III. GESTÃO COMBINADA DE PRAZOS E DE CUSTOS
3.3. Metodologia de gestão combinada do prazo e do custo
3.3.5. Monitorização e controlo
3.3.5.3. Gestão do valor ganho (Earned Value Management – EVM)
Em [13] é desenvolvida a técnica do valor ganho (Earned Value Management - EVM), a qual consiste na medição do progresso do projecto, associando o prazo e o custo por comparação com a baseline, numa determinada data de estado (status date), durante o desenvolvimento do projecto.
A técnica EVM permite uma análise baseada em valores monetários, perante a situação do trabalho realizado no projecto, facultando a comparação dos custos reais com os custos estimados. Pode ainda fornecer uma estimativa futura baseada na tendência verificada até ao momento da análise.
A sua aplicação requer três indicadores de base, a partir dos quais se obtêm indicadores de desvios, indicadores de desempenho e indicadores de previsão.
Na tabela seguinte resumem-se os indicadores considerados mais significativos para a gestão de um projecto de construção.
Tabela 5 - Indicadores mais significativos da técnica EVM
IN D IC A D O R
SIGLA DESIGNAÇÃO SIGNIFICADO/
DESCRIÇÃO EXPRESSÃO DE CÁLCULO INTERPRETAÇÃO GENÉRICA DE RESULTADOS PV Planned Value
Custo orçamentado para o trabalho
planeado (baseline) - - - - - - BA S E ou ou BCWS Budgeted Cost of Work Sheduled EV Earned Value
Custo orçamentado para o trabalho
realizado - - - - - -
ou ou
BCWP Budgeted Cost of Work Performed AC Actual Cost
Custo real para o trabalho realizado - - - - - -
ou ou
ACWP Actual Cost of Work Performed BAC Budget at
completion Custo orçamentado inicialmente - - - - - -
D
E
S
V
IO
SV Shedule Variance Desvio de prazos SV = EV-PV
SV (%) = SV/EV > 0 = 0 < 0 Bom desempenho Conforme planeado Mau desempenho
CV Cost Variance Desvio de custos CV = EV-AC CV (%) = CV/EV
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Refere-se que o BAC (custo orçamentado inicialmente) foi incluído como sendo um indicador de base, por ser um dado conhecido inicialmente, designadamente por representar o orçamento aprovado do projecto, apesar de não ter qualquer influência para a obtenção dos indicadores de desvio e de desempenho. Contudo, condicionará os indicadores de previsão.
Existem ainda outros indicadores de previsão da EVM, porém, apresentaram-se na tabela anterior os que são mais correntemente utilizados, sendo que para no presente trabalho, a análise irá incidir sobre os mais relevantes para análise dos desvios, do desempenho e da previsão, representados na tabela 5.
4
Expressão a ser utilizada para um cenário optimista, em que as condições tendenciais não se repetirão no desenvolvimento do projecto.
5
Expressão a ser utilizada para um cenário intermédio, em que as condições tendênciais se irão repetir em medida similar no desenvolvimento do projecto.
6
Expressão a ser utilizada para um cenário péssimista, em que as condições tendencias se irão repetir, adicionando custos extraordinários pela inclusão de recursos adicionais.
D E S E M P E N H O SPI Shedule Perfomance
Index Índice de desempenho dos prazos SPI = EV/PV > 1 = 1 < 1
Melhor que o planeado Conforme planeado Pior que o planeado
CPI Cost
Perfomance Index Índice de desempenho dos custos CPI = EV/AC
P RE V IS Ã O EAC Estimate at Completion
Estimativa do custo total baseada na tendência à actualidade EAC4=AC+BAC-EV, ou EAC5=AC+(BAC-EV)/CPI, ou EAC6=AC+(BAC-EV)/ (CPI.SPI) - - - ETC
Estimativa do custo remanescente para conclusão baseada na
tendência à actualidade
ETC = EAC-AC
Estimate to Complete
VAC Variance at
Completion Desvio na conclusão
VAC = BAC–EAC VAC(%) = VAC/BAC
> 0 = 0 < 0
Melhor que o planeado Conforme planeado Pior que o planeado
TCPIBAC
To Complete Pefomance Index
BAC
Índice de desempenho para
conclusão. Eficiência necessária para atingir o BAC
TCPIBAC=(BAC-EV)/
(BAC-AC) > 1 = 1 < 1 Melhorar eficiência Eficiência suficiente Eficiência acima do necessário TCPIEAC To Complete Pefomance Index EAC
Índice de desempenho para conclusão. Eficiência necessária para atingir o EAC
TCPIEAC=(BAC-EV)/
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Para resumo dos indicadores de base, do desempenho e de previsão, assim como dos respectivos significados da técnica EVM, apresenta-se na figura seguinte a sua representação gráfica para um projecto fictício:
Figura 11 - Representação gráfica da EVM para um projecto fictício
Para o projecto fictício acima representado, observa-se uma análise realizada no momento 6 da evolução do projecto, indicado como data de estado, ou de informação (status date). Nesse momento é visível que o custo actual AC, é superior ao custo planeado PV, o que de forma isolada, poderia levar à conclusão espontânea de que poderão existir custos extraordinários até à status date. Todavia, é incorrecto basear essa conclusão apenas em ambas as curvas relativas ao AC e ao PV. Isto porque este facto poderia acontecer, por exemplo, pela realização antecipada de outros trabalhos previstos no projecto, o que justificariam este acréscimo, podendo até indicar um decréscimo do prazo relativamente ao inicialmente previsto.
