Laboratório Hemobiolab
11. Controlo de Qualidade em Imunologia e Endocrinologia
14.2. Função Tiroideia
14.2.1. Hormona Tireoestimulante (TSH)
Nota: A hormona estimulante da tiróide (TSH) é sintetizada e segregada pela hipófise
anterior em resposta a um mecanismo de resposta negativa que envolve concentrações de FT3 (T3 livre) e de FT4 (T4 livre). Além disso, o tripéptido hipotalâmico, a hormona libertadora de tirotropina (TRH), estimula diretamente a produção de TSH. A TSH interage com recetores de célula específicos na superfície da célula da tiróide e exerce duas ações principais. A primeira ação é estimular a reprodução de células e a hipertrofia. Em segundo lugar, a TSH estimula a glândula tiróide a sintetizar e segregar T3 e T4. A capacidade para quantificar os níveis de TSH em circulação é importante na avaliação do funcionamento da tiróide. É especialmente útil no diagnóstico diferencial entre o hipotiroidismo primário (tiróide), o secundário (hipófise) e o terciário (hipotálamo). Os ensaios de TSH com sensibilidade e especificidade acrescidas proporcionam uma ferramenta de diagnóstico primário para diferenciar os doentes com hipertiróide dos que sofrem de eutiróide (1).
Amostra: Soro
Equipamento: Centaur XP
Método: TSH-3 é um imunoensaio do tipo sanduíche efetuado em dois locais que
100 de dois anticorpos. O primeiro anticorpo, no Reagente Lite, é um anticorpo monoclonal anti-TSH de rato marcado com éster de acridina. O segundo anticorpo, na Fase Sólida, é um anticorpo policlonal anti-TSH de ovelha que está ligado por covalência a partículas paramagnéticas. Existe uma relação direta entre a quantidade de TSH presente na amostra do doente e a quantidade de unidades relativas de luz (RLUs) detetadas pelo sistema.
14.2.2. Tiroxina Total (T4)
Nota: A tiroxina (3,5,3',5'-L-tetraiodotironina, T4) é uma hormona sintetizada e segregada pela glândula tiróide e desempenha um papel importante na regulação do metabolismo. A T4 é segregada para a circulação como resposta à hormona TSH (hormona estimulante da tiróide). A secreção da T4 é regulada por um mecanismo de resposta negativa que envolve a glândula tiróide, o hipotálamo e a hipófise. Na circulação, 99,95% da T4 está reversivelmente ligada a proteínas de transporte, sobretudo à globulina de ligação à tiroxina (TBG) e, em menor grau, à albumina e à pré-albumina. A T4 livre ou não ligada é metabolicamente ativa e a T4 ligada é metabolicamente inativa, agindo como reserva. Nos indivíduos saudáveis, as concentrações de TBG mantêm-se razoavelmente constantes. Contudo, sabe-se que a gravidez, o excesso de estrogénios, androgénios, esteróides anabólicos e glucocorticóides alteram os níveis de TBG e podem ocasionar valores falsos da tiróide nos testes ao funcionamento da tiróide. Os níveis alterados de T4 nestas situações podem não refletir com exatidão o estado da tiróide. A disfunção primária da glândula tiróide pode resultar em libertação excessiva (hiper) ou inferior ao normal (hipo) de T4 ou T3. Além disso, dado que o funcionamento da tiróide é diretamente afetado pela TSH, a disfunção da hipófise ou do hipotálamo influencia a atividade da glândula tiróide. A doença em qualquer parte do sistema tiróide-hipófise-hipotálamo pode influenciar os níveis de T4 e T3 no sangue (1).
Amostra: Soro
Equipamento: Centaur XP
Método: A deteção de T4 é executada por um imunoensaio competitivo que recorre à tecnologia quimioluminescente direta. A T4 na amostra do doente compete com a T4, que está ligada por covalência a partículas paramagnéticas na Fase Sólida, por uma quantidade limitada de anticorpo monoclonal anti-T4 de rato marcado com éster de acridina no Reagente Lite. Existe uma relação inversa entre a quantidade de T4
101 presente na amostra do doente e a quantidade de unidades relativas de luz (RLUs) detetadas pelo sistema.
14.2.3. Tiroxina Livre (FT4)
Nota: A tiroxina livre (FT4) constitui uma pequena fração da tiroxina total. A FT4 não está ligada a proteínas e encontra-se disponível para os tecidos sendo metabolicamente ativa e um precursor da triiodotironina (T3). Esta fração constitui cerca de 5% do T4 circulante. Os níveis de T4 livre estão correlacionados com a secreção e o metabolismo de T4. No hipotiroidismo e no hipertiroidismo, os níveis de FT4 são paralelos às alterações nos níveis da T4 total. Medir a T4 livre é útil quando ocorrem níveis alterados de T4 total devido a alterações nas proteínas de ligação à T4, sobretudo na globulina de ligação à tiroxina (TBG) (1).
Amostra: Soro
Equipamento: Centaur XP
Método: FT4 é detetada por um imunoensaio competitivo que recorre à tecnologia quimioluminescente direta. A FT4 na amostra do doente compete com a T4 marcada com éster de acridina no Reagente Lite por uma quantidade limitada de anticorpo policlonal anti-T4 biotinilado de coelho. A anti-T4 marcada com biotina está ligada à avidina, que está ligada por covalência a partículas paramagnéticas na Fase Sólida. Existe uma relação inversa entre a quantidade de FT4 presente na amostra do doente e a quantidade de unidades relativas de luz (RLUs) detetadas pelo sistema.
