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5 MATERIAL E MÉTODOS

5.1 Genótipos

Foram utilizadas dez linhagens S7 como genitores, oriundas de um painel de vinte linhagens avaliadas em condições de déficit hídrico do Banco de Germoplasma da UENF (Kamphorst et al., 2018b). Destas, quatro foram classificadas como eficientes agronomicamente no uso da água – P2, P3, P6 e P7 –, quatro como ineficientes – L61, L63, L65 e L75 – e duas como intermediárias – L71 e L76. As linhagens L61, L63, L65, adotando-se o valor de s (cruzamentos) igual a três (Tabela 1). Para tal, as dez linhagens citadas anteriormente foram cruzadas aos pares, em fileiras espaçadas em 1,00 m, cada qual com 6,00 m de comprimento e com espaçamento entre plantas de 0,40 m. A polinização ocorreu aproximadamente 60 dias após o plantio quando um terço dos pendões estava com suas anteras abertas. Esta etapa ocorreu em abril de 2017, no Colégio Estadual Agrícola Antônio Sarlo, em Campos dos Goytacazes, RJ, a 21º 42‟ 48”S, 41º 20‟ 38”O.

28 5.2 Tratos culturais e desenho experimental

As linhagens e os híbridos obtidos foram avaliados no ano seguinte em duas condições contrastantes quanto à disponibilidade hídrica, isto é, em condição de irrigação à capacidade de campo (WW) e em condição de déficit hídrico (WS). O ambiente na condição WW foi mantido em nível de capacidade de campo (-0,01 MPa), monitorado por meio de tensiômetro. O ambiente na condição WS caracteriza-se pela suspensão da irrigação durante o estádio fenológico do pré-florescimento masculino. O sistema de irrigação utilizado no experimento foi de gotejamento (vazão 2,3 mm h-1), tipo Katif. O controle do potencial hídrico do solo foi monitorado por meio de tensiômetros Decagon MPS-6, instalados entre plantas, a uma profundidade de 0,20 m.

O delineamento experimental adotado foi blocos completos casualizados com três repetições em cada condição hídrica. Cada parcela foi constituída por uma linha de 4,80 m com 23 plantas, espaçadas 0,80 m entre linhas e a 0,20 m entre plantas. No momento da semeadura foi realizada a aplicação de adubo químico com 30 kg ha-1 de N (na forma de uréia), 60 kg ha-1 de P2O5 (superfosfato triplo) e 60 kg ha-1 de K2O (cloreto de potássio). A adubação de cobertura ocorreu aos 30 e 40 dias após a semeadura e disponibilizaram-se 100 kg ha-1 de N (na forma de uréia).

Durante o experimento foi registrado um total 148,20 mm de água proveniente da chuva. A condição hídrica WS recebeu 69,30 mm de irrigação perfazendo um total de 217,50 mm de água fornecido ao solo durante todo o experimento. Já a condição hídrica WW recebeu 186,90 mm de irrigação perfazendo um total de 335,10 mm de água fornecido ao solo (Tabela 2).

Tabela 2 – Precipitação e irrigação (mm) aplicada no experimento na condição de estresse hídrico (WS) e irrigação normal (WW) em dias após a semeadura.

Dias após a

29

70 0,00 - 0,00 18,90 18,90

77 30,80 - 30,80 1,10 31,90

84 0,00 - 0,00 16,70 16,70

91 0,00 - 0,00 14,00 14,00

98 65,00 - 65,00 2,00 67,00

105 0,00 - 0,00 13,50 13,50

112 9,20 - 9,20 10,00 19,20

119 2,40 - 2,40 10,00 12,40

Total final 148,20 mm

69,30 mm 217,50 mm 186,90 mm 335,10mm

Os eventos de chuva durante a condução do experimento foram quantificados por meio da Estação Meteorológica Automatizada (Instituto Nacional de Meteorologia), situada próxima ao local do experimento. Esta mesma Estação permitiu também um acompanhamento climático detalhado durante o período de execução do experimento, como temperatura média, umidade relativa do ar e radiação (Figura 1).

