Este estudo encontra seu principal suporte teórico no domínio do Funcionalismo Sistêmico (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004; MARTIN e ROSE, 2007), que provê uma teoria geral da linguagem em uso e organiza os recursos envolvidos na construção da significação. Desse suporte provêm as unidades de análise dos enunciados e ações enunciativas metadiscursivas com foco no ‘como dizer’ no discurso em língua estrangeira, refletindo o objetivo específico da pesquisa, que é descrever a configuração estrutural e semântica desses enunciados/ações, a fim de contemplar sua articulação com a prática do falar estrangeiro, espaço de emergência da indeterminação. Os recursos para a construção da significação são abordados do ponto de vista da chamada Semântica Discursiva (MARTIN e ROSE, op. cit.), que vem sendo desenvolvida pelo Círculo de Sidney da Linguística Funcional Sistêmica como um desdobramento da gramática elaborada por Halliday. A Semântica Discursiva elabora sistemas semânticos para a interpretação do discurso social, procurando dar conta da organização e da construção da significação nos textos.
O paradigma integra a trajetória do projeto, no que se refere, particularmente, à sua ênfase sobre os efeitos da indeterminação na construção da expressividade, abordada pela via do sistema semântico-discursivo de Avaliatividade (MARTIN e WHITE, 2005). Além disso, a aplicação desse paradigma oportunizou a depreensão dos enunciados metadiscursivos que motivaram a identificação e a formalização do objeto de investigação da tese. Esses aspectos justificam o aprofundamento da teoria sistêmica no domínio deste trabalho. Ao recorrer à Linguística Funcional Sistêmica para investigar as instâncias de metadiscursivização do processo de dizer em língua estrangeira, a pesquisa busca beneficiar-se diretamente da perspectiva integrada que a teoria propõe entre a construção da significação, isto é, os tipos de significados textualmente expressos, e sua possibilidade de interpretação com referência aos contextos de uso. Indiretamente, a pesquisa também beneficia-se da referida “extravagância” do paradigma (MARTIN e ROSE, op. cit.:3), isto é, sua sensibilidade à complexidade do
fenômeno linguístico, para mapear as particularidades da prática do falar estrangeiro na cartografia ampla de construtos já estabelecidos no campo dessa teoria.
A organização deste capítulo reflete o interesse específico da pesquisa sobre o enquadramento contextual do metadiscurso com foco no ‘como dizer’ em língua estrangeira e no levantamento das modalidades de significação que esse tipo de metadiscurso constrói. A primeira parte do capítulo discute as bases que caracterizam o Funcionalismo Sistêmico como uma abordagem da linguagem em contexto. A segunda apresenta alguns dos principais sistemas semânticos (tipos de significados) que integram o modelo.
2.1- O PARADIGMA DA LINGUAGEM EM CONTEXTO
A apresentação do paradigma da linguagem em contexto está organizada em duas direções: os princípios que fundamentam o modelo e os construtos que participam da montagem de sua arquitetura. Cada uma dessas direções é abordada em uma seção própria.
