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Artigo 532.º Deveres dos titulares

1 — Os titulares do direito de ocupação, substitutos e colaboradores, estão obrigados a:

a) Comportar -se com urbanidade nas suas relações com outros ti- tulares de direitos de ocupação, entidades policiais e fiscalizadoras e público em geral;

b) Respeitar todas as diretrizes e instruções que lhe sejam transmitidas pelos trabalhadores ou colaboradores do Município, nomeadamente encarregues da gestão, fiscalização ou inspeção sanitária bem como pelos responsáveis pela gestão dos mercados;

c) Exibir título de ocupação dos locais de venda ou cartão de identifi- cação sempre que solicitados pelas entidades policiais e fiscalizadoras; d) Fornecer todos os elementos ou documentação legalmente exigível que os trabalhadores ou colaboradores do Município solicitem;

e) Manter limpo o local de venda e sua envolvente, bem como proceder à separação e acondicionamento dos resíduos e desperdícios produzidos no exercício da atividade, em conformidade com o determinado pelos serviços municipais competentes e de acordo com o previsto na Secção II do Capítulo V do presente Título;

f) Zelar pelo bom comportamento dos seus colaboradores;

g) Indicar o preço de venda ao público dos produtos expostos, afixado de forma e em local bem visível.

2 — É expressamente proibido aos titulares do direito de ocupação: a) Comercializar artigos diferentes dos que lhe são permitidos; b) Exercer a venda em local diferente do permitido;

c) Proceder a cargas e descargas de mercadorias fora dos horários e locais estabelecidos;

d) Ocupar uma área superior à que conste do respetivo título e colocar mercadorias fora do perímetro do local ou nas áreas de circulação;

e) Impedir ou dificultar por qualquer forma o trânsito nos locais destinados à circulação de veículos e peões;

f) Depositar ou deixar quaisquer materiais nos locais de venda fora dos períodos de funcionamento do mercado;

g) Colocar os resíduos resultantes da atividade, nomeadamente águas residuais, restos de comida, embalagens ou outros detritos fora dos locais expressamente destinados a esse fim;

h) Comercializar produtos proibidos por lei ou regulamento; i) Utilizar instrumentos de peso e medidas que não estejam devida- mente aferidos, nos termos da respetiva legislação;

j) Praticar qualquer comportamento lesivo dos direitos e interesses legítimos dos consumidores;

k) Adotar práticas comerciais desleais, enganosas ou agressivas. Artigo 533.º

Higiene e vestuário especial

1 — Os titulares do direito de ocupação, substitutos e colaboradores, devem cumprir escrupulosamente os preceitos elementares de higiene, nomeadamente em matéria de vestuário e limpeza das mãos e equipa- mentos ou utensílios, nos termos da legislação aplicável.

2 — É obrigatória a utilização de fardamento apropriado, de modelo a definir no regulamento interno do mercado, para todos os titulares, subs- titutos e colaboradores durante o exercício da atividade nos mercados.

Artigo 534.º Horário

1 — O horário de funcionamento dos mercados municipais é fixado pelo respetivo regulamento interno, o qual poderá ainda prever a exis- tência de um período diário de suspensão de atividades, a aplicar de acordo com as condições concretas de cada mercado.

2 — Todos os utentes estão obrigados ao cumprimento dos horários fixados, bem como a manter em funcionamento diário ininterrupto os respetivos locais de atividade.

3 — O horário de funcionamento dos mercados, bem como das lojas autonomamente neles inseridas, deve ser afixado em local bem visível do exterior.

Artigo 535.º

Condições de comercialização de produtos

1 — Sem prejuízo das condições sanitárias que resultam de lei ou de regulamento relativamente a cada produto a comercializar, o Município pode determinar normas relativas à preparação, embalagem, acondicio- namento e apresentação de produtos, não permitindo a sua venda em condições diversas.

