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3. MÉTODO E TÉCNICAS DE PESQUISA

3.5 Escalas de mensuração

3.5.1 Fundamentos do desenvolvimento da escala CIDT

Nesta pesquisa, a partir da revisão da literatura, contatou-se a inexistência de um instrumento adequado para mensurar o grau de relacionamento entre as organizações no contexto dos destinos turísticos. Em face das características peculiares desses locais, onde estão inseridas organizações públicas e privadas consideradas co-responsáveis pelo desenvolvimento do turismo, parece necessário adequar as formas de medição da cooperação interorganizacional, extrapolando a simplicidade operacional relativa ao número de acordos formados para a inclusão de dimensões que respeitem as singularidades do setor como, por exemplo, a comunicação, a atuação das entidades associativas e as atividades colaborativas (Wilke e Costa, 2014).

Segundo Zambaldi, Costa e Ponchio (2014), o processo de construção do conhecimento científico depende, em grande parte, da capacidade dos pesquisadores de mensurarem

adequadamente os conceitos abordados em seus estudos. Instrumentos de medição são desenvolvidos quando o pesquisador pretende mensurar um fenômeno que ele acredita existir em face de seu entendimento teórico, mas não pode ser acessado diretamente. Assim, nos casos nos quais não é possível confiar em uma única medida de comportamento como uma indicação de um fenômeno, pode ser útil acessar o construto por meio de um instrumento cuidadosamente construído e validado (DeVellis, 2003).

Múltiplos itens podem capturar a essência de determinada variável com um grau de precisão que um único item não pode atingir (DeVellis, 2003). É precisamente sobre esse tipo de variável, ou seja, a qual não pode ser observada diretamente e que envolve atenção por parte do respondente, que é mais apropriadamente acessada mediante um escala. DeVellis (2003) conclui que as variáveis observáveis estão intimamente ligadas às variáveis subjacentes que se destinam a representar, funcionando como proxies do que se procura observar.

Segundo DeVellis (2003), algumas etapas devem ser seguidas durante o processo de desenvolvimento de escalas de mensuração, nas quais estão contidas a construção, a avaliação e a validação desse tipo de instrumento.

A primeira etapa consiste em determinar com clareza o que se pretende mensurar. Envolve pensar claramente a respeito do construto a ser medido, especialmente sobre fenômenos elusivos que não podem ser medidos diretamente. Para tanto, deve-se recorrer primeiramente à teoria em busca de especificações ou modelos conceituais que servirão como guias para o desenvolvimento da escala.

A segunda etapa envolve a geração do conjunto de itens da escala. Uma vez que a estrutura conceitual da escala esteja claramente articulada, o passo seguinte é produzir um grande conjunto de itens para eventual inclusão na escala. Para auxiliar nesse processo, o pesquisador deve ser guiado pelo propósito da escala, de maneira que os itens selecionados e criados reflitam claramente o que se pretende mensurar. Nesse ponto, a redundância de itens é tolerada. Itens aparentemente redundantes deverão sinalizar o conteúdo em comum, enquanto que o conteúdo estranho e irrelevante será eliminado. Isso implica em partir de uma lista grande de itens que serão eliminados com base em critérios, tais como a falta de clareza, relevância ou inconsistência. Embora não seja possível especificar a quantidade de itens iniciais, sabe-se que

a escala final poderá ser composta por um número bastante reduzido dos itens listados inicialmente.

A terceira etapa diz respeito à determinação do formato de mensuração. Em face de uma grande quantidade de formatos alternativos a escolher, o pesquisador deve considerar desde o princípio qual formato será utilizado. Um dos formatos mais comuns é a escala de Likert. Nesse formato, as sentenças são expressas em afirmativas, seguidas de respostas que indicam vários graus de concordância ou endosso com a situação. A escala de Likert é amplamente utilizada como um formato para mensurar opiniões, crenças e atitudes e uma boa escala deve refletir esses tipos de manifestações ou outros construtos em termos claros.

A quarta etapa consiste na revisão dos itens da escala por especialistas. Uma vez examinada a necessidade de articular claramente o que é o fenômeno de interesse, gerado um conjunto de itens adequados e determinado um formato para as respostas, o próximo passo é perguntar a um grupo de pessoas que possuam conhecimento na área do conteúdo para que analisem o conjunto de itens. Essa revisão serve para maximizar a validade do conteúdo da escala. Para tanto, pode-se perguntar ao grupo de especialistas para avaliar quão relevante cada item é para mensurar o que se pretende. Além disso, os especialistas são convidados a avaliarem os itens individualmente, indicando itens confusos, pouco claros ou ambíguos. Finalmente, os especialistas podem mencionar aspectos do fenômeno que não foram incluídos na lista de itens. A decisão a respeito de aceitar ou rejeitar a recomendação do especialista é de responsabilidade do desenvolvedor da escala.

A quinta etapa envolve a inclusão de itens de validação. O ponto central do desenvolvimento do questionário é o conjunto de itens a partir do qual a escala surgirá. Pode ser conveniente incluir alguns itens adicionais no questionário que ajudarão a determinar a validade final da escala. Os entrevistados podem não estar respondendo os itens de interesse primordial pelas razões assumidas pelo pesquisador.

A sexta etapa diz respeito à administração dos itens. Após decidir quais itens são válidos e estão relacionados ao construto que podem ser incluídos no questionário, deve-se administrá- los, juntamente com o conjunto de novos itens e aplicá-los a uma amostra grande de respondentes. De modo a concentrar se concentrar sobre a adequação, a amostra deve ser suficientemente grande para eliminar a variância como uma preocupação significativa.

A sétima etapa consiste em avaliar os itens. Depois que um conjunto inicial de itens foi desenvolvido, examinado e administrado a uma amostra apropriadamente grande e representativa, é hora de avaliar o desempenho dos itens individualmente de modo que sejam identificados como constituintes da escala. São avaliadas algumas qualidades desejáveis em um item de escala. Quanto maior a correlação entre os itens, maiores são as confiabilidades dos itens individuais. Quanto mais confiável for o item individualmente, maior será a confiabilidade da escala a qual ele pertence. Um dos mais importantes indicadores da qualidade da escala é o coeficiente de confiabilidade, o alfa. Assim, depois ter selecionado os itens, eliminado os ruins e retidos os bons, o coeficiente alfa é uma forma de avaliar quão bem sucedida é a escala.

A oitava etapa consiste em otimizar o tamanho da escala. Neste estágio do processo de desenvolvimento da escala, o investigador tem um conjunto de itens que demonstra confiabilidade aceitável. Geralmente, escalas curtas são boas, porque exige menor esforço do respondente. Escalas longas, por outro lado, são boas porque elas tendem a ser mais confiáveis. Portanto, o desenvolvimento de uma escala deve refletir um pouco sobre uma negociação ideal entre concisão e confiabilidade.

Portanto, etapas e os fundamentos sugeridos por DeVellis (2003) serviram como direcionadores para o desenvolvimento da escala de CIDT. Os resultados do processo de construção e validação são descritos a seguir.