Não será observado o efeito suspensivo e começará a produzir efeitos imediatamente após a publicação a:
ATENÇÃO! TEMOS A EXCEÇÃO DA EXCEÇÃO!
Mesmo nesses casos em que as sentenças produzem efeitos de imediato, o apelante poderá pedir a concessão do efeito suspensivo com a finalidade de retirar-lhe a sua eficácia se demonstrar a presença de UM dos requisitos abaixo:
(1) Probabilidade de provimento do recurso
OU
(2) Fundamentação relevante + perigo de risco de dano
Art. 1.012, § 4º Nas hipóteses do § 1º [em que não há efeito suspensivo], a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso OU se, sendo relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação.
Quem vai apreciar o pedido de concessão do efeito suspensivo?
Vai depender de uma circunstância: se o recurso de apelação já tiver sido distribuído a um relator, ou não!
Art. 1.012, § 3º O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1º poderá ser formulado por requerimento dirigido ao:
I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la;
II - relator, se já distribuída a apelação.
Uma questão:
(FCC – MP/RJ – 2016) Segundo a legislação vigente, a apelação é dotada de efeito suspensivo caso seja interposta contra sentença que:
a) rescindir contrato de compra e venda em que figure incapaz;
b) condenar o réu a pagar alimentos;
c) confirmar tutela provisória concedida liminarmente;
d) decretar a interdição;
e) extinguir, sem resolução do mérito, embargos do executado.
RESOLUÇÃO:
A regra é que a apelação seja dotada de efeito suspensivo, impedindo a produção imediata dos efeitos da sentença impugnada.
Contudo, temos alguns casos específicos em que a apelação não terá efeito suspensivo:
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo.
§ 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que:
I - homologa divisão ou demarcação de terras;
II - condena a pagar alimentos; [alternativa b]
III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado; [alternativa e]
IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem;
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; [alternativa c]
VI - decreta a interdição. [alternativa d]
A única matéria que não figura no rol acima é a rescisão de contrato de compra e venda em que figure incapaz [alternativa d], que será o nosso gabarito.
Resposta: A
Veja esta questão:
(VUNESP – CRBio/1ª Região – 2017) Pedro ingressou com uma ação contra Antônio. A ação foi julgada totalmente procedente, sendo que a decisão está no prazo de recurso. Diante desse quadro, julgue o item seguinte.
Se a ação tratar sobre demarcação de terras, Pedro poderá interpor Apelação que não terá efeito suspensivo.
RESOLUÇÃO:
Realmente, a sentença que julga demarcação de terras produz efeitos imediatos após a sua publicação, de modo que a apelação contra ela interposta não produz efeito suspensivo.
Art. 1012, § 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que:
I - homologa divisão ou demarcação de terras;
Contudo, a banca tentou de “pegar”: como a ação ajuizada por Pedro foi totalmente procedente, ele não terá interesse em recorrer, pois não é sucumbente!
O recurso pode ser interposto apenas pela parte vencida:
Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica.
Outra!
(FCC – CNMP – 2015 - Adaptada) Acerca dos recursos, julgue o item abaixo.
A apelação será recebida em seu duplo efeito quando interposta contra sentença que confirmar a antecipação dos efeitos da tutela.
RESOLUÇÃO:
Não é bem assim: não terá efeito suspensivo a apelação interposta contra sentença que confirmar a antecipação dos efeitos da tutela (espécie de tutela provisória).
Sendo assim, tal sentença já começa a produzir efeitos logo após a sua publicação.
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo.
§ 1º Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que:
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória;
Olha aí uma outra:
(FCC – TJ/AP – 2014) Dos recursos a seguir enumerados, aponte aquele que é recebido, como regra, no duplo efeito, devolutivo e suspensivo:
a) recurso extraordinário.
b) apelação.
c) agravo de instrumento.
d) recurso especial.
e) agravo interno.
RESOLUÇÃO:
Dentre os recursos acima, o único que será recebido no “duplo efeito” (devolutivo e suspensivo) é a apelação.
Quanto aos demais recursos, a regra é que não possuem efeito suspensivo automático, o qual só poderá ser concedido por disposição legal ou decisão judicial:
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo.
Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso.
Uma última:
(IBFC – Prefeitura de Docas/PB – 2015) Sobre os recursos, julgue o item abaixo.
Recebida a apelação, o apelado sempre poderá promover, desde logo, a execução provisória da sentença, extraindo a respectiva carta.
RESOLUÇÃO:
Opa! A regra é que a apelação seja recebida no duplo efeito: devolutivo e suspensivo, de que modo que sua interposição impede a eficácia das sentenças, as quais não poderão ser cumpridas provisoriamente, como diz o enunciado.
Contudo, nem sempre o efeito suspensivo da apelação será observado, como nos casos do §1º do Art.
1.012, ocasião em que a sentença pode ser executada provisoriamente (veja que é a exceção do sistema dos recursos!).
Procedimento do Recurso de Apelação
→ No prazo de 15 dias, a apelação deverá ser interposta por petição dirigida ao juízo de 1º grau (o que proferiu a sentença), contendo
a. os nomes e a qualificação das partes;
b. a exposição do fato e do direito;
c. as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade d. pedido de nova decisão
Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá:
I - os nomes e a qualificação das partes;
II - a exposição do fato e do direito;
III - as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade;
IV - o pedido de nova decisão.
§ 1º O apelado será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 2º Se o apelado interpuser apelação adesiva, o juiz intimará o apelante para apresentar contrarrazões.
§ 3º Após as formalidades previstas nos §§ 1º e 2º, os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz, independentemente de juízo de admissibilidade.
→ Interposta a apelação, o apelado será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 dias.
Nas contrarrazões, o apelado vai expor os motivos pelos quais a decisão proferida deve ser mantida!
Indo além: no prazo da resposta, vimos que o recorrido pode apresentar sua apelação adesiva (caso haja sucumbência recíproca, claro) Nesse caso, o juiz dará vista ao recorrente principal para apresentar resposta ao recurso adesivo, se quiser.
§ 2º Se o apelado interpuser apelação adesiva, o juiz intimará o apelante para apresentar contrarrazões.
→ Recebida a apelação e as contrarrazões ao recurso de apelação, o juiz encaminhará os autos ao tribunal, sem fazer qualquer juízo de admissibilidade:
§ 3º Após as formalidades previstas nos §§ 1º e 2º, os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz, independentemente de juízo de admissibilidade.
Resolva:
(VUNESP – FAPESP – 2018 - Adaptada) Acerca dos recursos, julgue o item abaixo.
Ao juiz de primeira instância cabe a análise dos pressupostos de admissibilidade da apelação.
RESOLUÇÃO:
Se estivéssemos sob a vigência do CPC revogado, poderíamos marcar a afirmativa como correta.
Contudo, já estamos em 2019 e o CPC/2015 afirma que a apelação será encaminhada ao Tribunal independentemente de juízo de admissibilidade do juiz de primeiro grau!
Sendo a apelação recebida pelo tribunal, ela será imediatamente distribuída a um relator, que:
→ Poderá julgar monocraticamente (sozinho) a apelação nos seguintes casos: