UNISANTOS – Mestrado em EDUCAÇÃO
4.4 COMPROMISSO SOLIDÁRIO COM A SUSTENTABILIDADE
4.6 Gestão Democrática e a Ecosustentabilidade
Cidadania planetária a construção de uma cultura da sustentabilidade, uma bio-cultura da convivência harmônica entre seres e natureza. Nova forma de governo propondo a descentralização da educação baseada na ação comunicativa, gestão democrática, na autonomia, na participação, na ética e na diversidade cultural.
No Município de Santos, os gestores devem promover no contexto escolar a Pedagogia da Terra, isto é, compreender a totalidade dos desequilíbrios ambientais que estão afetando as comunidades, as consequências do aquecimento global, as extinções de espécies e adotar o enfrentamento com a co-responsabilidade cidadã, envolvendo as comunidades ou grupos de pessoas em situações de riscos.
O Relatório do Desenvolvimento Humano de 2005 (PNUD, 2005 apud LAYRARGUES, 2009), destaca que há uma distinção entre pobreza e desigualdade. Pobreza implica a desigualdade econômica, mas a desigualdade em si, se manifesta de diversas maneiras na distribuição ou ausências de serviços públicos e de conhecimento. No relatório, os redatores destacam que a desigualdade por ser multifacetada
[...] se combate transversalmente, por meio de várias outras políticas e não apenas por políticas educacionais, sociais ou de renda [....] ao revelar a categoria ´desigualdade‟ como um problema fundamental a ser enfrentado, o documento deixa claro que não existe dicotomia entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social, são elementos indissociáveis. (p. 13)
Sugere-se à equipe da educação que reflita sobre a relação da cidadania planetária e as questões das desigualdades, no sentido de priorizar quatro questões sobre as construções dos saberes relativos à ecoformação e ao gerenciamento dos riscos frente aos problemas encontrados na região: o que é; como ocorre; por quê;
qual a causa e como pode ser transformado ou gerenciado. Interrogações que podem colaborar na análise da interdependência do município de Santos com a Petrobras, a fim de identificar o que há de real nos benefícios e malefícios, quais os riscos presentes e como gerenciá-los.
Para Freire (2007), pode-se pensar em duas formas de conceber a Educação em relação à pedagogia que envolva o impacto do Meio Ambiente: quando engloba homens e a realidade. Na primeira concepção, o profissional apresenta uma visão ingênua sobre as interações sociais e o impacto sobre o meio, na segunda, apresenta um olhar crítico sobre os fatos, mas ao radicalizar seu ponto de vista, pode conceber a realidade como imutável e cristalizada sem possibilidades mudanças.
Há um alerta sobre o perigo desta dicotomização de posturas, torna-se necessário atender à Carta da Ecopedagogia, que nos aponta para uma mudança de paradigma econômico. “Desenvolvimento com justiça e equidade cultural e social, economicamente factível, ecologicamente apropriado como bem-estar sócio- cósmico.”( GADOTTI 2010, p.75).
No caso do gerenciamento de riscos, o profissional da educação deve ter o cuidado ao julgar as ações da Petrobras ou avaliando como a solução econômica, ou mal ecológico para a Baixada Santista, sem entender a complexidade geográfica, estrutural e econômica do processo.
Há nesta relação, um número enorme de espécies vivas que dependem da organização, da estrutura, da ética e do respeito ao seres que habitam a região, na qual a Petrobras está instalada. Não há sentido de uma economia se não houver seres vivos, há a necessidade, por parte da equipe educacional, de ter um olhar crítico e complexo e pensar uma nova organização curricular que inclua entre os saberes, a inclusão das espécies e o Meio Ambiente (social, econômico e político).
A evolução tecnológica é irreversível e dicotomizá-la no sentido de seres vivos versus tecnologia seria insustentável “O erro desta concepção é tão nefasto como o erro da sua contrária –, a falsa concepção do humanismo -, que vê na tecnologia a razão dos males do homem moderno.” (FREIRE, 2007, p. 23). Para o autor, o profissional deve compreender a totalidade da relação dos pertencentes à Gaia, todos os seres que habitam a Terra e assim a tecnologia pode ser compreendida como útil para um desenvolvimento sustentável. “Se o meu
compromisso é realmente com o homem concreto”, [...] “de sua libertação, não posso por isso mesmo prescindir da ciência, nem da tecnologia, com as quais me vou instrumentando para melhor lutar por esta causa.” (FREIRE, 2007, p. 23).
