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2.7 USINA DE TRIAGEM E RECICLAGEM DE RESÍDUOS DA

2.7.1 Funcionamento de uma Usina de Processamento de RCC

Para uma melhor qualidade do material, a separação deve ser feita na origem dos resíduos, com um recolhimento seletivo, pois a separação pode se tornar inviável, pois materiais demasiados misturados podem se encontrar contaminados (PEREIRA, JALALI; AGUIAR, s/d).

Todas as entradas e saídas de material deverão ser registradas as quantidades e as características. Deverá ser previsto no edifício da portaria uma estrutura elevada que possibilite a inspeção visual do material que chega à usina. No local de recepção de resíduos deverá ser feito um tratamento de impermeabilização do solo, com vista a conduzir os efluentes contaminados para uma zona de recolha de águas que serão posteriormente analisadas, e se tal for necessário, tratadas (PEREIRA, JALALI e AGUIAR, s/d).

Os resíduos que dão entrada são depositados em uma zona própria, passando na primeira fase de triagem, onde são retirados os maiores elementos, de maior visibilidade, os quais passaram pela inspeção da entrada e são indesejáveis para esse tipo de reciclagem. Esses materiais retirados são armazenados separadamente e após reencaminhado a mercados de reciclagem para os mesmos (PEREIRA, JALALI e AGUIAR, s/d). Conforme visualiza-se na Figura 02, na usina Resicon de Santa Rosa – RS, os materiais segregados ficam separados em baias, para posteriormente serem corretamente destinados.

Figura 02: Resíduos segregados em baias

Fonte: Autoria própria

Os resíduos que passaram na primeira fase de triagem, passam novamente por uma nova triagem, são dirigidos para uma unidade munida de grelha vibratória, cabina de triagem manual e

36 separador magnético. Esta instalação permite a separação dos diferentes fluxos de resíduos (PEREIRA, JALALI e AGUIAR, s/d).

Após os resíduos serem selecionados, de forma a resultarem valores de contaminação mínimos, o material é britado. A britagem é feito por meio de uma britadora de impacto, o qual é regulado de acordo com o resíduo a ser britado, onde os materiais são reduzidos as dimensões desejadas. À saída da britagem, o produto passa por um separador magnético que retira os restos de metal ainda existentes no fluxo. (PEREIRA, JALALI e AGUIAR, s/d). A Figura 03, mostra o britador utilizado na usina Resicon de Santa Rosa – RS, o qual possui o separador magnético antes de ocorrer a britagem.

Figura 03: Britador de RCC

Fonte: Resicon

A Figura 04 representa o fluxograma de funcionamento de uma usina de reciclagem de RCC, desde a chegada do material ao local e a partir disso, todos os procedimentos necessários para se chegar até o produto final.

Figura 04: Fluxograma representativo do funcionamento interno de uma usina

Fonte: PEREIRA, JALALI e AGUIAR, s/d

2.7.2 Possíveis Aplicações dos Agregados

Para utilizar os agregados como matéria-prima secundária, deve-se envolver um completo conhecimento do processo das unidades geradoras desses resíduos, a caracterização completa e identificação do potencial de aproveitamento, identificando as características limitantes do seu uso. Para os resíduos originados na obra, durante as diversas etapas da construção, devem-se aprimorar formas para minimizar a geração, e quando possível introduzir o resíduo no próprio processo (ROCHA et al, 2003).

Ainda cabe ressaltar que para as soluções visando o reaproveitamento dos resíduos, existem tecnologias e procedimentos diversos, mais ou menos sofisticados, mão-de-obra ou capital intensivo, processos importados e desenvolvimento no país. A escolha deve ser feita com o objetivo de atingir o aproveitamento ambientalmente adequado, com o menor custo, respeitando as características socioeconômicas e culturais de cada município (ROCHA et al, 2003).

Em seguida, serão detalhadas algumas das aplicações com o agregado do RCC:  Aterramento:

De acordo com Carneiro (2005), é a alternativa mais utilizada para aplicar o agregado do RCC, sendo aplicados sem nenhuma espécie de beneficiamento. O inconveniente da realização de aterros com o RCC é que o mesmo é realizado sem nenhum controle e de forma inadequada,

38 deixando de ser uma prática ambientalmente adequada para se tornar a grande responsável pelos impactos ambientais. Exemplo dessa prática é o aterramento de mangues, lagoas e margens de rios para a construção de habitações ilegais.

