Muito bem. Atendendo à convocação de vocês, que muito me honra, tomei a liberdade de recuperar algumas informações e episódios ocorridos na época da Revolução, na Academia Militar das Agulhas Negras, como testemunho de um Capitão instrutor, meu cargo na época. Procurarei abordar o assunto, inicialmen-te, fazendo algumas considerações sobre os antecedentes históricos. Observações minhas e que, sem falsa modéstia, acredito tenham valor, porque retratam o sen-timento de um oficial, ainda jovem, naquela quadra.
Começarei por 1961, quando ocorreu a renúncia de Jânio Quadros e o País passou a viver dias de muita intranqüilidade e incerteza. Intentavam implantar no País uma ideologia completamente divorciada da conduta livre e democrática que sempre caracterizou a vida do povo brasileiro. Eram empregadas técnicas que, já naquela ocasião, identificávamos como de guerra revolucionária. A infiltração subversiva se verificava em todos os campos do poder nacional. Não só no Poder Executivo, mas acontecia também no Legislativo, no Judiciário, bem como nos setores da indústria e outros de real importância para a vida econômica do País, principalmente na área de produção da energia.
Mesmo as Forças Armadas – aí englobamos Exército, Marinha, Aeronáutica – não ficaram livres dessa infiltração que a gente considerava deletéria, porque tumultuava, era provocativa e, sobretudo, antinacional. Creio que não podemos deixar de lembrar a sublevação de militares ocorrida em 1963, se não me engano, em setembro de 1963, em Brasília, quando o Supremo Tribunal Federal negou provimento à causa da elegibilidade de praças, mais uma tentativa, no campo político, de infiltração ideológica nas Forças Armadas. Nessa ocasião, o Supremo negou por contrariar um dispositivo constitucional. O resultado disso qual foi? Cerca de quatrocentos sargentos, particularmente da Marinha e da Aeronáutica, rebelaram-se na capital do País, de onde, na oportunidade, estranhamente, se ausentara o Presidente da República. São fatos extremamente marcantes, porque, na própria capital federal, ocorre uma sublevação de sargentos das Forças Arma-das e o Presidente da República encontra-se ausente.
Atos de indisciplina, de quebra da hierarquia, marcaram a série de motins de marinheiros e fuzileiros navais, estimulados pelo próprio Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, um Almirante que chegou a participar de passeatas carregado pelas ruas do Rio de Janeiro. Um almirante fardado conduzido nos braços de mari-nheiros rebelados. Então, fatos dessa natureza chocaram a sociedade, como tantos outros que viriam a acontecer mais tarde. Naquela ocasião, considerávamosque as Forças Armadas estavam sendo ofendidas no seu pundonor, nos seus valores mais tradicionais. Durante o comício da Central do Brasil, na primeira quinzena de março
de 1964, se não me engano no dia 13, foram empregados soldados do Exército para garantir a manifestação de anarquia e indisciplina, um exemplo deprimente de inversão de padrões hierárquicos e valores, principalmente da tradição castrense.
Nessa época, foi marcante a reação do Chefe do Estado-Maior do Exército, de saudosa memória, General-de-Exército Humberto de Alencar Castello Branco que, no dia 20 de março, através de circular dirigida aos subordinados, alertava sobre os perigos que rondavam as Forças Armadas, com o agravamento da situa-ção inconseqüente, e que se lançavam os círculos de menor graduasitua-ção contra os próprios chefes. Esse alerta do General Humberto de Alencar Castello Branco foi, seguramente, uma das grandes motivações de reação, não só do Exército, como das Forças Armadas, convictas de que havia uma liderança, segura e consciente da sua missão, diante de uma realidade, a ausência dos chefes, ou pelo menos sua escancarada omissão.
O descalabro, então, culminou com a assembléia no Automóvel Clube do Brasil quando o Presidente da República confraternizou “democraticamente” com as praças das Forças Armadas e das Polícias Militares, prometendo a esses grupos novas oportunidades de promoções e vantagens, o que naturalmente provocou a discórdia, a cizânia no seio das Forças Armadas e na própria Polícia Militar.
