. A cobertura foi construída através da mesma metodologia usada para cada pavimento. O revestimento exterior foi aplicado à medida que o andaime e a tela foram removidos, revelando o edifício como se estivesse a ser

“desembrulhado”.

3.1.2.3. DURABILIDADE

CLT é feito de abeto europeu, que é considerado como não durável, ou seja, madeira da Classe 4. Proteção contra térmites e as condições climatéricas são os dois principais problemas

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abordados relativos à durabilidade. A proteção contra as térmites é garantida através da laje de betão ao nível do solo e por uma rede anti-térmite (TermiMesh). Esta solução é bastante semelhante à forma como uma casa em madeira é protegida.

Relativamente às condições climatéricas, a durabilidade é alcançada com a aplicação de uma tela de chuva, constituída por painéis de alumínio. Como medida de reforço, existe entre os painéis de alumínio e o CLT uma cavidade que permite que a água escorra para fora. As varandas e cobertura são construídas por CLT e possuem um revestimento à prova de água.

3.1.2.4. RESISTÊNCIA AO FOGO

Este edifício está classificado pelo Código Nacional de Construção da Austrália (NCC) como prédio misto, pois tem zona comercial (classe 6) no piso térreo e apartamentos (classe 2) para o restante dos pisos. Como o prédio tem uma elevação no nono andar, o edifício enquadra-se na categoria A. Para construções do tipo A são impostas algumas limitações relativas ao uso de madeira em determinadas aplicações, sendo obrigatórias condições que devem ser satisfeitas.

As construções do tipo A impõem limites para os materiais que podem ser utilizados na construção do edifício, assim como o nível de resistência ao fogo exigido. As paredes externas devem ser construídas a partir de materiais não combustíveis. As paredes internas resistentes devem ser construídas a partir de betão ou alvenaria, para respeitarem os limites impostos na avaliação ao fogo. Caixas de elevador e escadas devem ser construídas a partir de material incombustível.

O uso de CLT não cumpre com os requisitos impostos pelo NCC, no que concerne à utilização de materiais não combustíveis. Para atender a estes requisitos, uma solução alternativa foi proposta para satisfazer as necessidades de desempenho relevantes. Uma nova solução de projeto foi proposta, garantindo a maior parte dos níveis de resistência ao fogo, exigidos pelo NCC, com a exceção dos pavimentos que formam as varadas e das paredes externas. Além disso, esta nova solução assegura que, estruturalmente, o edifício foi concebido tendo em conta o colapso progressivo. Ou seja, os painéis de CLT foram analisados de maneira a garantir que quando uma secção de parede é danificada, a estrutura remanescente é capaz de suportar as cargas.

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Resistência ao Fogo é inicialmente conseguida através da fixação direta de placas de gesso combinada com a carbonização da madeira garantindo que o componente estrutural necessário é mantido através da prestação de camadas sacrificiais. Isto é, cada painel CLT é tipicamente constituído: por 5 camadas de 128 milímetros de espessura para as paredes e por 5 camadas de 148 milímetros de espessura para os pavimentos. Estruturalmente, apenas 3 camadas são necessárias, proporcionando 2 camadas de proteção adicional denominadas de camadas de sacrifício.

As ligações entre os painéis de parede e os painéis de pavimento mantêm um apropriado comportamento ao fogo, caso sejam incorporadas dentro da camada central do painel ou sendo cobertas por betonilha / placas de gesso.

O isolamento contra o fogo das caixas de elevador e de escadas foi um desafio muito particular, na medida em que é necessário que as escadas de evacuação, em caso de incêndio, cumpram os requisitos e mantenham a sua integridade estrutural. Isto foi conseguido através da conceção de um sistema de caixa dupla, em que cada caixa atinge os níveis de desempenho ao fogo exigidos, no entanto, não existe uma ligação estrutural entre elas.

Após consulta com o Corpo de Bombeiros Metropolitanos de Melbourne, um plano e metodologia de construção foram desenvolvidos de forma a considerar requerimentos específicos quando se trabalha com madeira, tais como: assegurar que o sistema hidratante de incêndios se encontra operacional desde o início da construção e não apenas quando se atinge a altura efetiva de 12m, construir as oficinas/barracas a mais de 10 m de distância da estrutura, dispor de 2 saídas da zona de construção, e a não efetuação de qualquer soldagem dentro da última hora de trabalho do dia.

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