2.6 Outras Constru¸c˜ oes da Integral
2.7.1 Fun¸c˜ oes Mensur´ aveis
=⇒ 1. (fun¸c˜oes mensur´aveis triviais) Considere f : X → R.
(a) Prove que se Σ = P(X), ent˜ao toda fun¸c˜ao f ´e mensur´avel.
(b) Prove que toda fun¸c˜ao constante f ´e mensur´avel (com rela¸c˜ao a qualquer σ-´algebra). (c) Prove que IA: X → R ´e Σ-mensur´avel se, e somente se, A ∈ Σ.
(d) Considere Ψ = { ∅, X }. Quais s˜ao as fun¸c˜oes f Ψ-mensur´aveis?
=⇒ 2. Determine a menor σ-´algebra que torne mensur´avel uma fun¸c˜ao f : X → R que assuma somente:
(a) 2 valores distintos; (b) 3 valores distintos.
3. Considere Σ = {A ⊂ R; A ´e enumer´avel ou A{ ´e enumer´avel}, uma σ-´algebra de R pelo Exerc´ıcio 2, p.14. Determine se ´e Σ-mensur´avel:
(a) I[0,1]; (b) IQ{.
→ 4. Considere X = { 1, 2, 3, 4 } e a σ-´algebra Σ = { ∅, { 1 }, { 2, 3, 4 }, X }. (a) Quantas fun¸c˜oes distintas f : X → X s˜ao Σ-mensur´aveis?
(b) Repita o item (a) para a σ-´algebra Σ = { ∅, { 1, 2 }, { 3, 4 }, X }. =⇒ 5. Prove que se f = aIA+ bIB ´e Σ-mensur´avel, ent˜ao A, B ∈ Σ.
Dica: A ∩ B = f−1({ a + b }) ∈ Σ. 6. Prove o Lema 2.2, p.22.
Dica: Para provar que (i)⇒(ii), considere \
n∈N
{x; f (x) < a + 2−n}. 7. Prove que toda fun¸c˜ao f : R → R ´e Borel-mensur´avel se:
(a) f ´e mon´otona; (b) f ´e cont´ınua.
Dica: (b) Toda subconjunto aberto de R pode ser escrito como a uni˜ao enumer´avel de intervalos abertos (Exerc´ıcio 12, p.15) .
=⇒ 8. Prove que toda fun¸c˜ao Borel-mensur´avel f : R → R ´e Lebesgue-mensur´avel. Dica: Existe diferen¸ca?
9. Prove que se f ´e Σ-mensur´avel e H ∈ Σ, ent˜ao ef (x) = f (x)IH(x) =
(
f (x), se x ∈ H, 0 se x ∈ X \ H, ´
10. Prove que se f = IA+ 2IB ´e Borel mensur´avel, ent˜ao A e B s˜ao borelianos.
11. Seja f ≥ 0 mensur´avel, com f : X → R. Prove que existe uma sequˆencia mon´otona crescente gn ≥ 0 tal que lim gn(x) = f (x) com gn uma fun¸c˜ao simples.
Mais ainda, se X tem medida finita, Z
X
|f − gn|dµ ≤ 2−nµ(X).
Dica: Defina Ekn= {x ∈ X; k2−n≤ f (x) ≤ (k + 1)2−n}. Para k = 2n, Ekn= {f ≥
n}.
→ 12. Suponha que A gera a σ-´algebra T de subconjuntos de Y . Prove que φ : X → Y ´e (Σ, T)-mensur´avel se, e somente se, φ−1(E) ∈ Σ para todo E ∈ A.
→ 13. Neste exerc´ıcio utilizamos f para representar uma fun¸c˜ao f : X → Y qualquer. (a) Qual a σ-´algebra em X que torna toda f mensur´avel?
(b) Qual a σ-´algebra em Y que torna toda f mensur´avel?
(c) Fixe f e uma σ-´algebra Σ em X. Defina TΣf , {F ∈ P(Y ); f−1(F ) ∈ Σ}. Prove que TΣ
f ´e uma σ-´algebra. Prove que ´e a maior que torna f mensur´avel.
(d) Fixe f e uma σ-´algebra T em Y . Defina ΣT
f , {E ∈ P(X); f (E) ∈ T}. Prove que
ΣTf ´e uma σ-´algebra. Prove que ´e a menor que torna f mensur´avel.
(e) No item (c), se (X, Σ, µ) ´e um espa¸co de medida ent˜ao (Y, TΣf, µf), com µf(E) ,
µ(f−1(E)), ´e um espa¸co de medida. Desta forma uma fun¸c˜ao f definida em um espa¸co de medida induz a existˆencia de um outro espa¸co de medida.
