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PARTE II – Enquadramento Prático

1. Caracterização dos Contextos de Estágio

1.2. Jardim de Infância Bairro São Vicente de Paula Nº2

1.2.3. Gestão do Tempo, Rotinas e das atividades

O dia a dia num J.I. deve proporcionar à criança oportunidades de conhecimento de si e dos outros, passando pela descoberta do que é capaz de fazer, empenhando-se sempre em fazer melhor, aprendendo a crescer como ser humano, sendo capaz de pedir auxílio e de auxiliar se necessário.

Porém, cabe a nós (futuros) educadores a tarefa de desafiar a criança, de a estimular e orientar, tendo sempre em conta as suas capacidades e limites, as suas necessidades e aspirações.

Assim, no jardim de infância, o tempo deve ser organizado pelo educador e também pelas crianças. Esta gestão do tempo é muito importante porque

[…] contempla de forma equilibrada diversos ritmos e tipos de atividades, em diferentes situações – individual, com outra criança, com um pequeno grupo, com todo o grupo - e permite oportunidades de aprendizagem diversificadas tendo em conta diferentes áreas de conteúdo. (OCEPE 1997: 40).

As atividades devem ser organizadas e planeadas de acordo com as necessidades e interesses do grupo, tendo em atenção vários aspetos como a idade, o ritmo individual e as capacidades de cada criança, para que estas se sintam confiantes e aptas para realizar uma determinada tarefa ou atividade, sendo esta livre, orientada ou de rotina.

A criança deve sentir-se capaz de se orientar no decorrer do dia a dia do J.I., sem estar constantemente dependente da ejuda do educador ou de outro adulto para saber o que dever fazer ou para onde deve ir a seguir (Cardona 1992: 9).

1.2.3.1. Tipo de Atividades

1.2.3.2 ATIVIDADES DE ROTINA:

(Anexo 1)

As atividades de rotina são fundamentais para o bom funcionamento do quotidiano das crianças no J.I., devem ser organizadas de forma estruturada, respeitando a dinâmica do grupo.

Segundo Cardona (1992), estas atividades devem ser explicadas e negociadas com as crianças, para que estas compreendam e se situem de forma autónoma no decorrer do dia de atividades.

As atividades de rotina não devem ser vistas como tarefas não dotadas de objetivos educativos, pois são elas que orientam a criança dentro e fora da sala.

Segundo Folque (1995), as rotinas devem ser dignificadas

[…] tornando-as um tempo nobre, um espaço de aprendizagem efetiva, um ritmo prometedor, a festa criadora, num dia que só assim será todo ele significativo desde o abrir ao fechar do portão”(Folque 1995: 18).

Em suma, estas são as atividades que se realizam diariamente quase sempre à mesma hora. Atividades estas que podem ser também orientadas, desde o modelo de execução, passando pelos objetivos das mesmas. Deve-se ainda levar as crianças a alcançar esses mesmos objetivos, assim o dia a dia das crianças no Jardim de Infância desdobra-se transversalmente numa sequência de situações que se alternam e que são ora atividades pedagógicas de educador com o seu grupo, ora situações a que normalmente chamamos “rotinas”.

1.2.3.3. ATIVIDADES DE LIVRE ESCOLHA

(Anexo 2)

As atividades de livre escolha no J.I. proporcionam às crianças uma integração gradual no quotidiano da sala, o que aumenta e desenvolve a cooperação entre o grupo.

Segundo Cardona (1992), estas atividades realizam-se informalmente a partir da organização do espaço e dos materiais e não são orientadas diretamente pelo educador, podendo ser escolhidas livremente pelas crianças no seu quotidiano.

Para Barbosa & Horn (2001), as atividades de livre escolha podem ser escolhidas pelas crianças de acordo com o que estas desejam fazer, desde que o ambiente, os materiais e o espaço o permitam. As crianças, nestes períodos, devem dispor do tempo necessário para construir e desenvolver brincadeiras.

No J.I SãoVicente de Paula nº2, as atividades livres centram-se maioritariamente nas áreas da sala que as crianças podem escolher onde querem brincar. Os momentos dedicados a estas atividades realizam-se no período da manhã e de tarde. A educadora cooperante apenas interfere nas escolhas das crianças em caso de conflito ou caso o número de escolhas atinja o limite de crianças que podem estar nas áreas. Se for necessário, aconselha a criança a procurar uma área que não escolha com regularidade. Esta intervenção, por vezes, torna-se necessária para que seja dada a oportunidade a

todas as crianças de conhecer e explorar todos os espaços e respetivos materiais presentes na sala.

Assim, este é o momento excecional para presenciar as crianças enquanto “mergulhadas” no mundo do faz de conta. É no decorrer destas atividades que observamos recriadas cenas do dia a dia, onde a criança retrata muitas das suas vivências, desejos ou desapontamentos.