As reações surgiram através de sucessivas manifestações, tais como a posi-ção do Chefe do Estado-Maior do Exército e outros repetidos movimentos de pro-testo da sociedade civil. O mais tocante, porque espontâneo, foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade que mobilizou massas populares em diversas capitais estaduais, verdadeiras multidões que demonstravam sua aversão pelo que se passava e a opção pelas liberdades democráticas. Acredito que, nessa ocasião, os valores das Instituições e os sentimentos da maioria do povo brasileiro foram mais do que exaltados pela presença espontânea da grande massa, na via pública. Recordo-me de que esses movimentos foram noticiados pela mídia e causaram realmente um grande impacto em todos nós.
Na Academia Militar das Agulhas Negras, por exemplo, a gente sentia esse clima no ambiente de cadetes. Eram jovens sonhadores e idealistas, preocupados com a profissão e o futuro, mas que não deixavam de prestar atenção aos noti-ciários, na televisão, principalmente. Em Minas, o Governador Magalhães Pinto mantinha estreito contato com o General Mourão Filho e com outras autoridades civis e militares, que se articulavam para preparar o Movimento. Viu-se, depois, que foi acertado para eclodir no alvorecer do dia 31 de março de 1964. Esses acontecimentos – e eu dou meu testemunho com muita tranqüilidade – foram acompanhados dentro da Academia pelos Oficiais instrutores e pelos cadetes.
Sinteticamente, poderia descrever o ambiente que antecedeu o Movimen-to, da seguinte forma: no meio civil, circulava uma intensa propaganda de cunho ideológico, contrária à organização democrática de governo e favorável à adoção do socialismo sindical, com um governo popular em oposição às ditas elites do-minantes. Havia uma insegurança geral quanto aos rumos da política nacional, orientada por um Presidente da República que se solidarizava com a radicalização da política socialista de esquerda: com os incentivos às greves generalizadas; com as inversões de programas e planejamentos de governo nas áreas econômicas e sociais; atuando no meio sindical e empresarial, com promessas e ameaças, até, aos gestores; com uma ação política especial, como por exemplo, do extrema-mente atuante aliado político do João Goulart, Leonel Brizola, com a pregação diária e sistemática na Rádio Guaíba, lá do Sul, do Rio Grande do Sul, que era muito ouvida na periferia da Cidade do Rio de Janeiro. Leonel Brizola fazia suas pregações socialistas, de esquerda, inclusive eivadas de incentivos à violência.
A insatisfação popular era generalizada, muito embora contida pela forma-ção pacífica e tradicionalmente democrática da grande massa do nosso povo. Registre-se, também, de que crescia a radicalização política proveniente de insti-tuições, cujas lideranças não representavam, na realidade, os verdadeiros anseios da Nação brasileira. Lideranças que se encontravam à frente de organizações marcadamente importantes, inclusive nas Forças Armadas. Assinale-se, nessa épo-ca, também, as ameaças dos movimentos armados que se articulavam nas áreas mais pobres da Nação, desde o Nordeste até o extremo Sul do País, com as “Ligas Camponesas” e as propaladas iniciativas de Leonel Brizola que incentivava a cons-tituição dos “grupos dos onze”. Além de tudo isso, a participação oportunista de políticos e até do clero.
Constatava-se que a Nação ansiava pela reação de suas forças vivas, com vistas à harmonia política e a estabilidade do desenvolvimento: vontade de um povo ordeiro, tradicionalmente pacífico e solidário, que é o povo brasileiro.
Identificávamos, inequivocamente, no ambiente civil, uma confiança muito grande nas Forças Armadas, evidenciada, inclusive, pela insuspeita – e eu faço ques-tão de dizer isso – insuspeita articulação de lideranças civis no processo de desen-volvimento do Movimento revolucionário de 1964, a exemplo do que aconteceu em Minas Gerais, reunindo o Governador da época e a autoridade militar ali situada. Era ostensivo o repúdio que a sociedade devotava aos regimes totalitários vigentes nos países ditos socialistas ou comunistas da época. Isso no meio civil.
