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7. Disposições comuns à recuperação judicial e à falência

7.5. Do administrador judicial

7.5.4. Funções do administrador

7.5.4.1. Funções comuns na falência e na recuperação judicial (art. 22, I, a a i)

A lei estabelece as seguintes funções para o administrador, tanto na falência quanto na recuperação:

a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o inciso III do caput do art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inci-so II do caput do art. 105 desta Lei, comunicando a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a classificação dada ao crédito. O administrador é o primeiro a entrar em contato com os credores, pois, mediante correspondência, in-forma-os da decretação da falência ou do processamento da recu-peração judicial, e os cientifica de que seu nome consta no rol dos credores e esclarece a respeito do tipo de classificação dada a seu crédito, para que as pessoas comunicadas tenham condição de ana-lisar sua situação;

b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores interes-sados. O administrador deve, por exemplo, fornecer informações para que os credores conheçam a real situação da empresa;

c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de ser-virem de fundamento nas habilitações e impugnações de créditos;

d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer informa-ções. Caso haja recusa, o juiz, a requerimento do administrador, intimará a pessoa que se está recusando para que compareça à sede do juízo, sob pena de desobediência, e, então, a ouvirá, na presença do administrador, tomando seus depoimentos por escrito, a fim de que seja esclarecida a informação de que o administrador necessi-ta (art. 22, § 2º);

e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2º do art. 7º desta lei. Ver comentários no item 7.4.2;

f) consolidar o quadro-geral de credores nos termos do art. 18 desta lei. Ver comentários no item 7.4.2;

g) requerer ao juiz convocação da assembleia geral de credores nos casos pre-vistos nesta Lei ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada de decisões. Esse tema será estudado oportunamente no item 7.7;

h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas especia-lizadas para, quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções. As remunerações desses auxiliares serão fixadas pelo juiz, que consi-derará a complexidade dos trabalhos a serem executados e os valo-res praticados no mercado para o desempenho de atividades seme-lhantes (art. 22, § 1º). Por sua vez, estabelece o art. 25 que esses auxiliares serão remunerados pela massa ou pelo devedor. Se o administrador, todavia, contratar auxiliar sem autorização judicial, caberá a ele arcar com a sua remuneração;

i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei. É evidente tratar-se de obrigação do administrador apresentar manifestação nas hipóteses em que a lei expressamente o exigir.

O art. 28 estabelece, ainda, que, nas hipóteses em que o Comitê de Credores não for instalado — quer por falta de interesses destes, quer por se tratar de uma falência de pequeno porte —, caberá ao administrador exercer suas funções, exceto aquelas que forem incom-patíveis, como, por exemplo, a de fiscalizar a si próprio, função que, evidentemente, incumbirá ao juiz.

7.5.4.2. Funções específicas do administrador na recuperação judicial (art. 22, II)

A lei elenca, também de forma expressa, funções que o adminis-trador exerce apenas na recuperação judicial. São elas:

a) fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recupera-ção judicial;

b) requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação;

c) apresentar ao juiz, para juntada aos autos, relatório mensal das atividades do devedor;

d) apresentar o relatório sobre a execução do plano de recuperação, de que trata o inciso III do caput do art. 63 da Lei.

7.5.4.3. Funções específicas do administrador no processo falimentar (art. 22, III)

As funções do administrador próprias do processo falimentar são as seguintes:

a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores terão à sua disposição os livros e documentos do falido;

b) examinar a escrituração do devedor;

c) relacionar os processos e assumir a representação judicial da massa falida;

d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for assunto de interesse da massa;

e) apresentar, no prazo de 40 dias, contado da assinatura do termo de com-promisso, prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e circuns-tâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a respon-sabilidade civil e penal dos envolvidos, observado o disposto no art. 186 desta Lei. Com base nesse relatório, o Ministério Público poderá oferecer denúncia por crime falimentar;

f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, nos termos dos arts. 108 e 110 desta Lei. Esses bens serão vendidos para a satisfação dos créditos;

g) avaliar os bens arrecadados;

h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial, para a avaliação dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a tarefa. Esse dispositivo trata, especificamente, da contratação de avaliadores, mas o art. 22, I, h, permite a contratação de outros profissionais para auxiliar o administrador. As remunerações dos avaliadores contratados serão fixadas pelo juiz, que considerará a complexidade dos trabalhos a serem executados e os valores prati-cados no mercado para o desempenho de atividade semelhante (art. 22, § 1º). Por sua vez, estabelece o art. 25 que esses auxiliares serão remunerados pela massa ou pelo devedor. Se o administra-dor, todavia, contratar avaliador sem autorização judicial, caberá a ele arcar com a remuneração do auxiliar;

i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores;

j) requerer ao juiz a venda antecipada de bens perecíveis, deterioráveis ou sujeitos a considerável desvalorização ou de conservação arriscada ou dis-pendiosa, nos termos do art. 113 desta Lei;

k) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobran-ça de dívidas e dar a respectiva quitação;

l) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens apenha-dos, penhorados ou legalmente retidos;

m) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos honorários serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores;

n) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cum-primento da Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração.

Esse dispositivo é bastante genérico e tem a finalidade de permitir que o administrador tome a iniciativa de requerer qualquer espé-cie de medida ou diligência para que o procedimento falimentar alcance seu objetivo principal, que é o pagamento dos credores;

o) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10º dia do mês seguinte ao vencido, conta demonstrativa da administração, que especifique com cla-reza a receita e a despesa;

p) entregar ao seu substituto todos os bens e documentos da massa em seu poder, sob pena de responsabilidade;

q) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou renunciar ao cargo.

Os poderes do administrador não são ilimitados, pois, conforme foi possível notar, existem inúmeras providências que ele só pode to-mar mediante autorização judicial. Além disso, o art. 22, § 3º, dispõe que, na falência, o administrador judicial não poderá transigir sobre obrigações e direitos da massa falida ou conceder abatimento de dívi-das, ainda que sejam consideradas de difícil recebimento, salvo se hou-ver autorização judicial, após ouvidos o Comitê e o devedor no prazo comum de 2 dias.

O art. 31, por sua vez, diz que o juiz pode destituir o adminis-trador que descumprir seus deveres, for omisso ou negligente, ou pra-ticar ato lesivo ao devedor ou terceiro. O art. 32, aliás, esclarece que ele responderá pelos prejuízos causados à massa falida, ao devedor ou aos credores por dolo ou culpa.

7.5.5. DA DESTITUIÇÃO E DA SUBSTITUIÇÃO DO