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CAPÍTULO IV – Framework EPTEALAS

7. Framework EPTEALAS: uma abordagem à diversidade

7.1. Framework EPTEALAS

Apresenta-se abaixo (Figura 9) a Framework designada por EPTEALAS (do acrónimo Envolvimento, Preparação, Transmissão, Exemplificação, Aplicação, Ligação, Avaliação e Simulação), bem como se descrevem as suas fases constituintes.

7.2 - Mecanismos Front-End

De forma a poder transformar os requisitos tecnológicos (muitas vezes causadores de entropia ao formando) em informação intuitiva e transparente para o formando, esta fase é constituída em dois momentos complementares: Browser Check e Help Desk.

Para que os formandos possam aceder aos cursos de e-learning, é indispensável que estes possuam os requisitos técnicos necessários. A maioria dos potenciais formandos não compreendem exatamente o que estes requisitos significam e/ou se o seu sistema informático possui ou não estes requisitos (Cf. Schrum & Hong, 2002a; 2002b; Boyd, 2004; Pallof & Pratt, 2003; Workman & Stenard, 1996).

De forma a poder ultrapassar este potencial constrangimento, que pode vir a ser responsável por eventuais abandonos/desistências por parte dos formandos, foi desenvolvida uma funcionalidade (Browser Check), o qual diagnostica automaticamente os requisitos técnicos do computador do formando (atuais) e indica a necessidade ou não de eventuais parametrizações ou instalações.

No entanto, caso os formandos sintam alguma dificuldade ou incompreensão face ao output do diagnóstico, são convidados a contatarem diretamente o HelpDesk (por email, telefone ou por aplicação sobre IP) de forma a poderem ser imediatamente assistidos.

Para além disso, o acesso HelpDesk é particularmente importante e frutuoso quando os formandos necessitam aceder aos cursos a partir de casa. As nossas métricas mostram

Figura 10 - Ilustração Gráfica ecrãs Mecanismos Front-End

7.3 - Kit do Formando

Manuais, Guias Rápidos e FAQ’s: diferentes manuais são disponibilizados aos formandos (ex: e-Curso, Plataforma LMS – Plataforma de Gestão da Aprendizagem Online) e estes são muitas vezes considerados como determinantes e por vezes até como pré-requisitos para a adequada frequência dos cursos online.

No entanto, a experiência tem-nos mostrado que os formandos nem sempre leem estes materiais antes de acederem aos cursos. Por forma a procurar ultrapassar este constrangimento, foi desenvolvido um instrumento/mecanismo sob a forma de “demonstração animada passo a passo” e desta forma o formando pode observar

Similarmente, também as tradicionais FAQ’s (html, pdf) foram transformadas em respostas mais frequentes aos formandos sob a forma de animação (em animação flash). O paradigma da leitura é complementado por uma forma fácil e rápida – paradigma da “animação/observação” passo a passo.

7.4 - Estratégias Pedagógicas (Detalhe da Framework EPTEALAS):

7.4.1 - Envolvimento

Esta estratégia procura imergir o estudante no contexto real de um cenário de negócio ou empresarial / organizacional, onde este é confrontado com um problema (Merril, 2002; 2007) ou com uma situação particular de trabalho. O formando irá desempenhar um papel (ex. de um novo colaborador de uma organização, alguém que possui a necessidade de vir a obter uma nova certificação de forma a progredir na carreira, etc.). Esta personagem dialoga e interage com outros personagens ao longo do curso e constitui-se uma breve narrativa sob a forma de diálogos.

De um ponto de vista pedagógico, esta estratégia procura ganhar a atenção do aluno envolvendo-o e projetando-o em situações que simulam a realidade e como tal dinamizando a motivação e efetuando a ligação com os problemas de trabalho quotidianos.

Esta estratégia tem por base o primeiro evento de instrução de Gagné – “Gaining Attention” e o primeiro principio do Modelo ARCS proposto por John Keller - “Motivation to learn is promoted when a learner’s curiosity is aroused due to a perceived gap in current knowledge” (Keller, 2008: 176).

