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GERALDO CRISTAL

No documento O Reggae de Cachoeira (páginas 189-193)

ANEXO II ANTOLOGIA DO REGGAE

GERALDO CRISTAL

REGGAESSÊNCIA // CD// INDEPENDENTE

155 Reggae do Trabalho

(Geraldo Cristal)

Trabalho uh uh/ Trabalho uh uh uh uh/ Trabalho uh uh/ Uh oh oh/ Dá muito trabalho/ Well, well, well, well/ Todo dia a procura de trabalho/ Eu olho nos classificados dos jornais/ Pedem trabalho/ É quando a grana/ É quando a grana/ A grana compra muitas almas/ A grana so- brepuja a calma/ A grana pode corromper a causa/ Que é nosso trabalho/ Por um digno salário/ Para quem/ Para o padeiro, pedreiro/ Gari, sapateiro, doméstica, músi- cos/ E todos obreiros do trabalho/ Por um digno salário/ Precisamos de boa casa para morar/ Precisamos de assistência médica e dentária/ Precisamos de boa comida/ Precisamos nos educar/ Precisamos de li- berdade de expressão no trabalho/ Por um digno salário/ Trabalho, trabalho, trabalho/ Dá muito trabalho/ Trabalho, trabalho, trabalho/ Dá muito trabalho/ Trabalho, trabalho/ Na, na, na, na e etc

156 Reggaessência

(Rogério Gaspar e Geraldo Cristal) Reggae é música é essência/ Reggae é plena consciência/ Reggae é música que nos revela/Que há uma bela vida a nossa espera/ Não há por quê destruir/ O nosso pacto de paz/ É hora de hei revitalizar o amor/ Enfim os nossos sonhos de criança/ Vão se realizar/ Olho pro mundo e vejo tudo perturbado, tudo isso foi profetizado/

É hora de hei revitalizar o amor/ Na, na, na, na, na, na, na, na/ Rai, na, nai, nai, ns (bis)/ Reggae é música reggae é essência/ E a paz alimenta o espírito/ Os nossos pés agora fortes/ Estão quebrando todos os espíritos/ Rompemos barreiras imorais/ Atravessamos fronteiras mentais/ É hora de hei revitalizar o amor/ Olho pro mundo e vejo tudo perturbado/ Tudo isso foi profetizado/ É hora de hei revitalizar o amor/ O bom deus Jah amou o amor/ Jesus Cristo amou o amor/ Nós temos mais que amar o amor/ amar o próximo amor, amor/ Amor, amor, amor, amor/ Só o amor, só o amor

157 Babilônia pra baixo

(Geraldo Cristal)

Reggae leve, leve/ Leve a babilônia pra baixo/ Leve a babilônia pra baixo/ Leve a babilônia pra baixo uôôh uôôh oh/ uuiêh iêah/ uuiêh mama sei Uôôh uôôh oh/ Well el vewel/ El el el uooh uo ooha/ Negros guerreiros que vinham no cavalo branco/ Falavam da cidade profana e dos seus enganos/ E dos seus encantos/ Em africano, em esperanto/ Os mercadores da terra, as multinacionais/ A besta, os falsos profetas, não/ Não queriam ouvir o povo cantando reggae/ Reggae babilon go down/ Down, down, down/ Reggae babilon go down/ Reggae babilon/ Reggae leve, leve, leve/ Leve a babilônia pra baixo/ Leve a babilônia pra baixo/ Leve a babilônia pra baixo/ Leve a babilônia pra baixo/ Uooh uooh oh uuieh uieah mama/ Sei uooh uooh oh well e vewell el ele l uooh uo ooh

158 Carta ao Presidente

(Geraldo Cristal)

Favela de palafitas/ Aparentemente nada bem a vista/ Fome e miséria/ E marginali- zados perseguidos/ Pela polícia/ As crian- ças no lixo morrendo desnutridas/ Falar é fácil mas não temos grana/ Pra fazer o que sentimos/ Pelas pessoas drogadas e vicia- das/ Por semi-curandeiros em drogarias/ Babilônia anarquia/ Muitos reis na mesma dinastia/ Cristo disse que viria e a espada

da verdade ergueria/ Que horror que eu vejo/ Que horror, que horror, que horror/ Ei rei ei rei/ Presidente não há nada/ Bem à vista/ Se tem coragem faça uma visita/ As favelas de palafita/ E compare com a orla marítima/ Toda enfeitada bnita/ a gosto dos turistas/ E temperada pros banhistas/ Na soberba, ambição e imundície/ E interrogação/ Que horror que eu vejo/ Que horror, que horror, que horror/ Ei rei ei rei/ Lai, lai, lai, lai, lai, lai, lai/ Ei rei ei rei/ Presidente não há nada/ Bem à vista/ Se tem coragem faça uma visita/ As favelas de palafita/ E compare com a orla marítima/ Toda enfeitada e bonita/ A gosto dos turistas/ E temperada pros banhistas/ Na soberba, ambição e imundície/ E interro- gação/ Ação, ação, o nosso povo precisa de ação

