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Gestão de emissões CO2 das centrais com CAE

No documento RELATÓRIO & CONTAS 18 ÍNDICE (páginas 139-141)

No âmbito da sua atividade regulada de agente comercial, a REN Trading é uma empresa ativa no desafio das alterações climáticas. A gestão das centrais que mantêm contratos de aquisição de energia (CAE), Tejo Energia e Turbogás, está condicionada pelas regras do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE).

Esta realidade é fruto de um processo multilateral internacional, que culminou em 1997 na assinatura de um tratado internacional, o Protocolo de Quioto, do qual Portugal é signatário enquanto membro da União Europeia (UE). Visa-se, através da redução das emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE), a mitigação da progressão das alterações climáticas.

O CELE foi a ferramenta adotada na UE para o cumprimento dos objetivos de Quioto e continua a ser um elemento-chave nas políticas de limitação dos GEE, após o grande consenso mundial alcançado no Acordo de Paris, de 2015, e da implementação acordada na Conferência de Katowice, em dezembro de 2018. Atribuindo um preço ao CO2 (um dos principais gases com efeito de estufa, sendo a unidade de

medida dos restantes, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, IPCC no acrónimo inglês, da ONU para as alterações climáticas), pretende-se reduzir, no âmbito de CELE, as emissões de gases das principais instalações industriais, abrangendo sectores como a produção de

72.1 72.1 70.9 68.7 66.7 65.4 0.03 0.09 0.07 0.07 0.03 0.03 0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 62.0 64.0 66.0 68.0 70.0 72.0 74.0 2018 2017 2016 2015 2014 2013 Taxa de Fuga (%) Massa de SF6 instalada (t)

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eletricidade com uso de combustíveis fósseis, a siderurgia, a cerâmica, a refinação de petróleo, entre outros, e mais recentemente da aviação.

As regras que enquadram o CELE foram integradas no ordenamento jurídico nacional, pelo Decreto-Lei n.º 233/2004, de 14 de dezembro, e legislação posterior, que surgiu na sequência da transposição da atualização do normativo comunitário, diretiva n.º 2009/29/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de abril, transposta pelo Decreto-Lei n.º 38/2013, de 15 de março.

Visando a minimização dos custos das licenças de emissão (no valor total das emissões feitas pelas centrais CAE, dada a extinção das alocações para o setor electroprodutor nacional), por consequência dos encargos totais suportados pelos consumidores de energia elétrica, cumprindo com o estipulado pela ERSE, a REN Trading atuou durante o ano de 2018 em mercado de futuros, enquanto membro da bolsa ICE (Intercontinental Exchange), bolsa de referência na negociação de futuros de licenças de emissão de CO2 na UE. É obrigação da REN Trading comprar as licenças de emissão de CO2 decorrente das

obrigações ambientais das duas centrais CAE, o que implica a compra de licenças EUA (European Unit Allowances).

A estratégia de atuação da REN Trading, no que toca à venda da produção de eletricidade das centrais CAE em mercado, tem sempre em conta a previsão mais recente de emissões e o seu respetivo custo, aferido pela cotação de mercado das EUA. Assim, pode verificar-se que, em certas circunstâncias, a incorporação dos custos com o CO2 nos custos de produção da central do Pego (a carvão, um combustível

mais poluente) pode alterar a sua posição na ordem de mérito da oferta do mercado elétrico, tornando-a menos competitiva, implicando a sua substituição por outra térmica menos poluente, como por exemplo a Turbogás (a gás natural, cuja produção de eletricidade gera um menor nível de emissões do que o carvão). Em suma, através do CELE, gera-se um impacte no funcionamento do mercado elétrico, verificando-se, neste caso, uma consequência deste mecanismo europeu nas emissões das centrais e no programa de exploração elétrica.

No ano de 2018 verificou-se um decréscimo de atividade relativamente ao ano anterior, tendo a REN Trading transacionado no mercado de futuros, somente operações de compra, um total de cerca de 4 milhões toneladas de CO2.

Quanto ao comportamento do mercado, houve uma muito significativa subida dos preços em relação ao ano de 2017, tendo o preço médio do mercado spot subido cerca de 173%.

Esta evolução de preço poderá estar relacionada com o mecanismo de reserva de estabilização do mercado, que entrará em funcionamento no ano de 2019, com o objetivo de estabelecer um sinal de preço robusto para o custo dos GEE e consequentes reflexos nas decisões de produção e investimento (pela internalização desta importante externalidade ambiental), contribuindo para o esforço de descarbonização.

Biodiversidade

A biodiversidade8 é um dos descritores ambientais mais relevantes considerados na avaliação sistemática

dos eventuais impactes das atividades da REN nas várias fases do ciclo de vida das suas infraestruturas. Apesar da preocupação constante com a proteção e promoção da biodiversidade, uma pequena

percentagem das infraestruturas da REN está integrada em áreas sensíveis do território nacional: sítios da Rede Natura 2000, Zonas de Proteção Especial e outras áreas protegidas que incluem parques nacionais, reservas, parques e monumentos naturais.

Infraestruturas áreas sensíveis Ocupação em Ocupação sobre o total

Estações/ subestações 0,37 km2 9%

Extensão de gasodutos/ linhas 1 210,93 km 12%

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A ocupação destas áreas pelas infraestruturas da REN deve-se fundamentalmente a razões históricas (a integração das infraestruturas no terreno foi anterior à classificação destas áreas protegidas), mas também à necessidade de permitir ou reforçar o escoamento da energia com origem renovável de centros

produtores situados nestas áreas sensíveis. Sempre que estas instalações são objeto de modificações, como alterações do traçado de linhas e de gasodutos, é garantida a sua otimização de forma a reduzir os impactes na biodiversidade.

Atualmente, os locais onde se situam as infraestruturas da Rede Nacional de Transporte são potencialmente ocupados por espécies classificadas na Lista Vermelha da International Union for Conservation Nature (IUCN), nas seguintes categorias:

2018 2017 2016

Criticamente ameaçado 2 2 2

Ameaçado 8 8 7

Vulnerável 22 19 18

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