Figura 12 - Ilustração Gráfica ecrãs Fase Envolvimento

7.4.2 - Preparação

Esta estratégia está dividida em duas fases complementares: “Apresentação do Programa e Objetivos” e “Contextualização e Ativação”:

É necessário informar e garantir que o aluno adulto compreende, com detalhe, a relevância, a adequação e a aplicabilidade do curso, bem como o que é expectável dele. Esta estratégia detalha os objetivos gerais em pequenas unidades que são objetivas e mensuráveis, isto é, em objetivos específicos (in stricto sensu).

A consecução, por parte do aluno, de um determinado objetivo específico pode ser mensurada através de um conjunto de questões ou atividades avaliativas específicas diretamente ligadas a esse objetivo específico.

Se um objetivo específico não é alcançado, o feedback da avaliação formativa conduzirá o formando diretamente (o formando é guiado) para o conteúdo específico desse “gap” formativo. Existe uma intima interconexão entre objetivo específico, dos conteúdos relativos a esse conteúdo específico e de um conjunto de questões e/ou atividades que mensuram se este objetivo específico foi alcançado.

“Contextualização e Ativação”:

“Contextualização e Ativação” – antes de se iniciar a fase da “transmissão” (conteúdo de aprendizagem), esta estratégia procura efetuar uma introdução, uma contextualização ou um recordar do tema (ou relacionado/pré-requisito) para que o formando possa ativar conhecimento prévio (Cf. – 3º evento de Gagné “Stimulating Recall of Prerequisite Learned Capabilities” ; Princípio da Ativação de Merrill – “Learning is promoted when learners activate relevant cognitive structures by being directed to recall, describe, or demonstrate relevant prior knowledge or experience”) - “Activation is enhanced when learners recall or acquire a structure for organizing new knowledge”.

“As students begin to learn new information, instruction should involve the recall of prior learning to establish a common foundation of understanding. It intends the interaction of new material or information with preexisting cognitive structure on the individual” (Merrill).

Figura 14 - Ilustração Gráfica ecrãs Fase Preparação, Sub-fase Contextualização e Ativação

7.4.3 - Transmissão

Esta fase é dividida em três momentos complementares: Aquisição (conteúdo de aprendizagem), Sistematização e Avaliação formativa.

respeitando as principais recomendações da Teoria da Carga Cognitiva (Clark, Nguyen & Sweller, 2006).

Após a apresentação de uma parte de conteúdo tipicamente associado a um objetivo específico, é aconselhável efetuar-se uma sistematização através de uma recapitulação de conceitos e ideias transmitidas. É também aconselhável, no fim, a criação de uma representação gráfica dos conceitos e suas relações (novo conteúdo de aprendizagem) através do uso, por exemplo, de “mapas conceptuais” (mostrando as relações entre os conceitos) ou diagramas dinâmicos. De forma a poder informar o formando se ele atingiu o objetivo específico, deverá ser apresentado um exercício ou um conjunto de questões sob a forma de avaliação formativa antes de permitir ao formando progredir no curso.

7.4.4 - Exemplificação e Demonstração

Esta fase é baseada sobretudo em Merrill (2002; 2007), especificamente “principio da demonstração” e está dividida em três subestratégias complementares: Caso Real, Demonstração Passo-a-Passo e Pergunte ao Especialista

a) Caso Real é uma exemplificação baseada em situações reais, em problemas reais e procura confrontar o formando com situações autênticas do quotidiano profissional, ao mesmo tempo que ilustra a pertinência e adequabilidade do conteúdo aprendido. Tem também como objetivo demonstrar os conceitos aprendidos. É recomendável ter mais do que um “caso real” de forma a diversificar a ilustração e para maximizar a compreensão de um problema/situação. Através do uso de diversos exemplos (do mais simples para o mais complexo), esta estratégia procura promover a compreensão do mínimo denominador comum, a essência, dos exemplos apresentados.

b) Demonstração passo-a-passo é uma tipologia de exemplificação (Cf. Gágne 5º Evento - Providing learning guidance) que procura ilustrar a decomposição de um problema em fases constituintes e/ou componentes e que obriga a uma análise comentada e detalhada das partes que compõem a complexidade de um problema ou situação (Problema Estruturado, Jonassen, 2005).

