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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-CONCEITUAL

6. AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DO DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL • Projeto de Avaliação e Acompanhamento das atividades acadêmicas de

2.3 Fundamentos da Sustentabilidade e Inovação

Os diversos problemas que hodiernamente influenciam as vidas de milhões de pessoas estão associados a educação, a qual tem um papel fundamental como força propulsora da conscientização e transformação cultural dos indivíduos e organizações na busca do desenvolvimento sustentável e inovação.

O tema desenvolvimento sustentável, vem sendo debatido nas últimas décadas, nas diversas áreas do conhecimento, devido as constatações científicas de que os recursos da Terra não são inesgotáveis e que sua conservação está relacionada com a preservação da espécie humana. Conforme destacam Hart e Milstein (2004), os repetidos anos de exploração sem qualquer controle tem resultado em graves consequências no mundo, tais como, saturação dos mercados desenvolvidos, ampliação das desigualdades entre pobres e ricos, altos níveis de degradação ambiental e o descontrole sobre a densidade populacional.

A inclusão do assunto desenvolvimento sustentável tem sua origem nas iniciativas de caráter global, por encargo da ONU, sendo a Conferência das Nações Unidas sobre o meio Ambiente Humano (CNUMAH), realizada em Estocolmo em 1972, um dos marcos mais importantes. Segundo Barbieri e Silva (2011), a Conferência de Estocolmo firmou as bases para um novo entendimento acerca das relações entre o ambiente e o desenvolvimento socioeconômico e dela resultou a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Vários eventos internacionais, relacionados à preocupação ambiental e ao Desenvolvimento Sustentável foram se desenvolvendo ao longo dos anos. Um importante evento internacional em favor da Educação Ambiental ocorreu em 1977, na cidade de Tbilisi, na Geórgia, a chamada “Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental”, organizada em parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e o PNUMA. Esta Conferência foi inspirada na Carta de Belgrado, lançada em 1975, sendo responsável pela elaboração de objetivos, definições, princípios, estratégias e ações orientadoras da Educação Ambiental que são adotados mundialmente até os dias atuais.

A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), criada pela Assembleia Geral da ONU em 1983, elaborou o documento “Nosso

Futuro Comum” (Relatório de Brundtland), em 1987, no qual foi apresentada a definição mais conhecida de desenvolvimento sustentável, que é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações (CMMAD, 1991).

Dessa forma, por meio da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (CNUMAD), mais conhecida como Rio-92 ou Eco-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, o termo desenvolvimento sustentável passou a ser difundido ganhando popularidade e vem sendo alvo de estudos e tentativas de estabelecimento de políticas de gestão que contemple os seus princípios centrais.

Nesta conferência, foram aprovados diversos documentos, entre eles a Agenda 21, que é um programa de ação abrangente para guiar a humanidade em direção a um desenvolvimento que seja ao mesmo tempo socialmente justo e ambientalmente sustentável. Ela é constituída de 40 capítulos sendo o de número 36, dedicado à promoção do ensino, da conscientização e do treinamento. Neste capítulo constam três áreas programas:

1) reorientar a educação no sentido do desenvolvimento sustentável, considerada indispensável para modificar a atitude das pessoas e para conferir consciências ambiental, ética, valores e técnicas, e comportamentos em consonância com as exigências socioambientais;

2) sensibilizar e conscientizar o público, sobre os problemas do meio ambiente e do desenvolvimento para fomentar nos indivíduos o senso de responsabilidade com relação a esses problemas e fazer com que participem da busca de solução;

3) promover treinamento para desenvolver recursos humanos para facilitar a transição para um mundo sustentável (BARBIERI; SILVA, 2011).

Neste sentido, este documento se apresenta como um dos principais resultados da Rio-92, que estabeleceu a importância de cada país a se comprometer a refletir, global e local, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais (ALIGLERI; ALIGLERI e KRUGLIANSKAS, 2009).