2.1.1 – Princípios
Os princípios gerais que sustentam o modelo funcionalista da linguagem em contexto ou perspectiva social da linguagem podem ser apreciados a partir de sua base histórica, que retoma as perspectivas de contexto desenvolvidas pelo antropólogo Malinowski e pelo linguista Firth. Essa perspectiva mostra-se afim às considerações sociológicas de Basil Bernstein (1967 e 1972, apud HALLIDAY, 1973), para quem a linguagem seria o principal meio de transmissão cultural e ocuparia, em razão disso, lugar central em toda teoria social coerente. Halliday (op. cit.) endossa esse olhar sociológico, reconhecendo a linguagem como comportamento social. É sobre essa linguagem-comportamento que o linguista dirige atenção na montagem de seu modelo gramatical. A arquitetura desse corpo teórico reflete uma visão da linguagem integrada ao contexto. Para Halliday, lançar sobre a linguagem humana um olhar sociológico implicaria rejeitar toda forma de análise que se limitasse ao tratamento de “instâncias isoladas” (HALLIDAY, op. cit., p. 49). O que parece estar em foco, para o linguista, no domínio dessas considerações é premissa de que o complexo das relações humanas define o conteúdo do comportamento social e linguístico. Quanto a essa questão de escopo, que a abordagem social da linguagem implica, afirma Halliday:
[Essa preocupação com o homem social] confere uma perspectiva sobre a linguagem. Um fato importante a respeito do comportamento dos seres humanos com relação a seu ambiente social é que uma grande parte desse comportamento é linguístico. O estudo do homem social pressupõe o estudo [do par] linguagem e homem social. (HALLIDAY, 1973: p. 49)20
A respeito dessa articulação entre o estudo da linguagem e do homem social, cabe aqui uma observação ligada ao próprio surgimento da teoria, a qual resgata uma discussão anterior a sua origem. Essa discussão está associada a nomes como os de Malinowski e Firth, que conduziram reflexões que viriam a se tornar especialmente caras à Linguística Funcional Sistêmica. Tais questões situam-se, respectivamente, no domínio específico dos termos ‘semântica’ e ‘contexto’, na acepção particular que estes assumem no corpo dessa teoria. Começando por Firth, pode-se dizer que seus estudos sobre os contextos de uso da linguagem fomentaram o desdobramento das ideias que viriam a dar sustento ao funcionalismo de Halliday, na Inglaterra, no início dos anos de 1960. Já em 1935, Firth delineia um programa de descrição e classificação de tipos situacionais e de suas funções linguísticas características. A esse programa qualifica como uma “linguística sociológica”, que agrega a prática social à investigação da linguagem. Há de se ressaltar, entretanto, que, se, por um lado, o interesse de Firth recai diretamente sobre o texto, como objeto empírico, e sobre as relações que este estabelece com o entorno situacional, por outro, o foco de suas investigações é a tipologia, isto é, a busca pela depreensão de padrões linguísticos que pudessem ser interpretados como padrões de comportamento social. Halliday adere a essa atitude da procura pelo sistemático, contemplando o social e o atual (hic et nunc) na linguagem não pela via do acidental, excepcional e único, mas sim daquilo que é motivado, típico e que se repete. O linguista reconhece em Firth uma originalidade na concepção de sistema, a qual se verá repercutir em seu próprio modelo teórico:
Firth construiu sua teoria linguística em torno de seu original e fundamental conceito de ‘sistema’; e este é precisamente um meio de descrever o potencial assim como de relacioná-lo ao atual. [...] Um ‘sistema’, na maneira em que o conceito foi desenvolvido por Firth, pode ser
interpretado como um conjunto específico de opções para uma dada situação. Essa noção de
sistema significa, em outras palavras, isto: ‘sob tais condições, existem tais seguintes possibilidades’. Ao fazermos uso dessa noção, podemos descrever a linguagem como potencial de comportamento. Dessa forma, a análise linguística é abrigada por uma teoria social, uma vez que os conceitos basilares dessa teoria são de uma natureza tal que podem ser interpretadas como realizáveis no contexto social e em padrões de comportamento. (HALLIDAY, 1973, p. 51; grifos meus).
20 [This concern with the social man] provides a perspective on language. A significant fact about the behaviour of
human beings in relation to their social environment is that a large part of it is linguistic behaviour. The study of social man presupposes the study of language and social man.
A orientação semiótica que esse tipo de teoria linguística confere à prática social permite interpretar potencial de comportamento (o que se pode fazer) em termos de potencial semântico (o que se pode significar). Por isso, Firth refere-se ao sistema como potencial de comportamento, assumindo, na base dessa associação, o elemento linguístico como dimensão que codifica e organiza, semanticamente, a estrutura social, convertendo-a em conceitos (sociais) generalizáveis: os significados. Essa abordagem semiótica da dinâmica social é também observada em Malinowski (1923, citado em HALLIDAY, 1973). Halliday explicita que Firth deriva sua noção de contexto das reflexões de Malinowski a respeito do que chamaria “semântica cultural e semântica situacional”, ou contexto cultural e contexto situacional. Na separação que Malinowski faz entre semântica cultural e situacional, Halliday observa a base da distinção entre o potencial e o atual na linguagem. Nessa divisão, o contexto de cultura seria visto como o ambiente que abrange a totalidade das possibilidades de ação/significação, enquanto que o contexto situacional constituiria o ambiente específico de qualquer seleção particular, feita a partir dessa grande fonte de recursos que é a linguagem enquanto sistema.