Figura 16 - Ilustração Gráfica ecrãs Fase Exemplificação e Demonstração, Sub-fase Demonstração passo-a-passo

c) Pergunte ao Especialista – constitui uma situação/problema mais complexo em que o formando, confrontado com um problema (semi-estruturado), sendo desafiado na procura de resolução do mesmo – no entanto pode pedir ajuda ao Especialista. O aluno pode pedir auxílio e aconselhamento de um expert (através de uma funcionalidade de

Em síntese, esta estratégia segue o principio de Merrill que refere que “learning is promoted when learners observe a demonstration of the skills to be learned that is consistent with the type of content being taught” (Merrill, 2002). As demonstrações são ainda reforçadas quando os formandos recebem apoio (guidance): “Demonstrations are enhanced when learners receive guidance that relates instances to generalities, and when learners observe media relevant to the content” (Merrill, 2002).

Merrill sumariza este 3º Princípio como “Mostra-me”. Mostra-me envolve tanto demonstração como apoio. Apoio efetivo envolve dirigir os formandos para informação relevante e ajudá-los a comparar uma variedade de demonstrações.

7.4.5 - Aplicação e Transferência

Esta fase tem como foco o esforço de maximizar a transferência da aprendizagem, no sentido de promover a capacidade de forma flexível aplicar o que foi aprendido a novas situações (Cf. 5º and 6º evento de Gagné – Eliciting learning guidance e Providing feedback; 3º Princípio de Keller Confidence e o Princípio de Aplicação de Merrill). Esta fase é uma oportunidade para que o formando possa aplicar o conhecimento aprendido ou skill, primeiramente com apoio e gradualmente sem apoio e recebendo feedback sustentado e suporte.

Esta fase é baseada no Princípio de Aplicação de Merrill – “Learning is promoted when learners engage in the application of their newly acquired knowledge or skill that is consistent with the type of content being taught” (Merrill, 2002).

A “aplicação” é eficaz somente quando os formandos recebem um feedback intrínseco e corretivo, e quando os formandos são “treinados” (coached) e quando este treino é gradualmente retirado em cada tarefa subsequente.

Isto é também complementar no que Keller considera o seu 3º princípio, “Motivation to learn is promoted when learners believe they can succeed in mastering the learning task” (Keller, 2008). Confiança, a terceira categoria do Modelo ARCS, incorpora variáveis relacionadas com sentimentos do formando relacionados com controlo e expectativa de sucesso.

7.4.6 - Ligação

Esta fase centra-se na colaboração, orientação (mentoring) e ferramentas colaborativas

a) Mentoring assíncrono – ao longo da frequência do curso os formandos podem ter alguma pergunta específica que necessita de ser clarificada. Neste sentido foi desenvolvida uma funcionalidade de email interno ao nível do curso de forma a que o formando possa questionar o seu tutor – tutoria assíncrona através de email interno. Cada ecrã possui um identificador único, um código específico. Em cada ecrã existe uma caixa lateral que pode ser acionada onde o formando pode colocar a sua questão ao tutor. Ao acioná-la a aplicação inscreve de forma automática o código do ecrã (Curso, módulo, unidade temática, objetivo específico correspondente e ecrã específico). Cada pergunta constitui-se assim numa pergunta específica (diretamente ligada ao conteúdo do ecrã) e desta forma não há propensão para perguntas genéricas e descontextualizadas, apenas perguntas ancoradas no conteúdo. Para o tutor é muito mais fácil responder rapidamente e compreender melhor a pergunta indo de encontro à expectativa do formando.

b) Colaborações – existem dois tipos de fóruns de discussão disponíveis: Fórum de discussão supervisionado e fórum de discussão entre colegas (formandos). Em cada unidade temática do curso existe sempre um Fórum de discussão supervisionado pelo Tutor da Turma. Neste Fórum todos os “posts” (publicações) são visíveis a todos os colegas da turma, os quais estão sub-divididos em grupos e ligados ao seu tutor específico. Aqui são maioritariamente discutidos assuntos ligados a procedimentos do curso, com o processo e especificidades formativas do curso e processo de certificação. Existem ainda fóruns de discussão entre colegas (formandos) sem supervisão de tutores. Aqui os alunos poderão trocar ideias entre si, dúvidas, materiais e estabelecer ligação virtual com os colegas de forma a sentirem-se parte de uma turma (apesar de semivirtual, uma vez que se encontrarão aquando do exame de certificação).

