O processo de substituição de canais analógicos por digitais, conhecida como ASO (Analog Switch-Off) nos Estados Unidos ocorreu em 2009 liberando 18 canais de televisão. Aproximadamente um quarto das frequências destinadas anteriormente à radiodifusão de TV foram liberadas e rapidamente utilizadas pelos operadores de banda larga e telefonia móvel. Mesmo com a liberação das 18 frequências, os operadores de telefonia ainda buscam uma nova fatia do espectro de TV norte americano. Em 2013, as agências de regulação do espectro dos Estados Unidos FCC e NTIA, e a Comissão Federal de Comunicações, planejaram uma nova estratégia para a liberação de novas frequências de radiodifusão. Através de leilões, as estações de TV Americanas terão a opção de se desligarem, mudarem para frequências mais baixas e de menor interesse ou dividirem os canais em troca de recursos financeiros providos pelo governo dos Estados Unidos. Os Estados Unidos hoje possuem uma das maiores faixas de frequências licenciadas para a banda larga móvel: são 608 MHz disponibilizados e um adicional de 55 MHz em processo de licenciamento, sem contar a nova fatia de espectro a ser liberada pelos radiodifusores, perdendo somente para a Alemanha que conta com 615 MHz [57]. Na Tabela 11 é possível observar a colocação de países com maior quantidade de espetro licenciado e a quantidade de espectro em licenciamento no ano de 2013 [57].
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TABELA 11 - RANKING DE PAÍSES COM MAIOR FAIXA DE ESPECTRO LICENCIADA PARA A BANDA LARGA MÓVEL EM MHZ
País Atual Em Licenciamento Atual + Licenciamento
Alemanha 615 0 615 USA 608 55 663 França 555 50 605 Brasil 554 0 554 Itália 540 20 560 Espanha 540 60 600 Japão 500 10 510 Austrália 478 230 708 Coréia do Sul 390 0 390 Reino Unido 353 265 618 China 227 360 587
É importante observar que os dados indicados na Tabela 11 são referentes ao ano de 2013 e que vários países estão licenciando novas faixas de frequências em 2014 e 2015. A Coréia do Sul, por exemplo, possui planos de quadruplicar o espectro de frequências disponível para os operadores de banda larga móvel até 2023 [58]. O plano refere-se à liberação de até 1.190 MHz que serão adicionados aos 390 MHz atuais, o país conta atualmente com 26,5 milhões de usuários dos sistemas 4G.
Uma das estratégias utilizadas na Coréia do Sul para a liberação de frequências é o encerramento das transmissões do sistema 2G que contam atualmente com 8 milhões de usuários.
Analisando os dados citados, observa-se que há uma tendência mundial para a transferência de uma parte da faixa de UHF e VHF para os operadores de telefonia e banda larga móvel. São vários os motivos para que as faixas de TV abertas sejam as primeiras a perderem espaço para as tecnologias de banda larga móvel. Primeiramente do ponto de vista técnico, os canais de TV possuem uma grande largura de banda,
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normalmente entre 6 e 8 MHz, facilitando a alocação dos sinais de banda larga, os quais ocupam canais entre 1,4 e 20 MHz. Outro fator é referente à disponibilidade de canais, na maioria dos casos, dependendo da região, sobram canais, os quais atualmente têm auxiliado na migração para a TV digital, permitindo assim a transmissão dos sinais digitais e analógicos de forma simultânea. Outro fator para a perda de frequências dos radiodifusores refere-se à situação sócio-econômica da população; com um aumento do poder aquisitivo, há uma tendência à adesão dos telespectadores ao serviços da TV paga, a qual inclui a programação aberta e uma diversidade de canais. As TVs por assinatura, além da diversidade de canais, oferecem serviços de vídeo sob demanda (VOD), e o chamado Triple-Play, referindo-se a oferta dos serviços de vídeo, telefone e dados através de cabo coaxial, fibra ou vídeo via satélite e dados via cabo.
Atualmente discute-se também uma tendência à migração de usuários de TV paga para a TV via internet também conhecida como serviços OTT (Over the Top). Serviços como o Netflix, já possuem uma base de 37,56 milhões de usuários no mundo [59]. É interessante observar que a TV via internet se beneficia da estrutura dos operadores de TV paga para oferecer os seus serviços de forma gratuita. Esse tipo de vantagem incomoda os operadores de rede que estão analisando uma forma de bloquear ou cobrar pelo tráfego de vídeo do concorrente em suas redes.
Observa-se desta forma que tanto os radiodifusores, quanto os operadores de TV paga, estão perdendo espaço para a banda larga móvel e para a transmissão via internet. No caso das operadoras de TV paga, muitas delas, para sua sobrevivência, se uniram a empresas de telefonia e hoje oferecem a banda larga via cabo coaxial ou fibra em velocidades muito superiores às atingidas via radiofrequência.
No Brasil, do ponto de vista da audiência de canais abertos e do crescimento no uso de sistemas de banda larga sem fio, observam-se as seguintes estatísticas:
Informações segundo o IBGE, em 2012 [60]: População brasileira: 193,7 milhões.
45 Domicílios: 62,8 milhões.
95% do lares brasileiros possuem aparelhos de TV. 87,9% dos domicílios possuem telefone fixo ou celular. 47,1% dos domicílios possuem apenas telefone celular. 30,7% dos domicílios possuem acesso à internet.
Segundo a empresa Google em 2013 [61]: 26% da população utiliza smartphones.
Segundo a IDC, em 2013 [62]:
142% foi o crescimento na venda de tablets no Brasil. 122% foi o crescimento na venda de smartphones no Brasil.
Segundo a ABTA, em 2013 [63]:
6,7 milhões de domicílios tem acesso a conexões de banda larga. 17,6 Milhões de domicílios são assinantes de TV por assinatura. 12% foi o crescimento da base de TV por assinatura no país.
Segundo o Fórum SBTVD em 2014 [53] [64]:
70% do território brasileiro já possui a cobertura de TV digital. 55 % dos domicílios do mundo já possuem TV digital.
Analisando as estatísticas citadas, observa-se que devido ao constante crescimento da base de assinantes de TV por assinatura no país e, com o alto crescimento nas vendas de smartphones, acredita-se que a audiência da TV aberta poderá ser diretamente afetada, devendo perder nos próximos 15 anos uma boa parte de sua receita proveniente de comerciais para os canais de TV por assinatura. Com a previsão de baixa na audiência da TV aberta e devido ao grande interesse dos operadores de telefonia nas frequências
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de UHF e VHF, consequentemente novas faixas de espectro deverão ser futuramente licenciadas.
Conclui-se através dos indicadores, que o modelo atual de radiodifusão de TV aberta tende a perder espaço ou até mesmo ser extinto, dando lugar aos novos sistemas de banda larga móvel, os quais também possuem a capacidade de radiodifusão, além de outros serviços como acesso à internet. É importante observar que os canais ou programas transmitidos atualmente pelas TVs abertas já estão presentes também nas TVs por assinatura e pela internet, devendo a TV aberta se adaptar, para disputar assim, a concorrência pela audiência com os demais canais pagos e pelo conteúdo transmitido sob demanda.