Após passado uma década da Rio-92, foi realizada pela ONU a Conferência Rio+10, em Johanesburgo, que buscou avaliar o progresso e as possíveis lacunas

existentes na implementação das decisões, concluindo que as medidas adotadas globalmente não eram satisfatórias.

Em 2002, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Década da Educação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, com duração de 2005 a 2014. A UNESCO foi escolhida para liderar o processo, com objetivo global de integrar os valores inerentes ao desenvolvimento sustentável em todos os aspectos da aprendizagem com o intuito de fomentar mudanças de comportamento que permitam criar uma sociedade sustentável e mais justa para todos (UNESCO, 2005).

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, teve como objetivo renovar o compromisso internacional com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e da implementação das decisões adotadas, além de tratar temas como: economia verde, erradicação da pobreza, desenvolvimento sustentável, desemprego e outros.

No Brasil, somente quando o país passa a dar passos firmes em direção à industrialização inicia-se o esboço de uma política ambiental. Pode-se apontar que o poder público começa a se preocupar com o meio ambiente na década de 1930.

De certa forma, com relação a este tema, a educação brasileira vem se desenvolvendo nas últimas duas décadas, com alguns avanços significativos, como é o caso da recente legislação relativa a inserção da Educação Ambiental nas IES, que estabelece que esta deve ser promovida integradamente nos seus projetos institucionais e pedagógicos.

Entretanto, nas IES, as contribuições mais importantes e inovadoras vieram por iniciativas voluntárias que expressam um compromisso de atuar proativamente, na busca do desenvolvimento sustentável, das quais resultaram declarações e recomendações específicas inovadoras, indo além do que a legislação exige e utilizando processos de implantação de práticas alinhadas com esse novo modo de conceber o desenvolvimento.

Observa-se que as IES até a Rio-92, praticamente não estavam engajadas na discussão global do desenvolvimento sustentável, sendo que as declarações realizadas anteriormente (Tailloires e Halifax) enfocaram principalmente o caráter educacional das universidades.

Dentre tantos outros eventos relacionados à preocupação ambiental em Universidades, destaca-se a Declaração de Kyoto, em 1993, visando estimular as universidades do mundo inteiro a procurar estabelecer e transmitir uma compreensão mais clara de desenvolvimento sustentável. No ano seguinte, um programa da associação das universidades européias desenvolveu a Carta Copernicus, visando à cooperação para a educação e pesquisa voltadas à dimensão ambiental alinhada ao conceito maior do desenvolvimento sustentável e, recentemente, em 2012, foi realizada a Cúpula dos Povos – Rio + 20.

A realização de uma série de eventos demonstra a prevalência das questões ambientais no mundo contemporâneo, onde o Brasil tem se colocado a frente em diversas situações, atento a sua legislação e políticas públicas, embora a realidade, muitas vezes, ainda se contraponha a elas.

Neste estudo, não se fará distinção entre as expressões sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, que serão usados como sinônimos ou correlatos, apesar de haver consciência da discussão em algumas áreas de conhecimento, sobre a diferença possivelmente existente entre ambas.

Por meio de estudo bibliométrico, Souza e Ribeiro (2013), investigaram o perfil das pesquisas e a evolução do tema sustentabilidade ambiental nos artigos publicados em periódicos nacionais Qualis de Administração, de A1 a B2, no período de 1992 a 2011. A referida pesquisa mostrou alguns indícios que favorecem a qualidade e a consolidação da pesquisa neste tema no Brasil: crescimento do número de artigos, mesmo que concentrada em poucas revistas; pluralidade de subtemas principalmente nos últimos anos; aumento de estudos feitos por grupos de pesquisadores, crescimento de estudos quantitativos a partir de 2007.

