A RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL E A SUA LIMITAÇÃO NO DIREITO EMPRESARIAL
4 3 GENERALIDAD ES ASPEC TOS D OUTRINÁRIOS.
A sociedade unipessoal é u ma estrutura legal pela qual é possível que o e mpresário individual exerça atividade econômica revestido de uma for ma que não a típica fir ma individual.
O D ireito Empresarial paulatinamente se encarregou de proporcionar ao e mpresário diversos mecanis mos para o desenvolvimento das atividades mercantis, ressaltando-se nesse contexto os contratos de sociedade, que podem assumir diversas modalidades.
U m tipo societário interessante ao empr esário individual é aquele viável de ser composto por apenas uma única pessoa. São as cha madas sociedades unipessoais.
S em dúvida, a presença de um instrumento técnico que possibilite à pessoa física dirigir e administrar sua própria empr esa, se m os perigos da responsabilidade patrimonial ilimitada, é uma necessidade i mposta pela prática.
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Todavia, alguns ordenamentos admitem esta situação de forma transitória, ou seja, impondo a recomposição pessoal em um período determinado.
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A disparidade latente ex istente entre o e mpresário individ ual q ue se encontra nu ma posição de desv antagem e m relação ao empr esário coletivo que, associado sob quaisqu er d as formas sociais co m responsabilidade limitada, pode manter in cólume seu patrimônio pessoal, não obstante, os riscos da atividade de ambos serem si milares, é um justo e fundado argu mento para a utilização d e u m mecanismo dif erenciado por parte do empresário unipessoal.
D iante d as considerações, verifica mos que a consag ração da sociedade unipessoal responde a fundamentos d e conveniências práticas, qu e, contudo, tê m levad o à refor mulação de conceito s relativos à p ersonalidade e à n atureza jurídica do contrato de sociedade co m o intuito d e adaptá-los às n ovas tendências.
A na P iagg i, ao fazer referência às caracter ísticas da sociedade unipessoal, pr eceitua: N ã o s e t r a t a d e u m n ov o t i po s oc i e t á r i o , s o me nt e de u ma e s t r u t ur a c or po r a t iv a c o m r e gi m e or gâ n i c o p e c u l i a r , e m c u j a vi r t ud e se a p l i c a m t o d a s a s d i s po s i ç õ e s d o r e g i me n a s r e l a ç õe s e xt e r na s , e i nt e r na me n t e a l g u ma s d e l a s se v e r ã o mo d i f i c a d a s a o n ã o e x i s ti r p l ur a li d a de de s óc i os76.
A sociedade unipessoal implica a consagração de um modelo organizativo de empresa, alternativo aos distintos tipos sociais. N ão é se m justificativa que o modelo vem sendo adotado por diversos países, visto que
76 Ana Isabel Piaggi de Vanossi. Estudios sobre la sociedad unipersonal. Buenos Aires Argentina: Depalma,
1997, p. 11. No se trata un nuevo tipo societario, solo de una estructura corporativa con régimen orgánico peculiar, en cuya virtud se aplican todas las disposiciones del régimen en las relaciones externas, e internamente algunas de ellas se verán modificadas al no existir pluralidad de socios.
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de fato apresenta-se co mo u m meio útil n o exercício da atividade eco nô mica individual77.
Esta classe de sociedade, apesar de sua difusão e aplicação no D ireito Comparado, é uma instituição e m constante contradição co m as noções clássicas relativas à matéria.
S enão veja mos:
A r t . 9 81 d o C ó di g o C i v i l . C e le br a m c o n t r at o de s oc i e da d e as
pe s s o as q u e r e c i p ro c a m e n t e se o b ri g a m a c o nt r i b u i r , c o m be n s o u s e r v i ç o s , p ar a o e x e r c í c i o d e at i v ida d e e c o nô m i c a e a pa r t i l ha , e nt r e s i , do s r e s ul t a d os .
E mbora o dispositivo citado integre o Direito Civil pátrio, o conceito de sociedade não é diferente em outros ordenamentos e muito menos na teoria geral dos contratos.
F azendo uma anális e perfunctória do conceito legal, percebemos, sem grandes dificuldades, algumas características inerentes ao tipo contratual, dentre as quais a necessidade da pluralidade de partes na constituição da sociedade. Assim, não celebraria contrato de sociedade uma única pessoa, sendo inconcebível, em tese, a sociedade unipessoal.