Halliday abraça as perspectivas cultural e situacional porque leva em conta a base de articulação entre uma e outra. A opção de Firth é pelo contexto situacional, o trabalho empírico com o texto e a generalização de padrões. Por isso mesmo, não se pode dizer que seu método privilegie as instâncias em detrimento do sistema: o atual por oposição ao potencial. Os padrões de sua tipologia de funções e contextos situacionais asseguram aos últimos a qualidade de sistemas, ou subsistemas, em outras palavras: paradigmas de escolhas potenciais, constituindo microesferas do contexto de cultura. O atual e empírico da abordagem seguida por Firth não é antagônico ao potencial e teórico da linguagem apresentado em Malinowski. Na passagem da observação pontual das instâncias à generalização das funções externas da linguagem, Halliday atenta para o papel intermediário desempenhado pelo estrato semântico, ao qual o linguista dedica atenção especial na montagem de sua teoria gramatical:
Adotamos a perspectiva do sistema social como um sistema semiótico, um sistema de significados que se realizam por meio do sistema linguístico. A semiótica da linguagem – a semântica – é uma forma de realização da semiótica social. Há outros sistemas simbólicos por meio dos quais os significados de uma cultura são expressos: as formas artísticas, as estruturas e instituições sociais, os sistemas educacional e legal, e outros sistemas de natureza semelhante. Mas no processo de desenvolvimento [do homem social] a linguagem é o sistema primeiro. (HALLIDAY, 1975, p. 121)21
21 We took the view of the social system as a semiotic, a system of meanings that is realized through (inter alia) the
linguistic system. The linguistic semiotic – that is semantics – is one form of the realization of the social semiotic. There are other symbolic systems through which the meanings of a culture are expressed: art forms, social structures and social institutions, educational and legal systems, and the like. But in the developmental process [of the social man] language is the primary one.
Ao interpretamos a linguagem como comportamento social, isso, portanto, quer dizer que a estamos tratando como uma forma de potencial de comportamento. Ela é o que o falante pode fazer. Mas o ‘poder fazer’ não é em si uma noção linguística [pois] abrange outros tipos de comportamento além do comportamento linguístico. Se queremos relacionar a noção de poder fazer com as sentenças, palavras e sintagmas que o falante é capaz de construir em sua língua – em outras palavras, àquilo que pode dizer – então precisamos de uma etapa intermediária, na qual o potencial de comportamento seja como que convertido em potencial semântico. Este é o conceito do que o falante ‘pode significar’. (HALLIDAY, 1973, p. 51)22
A importância conferida ao estrato semântico da linguagem também pode ser verificada na citação abaixo, referente à própria natureza do modelo de gramática que se desenvolveu no domínio desse paradigma:
A natureza funcional da gramática deve-se ao fato a se dar prioridade a uma tomada ‘de cima’, ou seja, a partir do estrato semântico; ou seja, a gramática é vista como um recurso para criar significados – trata-se de uma gramática de orientação semântica. Mas o foco da atenção coloca- se ainda sobre a gramática em si. A prioridade dada à perspectiva de cima indica que o princípio organizador adotado é o do sistema: a gramática é vista como uma rede de escolhas significativas inter-relacionadas. (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004, p. 31)23
Os construtos que fundamentam essa gramática e/ou teoria semântica (sociossemiótica) da linguagem em uso permitem mapear o problema de pesquisa, isto é, a dimensão discursiva do confronto do falante com as unidades de significação no falar estrangeiro, no escopo do funcionalismo sistêmico. Esses construtos, que serão apresentados a seguir, permitem a interpretação teórica da linguagem em uso a partir de diferentes ângulos.