O estudo dos autores supracitados, embora contenha uma amostra limitada, mostrou que os temas gestão ambiental e desenvolvimento sustentável são os que se destacam há mais tempo, seguidos de gestão de resíduos, recursos hídricos e contabilidade ambiental, marketing verde, sistemas de gestão ambiental, responsabilidade socioambiental e inovação ambiental. Dentre os autores, destaque para algumas citações internacionais, tais como Porter, Sachs, Donaire, Maimon, Linde, Elkington, Hart. No âmbito nacional, os autores Barbieri, Ribeiro, Nascimento, Andrade, Jacobi, Batalha, Oliveira, Demajorovic, Jabbour, Abreu, Guimarães, Campos e Santos, além de serem os que mais publicam sobre o tema

sustentabilidade ambiental, também são os mais citados nas referências dos artigos investigados.

Desse modo, diversos autores conceituam sustentabilidade buscando uma forma de operacionalizá-la nas organizações. Neste contexto é que surgiu o conceito de Triple Bottom Line – TBL, que considera três pilares como norteadores de decisões e ações relacionadas à gestão organizacional: econômico, social e ambiental. Essa expressão surgiu na década de 1990 e tornou-se conhecida em 1997, com a publicação do livro Cannibals With Forks: The Triple Bottom Line of 21st

Century Business, de John Elkington. Desde então várias organizações, entre elas a GRI (Global Reporting Initiative), vêm promovendo o conceito e seu uso em

corporações de todo mundo. Também conhecida como Tripé da Sustentabilidade, reflete um conjunto de valores, objetivos e processos que uma organização deve focar para criar valor nas três dimensões.

As organizações, para serem consideradas sustentáveis, precisam ter ações e programas, em que as três dimensões devem estar integradas, de modo que na esfera ambiental, os recursos sejam aproveitados de maneira eficaz. Com base no estudo de Elkington, apresenta-se o objetivo de cada dimensão no Quadro 7.

Dimensões Objetivo

Social Trata-se do capital humano de um empreendimento, comunidade, sociedade como um todo. Além de salários justos e estar adequado à legislação trabalhista,

é preciso pensar em outros aspectos como o bem estar dos seus funcionários.

Ambiental

Refere-se ao capital natural de um empreendimento ou sociedade. É a perna ambiental do tripé. A princípio, praticamente toda atividade econômica tem impacto ambiental negativo. Nesse aspecto, a empresa ou a sociedade deve pensar nas formas de amenizar esses impactos e compensar o que não é possível amenizar. Uma empresa que utiliza determinada matéria-prima deve planejar formas de repor os recursos ou, se não é possível, diminuir o máximo possível o uso desse material.

Econômico

São analisados os temas ligados à produção, distribuição e consumo de bens e serviços e outros aspectos, que envolve o setor em que a empresa atua. Tem preocupação com a gestão eficiente de recursos e o fluxo regular de investimento público e privado, levando em consideração os seguintes aspectos: resultado econômico, direitos dos acionistas, competitividade, relação entre clientes e fornecedores.

Quadro 7 – Dimensões da sustentabilidade

Segundo Oliveira (2002), a consolidação da proposta do TBL, o questionamento e o repensar do gerenciamento de respostas/ações organizacionais passam a considerar, de certa forma, a função social e ambiental da organização como membro de um sistema integrado à sociedade. Questões concernentes à missão, às crenças, aos valores e às estratégias, que serão propagados no longo prazo, serão contempladas neste repensar.

O Brasil é um dos países onde mais avança o conceito de sustentabilidade e a aplicação de tecnologias capazes de oferecer alternativas eficientes de Desenvolvimento Sustentável (ALIGLERI; ALIGLERI e KRUGLIANSKAS, 2009). Conforme os autores, as organizações que praticam a busca pela gestão socioambiental orientada, estão obtendo vários ganhos de caráter intangível como a imagem de marca e reputação, além de valores intangíveis, como solidariedade, projetos, etc.

Ao se referir a sustentabilidade, Ignacy Sachs (2009, p. 85-88), enfatiza que o conceito apresenta diversas dimensões, enumerando oito delas:

1) Social: que se refere ao alcance de um patamar razoável de homogeneidade