Figura 1 - Condições climáticas de temperatura (ºC), umidade relativa do ar (%) e fluxo de fótons fotossintéticos (μmol m-2s-1) registrados pela estação automática do Instituto Brasileiro de Meteorologia (INMET) no período de abril a setembro de 2018.

Foram registrados dois períodos em que o solo na condição de déficit hídrico atingiu o ponto de murcha permanente (-1500.00 MPa) (Figura 2). O primeiro episódio ocorreu poucos dias após o florescimento masculino (03 de julho de 2018) e o segundo ocorreu na fase de enchimento de grãos (01 de agosto de 2018), ambos em período crítico para a cultura do milho (Bergamaschi et al., 2004).

30

5 dias 9 dias 12 dias 17 dias 21 dias 31 dias 37 dias 52 dias 56 dias 60 dias 64 dias 68 dias 72 dias 78 dias 82 dias 86 dias 90 dias 94 dias 98 dias 102 dias 106 dias 110 dias

Figura 2 - Potencial hídrico do solo (MPa) em dias após a semeadura em condição WS (linha vermelha) e WW (linha azul) durante a condução do experimento.

5.3 Características avaliadas

As características avaliadas durante o experimento foram divididas em dois grupos;

o Grupo I compreendeu as características agronômicas, relacionadas diretamente com a produtividade, e o Grupo II constituiu as características radiculares, relacionadas indiretamente com a produtividade.

5.3.1 Grupo I - Características agronômicas

As características agronômicas mensuradas foram: diâmetro de espiga (DESP), comprimento de espiga (CESP), ambas estimadas com paquímetro digital (cm); massa de 100 grãos (M100), determinada por meio da média da pesagem (g) de duas amostras de 100 grãos, por parcela; rendimento de grãos (RG), obtido após a debulha das espigas da área útil de cada parcela, corrigida para 13 % de umidade (t ha-1); capacidade de expansão (CE), aferida por meio da massa de 30 g de grãos, irradiada em micro-ondas, em saco de papel especial para pipocamento, na potência de 1.000 W, por tempo determinado de dois minutos e dez segundos. O volume de pipoca foi quantificado em proveta de 2.000 mL e, assim, determinou-se a CE por meio do quociente entre o volume obtido de pipoca e a massa de grãos, expresso em mL g-1; e o volume de pipoca expandida por hectare (VP), obtida pela multiplicação entre a RG e CE e expresso por m3 ha-1.

31 5.3.2 Grupo II - Características radiculares

Os caracteres radiculares foram obtidos conforme metodologia proposta por Trachsel et al. (2011), com modificações (Kamphorst et al., 2018b). Após a colheita do experimento, o solo sob condições WS e WW recebeu irrigação de 40 mm de água, facilitando a remoção mecânica das plantas, com o uso de pás convencionais. O sistema radicular de duas plantas por genótipos, em cada parcela experimental, nas condições WS e WW, foi removido em formato cilíndrico de solo de 50 cm de diâmetro e 30 cm de profundidade. Os cilindros de solos foram lavados com água em abundância até que o substrato fosse totalmente removido.

Os caracteres radiculares mensurados foram: ângulo de raízes de suporte (ARS) e ângulo das raízes da coroa (ARC), os quais foram obtidos com o auxílio de um transferidor de graus e expressos em graus (°) em relação à superfície do solo; número de raízes de suporte (NRS) e número de raízes da coroa (NRC) – estimados por meio de contagem; densidade de raízes de suporte (DRS) e densidade das raízes da coroa (DRC) – estimados por meio de escala proposta por Trachsel et al. (2011), onde, os valores variam de 0 a 9 (mínimo e máximo de densidade). As avaliações foram consolidadas com o material suplementar proposto por Trachsel et al. (2011) para fenotipagem em alto rendimento de arquitetura de raízes.

