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Ganhos e Perdas

No documento Estruturas e dinâmicas de grupo. (páginas 45-49)

De acordo com Steiner (1972) a produtividade real dum grupo seria uma função directa da sua produtividade potencial menos as perdas derivadas dos processos de grupo. As perdas por processo podem por seu turno derivar de perdas por coordenação e de perdas por motivação. As perdas por motivação intra-grupo têm sido objecto de

investigação sob a designação de inércia social (social loafing) e viajar-à-borla (free-

riding). Por vezes considerados equivalentes há todavia distinção a estabelecer:

Enquanto que a expressão “inércia social” se refere às perdas por motivação em grupos atribuíveis ao facto do esforço individual não ser identificável e portanto não avaliável, a expressão “viajar –à-borla” refere-se às perdas por motivação em grupos atribuíveis ao facto do esforço individual não ser identificável e portanto não avaliável, a expressão “viajar –à-borla” refere-se à convicção de que a contribuição individual é dispensável (Harkins & Petty, 1982; Harkins, 1982).

Um exemplo de “inércia social” é o “efeito Ringelman”, uma das mais antigas experiências em psicologia social, efectuada por Ringelman em 1882 e 1887 (Krawitz e Martin, 1986) e que levou a concluir que, em exercícios de tracção à corda, se verificava uma relação inversa entre o número se sujeitos e o esforço individual. O efeito é robusto e não se limita a tarefas físicas mas igualmente em tarefas de natureza intelectual (Latané et al., 1979; Jackson e Harkins 1985; Weldon e Gargano, 1988).

Note-se que a inércia social é moderada por diversos factores, Karau e Williams (1993) apuraram, por exemplo, que os efeitos da inércia social são mais acentuados nos homens e em grupos de culturas ocidentais e de maior dimensão, o que por seu turno pode estar associado à sua maior incidência em culturas individualistas (Wagner 1995)

Ao efeito Ringelman pode todavia contrapor o “efeito Koehler”, identificado igualmente nos primórdios da disciplina, em 1926 e 1927, e que, pelo contrário, se traduz em ganhos por motivação. A experiência inicial, também de carácter físico, consistia no levantamento de pesos em diades e tríades, sugerindo que a sinergia observada se devia a que os indivíduos se esforçavam mais em grupo do que individualmente a fim de não serem responsabilizados por um eventual decréscimo no resultado conjunto. A experiência, redescoberta por Witte (1989) e replicada por Stroebe et al., (1996) e posteriormente por Hertel et al., (2000) confirmando o efeito observado 70 anos antes, entrando na agenda de pesquisa dos processos de grupo. As causas do efeito não são todavia consensuais. Para Stroebe et al., (1996) estariam em jogo processos de comparação social indutoras de competição intra-grupo enquanto que para Hertel et al., (2000) seria sobretudo a percepção atribuída à indispensável colaboração do membro mais fraco.

Outro fenómeno com um longo historial na disciplina diz respeito a “facilitação” versus “inibição” social que se traduz no acréscimo versus decréscimo do desempenho de pedalagem em bicicleta isoladamente ou em companhia. O termo “facilitação social”

foi introduzido posteriormente por Allport (1924) iniciando uma profusa investigação. A principal conclusão obtida sugere mediações de carácter motivacional (Zajonc, 1965, 1980) levando a ganhos quando os sujeitos sob observação são experientes e a perdas quando os sujeitos são noviços ou aprendizes.

Dadas as semelhanças entre estes diferentes fenómenos diversos investigadores têm vindo a propor a sua integração num modelo único em que a motivação do grupo de acordo com o modelo do “valor das expectativas” depende do grau em que as motivações dos membros são supostas contribuírem para os resultados do grupo e em que estes, por seu turno, são supostos contribuírem para o reconhecimento ou recompensas individuais (Shepperd, 1993, 2001). A ideia subjacente de possíveis ganhos em motivação grupal tem de resto obtido validação empírica, como é o caso do fenómeno da “compensação social “ em que os indivíduos aumentam os seus esforços para compensarem o fraco desempenho antecipado de outros membros do grupo (Williams e Karau 1991; Hart et al., 2001) inclusivamente em condições propicias à inércia social. O factor decisivo para residir na importância atribuída ao êxito da tarefa, pelo que, idênticas variáveis estruturais, tanto podem estar associadas às perdas como aos ganhos por motivação (Kerr & Tindale, 2004).

