3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
3.3 O EXERCÍCIO DA LIDERANÇA
3.3.3 Gestão compartilhada e trabalho em equipe
Os líderes buscam mobilizar o comprometimento pessoal dos membros da equipe à medida que os envolvem no processo de tomada de decisão e constroem relacionamentos colaborativos, compartilhando o poder e a autoridade e gerenciando a atenção (ULRICH et al., 2000). Assim, conseguem construir equipes de trabalho participativas, engajadas e empenhadas na busca de soluções criativas e inovadoras. De maneira geral, os depoimentos foram convergentes, indicando a atuação das reitoras pesquisadas como incentivadoras de uma gestão compartilhada buscando otimizar os resultados das universidades em que atuam. Todas elas reconheceram a importância de administrar a universidade, abrindo espaços para o coletivo e para a gestão compartilhada, inspirando o propósito comum e criando um clima propicio para o trabalho em equipe.
As entrevistadas E2, E3 e E6 relatam o cuidado que tiveram ao formar suas equipes de trabalho, pois reconhecem que é necessário ter uma boa equipe técnica em retaguarda que abrace a causa institucional e esteja disposta a contribuir com o crescimento da universidade, trabalhando arduamente para alcançar os propósitos institucionais. Ao se candidatar ao cargo de reitora, E3 estabeleceu como princípio não negociar cargo nem pessoa, para ter imparcialidade na formação de sua equipe de trabalho, com base em capacidades e competências e não com bases políticas.
Assim, após eleita, relata ter levado para a reitoria a equipe que constituiu quando exercia o cargo anterior, pois já existia um relacionamento de confiança recíproca estabelecido. E2 montou a sua equipe de trabalho com o intuito de promover mudanças, e nesse sentido mudou a “cara” da reitoria ao nomear pró- reitores titulados como doutores, para compor junto com ela a base de sustentação da universidade.
Observou-se que as reitoras entrevistadas, por possuírem um estilo feminino de gestão, como o abordado no item anterior, se distinguem quanto à responsabilidade por encorajar a autonomia entre os membros da equipe, e por isso, aumentar a
qualidade dos resultados da equipe, ao adotar um estilo administrativo participativo. Segundo Loden (1988) a gestão feminina valoriza a participação dos funcionários.
E1 relata que durante sua gestão foi feito um trabalho de qualidade, reconhecido por toda a comunidade acadêmica, cujos resultados positivos alcançados não são mérito apenas de uma pessoa, mas sim de toda a equipe que trabalhou coletivamente, discutindo as propostas e implementando as ações. Ao longo de todo o seu discurso afirma não ter feito nada sozinha, reconhecendo assim os méritos e as conquistas de toda a equipe.
Assim como E1, E5 reconhece a importância da gestão compartilhada e do trabalho em equipe para a consecução dos objetivos institucionais ao dizer que:
sem uma base de sustentação, de servidores, técnicos, de professores, de coordenador de curso, chefe de departamento, diretor de faculdade e instituto não teria condições de desenvolver um trabalho de qualidade, pois quem faz a universidade no seu cotidiano, são eles.
Na visão de E5, o gestor é apenas uma figura que estimula, motiva, agrega e abre caminhos, conseguindo assim uma participação ativa dos membros da equipe para a busca dos resultados almejados. Esse estilo participativo ajuda a criar relacionamentos pessoais positivos e satisfatórios, contribuindo para que os membros do grupo tenham motivação para alcançar os melhores resultados.
E6 também atribui ao trabalho em equipe as conquistas e resultados alcançados ao longo de sua trajetória na instituição, ao dizer que o sucesso depende do trabalho cooperativo e responsável de toda a equipe, para fazer com que a universidade “trilhasse por um caminho de sucesso”.
Apesar de E4 reconhecer a importância da gestão compartilhada e do trabalho em equipe para a consecução de objetivos institucionais, refere ter tido dificuldades para formar uma equipe coesa e produtiva ao longo de sua gestão. O primeiro critério para a formação de sua equipe foi escolher pessoas de sua confiança, que acreditassem e defendessem as suas ideias administrativas, pois não poderia ter ao seu lado pessoas que, fora do ambiente de trabalho, não apoiassem a sua gestão.
Infelizmente, a minha equipe não é, assim, tão boa, porque a gente não tem muita escolha... você tem que ter gente de confiança. Eu tenho gente excelente. Mas como é que eu vou colocar uma pessoa que sai daqui e não defende essa administração?
E4 relatou que teve dificuldades inclusive para nomear alguém de confiança para a chefia de gabinete, além de dificuldades para delegar tarefas, ficando
sobrecarregada por não poder descentralizar o trabalho mais complexo por falta de pessoal de apoio ao seu redor.
Outro aspecto evidente nas falas das reitoras entrevistadas foi a disposição para reunir a equipe, discutir as questões inerentes àquele grupo, praticar a escuta ativa e permitir que todos contribuam livremente dando opiniões, sugestões ou fazendo criticas ao assunto em pauta.
E6 sempre adotou uma postura de abertura para que os assuntos pudessem ser discutidos livremente. Faz questão de reunir a equipe semanalmente, por considerar de grande importância o trabalho em equipe e as decisões coletivas. E3 corrobora com a postura adotada por E6 e age da mesma forma buscando ouvir a opinião de todos de sua equipe. Oferece aos pró-reitores, aos assessores e ao prefeito do campus oportunidade de participar das decisões, buscando a contribuição e a cooperação desses atores institucionais, encorajando assim o engajamento de todos, pois acredita que o gestor sozinho não consegue alcançar os resultados almejados.
Os relatos de E5 e E1 também apontam a metodologia de trabalho coletivo como sendo crucial para o trabalho bem sucedido da reitoria, em que a gestão colegiada alavanca os resultados institucionais. Esse pensamento é sustentado por Loden (1988) ao afirmar que a liderança, especialmente a liderança feminina, é capaz de encorajar mais autonomia entre os membros da equipe e aumentar a qualidade dos resultados.