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potencialidades dos AVA (SANTOS, 2002; AZIZ, ESCHE e CHASSAPIS, 2007; SILVA M 2008; MESSA, 2010) versam sobre a ideia de que os cursos mediados por esses espaços não devem assumir o propósito de que a principal metodologia seja apenas a transferência de informação entre professor e aluno e tampouco a disponibilização de conteúdos digitalizados. Mas sugerem que os conteúdos ali dispostos ganhem formas e contornos diferenciados e que sejam desenvolvidas metodologias diferenciadas a partir das possibilidades e potencialidades inerentes a esses espaços. Portanto, concorda-se com Vilarinho (2011) que as práticas não serão apenas inovadoras, mas vão aproveitar o que a docência já conhece e aplica, a partir da composição com as interfaces

comunicacionais e interativas dos AVA de modo a obter o seu redimensionamento.

Não se pretende aqui excluir a possibilidade de estruturar um ambiente virtual de aprendizagem a partir da entrega de conteúdos, incluindo aulas gravadas, textos digitalizados para leitura, trabalhos de casa e testes online. Mas pretende-se apontar que as ferramentas e os recursos existentes nesses espaços possuem potencialidades capazes de ir além da instrução como sistema de entrega de informação. Vale destacar que a tecnologia utilizada para fins educacionais não se apresenta como solução mágica para uma educação de qualidade, mas podemos vislumbrá-la como um aporte para comunicação entre professores e alunos, como recurso de interação e de interatividade entre os sujeitos e objetos do conhecimento. Afasta-se também qualquer intencionalidade em desenvolver um desenho ou um percurso de aprendizagem sob a ótica da “pirotecnia”(SANTOS, 2002) onde o espectador não pensa, apenas assiste. “O simples uso da tecnologia não altera significativamente os espaços físicos das salas de aula e nem as dinâmicas utilizadas para ensinar e aprender” (KENSKI, 2007, p. 87).

Nesse sentido, defende-se que a utilização das tecnologias na educação seja cercada de discussões e reflexões sobre suas potencialidades e seus limites e não apenas pela sua natureza instrumental. Defende-se que seu uso em sala de aula seja planejado e executado levando-se em consideração as especificidades dos conteúdos e, na medida do possível, a individualidade dos alunos. Desse modo,os AVA podem auxiliar nesse direcionamento, onde é possível propor atividades integradas, dentro e fora da sala de aula, nas quais os alunos ora possam estar circundados pela dinâmica da interação e da simultaneidade do face a face. E, em outros momentos “submersos” no ciberespaço conectando seus saberes (pré)concebidos com os saberes disponíveis na rede.

Kenski (2007) explica que tecnologias como o livro, os vídeos e a televisão, ampliam o espaço da sala de aula, porém precisam de planejamento adequado. Para autora o simples fato de apresentar um vídeo, sem que haja nenhum tipo de trabalho pedagógico anterior ou posterior à ação, enquadra-se em atividade indiferenciadas e impessoais. Portanto, conceber o design instrucional em ambientes virtuais de aprendizagem demanda a compreensão da diversidade de elementos e da multiplicidade de campos de conhecimentos que se agregam com o intuito de desenvolver soluções para melhorias na aprendizagem.

4.3 CONTEÚDOS: AS ESTRATÉGIAS, DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS E ABORDAGEM TEÓRICA

O desenvolvimento de um curso online é uma tarefa complexa, implica lidar com uma equipe multidisciplinar e com o gerenciamento de diferentes questões. Tais questões emergem de um “conjunto de conceitos e processos, que levam em consideração o perfil dos alunos, o contexto educacional, os objetivos e os recursos disponíveis” (WALL, MARCUSSO e TELLES, 2006, p. 42). Em uma era de redes e de saberes descentralizados, o design instrucional deve refletir uma visão de educação onde as diferentes áreas de conhecimento sejam relacionadas “transdisciplinarmente e sejam reconhecidos os avanços e as críticas de correntes teóricas divergentes”(FILATRO, 2007, p. 74).

Na educação online, por se tratar de uma diversidade de elementos, tais como recursos audiovisuais, objetos de aprendizagem, leitura e escrita hipertextual, recursos computacionais e outros, torna-se claro também a diversidade de abordagens didático-pedagógicas possíveis. Não há, portanto, uma forma padronizada de promover ensino-aprendizagem nesse entorno, o que torna evidente que as abordagens estão relacionadas muito mais às concepções de quem ensina (no caso o professor) do que dos recursos, das ferramentas ou da tecnologia em si.

Parte-se do princípio de que não existe no contexto online uma teoria específica que direcione todos os objetivos de aprendizagem. Cada objetivo proposto pode possuir uma especificidade e um direcionamento. As teorias de aprendizagem e seus pressupostos é que vão se adequar a cada objetivo traçado. Elas vão fundamentar e auxiliar na concepção das estratégias que por sua vez se tornarão os caminhos que conduzirão ao alcance dos objetivos pretendidos. Dessa feita compreende-se que não há uma teoria universal que deva ser utilizada em todas as decisões, daí a necessidade de integrar ou lançar mão de apenas uma dependendo dos objetivos desejados e do contexto identificado. De nada adianta traçar esta ou aquela estratégia fundamentada em teoria A ou B se não for considerado o contexto o qual elas serão utilizadas e a receptividade do público (estudantes) para acolhê-las.