2.1.2- Construtos
Os construtos que participam da montagem do modelo da linguagem em contexto estão, em termos gerais, distribuídos em torno das noções de hierarquia e complementaridade. No plano das hierarquias, os construtos chave são os conceitos de realização e instanciação. No domínio das complementaridades, têm lugar os conceitos de eixos e metafunções.
22 If we regard language as social behaviour, therefore, this means that we are treating it as a form of behaviour
potential. It is what the speaker can do. But ‘can do’ by itself is not a linguistic notion; it encompasses types of behaviour other than language behavior. If we are to relate the notion of can do to the sentences and word and phrases that the speaker is able to construct in his language – to what he can say, in other words – then we need an intermediate step, where the behaviour potencial is as it were converted into linguistic potential. This is the concept of what the speaker ‘can mean’.
23
Being a ‘functional grammar’ means that priority is given to the view ‘from above’; that is grammar is seen as a resource for making meaning – it is a ‘semanticky’ kind of grammar. But the focus of attention is still on the grammar itself. Giving priority to the view from above means that the organizing principle adopted is that of the system: the grammar is seen as a network of interrelated meaningful choices.
2.1.2.1- Hierarquias: realização e instanciação
Realização e instanciação referem-se a dois tipos de relações hierárquicas. As relações de realização fundamentam-se na visão da linguagem como um corpo estratificado em planos sucessivos de codificação: o semântico (ou semântico-discursivo), o léxico-gramatical e o fonológico/grafológico. Nessa relação, o nível semântico, o mais abstrato de todos, é realizado ou codificado pelo nível léxico-gramatical, que é o plano das formas/estruturas, que, por sua vez, é realizado pelo nível fonológico/grafológico, o qual habilita as formas para os recursos da fala e da audição ou para a comunicação escrita. Os níveis semântico e léxico-gramatical correspondem ao plano do conteúdo e fonológico/grafológico ao plano da expressão. O estrato semântico é o estrato de interface do sistema com o contexto social (contexto de cultura). É no espaço dessa relação que se diz que o sistema semiótico realiza o contexto, codificando a atividade social em conteúdo. A estratificação do plano do conteúdo nos níveis semântico e léxico-gramatical permite, na visão de Halliday, expandir as potencialidades dessa interface, assim como o contexto é fonte de novos significados para o plano semântico, o plano léxico- gramatical coloca-se, pela relação de realização, a serviço dessa criação. Essa dinâmica de metaestabilidade e mudança das línguas se esclarece melhor com base na noção de instanciação.
As relações de instanciação articulam a realidade virtual do sistema à realidade atual/situada do texto. O sistema é visto como potencial semântico fomentado pelo contexto de cultura de uma dada língua natural. Ao sistema podemos atribuir um conjunto de propriedades e ordenações regulares, que nos dizem como uma determinada língua funciona. Conhecer o sistema é a condição essencial para que os usuários sejam capazes de compreender e produzir textos nessa língua. O texto, por sua vez, seria a instanciação do sistema em situações comunicativas concretas. Todo texto, portanto, advém do sistema, mas também se circunscreve em um contexto situacional específico. Como os contextos de uso linguístico são múltiplos, as instanciações diferem uma das outras. No modelo sistêmico, o princípio organizador dessa diversidade é o conceito de ‘registro’, definido como uma variedade funcional do sistema, que será detalhado na apresentação das metafunções. Por ora, importa salientar que o registro ou tipo situacional está associado a padrões de uso que motivam as escolhas sistêmicas feitas no domínio dos textos, ajustando o potencial geral do sistema às características imediatas do contexto em que a interação se desenvolve. As relações de instanciação podem ser pensadas como uma faixa contínua de padrões linguísticos, interarticulados desde pontos mais virtuais
até outros mais atuais. O sistema, os registros situacionais e os textos seriam pontos estratégicos dessa relação.
