2.5 A importância da Estrutura Cognitiva na Aprendizagem Significativa e Ação pedagógica
2.5.2 Mapas conceituais: uma possibilidade de atuação pedagógica na EJA
2.5.2.1 Fundamentos cognitivos dos Mapas Conceituais
Os Mapas Conceituais, como uma cartografia cognitiva de estímulo à aprendizagem significativa proposicional e metacognição, foram disseminados pelo pesquisador norte- americano Joseph Novak na década de 70.
A tecnologia de Novak foi desenvolvida a partir da Teoria da Assimiliação de Ausubel (1980) em que o aprendizado é representado por um sistema de redes conceituais organizado por diferenciações progressivas e reconciliações integradoras formando redes semânticas. Os Mapas Conceituais são, desta forma, uma representação da aprendizagem significativa proposicional através da qual os seus componentes - conceitos e palavras de ligação – estão topograficamente dispostos para a organização e representação do conhecimento. Para Ausubel (1980), na aprendizagem proposicional o objetivo almejado é aprender o significado de suas proposições verbais.
Os MCs possuem como unidade básica a proposição constituída por dois ou mais conceitos interligados por um termo que exprime a relação existente entre eles. A sua estrutura é hierárquica, nesta se evidenciam as relações de subordinação e supra-ordenação entre os conceitos. A figura 10 apresenta um Mapa Conceitual com as suas principais características: na
parte superior, estão localizados os conceitos mais gerais e, à medida que se desce aparecem os conceitos mais específicos.
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Fonte: NOVAK, Joseph D.; CANÃS, Alberto J, 2010, p.10.
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Os conceitos presentes nos mapas são observados como abstrações dos atributos essenciais que são comuns a uma determinada categoria de objetos, eventos ou fenômenos. Estes conceitos fazem parte de nossa memória semântica a partir da qual o nosso conhecimento declarativo se assenta. Para Anderson (2004), o conhecimento declarativo é definido como o conhecimento explícito através do qual podemos relatar um evento ou uma regularidade que temos consciência.
Para o estabelecimento de uma rede de significados, a partir das proposições - elaboradas em nosso modelo cognitivo com base no significado dos conceitos ativados em nossa memória semântica-, se faz necessário a conversão do conhecimento declarativo em outra forma de conhecimento. Este novo conhecimento é definido como conhecimento procedimental, ou seja, é o conhecimento implícito de como realizar as tarefas.
De acordo com Jonassen (1992, apud MENDES et al., 2014), a utilização dos Mapas Conceituais como tecnologia cognitiva possibilita a conversão do conhecimento declarativo em procedimental e refere-se ao processo pelo qual as pessoas passam do uso explícito do conhecimento declarativo (o quê) para a aplicação do conhecimento procedimental (como e porquê).
Segundo Normam (1993), uma tecnologia cognitiva é um artefato cognitivo - como a linguagem e o mapeamento conceitual - que promove modificação no modo como as atividades e os processos cognitivos são requeridos ou mobilizados. A tecnologia cognitiva possui um papel decisivo em fornecer auxílio à cognição. Uma parcela considerável de nossas habilidades cognitivas deriva desta capacidade em buscar auxílio externo.
Esta tecnologia cognitiva pode atuar internamente e externamente. Para Jonassen (1992), de modo interno ela contribui com processos relacionados com a metacognição e, de modo externo, ela possibilita o desenvolvimento de ferramentas computacionais de auxílio à elaboração de redes semânticas.
Contudo, é preciso destacar que as tecnologias cognitivas não devem ser observadas apenas como auxiliares ao pensamento. Elas também constituem sua ‘composição’, já que uma parcela considerável daquilo que sabemos e pensamos deriva da construção e interação com esses artefatos internos.
Assim, uma representação gráfica, como um MC, atua modificando a natureza cognitiva da tarefa. Ou seja, tal artefato opera uma mudança no modo como a atividade é representada pelo indivíduo de forma a torná-la mais significativa ou aparente.
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Para Mendes et al.(2014), ao elaborar um MC o aluno representa topologicamente como organizar o conhecimento em sua mente. Isso exige um esforço complexo em selecionar os conceitos mais importantes e seus subordinados, definir conceitos e promover a identificação de erros e lacunas conceituais em sua estrutura cognitiva, além de criar conexões proposicionais com uma elevada complexidade (reconciliações integrativas – shemata).
Para Kintsh (1998), o mapeamento de conceitos exige a exteriorização do conhecimento e de sua estrutura. A memória de trabalho é utilizada e a construção de coerência é facilitada. Além disso, é importante destacar o processo metacognitivo sobre a reflexão de como aprender a aprender e a identificação de lacunas conceituais em sua estrutura cognitiva.
Diante da influência do processo metacognitivo, se faz necessário conceituarmos metacognição.
O que é metacognição? Geralmente tem sido amplamente e vagamente definida como qualquer conhecimento ou atividade cognitiva que tem como objeto, ou regula, qualquer aspecto de qualquer empreendimento cognitivo. Ela é chamada de metacognição porque seu significado principal é “cognição sobre a cognição”. Habilidades metacognitivas são utilizadas em diferentes tipos de atividades cognitivas, incluindo a comunicação oral de informações, persuasão oral, compreensão oral, compreensão de leitura, escrita, aquisição da linguagem, percepção (SCHUNK, Apud Flavell, 2012, p.286).
A metacognição se refere ao conhecimento do próprio conhecimento - percepção, avaliação dos processos e das competências fundamentais à realização de uma atividade - e autorregulação: controle do funcionamento cognitivo, da execução dos sistemas centrais que coordenam as operações cognitivas.
De acordo com Anderson (2004) e Jonassen (1992), as tecnologias cognitivas, quando são devidamente concebidas e executadas, devem ativar as estratégias cognitivas e metacognitivas de aprendizagem. Tais tecnologias são definidas também como ferramentas cognitivas.
Para Jonassen (1992),
Ferramentas são extensões dos seres humanos que diferenciam parcialmente humanos de espécies inferiores da ordem animal. Outras espécies de animais descobriram ferramentas, mas não têm sido capazes de conceber as necessidades para a construção de ferramentas ou incorporá-las em suas culturas (JONASSEN, 1992, p.1, tradução nossa).
Segundo Mayes (1992), o conceito de ferramenta cognitiva também traz implicações, como ocorre com qualquer ferramenta, na qual o usuário será mais hábil com a prática, e a
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ferramenta será, portanto, mais eficaz nas mãos de um usuário experiente. Esta definição é suficiente para abranger uma ampla gama de tecnologias cognitivas, variando de um debate verbal para a execução de jogos de computador. A ideia é baseada na suposição de que aprendizado não é uma atividade particular, discreta, que pode ser ligado e desligado. Em vez disso, o aprendizado está diretamente ligado à compreensão.