5.4 Análises estatísticas

Realizou-se a análise de variância individual de acordo com o seguinte modelo:

, onde: : valor observado do i-ésimo genótipo no j-ésimo bloco; : constante geral; ; efeito fixo atribuído ao i-ésimo genótipo; : efeito aleatório do bloco j;

e : erro aleatório associado à observação . Posteriormente, realizou-se a análise de variância conjunta com base no seguinte modelo estatístico:

, onde: observação do i-ésimo genótipo no j-ésimo ambiente no k-j-ésimo bloco; constante geral; efeito fixo do i-ésimo genótipo;

: efeito aleatório do k-ésimo bloco dentro do ambiente j; : efeito fixo do j-ésimo ambiente; : efeito fixo da interação entre o i-ésimo genótipo com o j-ésimo ambiente;

e : erro aleatório experimental médio associado à observação .

32 A análise genético-estatística empregou o modelo III, conforme descrito por Hallauer et al. (2010): , em que: é a média da observação associada à combinação híbrida ou ao i-ésimo genitor ; μ é a média geral;

e são os efeitos fixos da capacidade geral de combinação; é o efeito fixo da capacidade específica de combinação; e é o erro experimental médio. As análises estatísticas descritas foram realizadas com auxílio do programa Genes (Cruz, 2003).

Na análise de correlação as estimativas para linhagens e híbridos foram obtidas separadamente. O coeficiente de correlação genotípica (rg) foi calculado pela seguinte expressão: ; em que: : corresponde a covariância genotípica, entre os caracteres x e y; : corresponde a variância genotípica do caráter x e : corresponde a variância genotípica do caráter y.

A significância dos coeficientes de correlação genotípica (rg) foi avaliada pelo teste t, em 5 % e 1 % de significância, com o auxílio do programa estatístico Genes (Cruz, 2013).

33 6 RESULTADOS

6.1 Análise de variância, análise de variância dialélica e efeitos genéticos dos caracteres agronômicos e radiculares em milho-pipoca

Existe variabilidade genética entre os genótipos avaliados nas condições hídricas WS e WW para os caracteres agronômicos do Grupo I (DESP, CESP, M100, RG, CE e VP) e radiculares ARS, ARC, NRS, NRC, DRS e DRC, estatisticamente comprovados pelo Teste F (Tabela 3). Excetuam-se os caracteres ARC e NRS, do Grupo II, na condição WW, que não apresentaram significância em 5 % de probabilidade pelo Teste F.

Em relação ao Grupo I, o caractere RG apresentou média de 1,68 t.ha-1 na condição WS e 2,77 t.ha-1 na condição WW, o que representou uma redução de 39,42 % (Tabela 3). O caractere CE expressou média de 22,71 mL.g-1 na condição WS e, em WW, 25,16 mL.g-1, o que representa uma diferença percentual de 9,74 % na comparação entre as condições hídricas. O volume de pipoca expandida por hectare (VP) em condição WS foi de magnitude 37,75 m3.ha-1 e de 68,61 m3.ha-1 em WW, representando um diferencial de 44,98 % entre as duas condições hídricas. Os demais caracteres agronômicos – DESP, CESP e M100 – apresentaram redução 10,24 %, 12,70 % e 8,27 %, respectivamente (Tabela 3).

No Grupo II, os caracteres radiculares mais impactados pelo estresse hídrico foram DRC (14,23 %), onde; a quantidade de pelos absorventes presentes nas raízes da coroa foram reduzidos, DRS (12,24 %), onde; a quantidade de pelos absorventes presentes nas raízes de suporte foram reduzidos e NRC (9,99 %), onde; o número de raízes da coroa foram reduzidos dada a comparação entre as condições hídricas (Tabela 3). Os caracteres ARS e ARC foram incrementados na condição WS em 4,92 % e 4,05 % respectivamente, ou seja, tanto as raízes de suporte quanto as raízes da coroa apresentaram angulação maior em relação à superfície do solo em WS. A média do caractere NRS foi similar nas duas condições, e representou redução de 6,49 % (Tabela 3).