2 — Os comerciantes de carnes e de pescado geradores de resíduos da Categoria 3, classificada de acordo com o Regulamento (CE) n.º 1774/2002, de 3 de outubro, estão obrigados a providenciar a recolha e eliminação destes resíduos em separado, de acordo com a legislação aplicável.

3 — A Câmara Municipal pode substituir -se aos titulares dos direitos de ocupação de locais de venda na recolha dos resíduos referidos neste artigo, nos termos previstos no presente Regulamento, mediante o paga- mento das quantias previstas na Tabela de taxas e outras receitas.

Artigo 536.º

Exposição e venda de géneros alimentícios

1 — Os géneros alimentícios ou produtos alimentares devem ser expostos da forma que melhor garanta a sua rigorosa higiene e conser- vação, devendo as bancadas, balcões ou expositores ser de material liso e resistente, não absorvente, não tóxico e de fácil limpeza e desinfeção, os quais devem ser mantidos em bom estado de conservação e higiene.

2 — Os titulares do direito de ocupação de locais de venda que comer- cializem géneros alimentícios estão obrigados nos termos legais ao cumpri- mento das disposições dos Regulamentos (CE) n.º 852/2004 e n.º 853/2004, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril, sem prejuízo do cumprimento dos demais requisitos legais e regulamentares impostos por legislação específica aplicável a determinada categoria de alimentos.

3 — Os produtos alimentares conspurcáveis ou deterioráveis pelo toque, só podem estar expostos para venda se estiverem devidamente pré -embalados ou então em vitrinas ou expositores onde estejam res- guardados de fatores poluentes ou contaminadores e da ação do público, não sendo permitida a sua exposição a descoberto.

4 — O pescado fresco deve ser exposto diretamente sobre as bancas, sobre gelo triturado e de boa qualidade.

5 — Todos os instrumentos de peso e medida utilizados devem ser sujeitos ao controlo metrológico previsto na legislação aplicável.

6 — Sem prejuízo do referido nos números que antecedem, devem ainda ser cumpridas todas as demais disposições legais e regulamentares relativas à venda e exposição de produtos.

Artigo 537.º

Consumo de eletricidade e água

1 — Os titulares de direitos de ocupação de locais de venda em mer- cados municipais são responsáveis pelo:

a) Pagamento do consumo de eletricidade e água, nos termos regula- mentares aplicáveis, quando dispuserem de equipamentos específicos, de acordo com a potência instalada;

b) Pagamento do consumo de eletricidade e água, de acordo com um valor médio de consumo previsível a estabelecer pela Câmara Municipal para cada setor de atividade, caso não existam condições para ligação individual de fornecimento daqueles serviços.

2 — O Município não está obrigado a prover ao fornecimento de eletricidade e água quando existam condições para ligação individua- lizada de contadores.

Artigo 538.º

Afixação de preços e rotulagem

1 — É obrigatória a afixação do preço em todos os produtos destinados à venda, a partir do momento em que sejam expostos ao público.

2 — Os preços afixados devem referir -se às unidades de venda e suas frações, devendo ser colocados em posição bem visível, em modelo fixado para cada mercado.

3 — Os suportes onde é feita a indicação de preços dos produtos alimentares devem ser de material lavável, não absorvente e não tóxico.

4 — Os produtos devem estar devidamente identificados e rotulados de acordo com a legislação vigente para os diversos tipos.

Artigo 539.º Materiais e utensílios

1 — O Município pode definir as características do material e utensí- lios a utilizar nas instalações dos mercados municipais e verificar quais os que correspondem aos requisitos julgados indispensáveis.

2 — Os utensílios e restantes equipamentos usados no contacto com os géneros alimentícios devem ser de materiais resistentes à corrosão, não absorventes e não tóxicos, e não devem transmitir odores ou sabo- res, devendo ser mantidos limpos e desinfetados, não sendo permitida a utilização de madeira.

