Neste subcapítulo, faço uma breve retrospectiva de como o país chegou à configuração legal e atual da escolarização obrigatória de nove anos, tomando por base alguns estudiosos como Cambi (1999) e Manacorda (1997). Ao revisar a história da educação, percebo que a cultura dos gregos era mais para a formação do homem enquanto cidadão individual, onde os professores eram contratados inteiramente pelas famílias, tornando a educação que a criança recebida
dependente diretamente da vontade e da capacidade financeira da família. Os mais ricos tinham um escravo a seu serviço, chamado de pedagogo, que os acompanhava e ajudava, obrigando a criança a repetir as lições. Um dos principais fins da educação consistia em formar o coração da criança.
Enquanto a criança era preparada em seus estudos, os pais, o preceptor, os parentes e os mestres aborreciam na espera de seus estudos, à educação para os que esperavam não era dado seu real valor. Por vezes, as ameaças e os castigos afastavam as crianças das verdades que elas ‘deveriam’ amar. Os mestres deviam se unir para dar à criança exemplos de dignidade, de gestos, maneiras, polidez, elegância na conduta, de respeito pelas leis das cidades e pelos mais velhos.
Com o passar dos anos a educação começou a ser requisitada como uma maneira de crescimento para as crianças e àqueles que a cercam, almejando um futuro melhor. Porém, essa oportunidade, infelizmente, era somente para as classes mais abastadas. No entanto, com o passar dos séculos, a educação começou a ensaiar sua importância e os pais começaram a compreender a seriedade da escola na educação de seus filhos e a matriculá-los na escola para lhes oportunizar melhores condições de aprendizagem. Mas, muitos não possuíam a mesma oportunidade, os que eram filhos de escravos, operários, crianças de classes baixas, devido às condições econômicas, sendo que a educação infantil, inicialmente, não tinha lugar em todas as escolas.
A seguir aponto, brevemente, as principais leis que conduziram a diversas mudanças no campo educacional brasileiro e que pautaram as reivindicações para um ensino melhor, que prima pela construção do conhecimento e da aprendizagem numa prática pedagógica reflexiva, condizente com a necessidade existente.
A lei n° 4.024, de 1961, instituiu a duração de quatro anos para o Ensino Fundamental, cumprindo uma diretriz do Acordo de Punta Del Este e Santiago (BRASIL, 2007). O governo brasileiro passou a ter a obrigação de estabelecer a duração de seis anos de ensino primário para todos os brasileiros (BRASIL, 1961).
Em 1971, a Lei n° 5692 ampliou esse período para oito anos, porém, em 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB) propôs uma nova reformulação para o ensino desde os seis anos de idade com nove anos de duração (BRASIL, 1996). Cabe ressaltar que essa foi uma meta da educação nacional pela Lei
n°10.172 de 9 de janeiro de 2001, aprovada então pelo Plano Nacional de Educação (PNE).
Do ponto de vista da política educacional há a LDB e o PNE, sendo que a LDB propiciou competências da União: “elaborar o Plano Municipal de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios” (BRASIL, 1996, ART. 9°, inciso I). Nas Disposições Transitórias, foi acrescentado:
A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta lei, encaminhará ao Congresso Nacional o Plano Nacional de educação, com diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial de Educação para Todos (BRASIL, 1996, art. 87, inciso I).
Em âmbito nacional, visto que na LDB de 1996 o ensino obrigatório propiciou mudanças para começar aos seis anos de idade, tornou-se meta primordial o acesso de todas as crianças das camadas sociais menos favorecidas adentrar na escola.
Além disso, esperava-se que todos seriam contemplados com mais qualidade no ensino, tempo na escola, buscando, assim, mais qualidade na educação brasileira e aos educandos aprenderem de maneira mais prazerosa.