1.2.3.4. ATIVIDADES ORIENTADAS

:

Para Barbosa e Horn (2001), as atividades orientadas são organizadas e planeadas pelo educador para todo o grupo. Estes autores defendem ainda que estes momentos e esta forma de organização “são importantes para se trabalhar a atenção, a concentração e a capacidade das crianças atenderem propostas feitas coletivamente.” (Barbosa e Horn 2001: 69)

O educador normalmente centra a sua prática em torno das atividades orientadas, que são consideradas as mais relevantes, visto que estas atividades são fundamentais para experimentar, explorar e trabalhar as várias áreas de conteúdo que constam no currículo do pré-escolar.

Segundo Cardona (1992), as atividades orientadas, também denominadas atividades dirigidas, são atividades direcionadas para o grupo orientadas pelo educador, e em alguns casos também por uma criança do grupo, e não estão diretamente dependentes da organização do espaço e dos materiais.

No J.I. São Vicente de Paula, as atividades orientadas são as que mais se destacam no quotidiano da sala e são desenvolvidas tanto no período da manhã como no período da tarde. Estas atividades são orientadas e planeadas de acordo com um conjunto de objetivos para um determinado tema, que a educadora pretende que as crianças alcancem no final das atividades.

São atividades planificadas pelo educador/a, sendo da responsabilidade dele/a definir objetivos específicos para as mesmas, podendo ser realizadas em grande ou pequeno grupo e podem ser importantes para se trabalhar a atenção, a concentração e a capacidade das crianças de atentarem em propostas feitas coletivamente, podendo ser realizadas tanto nos espaços internos como externos das escolas.

Como já foi referido anteriormente, existem horários estabelecidos: no período da manhã começam a atividade letiva às 9:00, fazendo um intervalo de 30min a meio da manhã para lancharem e recomeçam novamente até às 12:30; no período da tarde as crianças reiniciam a atividade letiva às 14:00 e finalizam às 15:30. É de notar que as crianças podem ir/sair da escola antes/depois deste horário. Durante este período, as crianças ficam a cargo da animadoras e

realizam várias atividades.

Existem momentos distintos no tempo letivo, como podemos verificar na imagem. Segundo (Spoked 1998: 136), “Uma rotina diária determina horários para as atividades de cada dia. As crianças aprendem a antecipar eventos futuros através da regularidade das ocorrências diárias.”

A agenda semanal (ilustração 26) é elaborada pela educadora consoante a

necessidade de trabalho. É de realçar que nem sempre é seguida a rigor, pois quando alguma tarefa fica por concluir continuam-na no dia seguinte. Durante a semana, são realizadas várias atividades que incluem diversas áreas, tais como a área de conteúdo de expressão e comunicação (motora, dramática, plástica, musical); a área de conteúdo da linguagem oral e escrita, através dos contos, das adivinhas, da poesia, entre outros; domínio da matemática; e ainda a área de conteúdo do conhecimento do mundo onde realizam diversos trabalhos de projetos.

No dia letivo, a educadora questiona as crianças sobre o que desejam fazer e, consoante a sua resposta, a educadora tenta adequar conforme o pretendido para esse dia.

Segundo a educadora, as áreas que são trabalhadas com maior intensidade são o domínio da linguagem oral e escrita e da matemática.

É no clima de comunicação criado pelo educador que a criança irá dominando a linguagem, alargando o seu vocabulário, construindo frases mais corretas e complexas, adquirindo maior domínio da expressão e comunicação que lhe permitam formas mais elaboradas de representação. (Ministério da Educação 1997: 67)

É importante desenvolver o domínio da matemática, pois “cabe ao educador partir das situações do quotidiano para apoiar o desenvolvimento do pensamento lógico matemático, intencionalizando momentos de consolidação e sistematização de noções matemáticas”. (Ministério da Educação 1997: 73).

É importante explorar a comunicação oral e escrita, bem como o domínio da matemática para o desenvolvimento cognitivo da criança. A educadora fá-lo de forma a cativar as crianças pois são realizadas várias atividades e de seguida são expostas nos placares. É de referir, ainda, que a educadora, para trabalhar o domínio da linguagem oral e escrita, explora frequentemente o conto, a poesia e as lengalengas. A atitude do educador e o ambiente que é criado devem ser facilitadores de uma familiarização com o código escrito. Neste sentido, as tentativas de escrita, mesmo que não conseguidas, deverão ser valorizadas e incentivadas.

É relevante para a criança estabelecer rotinas desde cedo

a sucessão de cada dia ou sessão tem um determinado ritmo existindo, deste modo a rotina que é educativa porque é intencionalmente planeada pelo educador e porque é conhecida pelas crianças que sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo liberdade de propor modificações. (Ministério da Educação 1997:40).