34 Tabela 3 - Resumo da análise de variância (individual e conjunta), médias gerais e redução percentual para caracteres agronômicos e radiculares de linhagens e híbridos de milho-pipoca cultivados em condições contrastantes quanto à disponibilidade de água no solo.

Característica

WS WW Conjunta

QM

Média

QM

Média G CH GCH Redução (%) WS

Genótipo Resíduo Genótipo Resíduo

(GL = 24) (GL =48) (GL = 24) (GL = 48)

DESP 22,62 ** 3,47 28,00 27,59 ** 2,56 31,20 ns ** ns 10,24

CESP 6,61 ** 1,10 10,65 8,30 ** 1,14 12,20 ** ** ns 12,70

M100 6,34 ** 0,70 14,03 7,86 ** 1,51 15,29 ** ** * 8,27

RG 1606,11 ** 5,07 1,68 3505,08 ** 99,56 2,77 ** ** ** 39,42

CE 40,21 ** 12,69 22,71 1469,25 ** 10,78 25,16 ** ** ns 9,74

VP 846,00 ** 74,17 37,75 2027,86 ** 145,70 68,61 ** ** ** 44,98

ARS 53,25 * 24,97 59,73 69,74 * 37,42 56,93 ** ** ns -4,92

ARC 47,73 ** 20,11 69,23 65,96 ns 47,68 66,54 ** ** ns -4,05

NRS 2,67 * 1,43 7,40 1,47 ns 1,81 7,91 ns ns ns 6,49

NRC 11,08 ** 3,87 13,76 10,30 ** 4,20 15,29 ** ** ns 9,99

DRS 2,42 ** 0,62 4,73 2,05 * 1,07 5,39 ** ** ns 12,24

DRC 1,02 ** 0,30 3,48 1,82 ** 0,71 4,05 ** * ns 14,23

WS: estresse hídrico; WW: bem irrigada; G: genótipo; CH: condição hídrica; QM: quadrado médio. GL: graus de liberdade; DESP: diâmetro de espiga; CESP:

comprimento de espiga; M100: massa de cem grãos; RG: rendimento de grãos; CE: capacidade de expansão; VP: volume de pipoca; ARS: Ângulo de raiz de suporte; ARC: Ângulo de raiz da coroa; NRS: número de raízes de suporte; NRC: número de raízes da coroa: DRS: densidade de raízes de suporte; DRC:

densidade de raízes da coroa. ns, * e **: não significativo, significativo em p < 0,05 e significativo em p < 0, 01, respectivamente, pelo Teste F.

35 A importância dos efeitos da capacidade combinatória, em condições WS e WW para o Grupo I de caracteres, revelou, de maneira geral, significância para a capacidade geral (CGC) e específica de combinação (CEC), em ambas as condições hídricas (Tabela 4). Apenas CE, na condição WS, apresentou efeito não significativo para CEC. Contudo maior superioridade dos componentes quadráticos CEC (ɸs) em relação a CGC (ɸg) foram evidenciados, sugerindo maior importância da ação gênica não-aditiva no controle dos caracteres.

O Grupo II, de maneira quase geral, apresentou diferença significativa apenas para CGC em condição WS, com exceção do caractere NRS, que não apresentou significância (Tabela 4). Com relação aos efeitos dos componentes quadráticos, somente os caracteres NRS e NRC expressou magnitude superior da CEC (ɸs) em relação à CGC (ɸg). Em condição WW, cinco dos seis caracteres revelaram significância para CGC. Os efeitos dos componentes quadráticos observados para esses caracteres mostrou maior importância da ação gênica aditiva tanto em WS quanto em WW (Tabela 4). Observaram-se componentes quadráticos com sinal negativo de CGC para NRC (-3,10) e de CEC para ARC (-2,45) e NRS (-0,27), estes valores foram interpretados como estimativas do valor real zero (Cruz et al., 2014).

