4.3 ATIVIDADE DIAGNÓSTICA
4.3.1 Geração e análise de dados da atividade diagnóstica
Em um primeiro momento, ao observamos as questões da atividade
diagnóstica selecionada do livro didático da turma do 7º ano do Ensino Fundamental,
já percebemos que o maior número de perguntas sobre as tirinhas foi direcionado para
o estudo de aspectos gramaticais, ou seja, dos 8 questionamentos propostos para a
leitura das tiras de “Hagar, o Horrível” e “Gato e gata”, 5 se limitaram à exploração de
conhecimentos gramaticais referentes à nomenclatura da classificação dos pronomes
indefinidos, pronome interrogativos, identificação do sujeito da oração e plural do
verbo “ter” em concordância com o sujeito no plural.
Em meio a essas observações iniciais, partimos para a aplicação da atividade
diagnóstica e após a finalização, recolhemos as folhas com as respostas dos 19
estudantes participantes e presentes às aulas durante todo o percurso da pesquisa,
para fazermos a nossa coleta de dados, observações e análises.
Para melhor entendimento, enfatizamos que as respostas às questões foram
agrupadas em quatro situações distintas: as perguntas respondidas adequadamente;
parcialmente adequada; as que foram respondidas de forma inadequada e; aquelas
não respondidas ou deixadas em branco, indicadas em dois quadros distintos, sendo
um para cada tirinha.
E, ainda, destacamos que os dados foram gerados considerando o número de
19 estudantes participantes que responderam aos questionamentos nas quatro
situações estabelecidas, representados em valores absolutos e total de respostas em
percentuais.
Vejamos o quadro seguinte que ilustra os resultados obtidos na questão 1 da
atividade diagnóstica, acompanhados de análise e comentários.
Quadro 08 – Resultados da questão 1 da atividade diagnóstica
QUESTÃO 1 HAGAR, O HORRÍVEL
Número de estudantes participantes (19)
RESPOSTA ADEQUADA RESPOSTA PARCIALMENTE ADEQUADA RESPOSTA INADEQUADA SEM RESPOSTA LETRA a 0 1 15 3 LETRA b 4 3 10 2 LETRA c 0 0 18 1 LETRA d 3 0 8 8 LETRA e 3 0 9 7 TOTAL DE RESPOSTAS 10 (10,52%) 4 (4,21%) 60 (63,15) 21 (22,10%) Fonte: Própria (2019).
Sobre as respostas dadas a tirinha de Hagar à pergunta da letra “a) Como foi a
recepção do vizinho à visita de Hagar?”, nenhum dos estudantes indicou a resposta
adequada, pois a palavra “recepção” foi confundida com “reação”, por isso, disseram
que o vizinho ficou “assustado”, “com medo” ou “se precaveu mandando guardar as
pratarias para não ser roubado”, não conseguindo responder adequadamente que a
recepção do vizinho à visita de Hagar foi de “não abrir a porta para Hagar”; apenas 1
respondeu que “foi ruim”, mas também não percebeu que o vizinho sequer abriu a
porta para receber Hagar ficando a resposta dada parcialmente adequada; 15
responderam inadequadamente e; 3 deixaram a questão em branco.
Na pergunta “b) A apresentação de Hagar foi adequada a uma situação de
boas-vindas? Por quê?”, 4 educandos responderam adequadamente que a forma de
apresentação de Hagar como “o terrível” não foi inadequada; 3 responderam de forma
incompleta, uma vez que apresentaram com resposta a palavra “não”, mas não
conseguiram dar a justificativa adequada; 10 responderam de forma inadequada por
entenderem que “o vizinho foi mal educado” ou ainda “Hagar foi gentil em desejar que
fosse “bem-vindo”; e somente 2 deixaram a questão sem resposta.
Observamos que para a letra “c) A quem Hagar se referiu quando usou o
pronome alguém?”, nenhuma resposta adequada foi dada, uma vez que 18
estudantes responderam inadequadamente que “alguém” se referia ao “vizinho que
estava dentro da casa”, evidenciando que não compreenderam que “o pronome
indefinido não se refere a uma pessoa especificamente, mas a qualquer pessoa que
estivesse dentro da casa do vizinho”; e somente 1 participante deixou em branco a
referida questão.
Na letra “d) Qual é a classificação do pronome quem no contexto da tira?”, 3
estudantes identificam adequadamente “quem” como pronome interrogativo; 8 deram
resposta inadequada ao indicar outras classificações para o referido pronome como
“pessoal”, “demonstrativo” e “de tratamento”; e 8 não responderam à questão,
deixando-a em branco.