3 — No manuseamento de pão e bolos, produtos de charcutaria e de lacticínios devem ser utilizadas pinças, luvas descartáveis ou envoltórios de modo a impedir o contacto direto com as mãos.

Artigo 540.º Espaçamento

O espaço entre os locais de venda deve permanecer completamente desobstruído de forma a facilitar a circulação dos transeuntes.

Artigo 541.º Reclamos ou anúncios

1 — É permitido afixar reclamos ou anúncios no interior dos merca- dos, desde que os mesmos se limitem a identificar o titular do direito de ocupação, ou tratando -se de uma pessoa coletiva, a respetiva firma ou insígnia, bem como os respetivos produtos a comercializar.

2 — A afixação de reclamos ou anúncios deve ser expressamente aprovada pela Câmara Municipal, designadamente mediante apresen- tação de projeto pelo interessado.

Artigo 542.º

Instalações e condições sanitárias

1 — Sem prejuízo do estabelecimento de normas em sede do regula- mento interno de cada mercado, a utilização das instalações sanitárias para além do horário normal de funcionamento, por parte dos titulares, substitutos ou colaboradores das lojas autónomas ou locais com horário diferenciado, bem como do público em geral, obriga à limpeza adequada daquelas instalações e dos respetivos acessos, bem como ao zelo pela manutenção das respetivas condições de higiene.

2 — A responsabilidade pelo cumprimento do previsto no número anterior cabe ao titular do direito de ocupação da loja autónoma ou do local de venda com horário diferenciado ou, sendo mais do que um, a todos solidariamente.

Artigo 543.º

Armazéns e instalações frigoríficas

1 — Em cada mercado pode haver uma dependência para armazena- mento de volumes destinados ou não à comercialização, ou instalações frigoríficas, para conservação dos respetivos produtos.

2 — É obrigatória a utilização de instalações frigoríficas sempre que se comercializem produtos que careçam de ser mantidos a temperaturas controladas.

3 — A utilização dos armazéns ou frigoríficos encontra -se sujeita ao pagamento das quantias previstas na Tabela de taxas e outras receitas.

Artigo 544.º

Encerramento dos locais de venda

1 — Os locais de venda dos mercados são obrigados a fechar à hora do encerramento do respetivo mercado.

2 — Excetuam -se aquelas lojas dotadas de comunicação indepen- dente com o exterior, as quais, enquanto a tiverem, podem optar pelo horário oficialmente aprovado para estabelecimentos similares fora dos mercados.

Artigo 545.º Arranjo, guarda e arrumação

1 — Durante as horas de funcionamento dos mercados estão a cargo e sob a responsabilidade dos respetivos titulares do direito de ocupação, tanto o arranjo dos locais ocupados, como a guarda e arrumação dos produtos, materiais e utensílios.

2 — Os objetos pessoais dos titulares do direito de ocupação, substitu- tos, colaboradores ou outros, devem ser guardados em local apropriado. 3 — O Município não é responsável por eventuais furtos, roubos ou danos que ocorram dentro dos locais de venda ou recinto do mercado.

Artigo 546.º

Venda ou exposição não autorizada

A venda ou exposição de produtos ou artigos nos mercados, sem o necessário título de ocupação, além do procedimento contraordenacional a que houver lugar, pode implicar a imediata apreensão dos produtos ou artigos em causa.

Artigo 547.º

Obras executadas nos locais de venda

1 — A realização de quaisquer obras de adaptação ou modificação dos locais de venda encontra -se dependente de autorização municipal, nos termos legais e regulamentares aplicáveis.

2 — Todos os custos com as intervenções, nomeadamente obras de beneficiação, a cargo dos titulares do direito de ocupação dos locais de venda são por estes suportados na íntegra, com inclusão dos respetivos seguros e fornecimentos de serviços.

3 — Os titulares do direito de ocupação dos locais de venda estão ainda obrigados a executar obras de conservação, nomeadamente de reparação e limpeza, suportando igualmente os encargos daí decorrentes.