Gadotti (2008) “[...] nos acena para um caminho ecozóico, numa nova relação saudável com o planeta, reconhecendo que somos parte natural da terra e precisamos estar atentos a harmonização ecológica.” (p. 62, grifos do autor).
Uma nova pedagogia dos direitos associada aos direitos humanos-econômicos, culturais, políticos e ambientais – e direitos planetários. Ela desenvolve a capacidade de deslumbramento e de reverência diante da complexidade do mundo e a vinculação amorosa com a Terra.
4.6.1 Objetivos do gerenciamento de riscos
Neste momento da proposta traz-se os estudos de Cunha (2002) sobre o gerenciamento de riscos e da ação de emergências da Petrobras no município de Santos. Entende-se que há necessidade de uma proposta curricular que leve em conta o gerenciamento de riscos ao enfrentar o dilema dos desordenados agrupamentos urbanos, nos quais há um encontro entre rodovias, de ferrovias, os dutos de óleo e gás, muitas vezes deparados na Baixada Santista.
Diante do exposto é relevante salientar alguns objetivos entre outros que poderão ser sugeridos pelos próprios grupos envolvidos no âmbito das ações pedagógicas.
a) Conscientização planetária na prevenção, no cuidar e no gerenciamento de riscos da Petrobras no que diz respeito às escolas do Município de Santos. b) A aproximação das Universidades da região, Graduação e Pós- graduação, com a Secretaria de Educação de Santos, no sentido de estabelecer o diálogo
entre a cultura científica, com o discurso e as práticas da população, no que se refere à sustentabilidade à luz das ações da Petrobras.
c) Parceria da Secretaria da Educação e das escolas do Ensino Básico, a comunidade, com a Secretaria do Meio Ambiente, com a Petrobras, Universidades locais e com a Defesa Civil do município. O objetivo é estabelecer a coordenação e a responsabilidade da administração local, na organização de planos de gerenciamento de riscos e de ação de emergência. As políticas públicas de educação devem estar presentes nos projetos pedagógicos, os princípios da gestão democrática, possibilitando a autonomia das unidades escolares em firmar parcerias atuantes com os órgãos públicos, objeto desse trabalho, marcando o conhecimento consensual de todos os envolvidos em busca da eficácia desse gerenciamento.
d) Construção coletiva pela comunidade escolar, um plano de emergência que possa responder às questões: o que fazer na ocasião de um acidente? como será a mobilização dos diferentes setores da comunidade? quais os órgãos e serviços que serão responsáveis, para estarem inclusos na construção e organização de um plano de fuga?.
4.6.2 Conhecer e compreender
Em relação aos conteúdos curriculares, devem obedecer as especificidades de cada componente disciplinar, e suas interações na aquisição do conhecimento contextualizado na interdisciplinaridade tanto sobre os conhecimentos geográficos e territoriais da região, tipos de solo, vegetação, rios, municípios vizinhos, riscos dos municípios vizinhos, estradas, melhores caminhos para escoamento, diferentes meios de transporte.
Os alunos deverão conhecer e compreender os seguintes conceitos pertinentes ao assunto para a construção de planos de emergências:
a) A Petróleo Brasileiro S.A (Petrobrás), e uma de suas substidiárias, a Petrobras Transporte S.A (Transpetro), são as empresas que atuam em nossa região no setor de transporte dutoviário de petróleo e derivados. O duto em questão é o Osbat. O oleoduto Osbat possui extensão aproximada de 120 quilômetros. É um duto subterrâneo construído em aço-carbono, com 24 de diâmetro externo, que transporta petróleo do Terminal de São Sebastião (Terminal Almirante Barroso – Tebar) para a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) de Cubatão. (TORRES e CUNHA, 2008, p. 214).
O trajeto percorrido, pelo oleoduto atravessa quatro municípios (São Sebastião, Bertioga, Santos e Cubatão), duas Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Baixada Santista e Litoral Norte), estradas, áreas urbanas, o Parque Estadual da Serra do Mar, a área tombada da Serra do Mar e ecossistemas de alto interesse, como manguezais, mata atlântica de encosta e restinga. (TORRES e CUNHA, 2008, p. 218).
b) Cálculos estimativos tais como a Petrobras trabalha com base na equação de risco ambiental. Isto é, (R = f x c - risco é frequência ou probabilidade do evento multiplicada pela consequência) e qual o cálculo de riscos ambientais é, para a engenharia ambiental, um processo pelo qual são identificados, analisados e quantificados os riscos à saúde humana ou a algum bem ambiental a ser protegido (SERPA, 2000 apud CUNHA, 2008).
