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6 AS REPERCUSSÕES DO PIBID NA PROFISSIONALIDADE

6.2. A GESTÃO DE CLASSE

Como já viemos assinalando ao longo do texto, todas as professoras tiveram oportunidade de estar em sala de aula desenvolvendo oficinas ou projetos no Pibid. Elas eram acompanhadas pelos professores das turmas (no caso das oficinas) ou não (nos projetos, pois eles eram executados no contraturno de aulas dos alunos). Rosa e Bárbara executaram um projeto para dar aulas de redação durante quatro horas semanais para alunos do Ensino Médio. E Raquel aplicou algumas oficinas para alunos da EJA do curso noturno no Ensino Médio. Porém, as três continuaram no Pibid (após o encerramento do projeto institucional) dedicando-se a oficinas em um turno, semanalmente, em classes de Educação Infantil.

Jequitibá também deu aulas semanais por meio de um projeto de leitura no Ensino Médio. Patrícia desenvolveu várias oficinas, também no Ensino Médio, com foco nos conteúdos matemáticos que os professores colocavam como de

dificuldade dos alunos. Vitória também atuou nesse nível de ensino por meio de algumas oficinas sobre a temática da Ética em Educação em aulas de Filosofia. E Bromélia trabalhou com a formação de professores do Ensino Fundamental II diante das temáticas do planejamento e da avaliação. Ao contrário das professoras citadas no parágrafo anterior, que integraram dois projetos institucionais Pibid/UFRB, essas quatro só participaram de um projeto.

Nessa direção, quando essas professoras iniciantes fizeram um contraponto entre o contato que tiveram com as turmas ao desenvolver os projetos e oficinas do Pibid e a prática de gerir as classes na condição de professoras, a grande maioria delas destacou pontos positivos, mesmo que o nível em que tenham atuado no Programa tenha sido diferente do que atuavam profissionalmente. Diante dessa conclusão, podemos dizer que nessa realidade estudada, um dos objetivos do Pibid foi alcançado, que é colocar o licenciando em contato com escolas da rede pública de educação, proporcionando-lhes oportunidades para participar e desenvolver em sala de aula, seja por meio de oficinas ou projetos, experiências metodológicas e práticas docentes (BRASIL, 2013a). Estas experiências favoreceram o domínio de classe por parte das ex-bolsistas.

Patrícia e Jequitibá focam nas repercussões que os trabalhos no Pibid tiveram para a gestão de classe, especialmente nas habilidades de controle de turmas, em saber como chamar a atenção do aluno, como se portar diante da classe e de ter segurança ao ministrar as aulas. “[A gestão de classe] não foi ruim por conta da experiência do Pibid, mas se eu não tivesse essa experiência do Pibid nem em outros projetos, eu estava perdida” (Prof. Jequitibá). Já Patrícia explica que “nas nossas oficinas tinham momentos que a gente precisava da atenção dos alunos nas instruções que a gente ia dar naquele momento”. E “o Pibid foi ajudando a gente a saber como fazer isso, entender que às vezes é melhor você ficar parado, calado, do que você ficar pedindo para que o aluno fique quieto. O Pibid deu condições de ter um controle, de saber como controlar a turma”. Bárbara, que esteve no Pibid tanto em contato com crianças quanto com adolescentes, descreve que as atividades com esses estudantes ajudaram na sua prática docente:

Porque foram mais de seis meses de experiência com os alunos do Ensino Médio. Saí sabendo como lidar com eles, porque quando entrei não sabia. Com jovens você tem que lidar de uma maneira diferente, bater papo de igual para igual; e com criança não, é diferente, você tem que ser mais paciente, conversar na linguagem dele, de maneira mais amorosa. Esse contato me fez refletir bastante sobre a docente que eu queria ser, sobre como agir mais tarde. [...] Houve sim interferência positiva, porque foi a prática do Pibid que me ajudou bastante a me tornar a docente que sou hoje. Acho que se eu não tivesse tido esse contato com o Pibid, eu não saberia muitas coisas. Eu teria muito mais dificuldade com minha iniciação à docência e o Pibid me ajudou bastante porque me possibilitou esse contato direto com os alunos, tanto do Ensino Médio quando da Educação Infantil. (Prof. Bárbara)

Da mesma forma que Bárbara relata a formação que obteve em contato com os alunos no Pibid, Vitória aponta uma questão que viveu tanto no Pibid quanto em sua sala de aula. Como bolsista de iniciação à docência e na condição de professora, precisou provocar um distanciamento entre ela e os alunos e levar esses últimos a vê-la respeitosamente na condição de professora. No Pibid, por estar com estudantes em idades próximas a sua, e como professora, por ter alunos do mesmo bairro, onde muitos a tinham como amiga.

Contribuiu para ao mesmo tempo aproximar e diferenciar para eles entenderem que o meu papel ali é de ser professor. E da questão do respeito, entender que: “não, ela é minha amiga, mas é a minha professora. Ela pode morar no meu bairro, mas, é minha professora”. Então, contribuiu neste sentido do como me comportar enquanto professora em sala de aula. (Prof. Vitória)

Assim como Vitória, Rosa fez referência a preparação emocional que essa experiência oportunizou e também, a contribuição dos textos que lia sobre a prática docente e as dificuldades da sala de aula. E fez ainda uma ressalva, pois sentiu falta de ter estudado mais sobre classes indisciplinadas, tendo em vista que foi o maior problema que ela enfrentou em todo esse período de iniciação profissional.

Raquel sublinhou que mesmo sendo uma experiência enriquecedora, há uma forte distinção “[...] lá não me sentia professora, mas como estagiária, então, a nossa forma de falar com os alunos é diferente, você tenta a todo o momento

agradar, e como professora é diferente, não temos medo de confrontar o aluno”. Diante desse posicionamento de Raquel, cabe ressaltarmos que:

Os Pibidianos não estão em início de carreira, contudo o programa possibilita a iniciação à docência, por meio das atividades realizadas em ambiente real de ensino, que podem ser de monitoria, auxílio da resolução de exercícios, aplicação de atividades, condução de aulas práticas nos laboratórios de ensino de química e, por vezes, assumem a figura do professor em sala de aula, com a devida supervisão de docentes experientes. (DANTAS, 2013, p. 71)

E Bromélia não desenvolveu atividades com os alunos durante a permanência no Pibid. Só teve contato mais próximo com eles nos momentos de observação em sala de aula: “a gente precisava fazer alguma coisa e o coordenador mandou a gente observar a sala de aula. Mas não foi um contato significativo de diálogo e intervenções diretas”. Portanto, segundo essa Professora, não houve impacto do Pibid na sua competência para gerir a classe “[...] porque não teve esse momento. Não fomos para a sala de aula com um contato direto com os mesmos (Prof. Bromélia). Essa foi uma especificidade do subprojeto que Bromélia participou, o qual focou no trabalho com a formação dos professores. Por um lado, ela conviveu de forma mais próxima com as relações que permeiam o espaço docente e com o trabalho de um pedagogo como coordenador em escola de Ensino Fundamental II. Por outro lado, ela não teve a oportunidade de estar regendo uma classe, que foi uma das dimensões formativas do Pibid mais aprovadas pelas demais ex-bolsistas.

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