Dessa maneira, a permanência maior na escola já era uma tendência ressaltada desde a década de 1990, para que se ampliasse a aprendizagem das crianças. O PNE apontou que a exclusão das crianças da escola em sua idade escolar apropriada, negava-lhes o direito fundamental de todo cidadão, o direito de cidadania, conduzindo-as ao estigma da pobreza, da exclusão, da marginalidade social, impossibilitando-lhes uma perspectiva de um futuro promissor (BRASIL, 2001). Nesse contexto, o Estado assumiu o ordenamento da implementação da lei do EFNA, considerado obrigatório até o ano de 2010 que todas as escolas ampliassem o ensino fundamental.
Conforme a Constituição Federal § 1° do artigo 211, cabe ao MEC cumprir sua função de prestar assistência técnica e financeira aos sistemas de ensino, visando garantir um padrão mínimo de qualidade da educação, ou seja:
A União organizará o sistema federal de ensino e dos territórios, financiará as instituições de ensino público federal e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma de garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira a Estados, ao Distrito Federal e aos municípios (BRASIL, 1988).
O PNE 2001-2011 estabeleceu que o cumprimento da meta da ampliação do Ensino Fundamental para nove anos, com início aos seis anos, exige a iniciativa da União. A LDB foi sancionada em 20 de dezembro de 1996, no entanto a primeira proposta do PNE foi protocolada no dia 10 de fevereiro de 1988, evidenciando ser essa uma reivindicação que estava sendo aguardada há muitos anos.
Ressalto que o PNE e a LDB propiciaram os primeiros indícios para que houvesse uma transformação na educação, no ensino fundamental, de oito para nove anos, enfatizando muita atenção ao processo de aprendizagem da criança.
Ambos destacavam que deviam ser ampliadas as assistências às famílias de baixa renda. Nestas, em especial, a escola pode ser muito importante por manter suas crianças afastadas de riscos, pois, em muitos casos, crianças fora do ambiente escolar podem tornar-se vítimas do trabalho infantil, exploração sexual e discriminações sociais, econômicas e educativas.
O PNE, elaborado no início do século XX, foi importante por evidenciar a intenção de contribuir com ideias que auxiliassem no amadurecimento de um problema nacional: a educação. No entanto, em 1932, com o Manifesto dos Pioneiros na Educação, movimento que apresentou a proposta de um plano unitário e com bases científicas, foram encaminhadas ao governo sugestões de soluções dos problemas que emergiam na educação nessa época, ou seja, a distribuição de fundos especiais. Com base nessa ideia, foi incluído na Constituição Brasileira, em 16 de julho de 1934, o art. 150, que declarava ser competência da União: “fixar o plano nacional de educação, compreensivo do ensino de todos os graus e ramos comuns e especializados; e coordenar e fiscalizar a sua execução, em todo território do País”.
Em meados de 1962, surgiu o projeto de lei que em 1966 passou a ser chamado de: Plano Complementar de Educação. Em 1967 o MEC expôs o Plano ao debate, em quatro Encontros Nacionais de Planejamento, sem que chegasse a se concretizar. Isso aconteceu com a Constituição Federal de 1988, onde o art. 214 contempla esta obrigatoriedade.
No II CONED, realizado em Belo Horizonte de 6 a 9 de novembro de 1997, foi aprovado o texto que resultou no “Plano Nacional de Educação: proposta da sociedade brasileira”. Entretanto, após muitas discussões entre os parlamentares foi
aprovada a LDB, que iniciava a discussão sobre o PNE, ainda não aprovado. Em seu artigo 87, a LDB previa o encaminhamento do projeto do PNE. Este deveria ter entrado em votação no Congresso Nacional até o dia 23/12/1997. O prazo já havia vencido, quando em 10/2/1998, após o recesso parlamentar, o deputado Ivan Valente encaminhou o projeto realizado, juntamente com o movimento dos educadores, para ser discutido pelos parlamentares.
Após muitas debates, inclusões e exclusões de textos, sugestões de emendas, finalmente, o PNE foi aprovado em 2001, como indicativo da importância das lutas para aqueles que defendem uma sociedade mais justa e igualitária. Nesse enfoque reporto alguns antecedentes históricos da preparação para o PNE, justamente compreendendo o caráter de sua importância na educação e suas considerações.