c) (Outras) Ferramentas – esta funcionalidade complementa os materiais do curso e fornece aos formandos acesso a glossário de termos, Job aids, documentação, templates, artigos, legislação e outros materiais pragmáticos úteis à atividade profissional.

7.4.7 - Avaliação:

Autoscopia e Avaliação

Ao longo do curso de e-learning, existem vários momentos de avaliação formativa os quais proporcionam apoio, feedback e informam os formandos de como estão a atingir os objetivos de aprendizagem. No final de cada módulo de aprendizagem o sistema propõe ao formando que realiza uma atividade de autoscopia (autoavaliação).

Existe a intenção de analisar se, de um ponto de vista estrito do formando, ele considera que atingiu os objetivos de aprendizagem do módulo, ou por outras palavras, de saber qual o grau de consecução que cada formando acha que conseguiu alcançar. Esta funcionalidade é opcional (voluntária) e permite a quem a realizar este breve questionário um confrontar dos resultados mais tarde após obter os resultados da avaliação sumativa desse mesmo módulo. O output confronta o nível de consciencialização que o formando tem de si próprio e especificamente dos seus resultados de aprendizagem.

Após completarem os módulos, os formandos devem realizar uma avaliação final. Esta, sob a forma de teste sumativo, tem como objetivo aferir objetivamente se os formandos atingiram os diversos objetivos de cada um dos módulos. A classificação do teste, numa escala, varia entre os 0% e os 100%, onde se considera sucesso quando se obtêm classificações iguais ou superiores a 70%. Só aqueles que atinjam os 70% transitam para o módulo seguinte.

Existe sempre um feedback detalhado dos resultados do teste de avaliação sumativa. Os formandos visualizam a sua classificação, quais as questões que foram respondidas corretamente e incorretamente, poderão confrontar as suas respostas com as respostas corretas (o que respondi / onde errei e qual a correta) e, no final, a aplicação cria um percurso de aprendizagem diretamente identificando os conteúdos relacionados com o gap formativo do formando.

Esta estratégia está diretamente ligada ao 8º evento de Gagné, Assess performance, bem como ao 4º princípio de Keller “Motivation to learn is promoted when learners anticipate and experience satisfying outcomes to a learning task” – o qual é representado no modelo ARCS pela Satisfação: “It is necessary for learners to have positive feelings about their learning experiences and to develop continuing motivation to learn” (Keller, 2008).

Figura 22 - Ilustração Gráfica ecrãs Fase Avaliação

7.4.8 - Simulação

Uma verdadeira simulação possui um objetivo específico em mente – imitar, ou simular, um sistema real para que possamos explorá-lo, experimentá-lo, e compreendê- lo antes de implementar no mundo real. Constitui uma experiência de aprendizagem imersiva.

Esta aplicação é composta por um teste de 50 questões de múltipla escolha, escolhidas aleatoriamente de uma base de dados com mais de 900, em que os formandos terão de responder no tempo total máximo de 1 hora (tal como o real). Cada vez que os formandos geram um novo teste, novas perguntas são aleatoriamente escolhidas, bem como a ordem das alíneas de resposta.

Esta estratégia tem em conta o 9º evento de Gagné (Enhance retention and transfer to the Job) e especialmente o Princípio de Integração de Merrill, - Learning is promoted when learners integrate their new knowledge into their everyday life by being directed to reflect on, discuss, or defend their new knowledge or skill. Também Keller defende que “motivation to learn is promoted and maintained when learners employ volitional (self-regulatory) strategies to protect their intentions” (Keller, 2008) – após estarem motivados para atingirem o objetivo, é necessário persistir no esforço para o conseguir – o qual é o foco deste princípio.

CAPÍTULO V – Aferição da

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