14.2.4. Triiodotironina Total (T3)
Nota: A triiodotironina (3,5,3'-L-triiodotironina, T3) é uma hormona que tem a sua origem na síntese e na secreção direta da tiróide (aproximadamente 20%) e na conversão periférica de T4 em T3 (aproximadamente 80%). A T3 é segregada para a circulação como resposta à hormona TSH. A secreção de T3 é regulada por um mecanismo de resposta negativa que envolve a glândula tiróide, a hipófise e o hipotálamo. Embora os níveis da T3 no soro sejam pequenos, ela tem uma maior potência fisiológica do que a T4. Na circulação, 99,7% da T3 está reversivelmente ligada a proteínas de transporte, sobretudo à globulina de ligação à tiroxina (TBG) e, em menor grau, à albumina e à pré-albumina de ligação à tiroxina (TBPA). A T3 livre
102 ou não ligada é metabolicamente ativa e a T3 ligada é metabolicamente inativa, agindo como reserva para a T3 livre. Nos indivíduos saudáveis, as concentrações de TBG mantêm-se relativamente constantes. Contudo, sabe-se que a gravidez, o excesso de estrogénios, andrógenos, esteróides anabólicos e glucocorticóides alteram os níveis de TBG e podem ocasionar valores falsos da tiróide nos testes ao funcionamento da tiróide. Os níveis de T3 nestas situações podem não refletir com exatidão o estado da tiróide. A disfunção primária da glândula tiróide pode resultar em libertação excessiva (hiper) ou inferior ao normal (hipo) de T3 ou T4. Além disso, dado que o funcionamento da tiróide é diretamente afetado pela TSH, a disfunção da pituitária ou do hipotálamo influencia a atividade da glândula tiróide. A doença em qualquer parte do sistema tiróide-hipófise-hipotálamo pode influenciar os níveis de T3 e T4 no sangue. Em termos de diagnóstico, a concentração de T3 é mais sensível a certas condições da tiróide do que a T4. Enquanto os níveis de T4 constituem um indicador sensível (e superior) de hipotiroidismo, os níveis de T3 no sangue definem melhor o hipertiroidismo. Dado que a concentração de T3 no soro muda mais rápida e acentuadamente do que a de T4, o nível de T3 também é um excelente indicador da capacidade da tiróide para responder a testes estimulantes e supressivos. Em condições de forte estimulação da tiróide, o nível de T3 também proporciona uma boa estimativa da reserva tiróideia (1).
Amostra: Soro
Equipamento: Centaur XP
Método: T3 é detetada por um imunoensaio competitivo que recorre à tecnologia quimioluminescente direta. A T3 na amostra do doente compete com a T3 análoga, que está ligada por covalência a partículas paramagnéticas na Fase Sólida, por uma quantidade limitada de anticorpo monoclonal anti-T3 de rato marcado com éster de acridina no Reagente Lite. Existe uma relação inversa entre a quantidade de T3 presente na amostra do doente e a quantidade de unidades relativas de luz (RLUs) detetadas pelo sistema.
14.2.5.Triiodotironina Livre (FT3)
Nota: A triiodotironina livre é uma determinação usada para avaliar a função da tiróide.
Os níveis de T3 livre estão correlacionados com a secreção e o metabolismo de T3. É um teste usado para excluir toxicose por T3, para avaliar a terapia de reposição tiroidiana e para esclarecer anormalidades de ligação às proteínas (1).
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Amostra: Soro
Equipamento: Centaur XP
Método: FT3 é doseado por um imunoensaio competitivo que recorre à tecnologia quimioluminescente direta. A FT3 na amostra compete com uma T3 análoga, que está ligada por covalência a partículas paramagnéticas na Fase Sólida, por uma quantidade limitada de uma combinação de anticorpos monoclonais anti-T3 de rato marcados com éster de acridina no Reagente Lite. Existe uma relação inversa entre a quantidade de FT3 presente na amostra do doente e a quantidade de unidades relativas de luz (RLUs) detetadas pelo sistema.
14.2.6. Tiroglobulina
Nota: A tiroglobulina é uma glicoproteína normalmente sintetizada nas células
foliculares da tiróide, sob a influência da tirotropina (TSH), e representa o precursor da tiroxina e outras iodotironinas. As principais aplicações clínicas para a medição desta pró-hormona derivam do facto de que o tecido da tiróide operante parece ser a única fonte de tiroglobulina circulante. Da mesma forma, as determinações de tiroglobulina têm sido amplamente utilizadas para complementar outros meios de diagnóstico, como auxílio na identificação da presença ou ausência de tecido de tiróide operante, ou no aumento de tal tecido em relação a valores base de referência estabelecidos individualmente. Este teste é útil no diagnóstico diferencial do hipertiroidismo e na monitorização da evolução do cancro da tiróide. Não é utilizado para diagnosticar cancro da tiróide e valores ligeiramente elevados são encontrados em recém-nascidos e durante o terceiro trimestre de gestação (1).
Amostra: Soro
Equipamento: Immulite 2000
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