Devido às relações de realização e instanciação, as línguas naturais podem ser pensadas como corpos semióticos em permanente interface com os contextos em que se desenvolvem. Quando se diz que as línguas naturais realizam, por intermédio de seu estrato semântico, as funções sociais que atendem, está se adotando a perspectiva do sistema e do contexto cultural. Já quando se afirma que essas línguas são sensíveis às situações de uso, está se adotando a perspectiva do texto e do contexto situacional. Como esses construtos se articulam à pesquisa?
No falar estrangeiro, o estranhamento das unidades de significação pode ser pensado em termos da exposição do falante aos contextos de cultura (potenciais semânticos) da língua materna e da língua estrangeira. Grande parte do repertório semiótico do falante (e, portanto, muito do que tem a dizer) emerge dos padrões de uso da língua materna. A LE possui seus padrões de uso próprios, o que em si já delimita uma fronteira à expressão do repertório semiótico que o falante desenvolveu na língua materna. Além disso, o desconhecimento da complexidade do potencial de significação da LE, ao menos na mesma medida em que o falante conhece o potencial de sua língua materna, coloca aquilo que tem a dizer sob a ameaça de não se expressar (pelo menos dentro da expectativa que direciona o falante do que seria a sua plena expressão). Nessa configuração assimétrica dos paradigmas de potencial semântico, o como proceder às escolhas na LE que poderiam minimamente coincidir com aquilo que a língua materna permite dizer coloca-se como uma questão para o falante. Nesse sentido, isto é, do ponto de vista do falante, um dos fatores que parecem configurar a prática de construir significação em língua estrangeira é a relação assimétrica do indivíduo com o potencial semântico gerado pelos contextos de cultura da LE e de sua língua materna.
Para tratar da pertinência das noções de instanciação e contexto situacional no domínio da pesquisa recorro ao conceito de ‘gênese’ (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004: 47), referente às mudanças no potencial de significação dos sistemas semióticos. O conceito lida com três escalas de tempo: logogênese, relativa ao desdobramento do texto; ontogênese, relativa ao desenvolvimento do indivíduo; e filogênese, relativa à evolução dos sistemas de uma cultura. Cada uma dessas escalas de tempo confere pano de fundo para a outra: “o ponto atual de evolução da cultura fornece o contexto social para o desenvolvimento linguístico do indivíduo, e o ponto atual de desenvolvimento do indivíduo fornece recursos para a
instanciação [de escolhas] no desdobramento dos textos” (MARTIN e ROSE, 2007: 266- 267)24.
A noção de gênese permite esclarecer a relação entre a ênfase da análise e o pano de fundo das questões implicadas na prática do falar estrangeiro. Do ponto de vista da análise, o trabalho adota a perspectiva da instanciação, interessando-se pela maneira como o metadiscurso emerge e se desdobra no texto, criando significados engendrados por um autor que responde aos estranhamentos envolvidos na construção da significação. O metadiscurso problematizador das unidades de significação (um elemento do texto) poderia ser visto, assim, como uma ocorrência que manifesta as características da prática do falar estrangeiro (um componente da situação comunicativa): a própria assimetria de repertório do falante e o contato desta assimetria, pelo discurso, com as implicações afetivas e sociais do falar experienciado como impreciso ou inadequado25. Em outras palavras, a logogênese do texto revela a emergência e o entrelaçamento do metadiscurso no desdobramento do texto. Ao mesmo tempo, a análise pressupõe que a própria ocorrência do metadiscurso seja motivada, do ponto de vista do envolvimento do falante na construção da significação, pela ontogênese ou repertório dos recursos para significar, considerando-se, sobretudo a participação desigual da filogênese da língua materna e da LE no desenvolvimento desse repertório.
2.1.2.2- Complementaridades: eixos e metafunções
Além das dimensões hierárquicas, a perspectiva da linguagem em contexto pode ser contemplada com referência às dimensões que se organizam por relações de complementaridade. A dimensão de eixo diz respeito à complementaridade entre as noções de