36 Tabela 4 – Estimativas dos componentes quadráticos para 12 caracteres de milho-pipoca, exposto a diferentes regimes hídricos (WS, estresse hídrico; WW, bem irrigado), segundo modelo proposto por Kempthorne e Curnow (1961) para um dialelo circulante envolvendo 10 linhagens, com s = 3 sem híbridos recíprocos.

Características

WS WW

CGC CEC CGC CEC

QM ɸg QM ɸs QM ɸg QM ɸs

DESP 16,65 ** 1,10 26,20 ** 7,58 22,65 ** 1,67 30,55 ** 9,33

CESP 4,07 ** 0,25 8,13 ** 2,34 5,83 ** 0,39 9,78 ** 2,88

M100 9,65 ** 0,75 4,35 ** 1,22 9,89 ** 0,70 6,64 ** 1,71

RG 1062,93 ** 84,35 1932,03 ** 627,10 2970,66 ** 239,25 3825,73 ** 1242,05

CE 79,08 ** 5,53 16,89 ns 1,40 109,57 ** 8,23 32,21 ** 7,14

VP 444,84 ** 30,89 1086,7 ** 337,51 1503,82 ** 113,18 2342,28 ** 732,2

ARS 94,57 ** 5,8 28,46 ns 1,16 117,11 ** 6,64 41,32 ns 1,30

ARC 84,91 ** 5,4 25,42 ns 1,77 108,66 * 5,08 40,34 ns -2,45

NRS 2,70 ns 0,11 2,66 ns 0,41 2,24 ns 0,04 1,00 ns -0,27

NRC 21,86 ** -3,10 4,61 ns 2,17 16,25 ** 1,00 6,74 ns 0,85

DRS 4,89 ** 0,36 0,93 ns 0,10 3,36 ** 0,19 1,27 ns 0,07

DRC 2,13 ** 0,15 0,36 ns 0,02 2,22 ** 0,13 1,59 * 0,29

Efeito do quadrado médio (QM) está representado por ns, * e **, quando não significativo, significativo a p < 0,05 e significativo a p < 0, 01, respectivamente, pelo Teste F. CGC:

capacidade geral de combinação; CEC: capacidade específica de combinação. ɸg: componente quadrático de efeito aditivo; ɸs: componente quadrático de efeito não-aditivo.

DESP: diâmetro de espiga; CESP: comprimento de espiga; M100: massa de cem grãos; RG: rendimento de grãos; CE: capacidade de expansão; VP: volume de pipoca; ARS:

ângulo de raiz de suporte; ARC: ângulo de raiz da coroa; NRS: número de raízes de suporte; NRC: número de raízes da coroa: DRS: densidade de raízes de suporte; DRC:

densidade de raízes da coroa.

37 6.2 Correlação entre caracteres agronômicos e radiculares

Em WS, os genitores apresentaram rg significativa entre os pares de caracteres agronômicos DESP × RG (0,79), DESP × VP (0,73), CESP × CE (-0,80), CESP × RG (0,96), CESP × VP (0,72) e entre RG × VP (0,92). Entre os caracteres radiculares não houve correlação significativa. Entre os dois grupos de caracteres – agronômico e radicular – estimativas significativas foram evidenciadas entre CESP × ARC (-0,75), CESP × NRS (0,85), CESP × NRC (-0,75), RG × NRC (-0,70) e VP × NRC (-0,83) (Figura 3).

Figura 3 – Estimativas de coeficiente de correlação genotípica (rg) entre caracteres agronômicos (Grupo I) e radiculares (Grupo II) para genitores de milho-pipoca avaliadas em condição WS. * e **, significativos em p < 0,05 e em p < 0,01 respectivamente.

