Os acidentes de trânsito, além de causar danos pessoais, influenciam diretamente nos gastos públicos de saúde, assistência social e segurança. Com a implantação de métodos que permitem a identificação das maiores causas e dos locais em que estes acidentes acontecem, e ainda a definição dos principais indicadores acerca dos acidentes, podem ser desenvolvidas ações que resultem na melhoria do fluxo viário e na diminuição dos acidentes.
A inexistência de georreferenciamento de dados de acidentes de trânsito no município analisado, dificulta o mapeamento desses locais, em consequência, as estratégias de intervenção através de investimentos e ações do poder público podem ser comprometidas e/ou equivocadas, evidenciando a importância da captação e tratamento de dados como endereço, tipo de acidente, danos causados, possíveis motivos que causaram o acidente, número de vítimas, severidade dos acidentes e tipo de acidente.
Barcellos et al. (2008) definem georreferenciamento como o processo de associação dos dados coletados. O resultado desse processo é a criação de elementos gráficos que podem ser utilizados para a análise desses dados, bem como a capacidade de integração de diversas operações como captura, armazenamento, manipulação, seleção e busca de informação, análise e apresentação de dados. Além disso, auxilia no processo de entendimento da ocorrência de fatos, eventos, suas tendências, simulação de situações, planejamento e definição de estratégias na solução de problemas e indicação de alternativas para melhorias de infraestrutura.
Buscando identificar os pontos de concentração de acidentes Levine et al. (1999) destacam que, muitas vezes, o relatório policial não contempla pontos de referência e proximidade com cruzamentos ou ruas transversais, dificultando a localização exata do ocorrido, e consequentemente, impossibilitando a analise espacial do ocorrido, ou gerando dados imprecisos.
O geoprocessamento é definido como um conjunto de tecnologias voltadas para a coleta e o tratamento de informações espaciais com determinado objetivo, executadas por sistemas específicos para cada aplicação, sistemas empregados para avaliação em diversas áreas: ambiental, planejamento urbano, meteorologia, saúde, trânsito, dentre outros campos de aplicação. (BARCELLOS et al., 2008, p. 60)
Já para Filho e Stassun (2012), geoprocessamento é definido como um sistema de coleta e tratamento de informações espaciais e cartográficas interpoladas com dados estatísticos junto a um software que processa esses dados, o Sistema de Informação Geográfica (SIG), que permite coletar e cruzar informações para expor determinada situação das políticas públicas ou características de um município, transformando esses dados em tomada de decisão legal, administrativa e econômica, assim como para as atividades de planejamento.
Trata-se de uma tecnologia que cada vez mais amplia seu espaço de utilização, particularmente nas prefeituras, onde sua aplicação pode atingir as áreas mais diversas, dentre elas, o gerenciamento de sistemas de transporte.
Nos últimos anos, a tecnologia tem evoluído em um processo acelerado em diversos segmentos, a exemplo disso, a tecnologia do “Google Earth” é investida em um tipo de processamento que integra mapas aéreos em uma rede de informações organizada, sendo que, desde 2005, as fotos de satélite de alta resolução do “Google Earth” possibilitaram a qualquer pessoa visualizar o espaço de sua cidade, bairro e casa por meio do acesso à internet, conforme disposto por Filho e Stassun (2012). Este dispositivo é utilizado como objeto e método de análise para o mercado de informações e pelo acesso ilimitado dos dados e do aumento da precisão das aplicações.
O georreferenciamento de um mapa, ou qualquer outra forma de informação geográfica, é tornar suas coordenadas conhecidas num dado sistema de referência, como definido por Paixão e Komati (2012). Este processo pode ser iniciado com a obtenção das coordenadas do local a que se pretende georreferenciar, conhecidos como pontos de controle, que oferecem uma feição física identificável. A obtenção das coordenadas dos pontos de
controle pode ser realizada em campo através de levantamentos topográficos, ou pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS) ou ainda por meio de mesas digitalizadoras. No caso do projeto proposto, será utilizado o GPS do próprio dispositivo móvel usado para acessar o sistema informatizado, identificando os pontos de latitude e longitude do local da ocorrência.
O desenvolvimento de sistemas integrados de geoprocessamento, segundo Meinberg (2013), tem história relativamente recente e ainda depende de um conjunto de bases tecnológicas e metodológicas em fase de implementação nos diversos setores. Os últimos anos vêm sendo marcados pela crescente disponibilidade e facilidade de acesso e análise de dados mediante sistemas computacionais simples. Os dados podem ser armazenados em diversos sistemas de informações gerados no nível local e repassados às entidades de gestão. Nesses setores, a captação dos dados e o correto preenchimento dos campos dos formulários desses sistemas de informações são essenciais para que se tenham os dados necessários para a análise e execução de melhorias.
Para Paixão e Komati (2012), o desenvolvimento de ações de georreferenciamento de dados, deve considerar: disponibilidade de bases de dados; aperfeiçoamento de programas computacionais; desenvolvimento tecnológico e capacitação de pessoal. Esses itens são inter- relacionados e cada solução tecnológica pode ter reflexos sobre os programas e exigir um redirecionamento das iniciativas de capacitação. As soluções para a democratização desse conjunto de ferramentas são integradas e exigem a coordenação de esforços entre os setores envolvidos.
Para que os dados gerados pelos sistemas de informações sejam mapeados, os eventos de acidentes, por exemplo, devem ser relacionados a um conjunto de objetos geográficos ou unidades espaciais previamente construídas, como bairros, setores, lotes ou trechos de logradouros, como destaca França et al. (2011).
Assim, para este mesmo autor, um dos primeiros passos para o georreferenciamento de dados no trânsito das cidades é o reconhecimento do mapa urbano existente nelas, para isso os sistemas de informação devem coletar e armazenar dados de endereço compatíveis com essa estrutura de dados mapeados. Ao longo do processo de georreferenciamento, diversas decisões são tomadas, tais como a escolha de uma unidade espacial de referência, a solução de alguma incoerência ou complementação de endereço incompleto ou, ainda, a aproximação de sua numeração. Essas decisões afetam a disposição final dos eventos sobre a base cartográfica e, por conseguinte, os possíveis resultados da análise espacial desses eventos.
Queiroz (2003) pondera que simplesmente georreferenciar acidentes não é suficiente para extrair o máximo de informações possíveis. É necessário que o uso das informações possa estabelecer uma relação entre as diferentes características do espaço urbano com diversas caracterizações dos acidentes, identificando locais críticos de acidentes e sugerindo a correlação entre os fatores causadores destes eventos.
Já para França et al. (2011), é de extrema importância a melhoria na produção de estatísticas, das causas e dos locais de acidentes, com maior compartilhamento de informações das diversas unidades responsáveis pela administração do trânsito urbano, pois a maioria dessas unidades mantém seus próprios dados e diferentes padrões na coleta de informações. É importante centralizar as informações coletadas, automatizar o processo para coletar e extrair informações, garantir segurança, confiabilidade e integração entre as entidades colaboradoras que devem alimentar o sistema e utilizar ou fornecer informações das ocorrências, garantindo um gerenciamento adequado e proporcionando a transformação de dados em informações que devem ser utilizadas como fonte de análises estatísticas e gerenciais.