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3 ENTRE OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL BRASILEIRA

3.3 FRAGMENTOS DE IMAGENS DA ESCOLA PROFISSIONAL

No esforço de “ampliar os sentidos” para compreender a historicidade da instituição, as imagens apresentam-se como possibilidade rica porque carregam elementos sensíveis que nem sempre o texto consegue captar e traduzir, além de engendrar novas subjetividades e interpretação do real.

20 Termo do hino da instituição que faz referência tanto aos alunos como ao título do livro – A

Aproveitamos a figura 2 que, além de nos mostrar as fotografias dos casarões da época, nos evidencia que a educação de aprendizes começou de forma improvisada em casarões e, somente na década de 1940, a educação profissional recebe um prédio projetado para os fins educacionais (SUETH et al., 2009).

No tocante às fotografias, Ciavatta (2009, p. 119) relata:

[...] Entendemos a fotografia como uma mediação, o que significa situá-la em sua gênese, conhecer as relações subjacentes ao objeto fotográfico, as razões de ser de determinada imagem, sua trajetória, seus usos e sua apropriação. Significa reconhecê-la como processo social complexo e desvelar sua realidade além da aparência sensível.

Para essa autora, as imagens são uma forma de mediação e de compreensão histórica que nos orientam a situar perante o objeto fotografado, tentando desvelar o momento além da imagem pela imagem – pelos caminhos que levam “além da aparência do sensível”.

Figura 2 – Perspectivas arquitetônicas dos edifícios do Ifes

(a) Perspectiva arquitetônica das Escolas. (b) Escola de Aprendizes Artífices (EAA).

(c) Segundo prédio da EAA.

(d) Sede própria do Ifes/campus Vitória no bairro Jucutuquara, antes ETV, ETFES e Cefetes.

Nota: (a) Perspectiva arquitetônica das Escolas; (b) Escola de Aprendizes e Artífices (EAA), localizada na Rua Presidente Pedreira, no Parque Moscoso; (c) Segundo prédio da EAA, depois Liceu Industrial de Vitória, transferida para outra casa na mesma rua; (d) E, no bairro Jucutuquara, com sede própria desde a década de 1940: ETV, ETFES, Cefetes e atualmente Ifes.

No entanto, a imagem não deve estar dissociada de outras formas de expressão do real. Mauad (2004, p. 21-22) assim a explica:

Entendida como resultante de uma relação entre sujeitos, a imagem visual engendra uma capacidade narrativa que se processa em determinada temporalidade. Estabelece, assim, um diálogo de sentidos com outras referencias culturais de caráter verbal e não-verbal. As imagens nos contam histórias, atualizam memórias, inventam vivências, imaginando a história.

Dialogando com esta reflexão, podemos dizer que as imagens fotográficas apresentadas nesse texto colaboram para que o leitor faça sua leitura, em virtude da riqueza de sensibilidades éticas e estéticas que as configuram. “A fotografia participa da criação de uma subjetividade humana que não repousa mais na ética da submissão aos limites da realidade e do bem comum” (CIAVATTA, 2009, p. 114). Ainda com essa autora o que vemos não é somente a imagem aprisionada em uma fotografia, mas também a imagem traduzida nos sentidos de nossa experiência. A fim de enriquecermos o registro escrito, apresentamos também algumas imagens que representam a escola e seus sujeitos, levando o leitor a imprimir a própria leitura em razão de suas subjetividades e vivências dentro do mundo opressor/oprimido. Nesse contexto, lançar um olhar para as imagens do processo histórico-político do Ifes, conforme figuras 2, 3, 4 e 5, é incitar os sentidos para apreender as informações relativas aos alunos e alunas, aos servidores, aos políticos, ao mercado e mundo do trabalho, com suas narrativas e seus cotidianos, além de demonstrar o perfil arquitetônico da escola de cada época.

Figura 3 – Registros fotográficos de atividades cívicas e de ensino (a) Desfile cívico dos alunos.

(b) Aulas na oficina de Tipografia. (c) Desfile no bairro Jucutuquara.

Nota: (a) Desfile cívico dos alunos, Pelotão do Grêmio Rui Barbosa, entre 1951 e 1952, em frente ao Porto de Vitória; (b) Aulas na oficina de Tipografia, entre 1948 e 1950, no novo galpão da Escola Técnica de Vitória; (c) Desfile comemorativo no bairro Jucutuquara, na comemoração dos 60 anos do ensino profissional.

Fonte: Sueth e outros (2009).

Pela figura 4, podemos observar o perfil industrial serrilhado do galpão que foi reformado na década de 1970 para atender ao Curso Técnico em Metalurgia. Seu perfil nos leva ao semelhante modelo arquitetônico.

Figura 4 – Edifício do Curso Técnico em Metalurgia do Ifes e modelos arquitetônicos industriais serrilhados

(a) Prédio do Curso de Metalurgia (com perfil arquitetônico industrial serrilhado).

(b) Perfil industrial serrilhado. (c) Perfil industrial serrilhado.

Nota: (a) Novo galpão reformado do Ifes/campus Vitória para atender ao Curso Técnico em Metalurgia, semelhante aos modelos arquitetônicos dos perfis industriais serrilhados, conforme (b - c). Imagens “b” e “c” como mera ilustração didática.

Fonte: (b) e (c) disponíveis em: <www.google.com.br.perfil industrial>. Acesso em 15 jan. 2013.

Já os novos Ifes construídos demonstram uma arquitetura arrojada, que em nada lembra uma escola; entretanto, remete-nos a modelos arquitetônicos de modernas fábricas, ou modernos laboratórios, conforme imagem (figura 5).

Figura 5 – Arquitetura das novas construções dos Ifes (a) Ifes/campus Linhares traz semelhança arquitetônica à das modernas fábricas.

(b) Ifes/campus Venda Nova do Imigrante se interagindo ao meio ambiente.

Nota: (a) Ifes/campus Linhares traz semelhança às modernas fábricas; (b) Ifes/campus Venda Nova do Imigrante se interagindo ao meio ambiente, e nada lembra a escola tradicional.

Sintetizamos as leituras propiciadas pelas Figuras 2, 3, 4 e 5, que nos chamam a atenção para a arquitetura dos prédios e casarões que, na época da Escola de Aprendizes Artífices (EAA), constituía espaços físicos improvisados. Depois, a ETV se transfere para o bairro Jucutuquara, instalando-se em espaço físico próprio, pensado para o ensino profissional, um prédio moderno dos anos de 1940.

Como advoga Ciavatta (2009), o projeto arquitetônico se assemelha aos das indústrias e nos leva quase que propositadamente a relembrar o perfil físico serrilhado de seus galpões, provavelmente com propósito de induzir a formação da futura mão de obra e o culto de uma memória industrial (figura 4). No final do século XX, a sociedade cobra a interiorização e a regionalização do ensino profissional, resultando na construção de novos prédios de arquiteturas arrojadas que nos levam à modernidade e à tecnologia dos novos tempos, como se observa pela figura 5.