Design ainda é um conceito pouco compreendido pelos empresários em geral. devido a uma série de fatores que envolvem o dia-a-dia de uma empresa (pessoas, custos, vendas, distribuição, etc), eles geralmente não percebem que pequenos detalhes tais como uma embalagem, uma matéria-prima diferenciada, ou outro qualquer, que venha agregar valor ao produto e possa representar aumento nas vendas e também nos lucros é de extrema importância.
Em outubro de 2002, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou
os benefícios do uso de design na indústria. Segundo o levantamento21, nada menos
que 68% das empresas ampliaram suas vendas após introduzirem técnicas de desenho de embalagens no rol de ferramentas de gestão utilizado por elas. O mesmo estudo constatou que as microempresas além de experimentar uma significativa evolução no faturamento, viram também seus custos recuarem em 45%. Gestão passa a ser a palavra da moda! Gestão do design passa a ser uma solução! O design não poderia ficar de fora a este movimento, que é mais que modismo, é uma tendência impulsionada pela globalização, pela tecnologia, pelos consumidores, pelas empresas e principalmente pela busca do ser humano, de meios de resolução de problemas. A gestão do design passa a ser um componente importante das empresas. E qual é o significado do design para as empresas ?
De acordo com Merino (2002), design é normalmente considerado como o processo de desenvolvimento de produtos, que pode se constituir no elemento chave do planejamento de um empresa, do que vende, utiliza e comunica. E ao mesmo tempo, observar as muitas variantes no momento certo: tecnologia, rentabilidade, consumidor. Este último, exige consciente ou inconscientemente promessas de satisfação, dái a sua importância.
Ainda segundo o mesmo autor, atender às necessidades do consumidor, praticar gestão de design nas empresas, é reconhecer a importância do design como uma das variáveis decisivas da eficácia empresarial, em suma, maiores lucros com a qualidade como diferencial no processo e no produto final e também, a inovação. Um outro aspecto que não pode ser negligenciado é o operacional, que diz respeito a responsabilidade pela implementação das novas idéias e ao
estabelecimento de um bom relacionamento das áreas envolvidas (internas e externas). Dessa forma três elementos se fazem fundamentais, sendo estes: determinar a natureza de um produto, avaliando a capacidade da empresa e dos objetivos, organizar o processo de desenvolvimento, os fluxos e as equipes de trabalho.
Sendo assim, pode-se afirmar que a gestão do design se apresenta como uma execelente oportunidade de colocar o design em evidência, deixando de lado as tradicionais idéias que relacionam o design somente com os aspectos estéticos formais dos produtos, sejam quais forem.
De acordo com Merino (2002), para a empresa de confecção moderna os elementos do design de moda também vão além dos aspectos estético formais. Na visão empresarial, a gestão do design envolve aspectos relacionados com a inovação e modernidade da empresa. Dentro deste contexto, o desenvolvimento comercial da marca torna-se um dos pontos principais, sendo considerado a essência, ou seja, o estilo que será transmitido através da identidade da empresa. Esta identidade está ligada no mundo contemporâneo, a dois fatores: inovação/reinvenção da marca. A inovação passa a ser o ponto chave do desenvolvimento do produto e da confecção que nos padrões vigentes atua para conseguir mais qualidade no produto final. Desse modo, o item qualidade passa a ser agregado a todo e qualquer produto não sendo considerado como diferencial, mas como exigência básica para atender bem o consumidor.
De acordo com Costa (2002), o designer de moda contemporâneo tem como função desenvolver um estilo que seja reconhecido e associado à marca para a qual trabalha, é prioridade da gestão do design junto com outros setores da empresa, definir estratégias de mercado, de criação e produção de uma nova linha de produtos a cada estação.
Ainda, de acordo com Costa (2002), estar conectado às novas tendências de negócios e pensar sobre produtos e mercados de modo diferente do que se está acostumando é o primeiro passo para implementar novas estratégias e obter resultados positivos para um negócio. Muitas vezes tendências padronizadas transformam-se em desafio ao desenvolvimento de uma coleção e a ousadia do designer deve prevalecer na hora da criação, fazendo valer o investimento em novos
valores, como por exemplo, rapidez de resposta ao concorrente e criatividade na implementação de novas estratégias de produtos.
Assim, considera-se que fazem parte da evolução das estratégias de negócios de moda:
Ousadia, criatividade e visão de produtos e mercados por ângulos
distintos do modo atual;
Informações de moda e mercado;
Escolha e redimensionamento do público-alvo;
Desenvolvimento de produtos direcionados totalmente para atender
características particulares do seu público-alvo;
Criação de um banco de talentos na sua empresa para sugerir e desenvolver novas oportunidades de negócios e produtos;
Capacidade de produção industrializada;
Perfeito entrosamento entre produto/necessidades do público-
alvo/capacidade de produção industrializada.
É importante ressaltar que todos os itens anteriores estão intimamente relacionados a três fatores de extrema importância e que repercutirão na implementação das novas estratégias e produtos, são eles:
Influências sociais como a moda dominante imposta pelas
tendências (podem modificar as preferências do consumidor de um momento para o outro);
A evolução do ambiente cultural em que se vive e pode afetar nossos valores pessoais e sociais;
As decisões tomadas pelos executivos das empresas podem
Para alcançar sucesso, o gestor do design de moda deverá incorporar aos investimentos tradicionais (financeiro, produção, vendas e intelectual) dois novos investimentos: no desenvolvimento de novas idéias e no risco de executá-las. A utilização de métodos e ferramentas projetuais facilitará o alcance e execução destes objetivos.