38 Em relação aos híbridos, em WS, rg significativas foram registradas entre os caracteres agronômicos DESP × RG (0,89), DESP × VP (0,89) e entre RG × VP (0,96). Para os caracteres radiculares, estimativas significativasforam evidenciadas apenas entre ARS × DRS (0,77). Entre os dois grupos de caracteres, estimativas significativas foram exibidas entre DESP × ARS (0,91), DESP × DRS (-0,85) e RG × ARC (0,82) (Figura 4).

Figura 4 – Coeficiente de correlação genotípica (rg) entre pares de caracteres agronômicos (Grupo I) e radiculares (Grupo II) para híbridos de milho-pipoca avaliados em condição hídrica WS. * e **, significativos em p < 0,05 e em p < 0,01 respectivamente.

Em WW, os genitores exibiram rg significativas entre os caracteres agronômicos DESP × RG (0,70), DESP × VP (0,69), CESP × RG (0,88), CESP × VP (0,90) e entre RG × VP (0,89). Para os caracteres radiculares, apenas ARS × DRS

39 0,98) exibiu rg significativa. Entre os dois grupos de caracteres, significância de rg ocorreu apenas com DESP × NRC (0,75) (Figura 5).

Figura 5 – Estimativas de coeficiente de correlação genotípica (rg) entre pares de caracteres agronômicos (Grupo I) e radiculares (Grupo II) em genitores de milho-pipoca avaliadas em condição hídrica WW. * e **, significativos em p < 0,05 e em p <

0,01 respectivamente.

Em relação aos híbridos, em WW, rg significativa foram evidenciadas entre os caracteres agronômicos DESP × VP (0,96), CESP × M100 (0,87), CESP × CE (-0,85), CESP × RG (0,93), M100 × CE (-0,81), M100 × RG (0,69) e entre RG × VP (0,90). Em relação aos caracteres radiculares as estimativas significativas foram observados entre ARS × NRC (0,91) e NRC × DRS (-0,92). Entre os dois grupos de caracteres, rg significativa ocorreu entre RG × NRC (0,85), RG × DRS (-0,88) e VP × NRC (0,74) (Figura 6).

40 Figura 6 – Estimativas de coeficiente de correlação genotípica (rg) entre pares de caracteres agronômicos (Grupo I) e radiculares (Grupo II) em híbridos de milho-pipoca avaliados em condição hídrica WW. * e **, significativos em p < 0,05 e em p <

0,01 respectivamente.

6.3 Capacidade geral e específica de combinação e valores médios dos caracteres agronômicos

Para o caractere RG, os genitores L76, P2, P3, P6 e P7 apresentaram estimativas positivas dos efeitos de CGC tanto em WS quanto em WW (Figura 7A), com destaque para P2 (0,56) e L76 (0,41) em WW e P2 (0,33) e P6 (0,37) em WS, que apresentaram as maiores estimativas, o que indica serem de interesse a essas condições para aumento da produção. Pelas estimativas dos efeitos da CEC em WS, as maiores magnitudes positivas foram registradas por L61 × L75 (0,88), L63 × L76 (0,90) e L71 × L76 (0,95) (Figura 7B). Com relação às estimativas de médias, as

41 melhores combinações na condição WS foram L63 x L76 (2,87 t.ha-1) e L71 x L76 (2,85 t.ha-1) (Figura 7C).

Figura 7 – Estimativas dos efeitos de (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere rendimento de grãos (RG) em t.ha-1. A condição hídrica WS está representada pela cor vermelha e a condição hídrica WW, pela cor verde.

Em WW, as combinações L61 × L75 (1,11), L65 × L76 (1,42) e L71 × P7 (1,18) apresentaram as maiores magnitudes positivas de CEC (Figura 7B) e, em relação à média dos híbridos, as combinações L65 × L76 (4,61) e L71 × L76 (4,31) expressaram as maiores magnitudes.

