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Antes de mais, as condições e regras de funcionamento de um GC devem ser definidas, em conjunto e de forma democrática, se possível por consenso, por todos os seus membros. Podem constar de um Regulamento,

se for entendida como vantajosa a sua existência formal. O funcionamento de um GC pleno (ver tipologia no capítulo anterior) assenta sobretudo na realização de reuniões periódicas plenárias e abertas a qualquer membro da Comunidade e a todas as Instituições e Serviços que intervêm no Território1. Essas reuniões constituem a expressão mais explícita, evidente e visível do GC, porque é nelas que se partilham os conhecimentos, se discutem as ideias, se elaboram os projetos, se tomam as decisões conjuntas e se partilham as avaliações, com vista a cumprir os objetivos coletivos, que se mencionaram no capítulo 4.

Dado o seu carácter central na dinâmica de um GC, há aspetos da sua logística que podem ser determinantes, nomeadamente

os seguintes:

A periodicidade - convém que haja uma periodicidade das reuniões plenárias certa e facilmente identificável, mesmo por quem não se guia por agendas de registo escrito ou eletrónico2. A maioria dos GC existentes tendem para uma periodicidade mensal, em dias certos do mês (por exemplo, a primeira quinta-feira, o segundo domingo, o terceiro sábado ou a última quarta-feira3), mas há GC que optam por intervalos mais curtos, como as três semanas, os quinze dias ou até, em casos excecionais, o semanal4. Uma periodicidade de reuniões mais alargada do que um mês é normalmente contraproducente, porque não permite ganhar ritmo e adquirir espírito de Grupo de forma continuada e con-sistente. Contudo, como se disse, cada GC decidirá conforme o

Periodicidade mensal

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COMO FUNCIONA E O QUE FAZ?

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que for mais apropriado e conveniente. É óbvio, por outro lado, que se marcarão reuniões plenárias extraordinárias sempre que necessário e for do entendimento coletivo.

O horário - este é um dos pontos mais controversos e sensíveis da logística de um GC, pois, normalmente, os horários de conveniência da maior parte das Pessoas da Comunidade (que podem ser ao fim-de-semana, por exemplo em África e mais nos meios rurais, ou ao fim da tarde ou, melhor ainda, à noite, mais nos meios urbanos ou na Europa, quando já estão libertas das suas ocupações e labutas profissionais e, se possível, das suas tarefas domésticas5) não coincidem com os interesses dominantes dos/as Técnicos/as e outros/as Representantes das Instituições e Serviços (que normalmente preferem os dias da semana e nos seus horários de trabalho, até para não colidirem... com as suas responsabilidades familiares). A solução (difícil) deve ser encontrada por consenso, mas, em caso de dúvida, deveria sempre privilegiar os interesses da Comunidade, sobretudo numa lógica de GC aberto, e não os das Instituições e Serviços, porque são estes que estão ao serviço daquela e não o contrário e porque um GC tem na Comunidade a sua razão principal de existência. Pode-se ainda optar por soluções variáveis ou de horários rotativos, mas essa opção dificulta a apreensão das reuniões por rotina, o que é sobretudo negativo para quem não se rege por agendas escritas ou eletrónicas, como já se referiu6.

O local - o local ou locais das reuniões plenárias devem ser apropriados para a sua dimensão e prever sempre a vinda de elementos não habituais (em GC abertos, como é evidente) e serem facilitadores da Participação da Comunidade, quer na disposição dos lugares (preferencialmente em círculo, de modo a não haver lugares dominantes), quer no seu simbolismo (locais com um grande peso de constrangimento ou de limitação de

Horário de acordo com as possibilidades da comunidade

As reuniões devem ser num local escolhido para facilitar a participação da comunidade

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PRINCIPAIS ASPETOS E DESAFIOS OPERACIONAIS

expressões, como, nalguns casos, os de culto e os de atendimento institucional e tecnocrático, são de evitar, por exemplo). Uma boa opção consiste em reunir em locais rotativos, por permitir acolher em várias Instituições, Serviços e até Grupos da Comunidade, valorizar e explicitar os diferentes Grupos, dinâmicas, culturas e etnias e distribuir melhor as distâncias a percorrer pelas diferentes Pessoas e Grupos. Tem, no entanto, o inconveniente, já assinalado nas alíneas anteriores, de dificultar rotinas.

A mobilização para as reuniões - embora esta questão seja abordada mais à frente, quando se referir a formalização de convites para as reuniões do GC, convém também mencioná-la neste ponto, uma vez que faz parte e é uma peça importante da sua logística. De facto, é fundamental assegurar que a informação sobre a realização de reuniões seja clara, ampla e adequada, no tempo, no conteúdo e nos destinatários/as (Pessoas e Grupos da Comunidade e Instituições e outros Parceiros), sendo acon-selhável que se diversifiquem as modalidades de comunicação (boca-a-boca, porta-a-porta, através da afixação de folhetos em locais estratégicos e/ou de uma rádio comunitária, com avisos nas igrejas, nos mercados, com envio de mensagens de telemóvel, etc.). Esta é uma das funções importantes dos/as Participantes ou entidades que têm o papel de facilitadores/as, seja como Animadores/as, Moderadores/as ou Coordenadores/as7.

A moderação das reuniões8 - este é também um aspeto importante de um GC, pois, de uma moderação que saiba gerir os tempos e os modos de intervenção, de escuta, de reflexão, de discussão e de deliberação e o equilíbrio entre os vários momentos e que saiba apaziguar, mas também mobilizar, depende, em grande parte, o sucesso das reuniões e, mais em geral, do próprio GC. Até agora tem havido, nos GC existentes,

cinco tipos de modalidades:

A moderação das reuniões é um fator-chave e pode ser feita de 5 formas diferentes Mobilização para as reuniões

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COMO FUNCIONA E O QUE FAZ?

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moderação por um elemento neutro, que não pertença à