No meio militar, mais ou menos, se repetia esse mesmo quadro. Havia preo-cupação com os possíveis reflexos da insidiosa propaganda esquerdista no seio
das Forças Armadas, principalmente nos estabelecimentos de ensino de formação. Nós que nos encontrávamos na Academia, tínhamos toda a atenção voltada para a formação do cadete. Isso se verificava nas escolas de formação, na Escola de Aper-feiçoamento de Oficiais (EsAO) de onde eu viera, antes da Academia, e escolas de especialização, caso, por exemplo, da Escola de Comunicações.
Até me recordo de um fato que é muito interessante para ser lembrado. Havia um capitão, cujo nome era Monteiro, da Arma de Infantaria, turma de 1948, seguramente, o último da turma. Trabalhava com o General Punaro Bley e presen-ciou o quebra-quebra do jornal Binômio em Belo Horizonte, depois que um jorna-lista agredira o General. O grupo de oficiais que servia com o General empastelou o jornal. O Capitão Monteiro escreveu-me uma carta – nunca mais me esqueci disso – quando fui nomeado Instrutor da Academia. É importante para lembrar-nos do que ocorria no meio militar.
Escreveu na carta: “Dickens, muito cuidado na orientação dos nossos cade-tes. Não sou o mais recomendado para aconselhá-lo, pois sou dos últimos da minha turma, mas possuo valores éticos, como militar, e queria lembrá-lo de que aAMAN, hoje, está buscando, não porque ela o queira, mas por conseqüência da situação, seus candidatos a oficiais até nas favelas do Rio de Janeiro. Então vocês precisam ter muito cuidado na formação desses moços e na sua orientação, por-que o dia em por-que a favela descer, ninguém segura mais este País, em termos de ordem.” Isso me marcou muito naquela ocasião e fui buscar orientação na Seção Psicotécnica da Academia para fazer uma análise do Corpo de Cadetes. Esse fato, estou lembrando porque estamos falando de 1964…
O que está acontecendo no Rio de Janeiro hoje? A favela desceu, a pobreza não assistida resultou no que estamos presenciando em termos de violência. Mas apenas para lembrar, nesses detalhes, a importância de um conceito emitido por um idealista, naquela época – esse rapaz já faleceu há muitos anos. Morreu, não era Major ainda.
No meio militar, podemos, ainda, destacar, havia ação segura e cuidadosa na difusão de informações sobre o que se passava, inclusive as técnicas e proces-sos das atividades subversivas que ocorriam em todo o País. Tais ações nos leva-vam aos idos de 1935, quando utilizaram as mesmas iniciativas e condutas no seio das Forças Armadas.
Foram, então, desenvolvidas palestras e selecionados temas curriculares sobre o Movimento Comunista Internacional (MCI), desde as suas origens, o cará-ter ideológico, os objetivos, técnicas e táticas de convencimento e aglutinação, formação de quadros de liderança e tudo mais. Presentes a essas conferências e
palestras, também delas participávamos, levando aos subordinados – no caso do nível de cadetes – todas as informações.
Havia forte evidência de infiltração ideológica no meio militar, como nos movimentos de insurgência dos sargentos. A insegurança era muito grande quan-to ao posicionamenquan-to de algumas chefias militares nas decisões de cunho políti-co, como o possível emprego das forças militares na iminência de uma ação con-trária ao Movimento Comunista Internacional.
De qualquer forma, no meio militar havia repúdio ao Movimento Comunista Internacional e, como conseqüência, grande preocupação quanto à posição dema-gógica do Presidente da República, João Goulart, na condução dos destinos do nosso País. Mais ainda, e principalmente, com o seu aliado político, Leonel Brizola, voltado para a pregação subversiva constante e clara, no incentivo à criação dos “grupos dos onze”; com as “Ligas Camponesas”, sob a liderança de Francisco Julião; e com o apoio de oportunistas e de parte do clero esquerdista. Esse era o quadro, vamos dizer, sintético.
Agora, gostaria de abordar os acontecimentos na Academia Militar das Agu-lhas Negras (AMAN). Comecemos por 1963. Terminara o Curso de Aperfeiçoamento, em 1962, juntamente com um outro oficial de Artilharia, Etualpe José Fonseca Duarte, também General, hoje na reserva. Fomos convidados, ainda durante o curso da EsAO, para sermos instrutores do Curso de Artilharia da AMAN, pelo Instrutor-Chefe da época, o então Major José Maria Toledo de Camargo, mais tarde General e assessor de relações públicas, na época do Presidente Geisel, na Presidência da República.