77 Nesse sentido podemos verificar as discussões acerca da matéria na exposição de motivos da Lei Espanhola nº.
2/1995 de 23 de março de 1995, que assim se expressa: IV. Uno de los aspectos más delicados de la reforma es el relativo a la sociedad unipersonal. En esta materia se han enfrentado tradicionalmente dos concepciones radicalmente diferentes: para algunos, la sociedad unipersonal, sea originaria o sobrevenida, únicamente debe ser cauce jurídico para las exigencias de la pequeña y mediana empresa. Para otros, por el contrato, la admisibilidad general de la sociedad unipersonal no es otra cosa sino un homenaje a la sinceridad de que todo legislador debe hacer gala cuando advierte un divorcio entra la realidad y el derecho legislado para utilizar las conocidas palabras de la Exposición de Motivos de la Ley de 1951-, de moda tal que el nuevo derecho, a juicio de esta segunda corriente, no solo debe admitir y regular la sociedad unipersonal de responsabilidad limitada, sino también la sociedad anónima unipersonal, la cual debería adquirir carta de naturaleza en la propia Ley, convirtiendo en regla la excepción que hoy contiene la Ley de Sociedades Anónimas para las de carácter público Revista Noticias Jurídicas. 2000. Ley de sociedades de responsabilidad limitada. http://www.noticias.juridicas.com/lec/privado/12-1995.html, p. 7
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Contudo, é impo rtante salien tar que, não obstante as considerações gerais relativas ao te ma, a presença deste tipo legal é autorizada e m vário s países. No Brasil, emb ora o código civil defina o contrato de so ciedad e co mo a reunião de pessoas, o tipo unipessoal surge em d u as situações.
Primeiro, e mais antiga é a previsão da Lei das Sociedades por A ções, que a admite atrav és da subsidiária integral e nos casos de unipessoalidade su perveniente. Nu m segundo mo mento, o tipo surge no código civil quan do deter min a às limitad as u m lapso temporal de 1 80 dias para reconstituição da pluralidade de sócios, sob pena de dissolução.
A r t . 10 3 3 do C ód i g o C i v i l :
D i s so l v e -s e a s oc i e da de qu a n d o o c o r r e r : ( . . . )
I V a f a lt a d e p l ur a l i da de d e s óc i os , n ã o r e c o n st i t u í da no pr a z o de 1 80 ( c e nt o e oi t e nt a ) d ia s .
Reconhecida é, p ortanto, a sua existência e sua utilidade diante das necessidades d os empr esários e das ativid ades eco nô micas, o que não imped e que seja freqüentemente objeto de amplas discussões.
A qui no Brasil, a f igura da sociedade u nipessoal sempre foi co mbatida pela doutrina, o que, contudo não significa que ten ha sido banida do ordenamento.
N esse sentido temos o co mentário de Lamartine Correia:
( . . . ) a tr a d i ç ã o de n os s a d o u t r i n a s e mpr e s e or i e n t ou no se nt i d o d a i n a d mi s s i bi l i d a d e d a s oc i e da d e u n i pe s s o a l , q ue r or i gi n á r i a , qu e r s u pe r v e ni e nt e , no c a mpo da s s oc i e da de s d e
77 pe s s o a s , a t e n d e nd o - s e a u ma d úp l i c e f un d a me nt a ç ã o: o c a r á t e r c on t r a t ua l do a t o j ur í di c o d e c o n st i t u i ç ã o e a f u nd a me n t a l r e j e i ç ã o, p or n os s o s i s t e ma j u r í d i c o , d a po s si b i l id a de d e e xi s t ê n c i a d e e mp r e s á r i os i nd i v i du a i s a t ua n d o c o m l i mi t a ç ã o de r e s p on s a bi l i d a d e . E s t e ú l t i mo a r gu me n t o é f u nd a me nt a l , pa r a a do ut r i na d o mi n a nt e , n o c a so da s s oc i e da de s p o r q uo t a s de r e s po n s a b i l i d a de l i mi t a d a c o ns i d e r a d a s oc i e da de d e pe s s o a s78.
Q ue a doutrina pátria rejeita a sociedade unipessoal não há o que discutir. Rejeição que, contudo, não a torna inexistente, posto que, sua previsão, embora, especialíssima é direito posto. Poré m, sua utilização restringe-se a situações específicas, assim co mo atende a finalidades be m definidas que justifica m seu caráter de excepcionalidade79.
É preciso també m considerar que como instrumento que operacionaliza uma finalidade, mais do que propriamente um novo tipo legal, a sociedade unipessoal pode externar- se sob duas modalidades: podemos ter a sociedade anônima unipessoal e a sociedade unipessoal de responsabilidade limitada.
4. 4. A SOCIEDAD E UNIPESSOA L E A DIRETIVA DA COMUN IDAD E