A estratégia instrucional define como as informações serão estruturadas e sequenciadas, além de definir como o conteúdo será apresentado. Almeida (2003, p. 101) enfatiza que, em um ambiente de sala de aula (presencial) a abordagem pedagógica adotada pelo professor

e as respectivas estratégias é que vão definir o nível de diálogo e participação dos alunos.Assim, também ocorre nos ambientes de aprendizagem online. Palácio (2005, p. 143) acredita que nem todas as ferramentas disponíveis comportam o desenho educacional de um curso ou contemplam as formas de interações definidas pela equipe pedagógica o que pode levar involuntariamente à alteração ou distorção da abordagem pedagógica pré-estabelecida.

Os cursos desenvolvidos em AVA têm sido influenciados diretamente pelas teorias de aprendizagem que distinguem ambientes educacionais mais ou menos interativos, com maior ou menor grau de participação e de controle do aluno sobre o seu processo de aprendizagem, características próprias da educação online. Contudo vale reforçar que a aprendizagem, por sua vez, só será viabilizada pela ação dos sujeitos no ambiente e na participação e engajamento nas atividades propostas em sala de aula. Conforme Palácio (2005, p.144), cursos nos quais o aluno somente acessa informação e responde a testes objetivos individuais revelam uma concepção individual de aprendizagem. E os cursos nos quais o aluno é orientado a resolver problemas, aprender fazendo e é incentivado a pesquisar no contexto de um grupo, revelam uma visão mais próxima das abordagens colaborativas que propiciam o desenvolvimento de habilidades e competências nos educandos exigidas por uma sociedade que está imersa em um mundo digital.

É importante comentar, brevemente, as distinções entre os termos teorias de desenho instrucional, teorias de aprendizagem e teorias instrucionais. Conforme Abbad, Carvalho e Zerbibi(2006)as teorias de design instrucional, são consideradas prescritivas por apresentarem detalhadamente os componentes e etapas para elaboração de planejamentos instrucionais. As teorias de aprendizagem não apresentam os passos de um planejamento instrucional, mas as razões pelas quais são utilizadas determinadas prescrições e trabalham com os aspectos que subjazem à ocorrência da aprendizagem, nesses termos são classificadas como descritivas. Já a teoria instrucional utiliza princípios básicos das teorias de aprendizagem, que por sua vez vão auxiliar a descrever as condições externas mais adequadas à ocorrência da aprendizagem, mediante análise de determinadas condições internas do aprendiz, assim, a teoria instrucional pode ser considerada como prescritiva e descritiva.

Compreende-se, assim, que o design instrucional pode ser fundamentado pela integração das teorias de aprendizagem e pela combinação de diferentes princípios extraídos dessas correntes teóricas. O desafio está em conceber formas de incorporar estratégias inovadoras

de ensino em cursos ministrados através da Internet. Para enfrentar este desafio, a equipe de desenvolvimento (inclui-se aqui o professor) deve examinar suas perspectivas tradicionais e adotar uma filosofia de ensino-aprendizagem que seja adequada para a educação online.

Johnson e Aragon (2003) propõem um modelo conceitual desenvolvido a partir de um amplo estudo da literatura especializada. Este modelo foi sintetizado em sete princípios gerais para a definição das estratégias para ambientes de aprendizagem online. Os autores defendem que ambientes de aprendizagem online precisam conter uma combinação destes princípios: 1) atender às diferenças individuais, 2) motivar o aluno, 3) evitar o excesso de informação, 4) criar um contexto de transferência, 5) incentivar a interação social, 6) proporcionar atividades colaborativas, 7) incentivar a reflexão do aluno. “Adotando uma síntese de teorias de aprendizagem pode-se obter um resultado sinérgico, integrando os aspectos mais positivos e poderosos de cada teoria de aprendizagem em um ambiente de aprendizagem online” (JOHNSON e ARAGON, 2003, p. 2).

Não se pretende aqui enfatizar este ou aquele modelo de instrução, pois se acredita que os problemas de ensino-aprendizagem de determinados conteúdos não são solucionados a partir de receitas prontas. Cada conteúdo e cada disciplina possui sua especificidade que devem ser consideradas. A oportunidade de seguir determinados princípios, como os dos modelos existentes, é a de aproveitar todo o potencial da educação online e do universo virtual. É oportunizar que os conteúdos sejam concebidos e estruturados sob a ótica da participação ativa do aluno. É reconhecê-lo como sujeito ativo no processo de tomada de decisão e considerar que cada aluno possui um estilo de aprendizagem característico. Isso permite que os alunos explorem o conteúdo online com mais autonomia e liberdade. No entanto, faz-se necessário considerar os suportes tecnológicos, recursos e ferramentas do AVA como fatores importantes que poderão potencializar as estratégias e possibilitar o alcance dos objetivos.

4.4 ESTRUTURAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM

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