4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.3 Relação entre fatores institucionais e a quantidade de pedidos
4.3.2 Variáveis associadas com a quantidade de contratos de
4.3.2.4 Gastos e receitas
Nesse bloco tem-se quatro variáveis a serem analisadas, a saber,TT (Possui ou não contratos de transferência de tecnologia), RTT (rendimentos totais), VT (Valor total advindo dos contratos) e GT (gastos totais com pedido de proteção) sendo três contínuas e uma dicotômica. Uma relação esperada é que maior quantidade de contratos gere maiores valores advindos de contratos, mas essa pode não ser confirmada por número de contratos sem valores monetários estabelecidos, e além do fato que um contrato poder gerar o mesmo valor que vários contratos juntos. Outra relação esperada é entre gastos totais com proteção requerida e a quantidade de contratos estabelecidos. Mas já em 2011 (Figura 61), nenhuma dessas relações pode ser confirmada.
Figura 61 Gastos e Receitas X QT -2011
Na análise da Figura 61 observa-se as categorias “0 a 10” e “10 a 40” sem nenhuma correspondente. Embora algumas variáveis estejam no mesmo quadrante que as referidas categorias, estas não apresentam relação forte, diante da distância entre elas. Somente a categoria “0” está associada às variáveis TT0 e VT0, assumindo que a instituição que afirma não possuir contratos de tecnologia, provavelmente não terá receitas advindas de contratos. E por meio da análise de correspondência, em 2011, nenhuma associação pode ser feita em se tratando dos gastos com pedidos de proteção.
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Figura 62 Gastos e Receitas X QT -2012
A análise do mapa perceptual de 2012 (Figura 62) apresenta um padrão de dispersão das variáveis. No primeiro quadrante estão localizadas as variáveis referentes a maiores valores de contratos, rendimentos e gastos com pedido de proteção, e as categorias de maior quantidade de pedidos de proteção, mas não é possível afirmar sobre a correspondência entre elas. No quarto quadrante situa- se a categoria “0 a 10” e as categorias referentes à menor rendimento, gastos e valores de contratos, mas também sem correspondência entre elas. Já no segundo quadrante, assim como em 2011, não ter contratos se relaciona com o fato de não ter receitas advindas de contratos.
Em 2013 a análise de correspondência permite afirmar sobre a relação entre algumas variáveis, ao contrário dos anos anteriores (Figura 63). No primeiro quadrante, nota-se a categoria “Acima de 40” fortemente relacionada com a variável VT2. Ou seja, em 2013 pode-se afirmar que a maior quantidade de contratos está relacionada com a segunda maior categoria de valor de
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contratos. E, além disso, no mesmo quadrante está a categoria “10 a 40” associada às variáveis RTT2 e TT1. E no quarto quadrante se localiza a categoria “0 a 10” e a correspondente RTT1. No segundo quadrante, por sua vez, permanece a correspondência entre não ter contratos e não ter receitas advindas da transferência de tecnologia.
Figura 63 Gastos e Receitas X QT -2013
Um fato, que deve ser ressaltado em 2013, é a não relação do gasto total com pedido de proteção e a quantidade de contratos. Somente a GT0 apresentou correspondência a QT0, ou seja, as instituições que afirmam não possuir pedidos de proteção, também não possuem contratos de tecnologia. Fato esse que se repete em 2014 e em 2015, figuras 64 e 65.
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Figura 64 Gastos e Receitas X QT -2014
Figura 65 Gastos e Receitas X QT -2015
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A análise de 2014 não permite afirmar sobre nenhuma correspondência além da associação da categoria “0”, comum a todos os anos.
Em 2015 deve ser ressaltado o fato de a categoria “10 a 40” estar fortemente relacionada com os maiores valores advindos de contratos, variáveis VT2 e VT3 e também a RTT2, que se refere à segunda maior categoria de rendimentos no ano.
Analisando os cinco anos, somente se percebe recorrente a relação entre não possuir contratos e não ter valores advindos de contratos e rendimentos, além dos gastos totais. Os gastos totais devem ser ressaltados pelo fato que se uma instituição informou não ter gastos com pedido de proteção (não possuir pedidos de proteção) ela também não possui contratos. Pedidos de proteção não se estabelecem como condição necessária para a realização de contratos, visto que uma universidade pode estabelecer contratos de transferência de tecnologia sem ser por meio de proteção de propriedade intelectual. Mas isso não parece acontecer na realidade brasileira. Além disso, os gastos totais nas suas maiores categorias, não se mostrou associado com maiores quantidades de contratos. O que reafirma o resultado da análise da variável quantidade total de pedido de proteção que também não esteve associado à quantidade e valor total de contratos. Assim sendo, na atual realidade brasileira essa nova função da Universidade de comercializar tecnologia pode se tornar mais uma fonte de gastos, e não de rendimentos, visto que no balanço total das contas, os gastos podem ser superiores aos rendimentos.
Esse é um grande desafio desse cenário, de manter essa nova função sustentável, para isso alguns fatores deverão ser superados, como a ênfase no registro e a dificuldade dos Núcleos de Inovação em estabelecer contratos de transferência de tecnologia.
Assim sendo, ao concluir a análise das variáveis que podem influenciar uma Universidade ter mais ou menos contratos de tecnologia, verificou-se que
no formato atual de gestão do modelo de apropriação e transfêrencia de tecnologia por universidades federais, a política de inovação da universidade, as ações do Núcleo de Inovação, a formação do núcleo não está influenciando a quantidade de contratos. Fato esse que pode levar ao questionamento sobre o que pode influenciar o aumento dos contratos nos últimos 5 anos. Analisando a frequência dos contratos por universidade, é nítido o baixo envolvimento das universidades nesse sentido, ou seja, poucas instituições são responsáveis por esse aumento. Assim sendo, esse aumento pode estar sendo baseado em agentes com uma postura mais ativa nesse processo de transferência de tecnologia, fato esse que pode se tornar o grande gargalo desse processo.