2 A ATIVIDADE EMPRESARIAL E A RESPONSABILIDADE DOS EXERCENTES
3.5 FUSÃO
Fusão é uma forma de reestruturar a sociedade. Assim é como Campinho (2003, p. 279) classifica: um meio de organizar uma sociedade. Está prevista nos artigos 1.119 a 1.122 do Código Civil de 2002 e no art. 22834 da Lei de Sociedades por Ações.
Almeida (2010, p. 93) ensina que “Fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar uma sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações, diz o art. 228 da Lei de Sociedades Anônimas”.
A fusão pode ocorrer entre sociedades de tipos diferentes porém não pode acontecer entre uma sociedade simples e uma sociedade empresária. Rizzardo (2007, p. 976) explica que sociedades de espécies diferentes podem se fundir em um tipo diferente, ou seja,
34 Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que
lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.
§ 1º A assembléia-geral de cada companhia, se aprovar o protocolo de fusão, deverá nomear os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das demais sociedades.
§ 2º Apresentados os laudos, os administradores convocarão os sócios ou acionistas das sociedades para uma assembléia-geral, que deles tomará conhecimento e resolverá sobre a constituição definitiva da nova sociedade, vedado aos sócios ou acionistas votar o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade de que fazem parte.
§ 3º Constituída a nova companhia, incumbirá aos primeiros administradores promover o arquivamento e a publicação dos atos da fusão.
uma sociedade limitada e uma sociedade em nome coletivo, podem se fundir em uma sociedade anônima. Mas não cabe a fusão entre uma sociedade empresária e uma sociedade simples, pois são de natureza diferentes, já que a segunda não tem fins econômicos.
Silva (2007, p. 504) informa que “o procedimento da fusão está disciplinado nos parágrafos do art. 228 da Lei nº. 6.404/76 e nos arts. 1.11935 e 1.12036 do CC/02, importando na realização de assembléias (ou reuniões) em ambas as sociedades, que deverão aprovar a fusão. [...]”.
A fusão tem um procedimento semelhante ao da incorporação, assim Bertoldi (2009, p. 346/347) demonstra qual deve ser o procedimento utilizado pelas sociedades participantes da fusão.
Nos mesmos termos do que ocorre com a incorporação, preparatoriamente a fusão será elaborado protocolo entre as sociedades interessadas, do qual constarão as principais informações sobre a operação. Em assembléia geral, cada companhia deverá aprovar o protocolo da operação, nomeando os peritos que irão avaliar os patrimônios líquidos das demais sociedades. Após elaborados os laudos de avaliação do patrimônio líquido das sociedades envolvidas, será convocada assembléia geral de seus sócios, ocasião em que serão apreciados os referidos laudos, sendo vedado aos sócios votar o laudo de avaliação correspondente à sociedade de que fizerem parte. Aprovados os laudos, caberá à assembléia decidir sobre a fusão que, aprovada, ensejará a imediata extinção das antigas sociedades e o surgimento de uma nova, que terá como capital social a soma dos patrimônios líquidos das sociedades fusionadas, cabendo aos primeiros administradores promover o arquivamento e publicação dos atos de fusão.
A fusão na sociedade por ações como nas outras modalidades de sociedades, precisa ser aprovada em assembléia geral e o procedimento não é diferente do previsto no Código Civil, assim disciplina Requião (2008, p. 263/264):
A assembléia geral de cada companhia ou sociedade, ou seus sócios, se aprovarem o protocolo de fusão, deverão nomear os peritos que avaliarão os patrimônios líquidos das sociedades em processo de fusão. Apresentados os laudos, os administradores convocarão os sócios ou acionistas das sociedades para se reunirem em assembléia geral, a fim de tomarem conhecimento e resolverem sobre a constituição definitiva da sociedade. Os sócios ou acionistas estão impedidos de votar o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade de que fazem parte, pois a assembléia é constituída dos sócios e acionistas de todas as sociedades em fusão [...].
35 Art. 1.119. A fusão determina a extinção das sociedades que se unem, para formar sociedade nova, que a elas
sucederá nos direitos e obrigações.
36 Art. 1.120. A fusão será decidida, na forma estabelecida para os respectivos tipos, pelas sociedades que
pretendam unir-se.
§ 1o Em reunião ou assembléia dos sócios de cada sociedade, deliberada a fusão e aprovado o projeto do ato constitutivo da nova sociedade, bem como o plano de distribuição do capital social, serão nomeados os peritos para a avaliação do patrimônio da sociedade.
§ 2o Apresentados os laudos, os administradores convocarão reunião ou assembléia dos sócios para tomar conhecimento deles, decidindo sobre a constituição definitiva da nova sociedade.
Quanto a maneira que a sociedade deve atuar referente ao patrimônio (ativo e passivo) da sociedade, na nomeação de peritos para realizarem o estudo e apresentarem os laudos para os sócios, Rizzardo (2007, p. 977) acrescenta:
Calculam-se o ativo e o passivo de cada sociedade, o respectivo patrimônio, o valor das quotas, tudo através de uma comissão de peritos. Importante é estabelecer o valor patrimonial de cada sociedade, dividido pelo numero de quotistas ou acionistas de cada uma. Procede-se o plano de distribuição de capital, sempre levando em conta o patrimônio de cada sociedade. Parece claro que os sócios provenientes de uma sociedade com maior capital terão maior número de quotas, a menos que se disponha diferentemente, com a faculdade inserida no projeto de negociação de quotas ou da participação.
O artigo 1.12137 do Código Civil de 2002 prevê que é responsabilidade dos administradores da nova sociedade, realizar o registro da fusão no órgão competente, no Registro Público de Empresas Mercantis.
Destarte que a fusão pode ocorrer entre duas ou mais sociedades, estas não precisam ter o mesmo tipo social, mas todas precisam ter a mesma finalidade, ou seja, ter fim econômico. Com a fusão, as sociedades fundidas irão constituir uma nova sociedade, e esta irá suceder-lhe em todos os direitos e obrigações daquelas extinguindo-as do meio jurídico.