O aspecto a reter será que “ a perda de motivação não é uma consequência inevitável do trabalho em grupo: pelo contrário, em condições que eliminem os problemas de baixa identificabilidade e elevada dispensabilidade podem esperar-se ganhos em motivação” (Larson 2010, p.300). Para alguns autores as perdas por motivação seriam mais a excepção do que a regra (Erez & Somech 1996). Será todavia prematuro tirar conclusões sobre um fenómeno que, apesar da sua longa tradição de pesquisa parece longe de ter esgotado as suas potencialidades de pesquisa.

Desempenho enquanto resultado

Poucos temas terão merecido tanta discussão, por parte da investigação, como o desempenho de grupo, o qual tem sido conceptualizado em termos de consequências objectivas e subjectivas, resultantes da dinâmica e actividade conjunta dos membros. São vários os modelos propostos para a análise do desempenho e produtividade dos grupos (Chang & Bordia, 2001; Hackman, 1987, 1990; McGrath, 1984). Hackman (1990) identifica três dimensões do conceito de desempenho de grupo: primeiro, eficácia de tarefa, a qual se refere ao grau em que a produção do grupo satisfaz os

padrões requeridos pela organização; em segundo lugar, viabilidade de sistema, ou seja, o grau em que o processo de realização do trabalho salienta a capacidade dos membros continuarem a sua colaboração e independência no futuro; finalmente, crescimento profissional, o qual indica a contribuição da experiência em grupo para o crescimento e o bem-estar pessoal de membros de equipa. Até agora, e ao melhor do nosso conhecimento, só um estudo (Chang & Bordia, 2001) testou esta medida da realização de grupo empiricamente.

A compreensão da produtividade de grupo requer o enquadramento de seis elementos básicos: Membros, tarefa, interacção, tecnologia, outputs e contexto (Ver figura nº 4 )

INSERIR FIGURA Nº 4

Todos estes elementos revelam relações complexas entre si e reforçam o conceito de grupo enquanto sistema multinível e de múltiplas dimensões de interdependência entre todas as componentes. Os grupos são compostos de membros e, quer os membros quer o grupo, como um todo, podem ser percepcionados como entidades distintas, como atrás ficou demonstrado. Por isso, membros e grupos apresentam características próprias e a sua análise poderá ser feita a nível individual ou grupal. E, como os grupos não funcionam isolados ou no vacum, teremos que levar em consideração, um terceiro nível, ou seja, o contexto.

Os diferentes tipos de grupos engendram estruturas, constroem normas, diferenciam papéis e responsabilidade entre os membros, em muitas situações por processos de auto-organização. A auto-organização (Prigogine & Stengers, 1984) ocorre em sistemas abertos, de modo espontâneo, conduzindo a estados dinâmicos ordenados, oscilando entre períodos de equilíbrio e turbulências várias.

A actividade de grupo tem consequências e efeitos sobre os membros ou nos produtos mensuráveis das suas acções e processos. Uma questão chave é saber até que ponto essas consequências afectam, positivamente ou negativamente, o desempenho dos membros e do grupo na sua totalidade. Logo, o problema da dimensão em avaliação ou a considerar na análise afigura-se um aspecto critico em todos os sistema de avaliação do desempenho grupal. Como é natural, existem várias propostas e métodos utilizados na literatura, nem sempre comparáveis que acabam por justificar em parte a fraca consistência dos resultados e a dificuldade de comparação entre os estudos.

No documento Estruturas e dinâmicas de grupo. (páginas 45-49)

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