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No viés do entendimento de como funcionam as cidades inteligentes e sustentáveis, alguns autores desenvolveram frameworks de análise, buscando explicar as relações e influencias entre os fatores e iniciativas provenientes de cidades inteligentes e sustentáveis.

Em consonância com Chourabi et al. (2012) é por meio dos fatores que se pode ter uma base comparativa, visando o entendimento de como as cidades vem administrando e implementando suas iniciativas, serviços e, além disso, avaliação destes.

As tipologias de frameworks de análise variam de acordo com o que cada autor busca dar evidência, contudo o pressuposto principal justifica-se pela funcionalidade e estrutura dos modelos, e essas visa justamente o entendimento de como uma cidade inteligente funciona (CHOURABI et al. 2012).

Para Chourabi et al. (2012) a estrutura do modelo proposto, conta com oito agrupamentos de fatores, sendo eles: gerenciamento e organização, tecnologia, governança, política, pessoas e comunidades, economia, infraestrutura construída e meio ambiente.

Quanto ao gerenciamento e organização, Chourabi et al. (2012) menciona que ainda há poucos estudos sobre. Contudo, Gil-García; Pardo (2005) propõem algumas diretrizes que norteiam e delineiam o processo de gerenciamento dentro do conceito de cidades inteligentes. As mesmas visam o entendimento do tamanho do projeto, atitudes e comportamentos gerenciais, diversidade organizacional, projetos e objetivos organizacionais, resistência a mudanças e conflitos.

Quanto à abordagem da tecnologia, Chourabi et al. (2012) relata que é por meio da tecnologia que as iniciativas de cidades inteligentes de fato são impulsionadas. A utilização das TIC‟s no ambiente urbano pode vir a melhorar a gestão e funcionamento de uma cidade. Todavia, exige nesse sentido, uma integração e interação entre os componentes tecnológicos e as políticas. É preciso estar atento às leis e normas que regem cada região, e entender os desafios que estão implícitos em um quadro institucional e no ambiente político, sempre visando o bem estar e a qualidade de vida das pessoas.

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O modelo de framework (quadro 10) proposto por Chourabi et al. (2012) é representado por dois níveis de fatores – sendo eles: fatores externos (governança, pessoas, comunidades, ambiente natural, infraestrutura e economia) e fatores internos (tecnologia, gestão e política). Chourabi et al. (2012) enfatiza, que o fator tecnologia, pode ser considerado um meta-fator, ou seja, este por vir a influenciar fortemente cada um dos outros sete fatores. Nota-se desta forma, que o uso intensivo da tecnologia, deriva do fato da própria influenciar todos os outros fatores em iniciativas de cidades inteligentes.

Lee et al. (2014) a partir de uma revisão de literatura também propõem um framework de análise com 6 dimensões conceituais chaves e 17 sub-dimensões (quadro 11). Segundo os autores, as dimensões são definidas como: abertura urbana, serviços de inovação, formação de parcerias, pro atividades urbanas,

infraestrutura integrada e governança.

Quadro 10 - Framework proposto por Chourabi et. Al. (2012) Fonte: (CHOURABI et al., 2012)

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DIMENSÃO DEFINIÇÃO SUB-DIMENSÃO DESCRIÇÃO

Abertura urbana Grau de abertura dos sistemas de inovação orientada ao usuário, permitindo novos serviços.

Participação – Design de serviço Plataforma onde as pessoas podem participar promovendo o engajamento cívico

Plataforma de dados Abertos Medição total dos dados, refletindo a disposição de uma cidade no desenvolvimento de seus serviços.

Serviços de inovação Desenvolvimento de serviços inovadores através da exploração de uma variedade de

serviços, bem como a exploração de maior interoperabilidade.

Diversidade de serviços Exame da diversidade ou foco no serviço, impulsionado pela própria cidade ou fornecedores externos usando dados abertos.

Integração de serviços O grau de interoperabilidade ou conectividade de diferentes serviços a partir de uma perspectiva de modelo de negócios para inovar dentro do mesmo domínio de serviço ou serviço interfuncional

Formação de

parcerias

Determinação do tipo de parceria a ser formada

para promover o

desenvolvimento da

cidade.

Público - Privado Para o desenvolvimento de serviços.

Recursos - Financiamento Avaliação das fontes de financiamento

governamentais ou privadas para o desenvolvimento dos serviços.

Pro atividade

urbana

Ate que ponto os serviços estão movendo em direção

ao uso de energia

sustentável, e o uso da TI

em sensores e

conectividade ou

controles.

Tecnologia inteligente embutida em serviços oferecidos pela cidade

Documentação dos serviços com inteligência tecnológica

Inteligência verde – serviços relacionados a meio ambiente e energia

Análise dos serviços e monitoramento das infraestruturas no que diz respeito ao consumo de energia para promover o engajamento cívico.