Nesse ano de 1963, no Curso de Artilharia, desenvolvemos um trabalho gigantesco. Sob a liderança destacada do Major José Maria Toledo de Camargo, oficial brilhante, inteligentíssimo, dotado de uma capacidade de trabalho extra-ordinária, fizemos a reestruturação completa dos currículos de instrução, parti-cularmente da instrução técnica, da qual eu era o responsável.
A instrução técnica de direção de tiro mudou, totalmente, em 1962, na EsAO. Uma evolução que se processou após o retorno de oficiais aperfeiçoados nos Estados Unidos, designados instrutores da EsAO. Alterou-se totalmente o sistema de direção de tiro. Por isso, a necessidade de promover a atualização dos instrutores do Curso de Artilharia da AMAN, para o desenvolvimento do ano letivo. Foi uma missão grandiosa. Em dois meses, preparar, praticamente, uma revisão curricular total e com a introdução de um sistema novo de direção de tiro. Os antigos instru-tores que encontramos – tenentes – reagiam. Era normal. Com as aulas já prepara-das, tinham que modificar tudo. Houve um trabalho intenso e simultâneo com atualização e modernização dos currículos.
Em paralelo, o Comando da Academia e o Comando de Corpo de Cadetes faziam realizar palestras relativas à Guerra Revolucionária, sobre a atuação do Movimento Comunista Internacional e suas técnicas, difundiam relatórios de cará-ter reservado, relatórios de informações que nos proporcionavam o quadro geral da situação no País, isso em 1963. Na verdade, acompanhávamos o evoluir da situação vigente no ambiente nacional.
O ano terminou, um trabalho intenso, mas regular. Recebemos, então, nova leva de instrutores a preparar para o ano de 1964, renovação que atingiu dois terços dos instrutores do Curso, e fomos surpreendidos com a indicação do nosso Instrutor-Chefe, o Major Toledo de Camargo, para realizar um curso no exterior – ele foi mandado para França – e nós ficamos órfãos do competente instrutor-chefe. Então, com todas essas implicações, dois terços de instrutores novos, tive-mos que refazer o mesmo trabalho realizado em 1963, para orientar os tenentes que não conheciam as novas técnicas… Dessa forma, repetimos a tarefa pesada.
Chegamos a 1964 com esse quadro. Cadetes de uma turma – e volto àquele ponto inicial – sob desconfiança, por suas origens. Foram desenvolvidas investi-gações de caráter psicológico, através da seção competente, na AMAN. Aproveito para lembrar a atuação de um companheiro de turma que exerceu influência mui-to grande nesse procedimenmui-to, mais tarde General, Antônio Carlos Bittencourt de Andrade. Fomos aspirantes na mesma Unidade, em Juiz de Fora, onde começamos a lide castrense como oficiais. O Bittencourt, a quem substituí na AMAN, me alertara também sobre esse problema ligado às origens do nosso pessoal – dos cadetes – e foi garimpando as informações que começamos a melhor observar o comportamento e a realidade, a vontade desses moços de serem oficiais, bem como suas crenças. Tivemos algumas surpresas, mas não de modo a caracterizá-los como elementos voltados para a esquerda, muito pelo contrário. Nós os víamos, sim, penalizados pelas dificuldades de vida, nascidos em famílias extremamente carentes, mas que mostravam um entusiasmo muito grande para superar os obstá-culos. E foi sob tal enfoque, nessa fase, que encontramos a motivação para desper-tar naqueles moços os verdadeiros valores que sempre temos defendido. Como disse, o ano letivo teve início com uma equipe nova de instrutores. O Instrutor-Chefe interino era o Capitão Haroldo Ferreira Dias, um paranaense de boa cepa que acumulava as funções de S3 no Curso de Artilharia. O Capitão Haroldo pertencia a uma turma antes da minha, era mais antigo, então coube a ele ficar como chefe. No dia 31 de março, o Curso de Artilharia encontrava-se de sobreaviso. Nesse mesmo dia, casava-se um tenente do Curso de Cavalaria, se não me engano o Flávio Acauan Souto, com a filha de um coronel professor. A maior parte dos
oficiais estava voltada para o casamento do Tenente Souto e a outra parte, de “molho”, aguardando o que pudesse acontecer.
