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Gêneros do discurso que circulam na sala de aula

No documento MARISTELA PEREIRA FRITZEN (páginas 73-76)

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E PANORAMA DAS AULAS 7

3.8 Gêneros do discurso que circulam na sala de aula

Ainda com o objetivo de compor um quadro geral das aulas e atividades desenvolvidas na classe multisseriada alvo desta pesquisa, apresento a seguir um resumo dos gêneros discursivos (vide aportes teóricos no Cap. 5) em português e em alemão que tiveram entrada na sala de aula durante o semestre em que foram feitas as observações na escola. As duas tabelas a seguir, divididas de acordo com a fonte que propiciou a circulação do gênero nesse espaço escolar, mostram esse resumo. Nem todos os gêneros foram igualmente focalizados durante as aulas. Dentre os gêneros discursivos em português (Tabela 1) que entraram na sala de aula de forma oficial, isto é, por meio do plano didático da professora, da direção da escola ou da Prefeitura, alguns serviram de objetos de estudo (contos, breves narrativas

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ou textos expositivos passados pela professora no quadro ou lidos em livros didáticos), outros serviram de informações aos alunos e pais (avisos sobre provas também copiados do quadro), outros ainda já vieram prontos (comunicações e convites aos pais, folhetos) e nem sempre foram lidos coletivamente. Entre os gêneros que tiveram entrada pela Secretaria de Educação, estão contos e fábulas dos livros de literatura infantil emprestados para as crianças por meio do projeto municipal Biblioteca Itinerante

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, que passou a funcionar a partir de abril. Os gêneros discursivos que tiveram entrada na sala de aula por meio dos alunos foram em número reduzido e circularam em âmbito extra-oficial das aulas.

38 Considero breves narrativas alguns textos de livros didáticos passados no quadro pela professora, mas que não parecem se encaixar nos moldes de um conto ou uma fábula, por se assemelharem a fragmentos ou adaptações de contos retirados do seu suporte original, o livro de literatura infantil.

39 A Biblioteca Itinerante é um projeto de leitura da Secretaria de Educação. Uma vez por mês passa um carro da Prefeitura na escola com livros que são entregues à professora, que se encarrega de distribuí-los entre os alunos. A professora organiza a troca, quase que diariamente, dos livros entre os alunos. Os próprios alunos escolhem que livro levar emprestado. Esses livros são novos e bem conservados. No mês seguinte, volta o carro da Prefeitura para levar os livros lidos e trazer novos.

Gêneros discursivos escritos que circularam na sala de aula

entrada pela escola Gêneros que tiveram entrada externa

contos e poemas Comunicações e avisos aos pais

aos pais Comunicados aos pais

impressos Charadas/Adivinhas Verbetes de dicionário Formulário de dados

pessoais (agenda dos

(Biblioteca Itinerante) Cartões/cartas para as mães elaborados pelos alunos

Avisos de provas passados no quadro

Tabela 1: Gêneros discursivos em português

Os gêneros discursivos escritos em alemão (Tabela 2) que tiveram entrada na sala de aula de forma oficial (letras de músicas e poemas) circularam apenas antes de ocasiões festivas (Dia das Mães, Páscoa, Festa da Escola), para serem apresentados nesses eventos.

Por influência dos alunos, apenas um gênero entrou na sala de aula por intermédio da aluna Mônica (vide Cap. 5, seção

Cartas da Alemanha e para a Alemanha), mas não fez parte de

nenhum trabalho coletivo. Apesar de haver na biblioteca da escola livros de literatura infantil e dicionários de alemão, não foram utilizados pelos alunos em sala de aula contos, fábulas ou verbetes de dicionário. Primeiro, porque as aulas de Alemão iniciaram somente em maio, segundo porque a professora de Alemão não utilizou esse material didático em suas aulas. Em 2004, porém, quando fiz uma visita à escola, a professora do ensino

40 Este conto, produzido em casa pela aluna Mônica da 3a. série (Anexo 2), foi escrito em uma folha de um bloco de anotações com linhas que eu havia distribuído aos alunos. Eles viram um desses blocos comigo na sala e me pediram. Como tinha contato com a empresa que me havia fornecido alguns desses blocos, solicitei a eles mais exemplares para dar aos alunos. Os alunos usaram os blocos para diferentes objetivos.

fundamental, Ane, que em 2005 assumiu a direção da escola, ministrou uma aula de leitura em alemão, na qual os alunos de 2

a

. a 4

a

. série leram contos em livros de literatura infantil e depois puderam levá-los emprestado para lerem em casa. Na época o Projeto Escolas Bilíngües estava em desenvolvimento, conforme mencionado anteriormente.

Gêneros discursivos escritos que circularam na sala de aula (alemão)

Gêneros que tiveram entrada pela diretora

ou pela professora de alemão Gêneros que tiveram entrada pelos alunos

Letras de músicas Cartas (Mônica)

Poemas

Felicitações em mural

Tabela 2: Gêneros discursivos em alemão

Quanto aos suportes que serviram para veicular esses gêneros, a maioria dos textos que teve entrada pelo trabalho didático da professora circulou fora de seu suporte original e de sua esfera de produção. Os contos, poemas, breves narrativas e resumo de textos expositivos referentes aos tópicos desenvolvidos nas aulas de Ciências, por exemplo, foram retirados de livros didáticos e copiados no quadro pela professora. Eram, pois, textos que já haviam passado por um processo de didatização (Bunzen, 2007). Os gêneros discursivos em alemão como letras de músicas e poemas foram ou passados no quadro ou entregues aos alunos já digitados em folhas. As felicitações foram escritas num grande mural no pátio da escola, por ocasião de eventos comemorados na instituição (vide exemplo no Anexo 3). As atividades didáticas que envolveram a utilização desses gêneros discursivos e o tratamento dado a eles na sala de aula serão abordados no Cap. 5,

Práticas sociais de leitura e de escrita na escola.

Finalizo este capítulo com a seção seguinte, na qual procuro, de forma breve,

estabelecer relações entre os principais participantes da pesquisa, alunos/as e professora,

suas ações na sala de aula e os ritmos e tempos que fazem uma aula.

No documento MARISTELA PEREIRA FRITZEN (páginas 73-76)