14. Seja Σ uma σ-´algebra de subconjuntos de X e f, g : X → R fun¸c˜oes Σ-mensur´aveis. Prove que s˜ao Σ-mensur´aveis f+, f−, f ∧ g e f ∨ g, onde
(f ∨ g)(x) , max(f (x), g(x)), (f ∧ g)(x) , min(f (x), g(x)).
2.7.2
Defini¸c˜ao da Integral
→ 15. Prove que a representa¸c˜ao de uma fun¸c˜ao simples n˜ao-nula f por
n
X
i=0
aiIEi ´e ´unica se
os ai’s s˜ao n˜ao-nulos e ´unicos e se os Ei’s s˜ao disjuntos.
Dica: f pode assumir somente um n´umero finito de valores (porque?). Defina Ei ,
f−1(bi), onde bi ´e cada um destes valores.
16. Sejam A, B, C, D conjuntos mensur´aveis com medida finita e a, b, c, d ∈ R.
=⇒(a) Suponha que aIA= bIB+ cIC. Prove que aµ(A) = bµ(B) + cµ(C) (proibido integral,
por primeiros princ´ıpios).
(b) Suponha que aIA+ bIB = cIC+ dId. Prove que aµ(A) + bµ(B) = cµ(C) + dµ(D).
Dica: cuidado pois os n´umeros podem n˜ao ser distintos e os conjuntos podem n˜ao ser disjuntos.
17. O que ´e um espa¸co de Banach e um espa¸co de Hilbert?
→ 18. Em um espa¸co vetorial normado, se kf k = 0 ent˜ao f = 0. Dissemos que L1(X) ´e um
espa¸co vetorial normado. No entanto, pelo Teorema 2.14, p.27, se kf k = 0, ent˜ao f = 0 µ-qtp, ou seja, n˜ao necessariamente f = 0. Explique.
2.7. EXERC´ICIOS 37 Dica: Leia a p. 16.
=⇒ 19. (Lema de du Bois-Reymond4) Considere f : X → R uma fun¸c˜ao integr´avel em (X, Σ, µ).
Prove que f = 0 µ-qtp em X se: (a)
Z
E
f dµ = 0 para todo E ∈ Σ; (b) Z
f g dµ = 0 para toda g Σ-mensur´avel. Obs: resultado importante para o c´alculo das varia¸c˜oes.
Dica (para todos itens): suponha por contradi¸c˜ao que o conjunto {x ∈ X; f (x) > ε} (ou {x ∈ X; f (x) < ε}) n˜ao possui medida nula. Use este conjunto ou sua fun¸c˜ao caracter´ıstica. =⇒ 20. Prove que:
(a) A fun¸c˜ao 1/x 6∈ L1(1, ∞) mas pertence a Lp(1, ∞).
(b) A fun¸c˜ao 1/x 6∈ L∞(R). (c) A fun¸c˜ao f (x) = IZ(x)
x pertence a L ∞
(R).
21. Considere f , g : X → R fun¸c˜oes simples. Prove que s˜ao fun¸c˜oes simples: (a) |f |; (b) f + g (c) f ∨ g e f ∧ g, definidas no Exerc´ıcio 14, p.36.
22. Considere f , g : X → R fun¸c˜oes integr´aveis. Prove que s˜ao fun¸c˜oes integr´aveis f ∨ g e f ∧ g, definidas como no Exerc´ıcio 14, p.36.
23. Seja Y : Ω → R uma fun¸c˜ao mensur´avel com rela¸c˜ao a σ-´algebra de Borel. Seja φ : R → R uma fun¸c˜ao mensur´avel com rela¸c˜ao a σ-´algebra de Borel. Prove que X = φ ◦ Y ´
e mensur´avel com rela¸c˜ao a σ-´algebra de Borel.
=⇒ 24. Seja (X, Σ, µ) um espa¸co de medida e f : X → R uma fun¸c˜ao integr´avel. Prove que para todo ε > 0 existe uma fun¸c˜ao simples gε : X → R tal que
Z
|f − gε| dµ < ε. Dizemos
que as fun¸c˜oes simples s˜ao densas no espa¸co das fun¸c˜oes integr´aveis L1(X, Σ, µ). Dica: Considere f ≥ 0 inicialmente.