Na letra “e) Como se classifica o pronome alguém?”, 3 estudantes indicaram
que seria “pronome indefinido”; 9 não conseguiram, e citaram outras classificações
para o pronome em destaque como “demonstrativo” e “pessoal”; e 7 optaram por não
responder à questão.
Nessa primeira questão, ao computarmos o total de respostas às letras,
verificamos que 10,52% foram adequadas; 4,21% parcialmente adequadas; 63,15%
inadequadas e; 22,10% deixadas em branco, ou seja, sem respostas.
Prosseguimos com a correção e análise das respostas dadas pelos estudantes
à questão 2 sobre a tirinha de Gato e gata de Laerte e chegamos aos resultados
expostos no quadro a seguir.
Quadro 09 – Resultados da questão 2 da atividade diagnóstica
QUESTÃO 2 O GATO E GATA
Número de estudantes participantes (19)
RESPOSTA ADEQUADA RESPOSTA PARCIALMENTE ADEQUADA RESPOSTA INADEQUADA SEM RESPOSTA LETRA a 3 4 8 4 LETRA b 0 8 7 4 LETRA c 0 0 11 8 TOTAL DE RESPOSTAS 11 (19,29%) 4 (7,01%) 26 (45,61%) 16 (28,07%) Fonte: Própria (2019).
Dentre as três perguntas respondidas pelos estudantes, observamos que na
letra “a) No primeiro quadrinho, qual é o sentimento da gata pelo gato com manchas?
Como você percebeu?”, 3 estudantes responderam os dois questionamentos
adequadamente, quando disseram que “o sentimento da gata pelo gato era de
paixão”, percebido ora “pela fala contida no balão se derretendo” ora “pela a cara da
gata”; 4 responderam apenas que o sentimento dela era de “paixão” ou “amor”,
contudo não disseram como eles perceberam e chegaram a essa conclusão,
evidenciando que não observaram os elementos não verbais apresentados no
desenho contido no primeiro quadrinho; 8 responderam de forma inadequada dizendo
que a gata estava com “tristeza”, “tédio” ou se limitaram a transcrever as falas
presentes nos balões do primeiro quadrinho; e 4 deixaram em branco.
Ao corrigirmos a letra “b) Qual é o sujeito do verbo ter no segundo quadrinho?”,
consideramos que 8 estudantes acertaram parcialmente a resposta, pois apontaram
o núcleo do sujeito “farsante” como sujeito do verbo “tem”, em lugar de “este farsante”,
ficando claro que eles confundiram o núcleo do sujeito com o sujeito; 7
inadequadamente responderam que o sujeito de “tem” era “gato com manchas”,
“livro”, “livro cheio de frases” e ainda transcreveram trechos do texto presente no
segundo quadrinho; e 4 deixaram sem resposta.
Por último, na letra “c) Reescreva a frase do segundo quadrinho, modificando
responder de forma adequada, uma vez que não foram capazes de observar que “os
gatos” estava no plural e exigia a forma verbal “têm”; 11 responderam
inadequadamente, sendo que 7 trocaram a palavra “farsante” por “gato” no singular e
outros escreveram “Denúncia! Este gato tem um livro de frases!!” Mantendo o sujeito
no singular; 4 estudantes reescreveram literalmente o texto do segundo quadrinho
“Denúncia!! “este farsante tem um livro de frases!!”; e 8 deixaram a questão em
branco.
Na segunda questão, constatamos que 19,29% das respostas foram dadas
adequadamente; 7,01% parcialmente adequadas; 45,61% de forma inadequada e;
28,07% deixaram a questão sem resposta, ou seja, em branco.
Diante de tais resultados, notamos que os estudantes apresentaram
dificuldades para formular respostas satisfatórias, quando foi exigido um pouco da
capacidade de interpretação. Também ficaram notórias suas limitações sobre os
conhecimentos gramaticais, embora o livro didático, na maioria das perguntas, tenha
usado as tirinhas como pretexto para o ensino das regras gramaticais, não oferecendo
subsídios para ampliação das habilidades de leitura dos estudantes.
Voltando às concepções da BNCC, cabe reforçar suas orientações
metodológicas, no que se refere à mobilização dos conhecimentos sobre os gêneros
e sobre a língua em favor do desenvolvimento de capacidades leitoras dos estudantes
do Ensino Fundamental e enfatizar que:
[...] estudos de natureza teórica e metalinguística – sobre a língua, sobre a
literatura, sobre a norma padrão e outras variedades da língua – não devem nesse nível de ensino ser tomados como um fim em si mesmo, devendo estar envolvidos em práticas de reflexão que permitam aos estudantes ampliarem suas capacidades de uso da língua/linguagens (em leitura e em produção) em práticas situadas de linguagem (BRASIL, 2017, p. 69).