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8 pH

2.3.3.3.- DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Os resultados da verificação da composição dos extractos clorofórmicos sâo concordantes com os trabalhos de Yoshioka et ai. (136) segundo os quais os produtos re- sultantes da hidrólise da dipirona variam consoante o pH do meio. De facto, a análise cromatográfica em camada fina demonstra que, para os valores de pH compreendidos entre 3,0 e 7,2 inclusive, se forma essencialmente 4-metilaminoantipi- rina ; obtêm-se realmente manchas com um valor de Rf igual ao da substância padrão e os espectros no ultravioleta sâo semelhantes aos obtidos com o referido composto.

Pelo contrário, o ensaio realizado com dipirona dissol- vida em tampão de pH 1,5 nâo permitiu realizar qualquer doseamento, já que, embora nâo se notassem diferenças signi- ficativas na análise cromatográfica, o espectro no ultra- violeta era diferente do espectro obtido por tratamento da solução tampão de pH 1,5 com clorofórmio e posterior solu- bilizaçâo da 4-metilaminoantipirina. Este facto sugere a interferência de, pelo menos, outro produto.

Os resultados da avaliação das características de partilha do par dipirona/bases resultantes da decomposição demonstram, por outro lado, que o pH da fase aquosa é um factor determinante do grau de lipossolubilidade, cujo aumento acompanha a subida de pH. Paralelamente, existe também linearidade entre o pH e o conteúdo da fase clorofórmica, expresso em 4-metilaminoantipirina. Nestas circunstâncias, poder-se-á concluir que é a influência da concentração hidrogeniónica na percentagem de moléculas básicas existentes sob a forma nâo iónica que condiciona a

lipossolubilidade, parecendo anular o efeito da acidez no grau de hidrólise da dipirona (recorde-se que, no equilíbrio hidrolítico, a quantidade de dipirona existente sob a for- ma íntegra é tanto menor quanto menor for o pH do meio).

Os resultados obtidos na determinação da velocidade de lipos5olubilizaçâo das moléculas básicas permitem verificar esta estreita correlação entre o valor do pH da fase aquosa

e a quantidade de "fármaco" cedido para a fase clorofórmica. Mas a própria temporização dos ensaios demonstra que, a uma primeira fase de lipossolubilizaçâo lenta, se segue uma outra, rápida e regular. Embora a variação do conteúdo da fase orgânica seja, no decorrer dos primeiros 20 a 25 minutos, aparentemente linear (as rectas inscritas nos diferentes gráficos foram obtidas a partir deste pressuposto), considerou-se que os valores dos correspondentes coeficientes de correlação nâo garantiam o grau de certeza adequado. De qualquer modo, é nítida a inflexão verificada nos gráficos obtidos a partir das soluções aquosas de pH 4,5, 6,0 e 7,2.

Com a finalidade de tentar explicar esta variação brusca da velocidade de passagem do fármaco para o clorofór- mio, convirá recordar que, na fase aquosa, existem dipirona, molécula ionizada e lipoinsolúvel, e moléculas básicas sob a forma ionizada e nâo ionizada. Assim, a passagem das bases para a fase orgânica, que decorre a uma determinada velocidade, depende da velocidade de alteração da dipirona e do equilíbrio químico, variável consoante o pH do meio, entre as formas iónica e nâo iónica das referidas bases.

Em fenómenos que envolvem dois processos cujas veloci- dades sejam diferentes, qualquer inflexão no respectivo re- gisto gráfico corresponde, em regi-a, a um ponto em que a- quelas se igualam. Nestas circuntâncias, poder-se-á admitir que a primeira fase corresponde a um período de tempo durante o qual o equilíbrio hidrolítico entre a dipirona e a 4-metilaminoantipirina ainda nâo havia sido alcançado. A este propósito, deve notar-se que a inflexão ocorre ao fim de 25 a 30 minutos e que o referido equilíbrio se verifica apenas, segundo Yoshioka et ai. (136), ao fim de 4 a 5 horas. Além disso, a lipossolubilizaçâo nâo depende apenas da velocidade de alteração da dipirona, mas também do equilíbrio químico en-tre as formas ionizada e nâo-ionizada das moléculas básicas.

O fenómeno poderá ser explicado se se atender, nâo à alteração da dipirona ou à dissociação das moléculas

básicas, mas à velocidade a que se establece o gradiente de concentrações em formas nâo-ionizadas existente entre ambas as fases. De facto, no tempo zero nâo existe, em termos absolutos, qualquer diferença entre as concentrações de ambas as fases, pois a solução aquosa contém, apenas, um composto lipoinsolúvel: a dipirona. Contudo, e à medida que o fármaco se decompõe, a diferença de concentrações vai aumentando. A velocidade inicial de variação do gradiente é baixa (inferior à velocidade de passagem do fármaco para o clorofórmio) e condiciona a velocidade global do processo. Ao fim de um determinado tempo, ambos os fenómenos ocorrem a velocidade igual, verificando-se então a inflexão do gráfico. A partir desta altura, é a velocidade de lipos- solubilizaçâo (inferior à velocidade de variação do gra- diente de concentrações em moléculas básicas nâo-ionizadas) que regula a cinética geral do fenómeno.

Sabe-se que, em ensaios deste tipo, a velocidade de difusão se deveria processar de acordo com uma equação de ordem um, pois a quantidade de fármaco lipossolubilizado vai aumentando e a quantidade de produto existente na fase aquosa diminui.

Mas, durante o período de realização do ensaio, o gradiente aumenta, já que o equilíbrio químico entre a dipirona e a 4-metilaminoantipirina ainda nâo foi alcançado. Assim, a capacidade de difusão para o clorofórmio encontra-

-se "saturada" e o processo adquire uma cinética de ordem zero. Todavia, e até mesmo depois de se atingir o referido equilíbrio químico, pode admitir-se que a difusão obedece também a uma cinética de ordem zero, pois a passagem da molécula básica para a fase orgânica destruí-lo-á permanen- temente. Deste modo, nova fracção de dipirona será hidro- lisada, mantendo praticamente constante a quantidade de 4- -metilaminoantipirina existente na fase aquosa e trans- formando, assim, um processo de ordem 1 numa cinética aparente de ordem zero.

3.4.- CONCLUSÕES

A absorvência específica da solução de 4-metilaminoan- tipirina em clorofórmio é de 576,4 + 31,7.

No sistema água/clorofórmio, nas condições do ensaio e para valores de pH compreendidos entre 3,0 e 7,2, verifica-se a lipossolubilizaçâo do principal produto resultante da hidrólise da dipirona, a 4-metilaminoan- tipiriná.

No sistema água/clorofórmio, nas condições do ensaio e para valores de pH compreendidos entre 3,0 e 7,2, existe uma relação linear, de inclinação positiva, en- tre o conteúdo da fase clorofórmica, expresso em 4-me- tilaminoantipirina, e o pH da solução aquosa de dipi- rona.

No sistema água/clorofórmio, nas condições do ensaio e para valores de pH compreendidos entre 3.0 e 7,2, existe uma relação linear, de inclinação positiva, entre a velocidade de lipossolubilizaçâo das moléculas básicas provenientes da decomposição da dipirona e o pH do meio aquoso onde esta se encontra dissolvida.

CAPITULO III