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Geologia

No documento Controle das Cheias (páginas 55-62)

A bacia hidrográfica do rio Atuba é formada por rochas metamórficas do Grupo Açungui de idade pré-cambriana, correspondente aos mármores, filitos, quartzitos e pelas rochas do Complexo Migmatítico - Gnáissico, cortadas por diques de rochas básicas intrusivas de idade Mesozóica. Na área, são verificados também depósitos recentes ao longo das margens dos rios principais, constituídos pelos terrenos aluvionais e coluvionares do quaternário-terciário.

Com suas nascentes localizadas na região Serrana do Grupo Açungui e seguindo em direção à Bacia Sedimentar de Curitiba, o rio Atuba percorre trechos de migmatitos, penetrando mais adiante na Formação Guabirotuba e na região de aluviões e colúvios do Holoceno, onde deságua no rio Iguaçu.

No estudo Geológico Geotécnico da Região do Alto Iguaçu a MINENOPAR &

COMEC (1994), elaboram a cartografia geológica da região, dividindo a área em diversas unidades geológicas distintas, contendo a seguinte legenda:

Sedimentos Recentes

QHi – Aluviões Atuais: sedimentos areno síltico argilosos depositados em ambientes fluviais. Camadas dessimétricas a métricas de cascalhos arenosos e áreas de granulometria média a grossa, com seixos subangulosos a subarredondados de quartzo, intercalados com argilas plásticas de cor cinza.

Qhe – Terraços Aluvionares – sedimentos areno – síltico – argilosos, depositados em ambientes fluviais, situados em posição topograficamente elevada em relação aos aluviões atuais.

Formação Guabirotuba

Qpga – Sedimentos argilosos de cor cinza a cinza – esverdeado, com grânulos de quartzo e feldspato intercalados com lentes centimétricas a métricas de arcósios granulometria média a grossa. Nos arcósios são presentes a estratificação cruzada tangencial na base e estruturas de corte e preenchimento.

QPgb – Sedimentos argilosos de cor cinza a cinza esverdeado com grânulos de quartzo e feldspato. Ocorrem raras intercalações de lentes de arcósios. Estes sedimentos são interpretados como deposição em ambientes de leque mais distal. Localmente nas zonas basais foram encontrados sedimentos arenosos com estratificação cruzada tangencial na base.

Complexo Gnáissico – Migmatítico

CGM - Gnaisses anfibolíticos em quartzo feldspáticos localmente migmatizados com intercalações de anfibolitos, metamáficas e metaultramáfica.

Como o mapeamento realizado pela MINENOPAR & COMEC (1994), abrange, somente, parte das folhas topográficas A-104, A-105 e A-108 da COMEC 1976, não recobrindo a porção oriental da bacia hidrográfica do rio Atuba, neste trabalho optou-se pelo mapeamento e divisão litológica apresentado por SALAMUNI (1998) sendo a área em estudo dividida em 4 unidades geologicamente distintas, ilustradas na Figura 3 e descritas a seguir:

FIGURA 3 - GEOLOGIA DA ÁREA DE ESTUDO – BACIA DO RIO ATUBA.

a) Complexo Migmatítico - Gnáissico

Ocorre na porção do alto ao médio curso da bacia do Rio Atuba, mantendo contato com o Grupo Açungui e Formação Guabirotuba.

Suas principais litológias são os gnaisses-granodioritos migmatizados e gnaisses-granitos migmatizados do Proterozóico Inferior.

O Complexo Migmatítico Gnáissico conforme LOPES (1966), é constituído de embrechitos e embrechitos epibólicos, com faixas de rochas embrechíticas alternadas com faixas de material quartzo-feldspáticas, ou seja, são rochas heterogêneas compostas de porções de rochas cristalofilanas feldspátizadas, alternadas com lentes de quartzo feldspáticos. Possuem uma granulação variável podendo ir desde grosseira nas fácies pegmatóides, até muito finas.

b) Grupo Açungui

Aparece no extremo norte da área em estudo, tendo como principais ocorrências litológicas os mármores, filitos e quartzitos datados do Proterozóico Superior.

Conforme LOPES (1966), os filitos apresentam uma coloração esverdeada, podendo ser castanhos, cinza-esverdeados, cinza claros e avermelhados. São rochas muito folheadas, de brilho sedoso, com granulação fina e textura granoblastica e xistosa.

Os quartzitos são rochas ricas em minerais de quartzo, sendo comum a presença de fraturas devido a sua grande competência que, muitas vezes são preenchidas por sílica remobilizada. Além dos quartzitos ricos em minerais de quartzo, temos os intermediários, como os quartzitos xistosos, xistos quartziticos, quartzitos calcários e outros (LOPES, 1966).

Na região de domínio do Grupo Açungui são encontradas algumas elevações com rochas mais resistentes, sobressaindo o nível geral do Planalto que originam formas de relevo em hog-backs, dispostos segundo as direções dos dobramentos.