Infraestrutura integrada

Infraestrutura e TIC´s para criar maiores efeitos de

rede com múltiplos

Múltiplos dispositivos Investigações de quais serviços são entregues e como estão distribuídos.

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Centro de dados –

Disponibilidade e integração

Avaliação do numero de data centers e seu nível de interoperabilidade para infraestruturas, esforços da cidade para utilizar os serviços públicos.

Governança Estrutura de governança

eficaz, para impulsionar o crescimento e promover o

uso de serviços

inteligentes

Liderança da cidade inteligente Liderança formada pelo prefeito mais diretor de agencia dentro da cidade

Estratégia da cidade inteligente Estratégia formal revista e revisada regulamente afim de que estejam alinhadas com as iniciativas específicas locais

Organização para promover a cidade inteligente

Equipe dedicada a diversos papeis e habilidade para promover o desenvolvimento da cidade e também o reconhecimento

Desenvolvimento de gestão, processos e planejamento.

Processo de planejamento e organização de

desenvolvimentos definidos com papel e

responsabilidades claros de todas as partes envolvidas no processo

Princípios da cidade inteligente Princípios baseados nos decretos municipais relacionados com o planejamento urbano e desenvolvimento da cidade

Medição e atuação Critérios de desemprenho da cidade inteligentes

definidos e utilizados pelas agencias da cidade

Quadro 11 - Framework proposto por (LEE; HANCOCK; HU, 2014) Fonte: Traduzido de (LEE; HANCOCK; HU, 2014)

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Estudos mais recentes, como Fernandez-Anez et al. (2018) propõem um novo modelo de framework, os autores entendem a cidade inteligente e sustentáveis como um sistema integrado e multidimensional, buscam por meio de um modelo abordar os desafios urbanos em parceria com os multi-stakeholders. O modelo identifica 3 questões como principais, sendo: 1) o papel da governança e seu envolvimento das partes interessadas; 2) a importância da visão de projetos e dimensões das cidades inteligentes; 3) o entendimento da cidade inteligente como ferramenta para enfrentar os desafios urbanos.

O modelo concentra as partes interessadas no centro (figura 2), neste caso sendo quatro partes: político, social, atores econômicos e o conhecimento. No aporte politico estes incluem as instituições governamentais e os partidos políticos; quanto ao social são os especialistas e a instituições da sociedade civil; os atores econômicos seriam as empresas públicas e privadas envolvidas nesse processo e por fim o conhecimento seriam as universidades e centros de pesquisa da cidade. Esses grupos se sobrepõem e podem pertencer a mais de um sistema.

Figura 2 - Modelo proposto – Parte Central - Traduzido

Fonte: (FERNANDEZ-ANEZ; FERNÁNDEZ-GÜELL; GIFFINGER, 2018)

Políticos Envolvidos Econômicos Envolvidos Técnicos Envolvidos Social Envolvidos CIDADÃOS

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Além disso, Fernandez-Anez et al. (2018), organizam as seis dimensões propostas por Giffinger (2007) em torno dos grupos de interesses. O centro do modelo é apoiado por dois subsistemas, os quais foram denominados de subsistemas funcionais urbanos – espacial e tecnológico. Quanto ao subsistema espacial seriam os elementos construídos pelo homem, tais como: ruas, infraestrutura, habitação, espaços abertos entre outros... Quanto ao subsistema tecnológico o mesmo se baseia nas TIC‟s e nas ferramentas de transferência de informação. O modelo proposto (figura 3) é capaz de oferecer uma visão abrangente de como uma cidade pode alcançar maior coerência nas iniciativas de smart city. O engajamento entre as parte envolvidas, os múltiplos stakeholders e as parcerias coordenadas por um município, são um fator chave para a cidade inteligente.

Figura 3 – Modelo proposto – Final - Traduzido

Fonte: (FERNANDEZ-ANEZ; FERNÁNDEZ-GÜELL; GIFFINGER, 2018)

Políticos Envolvidos Técnicos Envolvidos CIDADÃOS DESAFIOS INICIATIVAS DE GOVERNO EM SC INICIATIVAS DE PESSOAS EM SC INICIATIVAS EM MEIO AMBIENTE INICIATIVAS EM MOBILIDADE E INFRAESTRUTURA INICIATIVAS EM SERVIÇOS EM SC SUBSISTEMA TECNOLOGIA SUBSISTEMA ESPACIAL SMART CITY – SC SUBSISTEMA MUDANÇA CLIMATICA INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS NOVO MODELO DE GOVERNANÇA URBANIZAÇÃO GLOBAL

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Nota-se por meio desses exemplos de frameworks apresentados, a importância do conceito de cidades inteligentes e sustentáveis no processo de gerenciamento urbano. Uma vez que estas são ferramentas importantes para contribuir no processo de estruturação das cidades atuais. Adapa (2018), relata que a partir desses frameworks é possível obter um equilíbrio entre as forças macro ambientais, o que consequentemente levará a uma infraestrutura inteligente.