→ 25. Seja µ a medida de contagem (Exemplo 1.12, p.6) em N. Prove que uma fun¸c˜ao f : N → R (uma sequˆencia hf (n)in∈N) ´e µ-integr´avel se, e somente se, a s´erie
X
f (n) ´e absolutamente convergente e nesse caso
Z f dµ = ∞ X n=0 f (n).
→ 26. Sejam µ1, µ2 duas medidas com dom´ınio na σ-´algebra Σ. Defina µ(E) , µ1(E) + µ2(E)
para E ∈ Σ. Prove que para qualquer fun¸c˜ao Σ-mensur´avel f : X → R, Z f dµ = Z f dµ1+ Z f dµ2.
Dica: Assuma que f ´e fun¸c˜ao simples e depois que f ≥ 0.
ý 27. (extra) Seja dx a medida de Lebesgue. Prove que se f : X → R ´e integr´avel, ent˜ao Z
f (x + a) dx existe e ´e igual a Z
f (x) dx para todo a ∈ R.
Dica: Comece com fun¸c˜oes simples. Assuma que a medida de Lebesgue ´e invariante por transla¸c˜ao.
2.7.3
Teoremas de Convergˆencia
=⇒ 28. Seja fn(x) = nI[0,1/n](x) com a medida de Lebesgue em R. Utilize-a para mostrar que a
condi¸c˜ao do Teorema da Convergˆencia Dominada |fn| ≤ g n˜ao pode ser retirada.
→ 29. Considere a sequˆencia de fun¸c˜oes reais hfnin∈N, todas integr´aveis e tais que ∞ X n=0 Z |fn| dµ ´
e finito. Prove que f (x) ,
∞ X n=0 fn(x) est´a definida qtp. e Z f dµ = ∞ X n=0 Z fndµ.
Dica: Assuma inicialmente que fn≥ 0.
30. Dada uma fun¸c˜ao f : R → R qualquer, defina para cada k ∈ R a fun¸c˜ao Tkf : R → R,
o truncamento de f por Tkf (x) , f (x), se |f (x)| ≤ k; k, se f (x) > k; −k, se f (x) < −k. Suponha que f ´e µ-integr´avel. Prove que:
(a) Tkf ´e mensur´avel; (b)R f dµ = lim k→∞
Z
Tkf dµ.
2.7.4
Integral de Riemann × Lebesgue
=⇒ 31. Prove que toda fun¸c˜ao escada ´e uma fun¸c˜ao simples (em particular mensur´avel). Prove que f = IQ´e uma fun¸c˜ao simples que n˜ao ´e uma fun¸c˜ao escada. Assim o conjunto de fun¸c˜oes simples ´e (bem) maior que o de fun¸c˜oes escada.
32. Fixe uma fun¸c˜ao f : [a, b] → R. Dada uma parti¸c˜ao qualquer do intervalo [a, b], determine a fun¸c˜ao escada s associada que seja a menor de todas com f ≤ s. Assim s deve ser constante entre os pontos da parti¸c˜ao.
2.7.5
Teorema de Radon-Nikod´ym e Fubini
=⇒ 33. Prove que a rela¸c˜ao ser dominada ´e transitiva. Dˆe um exemplo que prove que n˜ao ´e sim´etrica.
=⇒ 34.
(a) Dˆe um exemplo de medida σ-finita que n˜ao ´e finita.
(b) A medida de contagem (Exemplo 1.12, p.6) ´e finita? ´E σ-finita? (c) A medida δa de Dirac ´e finita? ´E σ-finita?
35. Seja (µn) uma sequˆencia de medidas em (Σ, X) com µn(X) ≤ 1. Defina λ : Σ → R
por λ(E) , ∞ X n=1 2−nµn(E).
2.7. EXERC´ICIOS 39 Prove que λ ´e uma medida e que µn λ para todo n.
=⇒ 36. Seja X = [0, 1] e Σ a σ-´algebra de Borel em X. Se µ ´e a medida de contagem (Exemplo 1.12, p.6) e λ a medida de Lebesgue, ent˜ao λ µ, mas o Teorema de Radon- Nikod´ym n˜ao se aplica. Porque?
→ 37. Prove a unicidade de f no Teorema de Radon-Nikod´ym.
ý 38. (extra) Suponha que µ ´e uma medida numa σ-´algebra Σ de subconjuntos de X e f : X → R uma fun¸c˜ao mensur´avel n˜ao-negativa. Para cada E ∈ Σ defina λ(E) ∈ [0, ∞] por: λ(E) , Z E f dµ. Prove que:
(a) λ ´e uma medida em Σ absolutamente cont´ınua com rela¸c˜ao a µ. (b) λ ´e finita se, e somente se, f ´e integr´avel.