Esses hog-backs são constituídos por quartzitos, devido a sua maior resistência, formando cristas mais altas e alongadas (espigões alongados) com direção NE-SW, além de “inselbergs” locais.

O grupo Açungui encontra-se intrudido por diques de diabásios, direcionados para noroeste. A idade das intrusões dos diques de diabásio é Jurássico-Cretáceo, com direção N40ºW a N60ºW, com algumas variações (LOPES, 1966).

c) Bacia Sedimentar de Curitiba

A Bacia Sedimentar de Curitiba compreende a Formação Guabirotuba e sedimentos mais recentes colúvio-aluvionares do Holoceno, depositados pelo rio Iguaçu e seus tributários. As suas formações e unidades geológicas estão depositadas sobre rochas cristalinas do Complexo Atuba.

De acordo com SALAMUNI (1998), a coluna estratigráfica da Bacia de Curitiba pode ser descrita a partir dos depósitos mais recentes do Quaternário superior e Holoceno, aos mais antigos do Proterozóico Inferior ao Arqueano do complexo Atuba, como apresentados na Tabela 11.

TABELA 11 - COLUNA ESTRATIGRÁFICA DA BACIA DE CURITIBA.

IDADE UNIDADES GEOLÒGICAS

Quaternário (superior) – Holoceno. Aluviões e depósitos coluvionares secundários.

Quaternário (inferior) – Pleistoceno a

Holoceno. Formação Tinguis.

Terciário (médio a superior)- Mioceno

a Plioceno. Formação Guabirotuba.

Jurássico – Cretáceo. Formação Serra Geral.

Proterozóico superior a Cambriano. Maciços graníticos da Serra do Mar.

Proterozóico superior. Grupo Açungui (Formação Capiru).

Proterozóico inferior a Arqueano. Complexo Atuba (Complexo Costeiro redefinido).

Fonte: SALAMUNI (1998).

Formação Guabirotuba

Composta por diversos tipos de sedimentos como argilas (argilitos), arcósios e areias finas, a Formação Guabirotuba aparece na porção do médio ao baixo curso da bacia do rio Atuba. Sua espessura média é calculada em torno de 40 m, variando desde 1 m até o máximo de 80 m.

Segundo SALAMUNI (1998) as maiores espessuras estão localizadas na porção central e centro-sudeste da bacia de Curitiba, onde estão situadas as depressões que formam a calha principal da mesma, e as menores espessuras encontram-se nas suas bordas.

BECKER (1982) subdividiu a Formação Guabirotuba, sugerindo a denominação de Formação Tinguis para a porção superior deste pacote sedimentar, ratificando as observações de BIGARELLA.

A Formação Tinguis é definida como o retrabalhamento dos sedimentos arenosos, arcosianos e síltico-argilosos, da própria Formação Guabirotuba, sendo estes intemperizados em clima semi-árido.

A MINENOPAR & COMEC (1994) dividem a Formação Guabirotuba em duas subunidades. A primeira apresenta sedimentos argilosos de cor cinza, com porcentagem variável de grânulos de quartzo e feldspato, com ocorrência subordinadas de níveis de arcósios. Esta subunidade (QPgb) está geralmente relacionada com níveis topográficos inferiores.

A segunda subunidade (Qpga) é composta por sedimentos argilosos com freqüentes intercalações de arcósios. Normalmente esta subunidade é encontrada nos níveis topográficos mais elevados. Estas intercalações ocorrem na escala centimétrica.

Quanto à distribuição faciológica os sedimentos mais grossos, encontram-se depositados na porção leste da bacia, ou seja, próximos às encostas da Serra do Mar. Em contrapartida, os sedimentos mais finos estão posicionados mais a oeste, ou seja, na área urbana de Curitiba, a norte e a sul e em menor parte, a oeste da maior concentração urbana (SALAMUNI, 1998).

d) Sedimentos Colúvio-Aluvionares do Holoceno

Aparecendo a jusante da bacia do rio Atuba, ao longo do rio principal, esta unidade é composta por terrenos arenosos e siltíticos, com pouca freqüência de camadas argilosas.

Nas áreas de várzeas salientam-se camadas de argilas turfosas, com quantidades variáveis de matéria orgânica. Estes sedimentos estão dispostos em fraca discordância sobre as rochas do Complexo Cristalino (BIGARELLA et al.,2003).

Segundo a MINENOPAR & COMEC (1994) os sedimentos aluvionares recentes estão representados por depósitos assentados sobre o embasamento gnáissico – migmatitico. Os sedimentos são compostos de cascalhos arenosos, com seixos subarredondados e subangulosos de quartzo. Nos níveis superiores ocorrem camadas de argilas plásticas de cor cinza. Os depósitos aluvionares são capeados por solos hidromórficos com espessura de cerca de 1,0 m. A espessura média total dos depósitos aluvionares atingem 5,0 m. Em diversos locais foram reconhecidos depósitos de origem aluvionar situados em nível mais elevado que os aluviões, englobados sob a denominação genérica de terraços.

No documento Controle das Cheias (páginas 55-62)