Para o caractere CE, apenas os genitores L61, L71 e P3 apresentarem efeitos positivos de CGC em ambas as condições hídricas (Figura 8A). Considerando-se

42 também as condições hídricas em conjunto, para CEC, valores positivos foram expressos pelas combinações L61 × L75, L63 × P6, L65 × P3 e P2 × P7 (Figura 8B).

As combinações L63 × P2, L71 × L76 e L75 × P7 exibiram efeitos de CEC positivos apenas em WS, tendo pelo menos um genitor com valor positivo de CGC (Figuras 8A e 8B).

Quando se analisam as médias dos híbridos para a condição WS, verifica-se que L61 x L75 (28,22 mL.g-1) e L63 × P6 (25,11 mL.g-1) exibiram as maiores magnitudes, estando em concordância com as estimativas superiores dos efeitos da CEC.

Figura 8 – Estimativas dos efeitos de (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere capacidade de expansão (CE) em mL.g-1. A condição hídrica WS está representada pela cor vermelha e a condição hídrica WW, pela cor verde.

43 Em condição WW, as combinações L61 × L75 (1,63), L61 × P6 (1,64), L65 × P6 (4,60) e L65 × P3 (1,60) exibiram as maiores magnitudes positivas de CEC (Figura 8B). Quanto às médias dos híbridos, as combinações L61 × L75 (30,28 mL.g

-1), L61 × P2 (27,73 mL.g-1), L61 × P6 (32,00 mL.g-1) e L65 × P6 (28,93 mL.g-1) expressaram as maiores magnitudes, evidenciando que o valor positivo e elevado de CGC do genótipo L61 contribuiu para a superioridade da média dos híbridos em suas combinações, já que a melhor combinação de CEC não foi a mesma observada no híbrido.

Para o caractere VP, os genitores ranqueados com as melhores estimativas de CGC foram L61, L71, P2, P6, P3 e P7, tanto em WS quanto em WW (Figura 9A).

Em WS, as maiores magnitudes positivas de CEC foram registradas pelas combinações L61 × L75 (27,51) e L71 × L76 (26,12), para as quais há pelo menos um genitor com valor positivo para CGC (Figuras 9A e B). Em relação às médias dos híbridos, os cruzamentos L61 × L75 (59,04 m3.ha-1), L63 × L76 (58,24 m3.ha-1) e L71

× L76 (69,34 m3.ha-1) exibiram os maiores valores (Figura 9C).

Em WW, as combinações L61 × L75 (33,65), L65 × P6 (24,44), L71 × L76 (30,15) e L65 x P3 (23,93) exibiram as maiores magnitudes de CEC. No entanto, quando se observam as médias dos híbridos, averígua-se que L61 × P2 (93,19 m3.ha-1), L61 × P6 (96,90 m3.ha-1), L65 × L76 (93,81 m3.ha-1) e L71 × L76 (108,60 m3.ha-1) expressaram as maiores estimativas (Figuras 9B e C).

44 Figura 9 – Estimativas dos efeitos de (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere volume de pipoca (VP) em m3.ha-1. A condição hídrica WS está representado pela cor vermelha e a condição hídrica WW, pela cor verde.

O genitor P2 foi o único que exibiu estimativas positivas de CGC para o conjunto de caracteres DESP, CESP e M100, em ambas as condições hídricas (Figuras 10A, 11A e 12A). Em condição WS, as maiores magnitudes de CEC foram registradas por L61 × L75 e L65 × L76 para os caracteres DESP e CESP (Figuras 10B e 11B) e por L61 × L75, L63 × L76 e L65 × P3 para M100 (Figura 12B). As médias dos híbridos L61 x P2 (31,37 mm), L65 × L76 (31,53 mm) e L71 × L76 (31,26 mm) expressaram-se superiores para DESP; L61 × L75 (12,64 cm), L65 × L76 (12,54 cm) e L65 × P3 (12,88 cm) para CESP; e L63 × L76 (15,31 g), L65 x L76 (15,94 g) e L65 × P3 (16,84 g) para M100.