c) Diferentes tipos de Riscos de Segurança de Processos: Risco à Saúde Humana: Risco Ecológico: Gerenciamento do Risco e ter habilidades para fazer a análise das informações e da “avaliação de risco” e dos fatores políticos, sociais e econômicos, para a definição das ações para a redução do risco. O gerenciamento do risco requer o balanceamento dos seguintes fatores: efeitos; custos; benefícios e confiabilidade (CUNHA, 2008).
d) As medidas preventivas da Petrobras em relação aos riscos. Elucidação dos conceitos de Risco Ecológico, Comunicação de Riscos, Gerenciamento de Riscos, Probabilidades de Riscos e sobretudo os papéis dos órgãos fiscalizadores (ministério público,IBAMA,CETESB, PEGASO ,dentre outros) e principalmente como se dá a implantação de Sistemas de Gestão Ambiental- SGA nas organizações e o comprometimento destas com a comunidade em geral.
e) A implantação de Sistemas de Gestão Ambiental – SGA na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão-SP, que envolve o conjunto nas dimensões de Saúde e Segurança, que compõem na sua missão o Sistema de Saúde, Meio Ambiente e Segurança – SMS. Ter como meta a ampliação cada vez mais o envolvimento de seus stakeholders (comprometimento da empresa com suas relações, com os fornecedores, funcionários, comunidades próximas, entre outros).
f) As probabilidades de riscos, o que é o plano APELL, pois ele apresenta uma metodologia desenvolvida pela Agência de Indústria e Meio Ambiente e da ONU, como alternativa viável diante dos fracassos contínuos dos planos de defesa civil tradicionais.
g) Os trabalhos em parceria para a implantação do plano APELL - Alerta e Preparação da Comunidade para Emergências em Nível – semelhante ao realizado em São Sebastião - SP, sede do maior terminal petrolífero da América Latina (Terminal Almirante Barroso), que promove todos os anos seu “Dia do Alerta”. A estratégia de comunicação empregada conta com publicação de uma cartilha desenvolvida em São Sebastião pelos órgãos responsáveis pelo plano, que tem como meta, o esclarecimento e a mobilização dos setores da comunidade para uma gincana cujas tarefas esclareciam aspectos da situação do alerta. (CUNHA, 2002).
4.6.3 Plano de Ação para emergências em Santos.
Nas escolas surge depois da teorização, um plano de ação que envolva as questões de previsibilidade e previnibilidade em atenção ao cuidar e ao gerenciamento de riscos em Santos.
As instituições de ensino em suas ações devem propor atividades didático- pedagógicas uniformes e com equidade entre elas, promovendo debates sobre a natureza da região e a sustentabilidade da Petrobras (Riscos oferecidos). A partir de
esses conteúdos levanta-se dados e ações concretas para o gerenciamento de riscos. Segue-se a construção de projetos pelos alunos, para o gerenciamento de riscos, para a população. Discussões que envolvam todas as parcerias apontadas nos objetivos, no sentido de se criar um banco de idéias, um banco de propostas, em cada escola, sobre os riscos e sustentabilidade na região.
Os modelos de planos de ações devem existir e ao longo do tempo, deve ser adotado um plano de forma e igual teor para todas as escolas, com o apoio de órgãos especializados, para garantir a segurança da população, uma vez que o pânico pode representar o fracasso da ação.
Para viabilizar essa união, sugere-se que após a coleta do banco de propostas sobre os riscos das diversas escolas, com a participação da comunidade, haja eleição das idéias mais viáveis para a construção de um plano de fuga. Com todas as propostas gestadas pelos alunos e a escolha pela comunidade de algumas propostas, a Petrobras, os órgãos responsáveis pela defesa civil, com a Secretaria de Educação e uma comissão que represente a comunidade escolar, socializem tais idéias de modo que sejam criadas políticas de emergência.
Nesse sentido para ser viável a tarefa acima a equipe escolar deve apresentar a autonomia de multiplicar à população as orientações pertinentes em caso da prevenção e acidentes, pois se sabe que a grande preocupação está em como um grupo de indivíduos em situação de risco pode se auto-proteger, ou saber evacuar o local com sucesso e não piorar a própria catástrofe. Essas medidas são necessárias e indispensáveis no trato do currículo escolar, que deve contemplar por intermédio da transversalidade os papéis da defesa civil que coordena e administra a região e que pode socializar a organicidade do plano de gerenciamento de riscos em situação emergencial.
A socialização dessas decisões deve ser base para uma proposta organizada pelas instituições responsáveis em um único plano de emergência para o município, no qual a escola torna-se instrumento de multiplicação tendo como protagonista neste processo, os alunos.