159 Saindo de Quem

(Geraldo Cristal)

Eles estão invadindo nossa área/ Trazendo paz e segurança com suas armas/ AR-15, granadas e eles (bis)/ Eu tô com medo da polícia/ Eu tô cabreiro com ladrão/ Eu tenho medo que a miséria/ Transforme-se em revolução/ Eu tô com medo da política/ Da danada corrupção/ Eu lhe digo que eles não estão com nada/ Eu tô saindo do lalau/ Eles não estão com nada/ Eu tô saindo de quem me engana/ Eles não estão com nada/ Eu sou mais família real/ Eles não estão com nada/ Eu estou saindo de quem/ Pai não, Pai uoh, uoh, não, não, uoh, uoh, não, etc.

160 Será Diferente

(Geraldo Cristal)

Dias tão tristes quando não te vejo/ Ros- tos nas ruas lembram você/ Agora o que faço tirado a apaixonado/ Eu quero é um abraço/ Um afago/ Sorver seu desejo/ Um beijo/ Ouvir seus gemidos/ Lamber seu suor/ Mas não me deixe só hoje à noite/ Não me deixe nunca mais/ Amor/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Quero que você me provoque/ Sensações em estado de choque/ Até enlouquecer/ E

tudo será diferente/ Todo dia será diferen- te/ Toda noite/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Todo dia/ Será diferente/ Toda noi- te/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Só, somente só, somente, eu e você/ Daí pra melhor/ Daí pra melhor

161 Ciência do Espírito

(Geraldo Cristal)

É o amor, oh Senhor, eu li/ Alelujah/ Alelujah/ Bom/ Bom é louvar ao Senhor/ E cantar louvores em seu nome/ Ao altíssimo Jah em Jesus Cristo/ E pela manhã anun- ciar a paz de verdade/ E a tarde um orvalho de felicidade/ E a noitinha orvalho de tranqüilidade/ Sobre um instrumento de seis cordas/ Um agogô ou um atabaque/ Um berimbau com som solene/ Pois tu Senhor me mostraste/ E com teus feitos/ Exultarei/ Com as obras da sua mão meu rei ei ei/ Eu li/ Um homem brutal não entende isso/ Um homem sem fé não entende isso/ Um homem banal não entende a ciência/ Do Espírito Santo/ Alelujah/ Bom é louvar ao Senhor com danças/ Bom é louvar, louvar ao Senhor com palmas, Amém

162 É de Boa

(Geraldo Cristal)

É tão bom estar contente/ O amor a me procurar/ É demais estar com a gente/ O amor está no ar/ É de boa estar contente/ O amor a me procurar/ É demais estar com a gente/ O amor está no ar/ Olho pra multidão/ Tudo parece tão tranqüilo/ Sai, sai solidão/ Quero ficar na paz de espírito/ Olho pra multidão/ Estou cantando e me divertindo/ Sai solidão/ A minha vida tem sentido/ É tão bom, é tão bom/ É de boa, é demais/ Olho pra multidão/ Tudo parece tão tranqüilo/ Sai solidão, sai solidão/ Quero ficar na paz de espírito/ Olho pra multidão/ Estou cantando e me divertindo/ Sai solidão/ A minha vida tem sentido

163 Jahlivia

(Geraldo Cristal)

Você me olha assim desse jeito/ Tento identificar seus sinais/ Todo amor tem seu preço/ Pago ver a diferença que você faz/ Posso lhe dar emoção/ Tocar fundo no seu coração/ Com essa canção/ Você disfarça/ Finge que não liga/ Mas lá no findo/ Sabe o que é preciso/ Jahlivia/ É lindo/ Eu me delicio/ Mergulhar nesse amor/ Esse amor me mantém vivo/ Como negar um sentimento/ Fazer que não está entendendo/ Sou o calor no seu recanto/ O alcance daquilo que está pre- tendendo/ A praia você o mar/ Chegan- do como não quer nada/ Ocupando meu coração/ De areia/ Seu castelo sereia/ Pra lhe amar/ Como negar um sentimento/ Fazer que não está entendendo/ Sou o calor no seu recanto/ O alcance daquilo que está pretendendo/ A praia você o mar/ Chegando como não quer nada/ Ocupando meu coração/ De areia/ Seu castelo sereia/ Pra lhe amar