4 — A Câmara Municipal pode determinar a execução de obras de conservação ou reparação dos locais de venda, designadamente tendo em vista o cumprimento de regras higio -sanitárias ou dos requisitos técnicos aplicáveis às atividades exercidas nos mercados municipais.

5 — No final da ocupação do local de venda, o titular está obrigado a devolver o mesmo ao Município, no estado em que se encontrava aquando da sua atribuição, livre de pessoas e bens, sob pena da referida reposição ser efetuada pelo Município, a suas expensas.

6 — Para garantia da devolução dos espaços nos termos do número anterior, o Município pode exigir uma caução, a prestar nos termos legais.

Artigo 548.º Conservação e limpeza

Os titulares do direito de ocupação são responsáveis pela boa conser- vação dos locais de venda, artigos ou utensílios de que se sirvam, bem como pela limpeza dos espaços ocupados e áreas envolventes.

Artigo 549.º

Atos interditos aos operadores dos mercados

Os titulares do direito de ocupação, seus substitutos ou colaboradores estão proibidos de:

a) Gastar água que não seja para lavagem e conservação dos locais de venda;

b) Deitar detritos fora dos vasilhames para esse fim destinados; c) Fazer qualquer tipo de lavagem durante o funcionamento ao público dos mercados;

d) Ingerir alimentos no interior dos locais de venda durante o funcio- namento ao público dos mercados;

e) Colocar caixas ou outros recipientes com produtos destinados ou não à venda abaixo de 30 cm do solo;

f) Lavar viaturas no recinto dos mercados;

g) Expor produtos fora dos períodos de funcionamento do mercado, devendo os titulares do direito de ocupação remover os seus produtos, nos termos previstos no regulamento interno de cada mercado e desde que existam condições de armazenamento no mesmo;

h) Depor e empilhar caixas, paletes ou quaisquer outros recipientes ou contentores, para além do período mínimo necessário à carga e descarga imediata nos mercados.

Artigo 550.º

Conservação e transporte de produtos

1 — Os trabalhos de carga, descarga e transporte de produtos ou artigos só podem ser efetuados nos horários previamente definidos no respetivo regulamento Interno.

2 — O transporte de produtos alimentares destinados a serem comer- cializados nos mercados, deve ser feito em boas condições higiénicas e nos termos da legislação aplicável.

3 — Sem prejuízo do previsto no número anterior, é sempre obriga- tório separar os produtos alimentares de natureza diferente, de modo a que não sejam contaminados pela proximidade dos outros.

4 — No transporte só podem ser utilizados veículos que preencham os requisitos técnicos e higiénicos exigidos para o transporte de produtos alimentares, nomeadamente os referentes ao transporte de produtos de origem animal, pão e produtos afins.

5 — Quando não estejam expostos para venda, os produtos alimen- tares devem ser mantidos em condições adequadas à conservação do seu estado, recorrendo quando necessário, a equipamento de frio, em condições que os protejam de poeiras, contaminações ou contactos que possam afetar a segurança dos produtos ou a saúde dos consumidores.

Artigo 551.º Regulamento interno

1 — Sem prejuízo do disposto na presente Secção, o funcionamento de cada mercado encontra -se sujeito às regras previstas no respetivo regulamento interno, aprovado pela Câmara Municipal.

2 — Os regulamentos de cada mercado devem dispor, designada- mente, sobre as seguintes matérias:

a) Horário de funcionamento;

b) Horário de abastecimento e estacionamento; c) Horário e normas de utilização das câmaras de frio; d) Horário e normas de utilização da máquina do gelo; e) Normas de utilização das arrecadações e armazéns; f) Preçários;

g) Anúncios ou reclamos; h) Normas higio -sanitárias;

i) Condições a que devem obedecer as instalações e utensilagem em geral, para cada espécie de ocupação e forma de exercício da atividade;

j) Fardamento a utilizar por todos os operadores do mercado. SUBSECÇÃO IV