A LDB, Lei n° 9394/1996 estabeleceu, nos artigos 9° e 87° que caberia à União, Estados, Municípios instituir a Década da Educação (BRASIL, 1996), ou seja, o Plano Decenal da Educação (PDE) (BRASIL, 1993). Sendo assim nos dez anos posteriores à Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em 1990 em Jontiem, na Tailândia, surgiram as normativas legais do PNE em consonância com a LDB, com o propósito de promover a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem.
Conforme normativas legais do MEC, a Lei 11.274, de 06 de fevereiro de 2006, alterou-se na LDB a redação dos artigos 29, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabeleceram as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de nove anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade, estabelecendo o prazo de implementação até 2010. Nessa direção, a elaboração do PNE respaldou suas políticas públicas educacionais em âmbito nacional, integrando-se a parâmetros internacionais na Conferência Mundial de Educação para Todos, que respaldou a educação, focando nas principais discussões, dando prioridade à educação básica, ou seja, o ensino fundamental do mundo todo.
Desta Conferência resultou um documento que ressaltou a necessidade de expandir o enfoque dado para a educação básica, ensino fundamental, conforme referido em seu Artigo 2 (CONFERÊNCIA MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS, 1991):
1- Lutar pela satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todo exige mais do que a ratificação do compromisso pela educação básica.
È necessário um enfoque abrangente, capaz de ir além dos níveis atuais de recursos, das estruturas institucionais; dos currículos e dos sistemas convencionais de ensino, para construir sobre a base do que há de melhor nas práticas correntes. Existem hoje novas possibilidades que resultam da convergência do crescimento da informação e de uma capacidade de comunicação sem precedentes. Devemos trabalhar estas possibilidades com criatividade e com a determinação de aumentar a sua eficácia.
2 - Este enfoque abrangente, tal como exposto nos artigos 3 e 7 desta declaração, compreende o seguinte:
Universalizar o acesso á educação e promover equidade;
Concentrar a atenção na aprendizagem;
Ampliar os meios e o raio da ação da educação básica;
Propiciar um ambiente adequado á aprendizagem;
Fortalecer alianças.
Para atingir os compromissos firmados no documento mencionado acima, justifica-se a ampliação do ensino fundamental, garantindo a universalização da aprendizagem das crianças, dando ênfase ao acesso dos alunos à escola e objetivando a qualidade e a importância da educação das crianças.
Assim, com o suporte de resoluções e pareceres que norteiam esse processo, e as orientações feitas pelo MEC na condução dessa política pública educacional, podemos dizer que a educação brasileira conquistou novos espaços. Isto se configurou a partir da Constituição Federal de 1988 que propôs, em seu artigo 208, a prioridade no atendimento da criança como um todo, sendo um dever do Estado e um direito da criança, como se percebe dos fragmentos a seguir (BRASIL, 1988):
Art. 208 - O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) (Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) [...]
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)
§ 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
Foi a partir das reflexões sobre as leis que deram subsídios a Lei n°11.274, de 2006, que criou no Brasil o Ensino Fundamental de Nove Anos e implica, em um primeiro momento, revisitar a sua história. Neste ensejo, apresento a aprovação do PNE e seu contexto que traz como meta a ampliação do ensino e as modificações nomeadas com a aprovação de leis específicas. As orientações legais que subsidiam a ampliação do Ensino Fundamental compreendem a construção da política educacional e, cada vez mais, envolvendo o questionamento sobre a obrigatoriedade da criança com seis anos estar na escola e as repercussões desta lei.
Nesse sentido, vale lembrar que a educação dos nove anos contribui para a uma melhor integração da criança na escola. Ou seja, propõe um ganho na qualidade do ensino, uma vez que um ano a mais na escola permite que os brasileiros se alfabetizem na idade prevista pela lei n°11.274/06 e rompe com paradigmas da formação de milhões de brasileiros analfabetos funcionais. Os analfabetos funcionais são pessoas com 15 anos de idade ou mais e com menos de quatro anos de estudo completo (SILVA, 1996, p.1-4) que não usufruíram de oportunidades de estudos.