Conhecidos o manifesto de Minas Gerais e a posição assumida pelo General Mourão Filho, imediatamente acorremos aos Parques e colocamos os cadetes em ordem de marcha, prontos. Como mineiro não abri mão de me aliar às tropas de Minas Gerais. Tive o desplante de, acompanhado de outros oficiais, como Geise Ferrari, Raphael Cittadino de São Paulo e Antônio Mendes Ribeiro, dirigir-me ao Corpo de Cadetes para saber a posição do Comandante do Corpo de Cadetes e do Comandante da Academia. Queríamos saber! Estávamos dispostos, se não recebês-semos uma resposta em tempo, a sair e levar conosco aqueles com quem tínhamos certeza de contar, os cadetes inclusive, para galgar a Serra de Itatiaia em direção a Minas Gerais. Sem falsa modéstia, tivemos a coragem de chegar lá e dizer isso. O Comandante do Corpo de Cadetes era uma alma extraordinária. Ouviu-nos com a maior serenidade e respondeu: “Vocês se acalmem, retornem aos Parques, que daremos solução em trinta ou quarenta minutos.” E, realmente, o Coronel Moacyr Barcellos Potyguara, mais tarde General-de-Exército, dirigiu-se ao comando da Academia e retornou acompanhado do Subcomandante, o então Coronel Antônio Jorge Corrêa, e informou que o General Médici havia decidido empregar uma tropa da Academia, constituída pelos oficiais e seus cadetes, além do Batalhão de Comando de Serviços, que já estava de prontidão.
É preciso que a gente, também, esclareça o seguinte: por que aquela ânsia? Estávamos vivendo, a essa altura, o dia 1o de abril. Já havia notícia da situação em Minas Gerais. Os contatos realizados, no Corpo de Cadetes, e a decisão do Coman-dante da Academia, praticamente, nos davam a motivação verdadeiramente patrió-tica para efetivar aquele anseio de reação que não apenas sentíamos, mas existia no meio de oficiais, cadetes e no meio civil, também. Os noticiários das estações de rádio e de televisão eram acompanhados, acarretando a incerteza e a preocu-pação para oficiais e cadetes, já organizados em grupos operacionais, levando-os a tomar as primeiras iniciativas.
De pronto foi empregada uma tropa chamada de ponta, formada pelo Curso de Cavalaria, sob a liderança do Major Ernani Jorge Corrêa, irmão do Antônio Jorge Corrêa, o Subcomandante da Academia. O Major era o Instrutor-Chefe do Curso. O Curso de Cavalaria, ponta do grupamento, dirigiu-se até a região das mais altas elevações de Barra Mansa, seu primeiro destino. Planejou-se, e depois efeti-vou-se o lançamento do segundo escalão, o Curso de Infantaria, sob o comando do Capitão Geise Ferrari – também órfão de Instrutor-Chefe: o Coronel Harry Schnarndorf fora designado para tirar o curso de Estado-Maior na Alemanha. Ele e
o ex-Instrutor-Chefe de Artilharia, o Major Camargo, já estavam no Rio, nessa época. Por isso, os Cursos de Artilharia e de Infantaria estavam nas mãos de capi-tães. Com muita honra para os capitães, sem dúvida.
Pois bem, o segundo grupamento seria o de Infantaria que deveria assumir uma posição defensiva um pouco mais atrás, na região do Ribeirão da Divisa, região essa que depois foi mudada, quando o Curso de Infantaria a atingiu. Ficou resolvido que ele se lançasse mais à frente, até as alturas de Barra Mansa. E o terceiro grupamento, comandado por mim, Capitão Dickens Ferraz na época, era formado por uma Bateria de Obuses 105 milímetros que tinha por missão apoiar a posição defensiva.
O General Médici havia decidido estabelecer a posição defensiva até que as forças de São Paulo chegassem à região de Resende. Sua decisão foi tomada após ligar-se, imediatamente, com o General Amaury Kruel, e ter recebido informações – depois soubemos – do General Âncora, no Rio de Janeiro, de que tropas do I Exército estavam se deslocando na direção de São Paulo. Já que ficaria no meio