Cap´ıtulo 3
Probabilidade e Medida
Neste cap´ıtulo de duas p´aginas traduzimos o vocabul´ario da Teoria da Medida para o da Teoria de Probabilidade. Uma excelente referˆencia ´e o cap´ıtulo IX do livro Measure Theory de P. Halmos.
Vamos come¸car com uma defini¸c˜ao b´asica.
DEFINIC¸ ˜AO 3.1 Dado um espa¸co de medida (Ω, Σ, µ), dizemos que ´e um espa¸co de probabilidade se µ(Ω) = 1. Neste caso denotamos a medida µ por P e dizemos que (Ω, Σ, P ) ´e um espa¸co de probabilidade.
• Ω ´e o espa¸co amostral.
• Os elementos da σ-´algebra Σ s˜ao os eventos, que podem ser um subconjunto pr´oprio de P(Ω).
• A cada evento A ∈ Σ (elemento da σ-´algebra), associamos sua probabilidade, dada pela sua medida P (A).
• Uma fun¸c˜ao mensur´avel com valores em R ´e chamada de vari´avel aleat´oria.
• A integral R X P. ´e chamada de esperan¸ca da vari´avel aleat´oria X com rela¸c˜ao a probabilidade P .
• Uma sequˆencia (Xn)n∈N de vari´aveis aleat´orias ´e chamada de processo estoc´astico
discreto. Uma fam´ılia (Xt)t∈R de vari´aveis aleat´orias ´e chamada de processo es-
toc´astico cont´ınuo.
Exemplo 3.1 Considere um jogo onde se lan¸cam 2 dados a cada instante de tempo. Podemos considerar o processo estoc´astico discreto Xn igual a soma do valor dos 2 dados a cada
instante.
Um exemplo de processo estoc´astico cont´ınuo ´e Xt o valor de uma a¸c˜ao a cada instante
de tempo.
O fato que o espa¸co de eventos ´e uma σ-´algebra significa, em linguagem coloquial, que dados eventos A e B s˜ao eventos tamb´em:
• a n˜ao ocorrˆencia de A, isto ´e, A{;
• a ocorrˆencia de A ou B, isto ´e, A ∪ B; • a ocorrˆencia de A e B, isto ´e, A ∩ B.
A necessidade de incluir uni˜oes enumer´aveis ´e mais sutil. Um exemplo desta necessidade aparece considerando um jogo de dados em que o jogador deve jogar o dado repetidamente at´e que apare¸ca o n´umero 6. Dada a possibilidade do jogo nunca acabar e se repetir infinitamente, temos que considerar uni˜oes infinitas enumer´aveis de eventos.
A necessidade de assumir que X ´e mensur´avel prov´em do fato que queremos ser capazes de atribuir probabilidades para, por exemplo, que o valor de X esteja entre a e b. Dai aparece naturalmente a σ-´algebra de Borel em R.
DEFINIC¸ ˜AO 3.2 Dois eventos A e B s˜ao ditos independentes se P (A∩B) = P (A)P (B). O conceito de independˆencia entre eventos juntamente com o de probabilidade condicional, ambos sem correspondente na Teoria da medida, inicia o caminho que separa as duas teorias, fazendo com que a Teoria de Probabilidade seja muito mais do que simples aplica¸c˜ao da Teoria da Medida.
Referˆencias Bibliogr´aficas
[1] Bartle R.G.; The Elements of integration and Lebesgue measure; John Wiley & Sons, Inc., New York, (1995). ISBN: 0-471-04222-6, MR1312157 (95k:28001).
[2] Fremlin, D. H.; Measure Theory. University of Essex, (2009). Endere¸co: http://www.essex.ac.uk/maths/staff/fremlin/mt.htm Acessado em ju- lho/2009.
[3] Halmos P.R.; Measure Theory; Van Nostrand, 1950; Halmos, Paul R. Measure Theory. D. Van Nostrand Company, Inc., New York, N. Y., (1950), MR0033869.
[4] The MacTutor History of Mathematics archive, http://turnbull.mcs.st-and.ac.uk/~history/
[5] Royden, H. L.; Real Analysis; Macmillan Publishing Company, New York, (1988). ISBN: 0-02-404151-3, MR1013117 (90g:00004).
[6] Wikipedia. P´aginas: Measure, Lebesgue Measure e Sigma-Algebra. Endere¸co: http://en.wikipedia.org/wiki/Measure (mathematics), etc. Acessado em ju- lho/2009.