Todavia, destaco que o EFNA é um movimento mundial, isto é, o mesmo também acontece por toda a América do Sul, onde todos os países fazem parte desse contexto de ampliação na educação.
Segundo Saviani (2008 p.5):
As carências de educação, saúde ou segurança são consideradas seja diretamente como custos na medida em que impedem ou retardam, ou tornam mais onerosos os investimentos do desenvolvimento econômico, seja como custos para a sociedade que através do Estado, terá que investir recursos para supri-las. Está aí a raiz das dificuldades porque passa a política educacional. As medidas tomadas pelo governo, ainda que partam de necessidades reais e respondam com alguma competência a essas necessidades padecem de uma incapacidade congênita de resolvê-las.
As ideias acima citadas apontam para o fato de que as carências em educação são inúmeras, e que cabe ao Estado investir para garantir a inclusão das crianças com seis anos de idade e dar prioridade, por um lado, em oferecer ao educando maior oportunidade de aprendizagem de escolarização obrigatória, e, por
outro, oferecer a oportunidade aos gestores, educadores e demais profissionais da educação que estejam em condições para esse desafio, de repensar o ensino fundamental e das necessidades que urgem na educação.
Nessa perspectiva, vale lembrar Freire (1996, p.16), quando afirma que:
A ética de que falo é que se sabe afronta na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe. È por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar. É a melhor maneira de por ela lutar é vivê-la em nossa prática, é testemunhá-la, vivaz, aos educandos em nossas relações com eles. Na maneira como lidamos com os conteúdos que ensinamos, no modo como citamos autores de cuja obra discordamos ou cuja obra concordamos.
A ampliação do ensino fundamental de oito para nove anos de duração envolve um processo de mudanças sociais, administrativas, políticas e pedagógicas, para que possamos ofertar à criança um ensino mais longo e prazeroso no convívio escolar. A intenção, por trás dessa proposta, é de oportunizar essa criança e a todo âmbito escolar uma educação cada vez mais qualificada, contribuindo para a formação de todos. Isso reforça as palavras de Freire (1996), quando ressalta a seriedade das interações que configuram nosso viver, nas trocas com o meio para nos mantermos vivos.
Imbuir-se nessa proposta é ir adiante com sonhos e fantasias que contribuam para a valorização da criança. O ensino de nove anos permite ampliar a visão de mundo e assegurar à criança mais autonomia. O adentrar mais cedo na escola traz novas perspectivas para a educação, visando um futuro melhor para todos os escola, sendo que 38,9% freqüentam a Educação Infantil, 13,6% as classes de alfabetização e 29,6% já estão no Ensino Fundamental (IBGE, Censo Demográfico 2000). Esse dado reforça o propósito de ampliação do Ensino Fundamental para nove anos, uma vez que permite aumentar o número de crianças incluídas no sistema educacional. Os setores populares deverão ser os mais beneficiados, uma vez que as crianças de seis anos da classe média e alta já se encontram majoritariamente incorporadas ao sistema de ensino – na pré-escola ou na primeira série do Ensino Fundamental. A
opção pela faixa etária dos 6 aos 14 e não dos 7 aos 15 anos para o Ensino Fundamental de nove anos segue a tendência das famílias e dos sistemas de ensino de inserir progressivamente as crianças de 6 anos na rede escolar (BRASIL, 2004, p. 16).
A ampliação do processo educativo tem como intenção a reestruturação do ensino fundamental, bem como a garantia de maior escolaridade para todos, promovendo a progressão continuada nos processos de ensino e de aprendizagem.Em outras palavras, observa-se que, para que as classes populares também usufruam dos mesmos direitos de aprendizagem é que foi proposta e criada a lei, cujo objetivo é contribuir para a diminuição das diferenças na educação, de condições de estudo e de aprendizagem entre as classes sociais.