164 Libertação

(Geraldo Cristal)

Uouoh, uouoh, ooh, oh/ Uuuuuooh/ Tomara que chegue, tomara que chegue/ Antes que seja tarde/ A libertação dos negros africanos/ Espero que chegue antes que seja tarde/ A libertação dos negros africanos/ Eu olho o sofrimento do meu povo/ Nas ruas a servidão é dura irmão/ A cada instante uma captura/ Três marcas na cabeça/ Sela um pacto com a besta/ Que está a sua procura irmão/ Não mais comigo, não/ Sistema do branco mantém o negro nesta condição/ E na opressão/ O negro vira as costas ao seu passado/ Onde é espiritualmente enraiza- do/ pra uma futura solução/ Que futura solução eu acredito/ Eu acredito mesmo na determinação/ De dar o bem que se dá, irmão/ Em um gesto de coração/ Ser negro, índio ou branco/ O ser que estou procurando/ O ser que estou procurando, irmão/ Tomara que chegue antes que seja tarde/ A libertação dos negros africanos/ Espero que chegue antes que seja muito

tarde/ A libertação dos negros africanos/ Seres, seres, seres humanos/ Sereis huma- nos sem índio/ Sem negro, sem branco/ Oh, oh sereis humanos/ Sem índio, sem negro/ A ao ao sereis humanos sem índio/ Tomara que chegue, espero que chegue, tomara que chegue/ Espero que chegue, tomara que chegue, espero que chegue, Sereis humanos

165 Vaidades

(Geraldo Cristal)

Nos corredores da cidade/ Tudo acontece num instante/ Como se não acontecesse/ Como se ninguém ligasse/ O pegar na grana, o jogo rápido na cidade/ O viver na lama/ Há jogo limpo na soçaite?/ O vai e vem nas ruas/ A sedenta cobiça/ Nos prazeres da carne/ Invadindo os olhos/ E reagindo na vontade/ E cada vez mais insaciável/ Mais e mais insaciável/ O pegar na grana, o jogo rápido na cidade/ O viver na lama/ Há jogo limpo na soçaite?/ Vaidade de vaidades/ Dis- se o pregador Eclesiastes/ O que vi embaixo do sol/ Vaidade de vaidades/ O que vi nos templos materiais/ Vaidade de vaidades/ Digo-lhe, digo-lhe, digo-lhe/ Digo e digo-lhe/ Vaidade de vaidades, Eu lhe digo, lhe digo/ Lhe digo, lhe digo/ Vaidade de vaidades

166 Aí Sacizeiro

(Geraldo Cristal)

Na TV anunciaram/ Um produto novo no mercado/ E no mês seguinte/ O estrago tinha começado/ À principio ninguém ligava/ A cilada estava armada/ A peste se alastrava/ E os primeiros da lista/ Crianças de rua/ Que cheiravam cola/ Agora ratos atrás do queijo/ Como queijo/ Sua cabeça vai ficar/ Cheia de crateras/ Cheia de se- qüelas/ Se você não se tocar/ Aí sacizeiro, cochilou/ O cachimbo cai/ Aí sacizeiro/ E você vai logo atrás (bis)/ Neurótico, descontrolado/ Olho esbugalhado/ Pele e osso/ Todo chupado/ Os caras trabalharam errado/ Saia dessa cara de coisa/ Saia dessa cara de pedra/ Vê se, se vê/ Vê se, se enxerga/ Dê o segundo passo/ O salvador já deu o primeiro/ E ele está do seu lado/ Aí sacizeiro/ Cochilou o cachimbo cai/ Aí sacizeiro e você vai logo atrás

Bárbara Falcón é produtora cultural, antropóloga, mestre em Estudos Étnicos e Africanos (CEAO/UFBA) e especialista em Produção Cultural e Mídias (UNIJORGE). Como pesquisadora se especializou na área de Etnomusicologia e Cultura Popular. Como produtora cultural atua em diferentes segmentos (música, dança, teatro e literatura), tendo acumula- do em seu currículo participações em eventos nacionais e internacionais, como organizadora e diretora de produção. Desenvolveu, ao longo de uma década, vasta experiência em elaboração, gestão e formatação de projetos, tendo colaborado para instituições como o Teatro Vila Velha, Secretaria de Cultura da Bahia e Cidade do Saber. Atualmente pesquisa a influência jamaicana na nova música brasileira.

No documento O Reggae de Cachoeira (páginas 189-193)