45 Em condição WW, as combinações híbridas L61 × L75, L65 × L76 e L71 × L76 exibiram as maiores estimativas de CEC para DESP (Figura 10B); ao passo que L61 × L75, L65 × L76 e L71 × P3 apresentaram as melhores estimativas para CESP (Figura 11B). Em comum, há a superioridade do genótipo L61 × L75. Por sua vez, as combinações L61 × L75, L63 × P6, L65 × L76, L65 × P3, L71 × P7 e L75 × P7 proporcionaram as maiores estimativas de CEC para M100 em WW (Figura 12B).

Em relação às médias dos híbridos, L61 x LP2 (34,81 mm), L65 × L76 (34,28 mm) e L71 × P3 (34,71 mm) exibiram os maiores valores para DESP, ao passo que L61 × L75 (13,98 cm), L65 × L76 (14,55 cm) e L71 × P3 (13,95 cm) se destacaram para o caractere CESP, enquanto L65 × P3 (17,75 g), L71 × P3 (17,64 g) e L71 × P7 (17,57 g) sobressaíram-se para M100.

Figura 10 – Estimativas dos efeitos de (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere diâmetro de espiga (DESP) em mm. A condição hídrica WS está representada pela cor vermelha e a condição hídrica WW, pela cor verde.

46 Figura 11 – Estimativas dos efeitos de (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere comprimento de espiga (CESP) em cm. A condição hídrica WS está representada pela cor vermelha e a condição hídrica WW, pela cor verde.

47 Figura 12 – Estimativa dos efeitos de (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere massa de cem grãos (M100) em g. A condição hídrica WS está representada pela cor vermelha e a condição hídrica WW, pela cor verde.

6.4 Capacidades geral e específica de combinação e valores médios dos caracteres radiculares

Para o caractere ângulo de raiz de suporte (ARS) e ângulo de raiz da coroa (ARC), os genitores L61, L75 e L76 apresentaram estimativas positivas dos efeitos de CGC em ambas as condições hídricas (Figuras 13A e 14A). Em WS, pelas estimativas dos efeitos da CEC, as combinações com valores positivos para ARS foram L61 × L75, L63 × L76 e L71 × P7 (Figura 13B), enquanto para ARC foram L61

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× P6, L63 × L76, L71 × L76 e L75 × P3 (Figura 14B). Na condição WS, quando se observam as médias dos híbridos, verifica-se que as combinações L61 × L75 (64,17

°), L75 × P7 (63,33 °) e L71 × L76 (60,83 °) foram as que expressaram as maiores magnitudes para ARS (Figura 13C) e que as combinações híbridas L61 × L75 (73,33

°), L71 × L76 (71,67 °) e L75 × P7 (70,83 °) foram as mais proeminentes para ARC (Figura 14C).

Em condição WW, as combinações L61 × P6, L63 × L76, L75 × P7 e P2 × P7 apresentaram estimativas positivas dos efeitos de CEC para ARS (Figura 13B).

Destas, além de L61 × P6 e L63 × L76, que são comuns, L61 × P2, L71 × P7 e L75

× P3 foram as que também apresentaram estimativas positivas de CEC para ARC (Figura 14B). Para o caractere ARS, as maiores médias foram observadas nos híbridos L65 x L76 e P2 × P7 ambas com o mesmo valor de 61,67 ° (Figura 13C).

Para ARC as maiores médias foram expressas pelos híbridos L65 × L76 (71,67 °), L63 × L76 (69,17 °) e L75 × P3 (69,17 °).

49 Figura 13 – Estimativas dos efeitos de: (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere ângulo de raiz de suporte (ARS) em °. A condição hídrica WS está

49 Figura 13 – Estimativas dos efeitos de: (A) capacidade geral de combinação, (B) capacidade específica de combinação e (C) média geral dos híbridos para o caractere ângulo de raiz de suporte (ARS) em °. A condição hídrica WS está