 Base e Sub-base de pavimentação:

O aproveitamento do agregado reciclado de RCC na pavimentação apresenta muitas vantagens, tais como (CARNEIRO, 2005):

a) Utilização de quantidade significativa de material reciclado, tanto na fração miúda, quanto na graúda;

b) Simplicidade dos processos de execução do pavimento e de produção do agregado reciclado, contribuindo para a redução dos custos;

c) Possibilidade de utilização dos diversos materiais componentes do entulho, como o concreto, argamassa, cerâmica, entre outros;

d) Utilização de parte do material em granulometrias graúdas reduzindo o consumo de energia necessário para a reciclagem dos resíduos;

Um ponto importante a ser considerado, é o fato que o mercado da pavimentação é controlado praticamente pelo setor público, o que acaba limitando o uso dos agregados reciclados nessas atividades, sendo necessário buscar outros mercados, que permitam uma maior abrangência para aplicação dos agregados reciclados e maior diversificação de clientes (CARNEIRO et al, 2005).

Para se utilizar o agregado reciclado como bases de pavimentos deve-se seguir as especificações e requisitos básicos da norma da ABNT NBR 15.116/2004, a qual trata dos agregados reciclados de RCC na utilização em pavimentos e preparo de concreto sem função estrutural.

 Produção de componentes de concreto:

Atualmente, existem muitos estudos sendo desenvolvidos com o objetivo de analisar a viabilidade técnica do uso dos agregados reciclados provenientes dos resíduos da construção civil na fabricação de componentes de concreto, seja com ou sem função estrutural (CARNEITO, 2005). Porém, pela grande quantidade de material contaminado, teores de argamassa, material pulverulento e valores baixos de absorção de água e de massa especifica, acabam por impossibilitar o uso do agregado reciclado para a produção de concreto. Para essa utilização, devem-se seguir as

especificações e requisitos mínimos da mesma norma para pavimentação, a NBR 15.116/2004 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil – utilização em pavimentos e preparo de concreto sem função estrutural.

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3 MÉTODO DE PESQUISA

A metodologia aplicada para este estudo tem caráter exploratório. Este tipo de pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema em questão, com a ideia de torna- lo mais explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico, entrevistas ou questionários com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão (GIL, 2007).

A abordagem do trabalho baseou-se na análise dos dados relativos com a geração quantitativa e qualitativa da disposição final dos RCC no município de Ijuí-RS.

Para a realização deste trabalho, a aplicação de questionários realizou-se em parceria com o Município de Ijuí – Poder Executivo, tendo em vista que se encontra em fase de elaboração o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Assim, fez-se o trabalho conjunto que será utilizado como parte do diagnóstico do referido plano.

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O local do presente estudo é o município de Ijuí, situado na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Com uma população de 83.330 habitantes, segundo dados do IBGE (2017), é considerado um importante centro populacional da região, devido ser uma cidade universitária e com amplos recursos hospitalares (MUNICÍPIO, 2017). Sua localização no mapa do Rio Grande do Sul é demostrada na Figura 05.

O município de Ijuí tem uma área de aproximadamente 689,387 km², localizado no sul do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, distando 395 km da capital do estado, Porto Alegre. É conhecida por Terra das Culturas Diversificadas, Cidade Universitária, Colmeia do Trabalho, Terra das Fontes de Água Mineral e Portal das Missões (MUNICÍPIO, 2017).

A economia do município é baseada no seu forte setor agropecuário e pela agricultura, porém o setor industrial tem grande influência também, o que transforma Ijuí em uma cidade pólo regional (MUNICÍPIO, 2017).

O município localiza-se na região hidrográfica do Uruguai, essa é subdividida em dez unidades hidrográficas. Ijuí pertence a unidade da Bacia do Rio de Ijuí (U90), como demostra a Figura 06, seus principais formadores são os rios: Ijuizinho, Conceição, Potiribu, Caxambu, Faxinal, Fiúza e Palmeira (FEPAM, 2017).

Figura 06: Localização da Bacia do Rio Ijuí

Fonte: FEPAM

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