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GEOSSISTEMAS NA SUB-BACIA DO RIO COTINGUIBA

4.1 Geossistema Planície Costeira

O Geossistema Planície Costeira, presente na sub-bacia, “é resultado da complexa interação dos fatores climáticos, litológicos, tectônicos e da ação do oceano sobre o continente. Ao longo de sua evolução geomorfológica, apresentam processos agradacionais superiores aos degradacionais que culminaram com a geração e construção de formas favorecidas pelas condições marinhas regressivas associadas às variações relativas do nível do mar e da contínua atuação dos processos morfogenéticos durante o Quaternário (ARAÚJO, 2007. p. 119).

Esse geossistema constitui uma superfície relativamente plana, baixa, localizada numa área de interfácie entre três principais províncias da geosfera que são os oceanos, os continentes e a atmosfera. Em decorrência dessa interseção, recebe diferentes fluxos de matéria e energia que vão influenciar na origem, evolução e configuração atual dos ambientes costeiros.

A área que circunscreve esse geossistema está recoberta pelos solos tipo Espodossolo de maior abrangência, que por serem excessivamente drenados, apresentam como fatores restritivos à sua utilização agrícola o baixo poder de armazenamento de água e de nutrientes, devido à sua textura arenosa. Além desse, existem os solos Gleissolos Solódico, em menor proporção e os Neossolos Quartzarênicos (areias quartzosas marinhas) próximos à linha de costa. Apresenta declividade variável entre 0 e 2%, ocupando a menor porção da sub-bacia, com maior expressividade areal perceptível na dependência do recuo do Geossistema Tabuleiros Costeiros, na porção inferior da sub-bacia, onde a largura é mais significativa. Está condicionada pelo menor afastamento dos Tabuleiros (ARAÚJO, 2007).

Enquadra-se na classe de paisagem regressiva, com predominante grau de antropização muito forte, face às grandes transformações em função das modificações históricas para ocupação dos sítios urbanos, principalmente o de Nossa Senhora do Socorro, cujo crescimento da sua área física foi realizado através de cortes de aterros de mangues para loteamentos, projetos imobiliários, industriais e construções de estradas.

Encontra-se drenado pelo rio Cotinguiba e seus tributários, entre eles o Cajaíba, os quais têm contribuído para a sedimentação quaternária, destacando-se no ambiente duas unidades fisionômicas homogêneas constituindo dois geofácies: Planície Fluvial e Planície Flúvio-marinha, que nada mais são do que os depósitos de origem marinha e Flúvio-Marinha.

4.1.1 Geofácies Planície Fluvial

São unidades de pequenas expressões espaciais e distribuem-se ao longo do médio curso do rio Cotinguiba nos municípios de Riachuelo e principalmente Laranjeiras, caracterizando-se como áreas eminentemente planas, resultante de acumulação fluvial, geralmente sujeitas ás inundações (Figura 22).

Figura 22 – Área sujeita a inundação na Planície fluvial (médio curso) do rio Cotinguiba no município de Laranjeiras/SE.

Créditos: Wesley Alves dos Santos e Hélio Mário de Araújo, 2011.

No entanto, as ações antropogênicas sobre esse geofácies tem sido preocupante, por ser uma área que concentra maior parte da população do município de Laranjeiras. A pressão sobre essa unidade tem provocado alteração na dinâmica do ambiente e conseqüentemente refletido na economia do município, uma vez que nos períodos mais chuvosos, entre os meses de mail e julho, essa área sofre constantes alagamentos, o que faz o poder público municipal investir recurso financeiro para a recuperação de boa parte das áreas afetadas com as enchentes (Figura 23).

Figura 23 – Pressão antropogênica sobre área de Planície Fluvial na sub-bacia do rio Cotinguiba no município de Laranjeiras/SE.

Créditos: Wesley Alves dos Santos e Hélio Mário de Araújo, 2011.

Numa tentativa de controle das enchentes e dos processos erosivos que ocorre nessa área, construiu-se um muro de arrimo com aproximadamente dois quilômetros margeando o rio Cotinguiba dentro da cidade de Laranjeiras (Figura 24).

Figura 24 – Muro de arrimo margeando o rio Cotinguiba no município de Laranjeiras/SE. Créditos: Wesley Alves dos Santos e Hélio Mário de Araújo, 2011.

Os solos característicos nessa geofácies são: os Chernossolos Argilúvicos Carbonáticos, onde são solos moderadamente ácidos de elevada potencialidade agrícola, “muito aproveitado na região para o cultivo de cana-de-açúcar”, esse tipo de solo é bastante susceptível à erosão, especialmente em sulcos, em decorrência de sua pouca profundidade e elevada capacidade de retenção de água. Além dos solos do tipo Gleissolos Melânicos Eutróficos caracterizados como solos ácidos e mal drenados (pouca profundidade e elevada capacidade de retenção de água) ocorrendo em áreas de várzeas de relevo planos periodicamente inundados elevando o lençol freático.

4.1.2 Geofácies Planície Fluvio-Marinha

Esse geofácies está bem representado na foz do rio Cotinguiba, a jusante da sede municipal de Laranjeiras e parte do município de Nossa Senhora do Socorro, em direção a foz, a planície fluvial cede lugar a planície fluvio-marinha.

É uma área plana, sujeita a ação das marés, apresentando vegetação típica de mangue. O solo característico desse geofácies é o Gleissolo Timórfico Húmico posicionado na área topográfica mais baixa da sub-bacia (Figura 25).

Figura 25 – Orlinha localizada sobre a Planície Flúvio-Marinha no Povoado Porto Grande (baixo curso), município de Nossa Senhora do Socorro/SE.

Sobre essa área ocorrem os solos do tipo Gleissolos Sálicos, característicos de áreas que apresentam altas taxas de salinidade, normalmente encontrados em zonas litorâneas e pré- litorâneas, com ocorrência principalmente na planície flúvio-marinha do rio Cotinguiba, não possuindo diferenciações nítidas dos horizontes e são muito ricos em matéria orgânica em decomposição. Geralmente apresentam elevadas concentrações de sais, que os tornam inaptos as atividades agrícolas. São nesses solos que se desenvolvem os manguezais.

Apesar de a área ser inapropriada para as atividades agrícolas, serve de lazer para a comunidade local e atrativo turístico. Sobre a área, foi construída a orlinha de Nossa Senhora do Socorro, onde possui cerca de vinte bares. É relevante destacar que esta área não possui sistema de esgotamento e os efluentes são lançados diretamente no rio, comprometendo assim a qualidade da água, tornando o ambiente inviável para banho (Figura 26).

Figura 26 – Orlinha de Nossa Senhora do Socorro, Povoado Porto Grande (baixo curso) do rio Cotinguiba, município de Nossa Senhora do Socorro/SE.

Créditos: Wesley Alves dos Santos e Hélio Mário de Araújo, 2011.