É nessa perspectiva, assegurada pelo MEC, que toda a criança tem seu direito, inclusive assegurado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que a ampara em todas as suas fases e proporciona tanto seus direitos como seus deveres, assim como na LDB, visto que seu objetivo principal é nortear a educação brasileira. Assim, em conformidade com essa proposta, a lei visa também promover a ampliação das experiências, dos conhecimentos, do desenvolvimento das crianças com relação às suas características cognitivas, sociais, etárias, psicológicas, dentre outras.
Afinal, a Lei n°11.274/2006 (BRASIL, 2006) defende a ampliação do tempo de ensino na escola com mais comprometimento de educandos e educadores, visto que ela estabelece a valorização do educando, bem como a sua não retenção nos três primeiros anos do ensino fundamental.
No documento oficial do MEC Ensino Fundamental de Nove Anos - Orientações para a Inclusão de Crianças de Seis Anos de Idade, estão destacadas as preocupações quanto à infância e sua singularidade; à infância na escola e na vida, projetando um futuro melhor para todas as crianças (BRASIL, 2007). Ou seja, que a relação/convivência da criança com a escola e na escola seja positiva e fundamental no seu desenvolvimento; que o brincar seja como um modo de ser e estar no mundo; que as diversas expressões, como a linguagem, a fantasia, a imaginação interajam no desenvolvimento de descobertas e na construção de novas relações.
Dessa forma, compreendo que, além dos conhecimentos específicos nos quais interagem maiores preocupações, somos aprendizes tanto como as nossas crianças. O ensino dos nove anos também, trás consigo novas reformulações nas práticas educacionais, assim a organização do trabalho pedagógico, avaliação, aprendizagens na escola, experiências, modalidades organizativas do trabalho pedagógico e trocas com o meio possibilitam a renovação na forma de compreensão da tomada de consciência como uma troca de saberes, uma reforma de nossos pensamentos.
3 COMPLEXIDADE NA EDUCAÇÃO
A busca por novas compreensões acerca das necessidades sociais e humanas, nas diversas áreas, leva a se pensar em novos paradigmas, necessidade essa que é advinda da realidade em que se vive, principalmente nas mudanças da lei do ensino dos nove anos e que só pode ser compreendida, de fato, se isso for feito levando em conta a complexidade que envolve as relações da sociedade que se vive.
Conforme Morin (2000, p.41) apresenta:
Estamos numa época de mudança de paradigmas. Os paradigmas são os princípios dos princípios, algumas noções que controlam os espíritos, que comandam as teorias, sem que estejamos conscientes de nós mesmos.
É necessário reconhecer que o ponto de partida para qualquer estudo deve ser, necessariamente, o ser humano e o seu pensamento, constituído pelas contradições e, assim, imerso em complexidade. Vale destacar, ainda, que a complexidade é uma palavra problema e não uma solução. Ela não se reduz à uma simples complicação, mas é, antes de tudo, uma visão de mundo que constitui o sujeito.
A complexidade nos orienta a pensar sobre o diálogo amplo dos processos vivos, com o intento de questionar os elementos da visão complexa. Sobre isso Morin destaca três princípios: o dialógico, a recursividade e o hologramático. No princípio dialógico compreendemos o intento de aproximar os “opostos considerando-os complementares, o que nos leva a perceber a dualidade dentro da unidade. Quanto a esse princípio, em breves palavras, afirma que: O contrário de uma verdade trivial é um erro estúpido, mas o contrário de uma verdade profunda é
A complexidade nos orienta a pensar sobre o diálogo amplo dos processos vivos, com o intento de questionar os elementos da visão complexa. Sobre isso Morin destaca três princípios: o dialógico, a recursividade e o hologramático. No princípio dialógico compreendemos o intento de aproximar os “opostos considerando-os complementares, o que nos leva a perceber a dualidade dentro da unidade. Quanto a esse princípio, em breves palavras, afirma que: O contrário de uma verdade trivial é um erro estúpido, mas o contrário de uma verdade profunda é