Para uma análise correcta, torna-se necessário inserir a curva relativa à EV, ou seja, aplicar ao trabalho efectivamente realizado os respectivos valores orçamentados, relacionando-a com as curvas anteriores. Desta forma é então possível uma conclusão correcta, o que no caso do exemplo apresentado, por aplicação dos indicadores de desvios SV e CV, se concluí que o projecto apresenta um desempenho desfavorável. Em síntese, perante os dados da figura anterior, conclui-se que o projecto se encontra atrasado no prazo e que apresenta custos superiores ao previsto. Convém realçar que a quantificação da EV pressupõe alguns cuidados no que concerne à uniformidade da distribuição de custos no tempo,
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ou à natureza da actividade que está a ser medida em termos do seu contributo de esforço para o produto final. Com efeito, na óptica de [5] podem ser considerados 3 tipos de actividades em função da sua contribuição de esforço para o progresso do projecto:
a) As actividades cujo esforço contribui decisivamente para o produto final, possibilitando uma simples quantificação do EV, sendo exemplos as actividades de construção da obra;
b) As actividades que estão directamente associadas às anteriores, mas cujo esforço não contribui decisivamente para o produto final, podendo neste caso serem quantificadas nas mesmas proporções das anteriores, sendo exemplos as actividades de inspecção, de controlo contabilístico, entre outras;
c) As actividades cujo esforço não reproduz efeitos visíveis e se tornam de quantificação subjectiva, como por exemplo actividades de marketing ou de gestão, entre outras.
Face à tendência evidenciada até à status date, surgem as previsões para conclusão do projecto, situadas acima do orçamento inicial BAC, no montante total equivalente a EAC, com um diferencial de custo de VAC, e com um atraso no prazo equivalente ao período de tempo que resulta entre os momentos 12 e 10, estes representados no eixo das abssicas. Realça-se ainda os remanescentes de custo e de tempo para a conclusão do projecto nas condições à status date, designadamente, o saldo a dispender equivalente a ETC.
É ainda possível analisar com maior detalhe as variações transmitidas pelos indicadores de desempenho CV e SV, usando para tal os valores acumulados ao longo do tempo de desenvolvimento do projecto. A seguir representa-se gráficamente para o mesmo projecto fictício, os indicadores de desvio e de desempenho até à status date definida na figura anterior.
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Observam-se os resultados dos indicadores de desvios SV e CV ao longo do desenvolvimento do projecto até ao momento 6, no qual foi realizada a análise. Os valores dos indicadores são negativos, expressando um mau desempenho do projecto para ambos os indicadores, relativamente ao prazo e aos custos.
Outra análise gráfica que assume particular interesse, é o estudo da evolução dos indicadores de desempenho SPI e CPI durante o desenvolvimento do projecto. A natureza de informação que fornecem reveste-se de grande utilidade para a detecção de causas de desvíos e para a implementação de medidas correctivas. Na figura seguinte, apresenta-se a evolução gráfica dos indicadores de desempenho para o mesmo projecto fictício.
Figura 13 - Representação gráfica dos indicadores de desempenho do projecto fictício
Observa-se que desde o início do projecto, os índices de desempenho SPI e CPI revelaram ineficiência dado serem inferiores a 1 em qualquer momento, verificando-se também a tendência de aproximação à unidade, à medida que se aproxima a conclusão do projecto.
No caso específico apresentado, na status date, o SPI e o CPI assumem os valores de, respectivamente, 0,7 e de 0,6. Isto significa que a eficiência de cada um deles está a 70% e a 60% da eficiência que teria sido necessária para cumprimento da baseline.
Em termos práticos significará, por exemplo no caso do CPI, que por cada por cada euro dispendido, apenas 0,60 euros geraram valor, ou na medida inversa, por cada euro produzido, o projecto dispende aproximadamente 1,67 euros.
Interessa realçar que estes resultados podem impulsionar o gestor de projecto a introduzir medidas imediatas de modo a inverter o desempenho do projecto, com vista a inverter a tendência negativa que
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se verificara. Nomeadamente e desde logo, aumentando as eficiências na ordem dos 67%, de acordo com a informação do mesmo indicador. Porém, poderia não ser essa a forma adequada de reacção ao problema- Isto devido à informação transmitida pelos indicadores de desempenho reflectirem o passado, podendo-se revelar como incorrecto o uso dessa informação para fazer previsões de recuperação do projecto.
Isto justifica-se pelo facto de que para prever possíveis recuperações, urge a necessidade de trabalhar com dados presentes e que perspectivem o futuro do projecto, mediante os objectivos de prazo e de custo estabelecidos, procedendo a eventuais adaptações circunstanciais necessárias.
Para responder a este problema, devem ser usados os indicadores de previsão. Para este efeito, a técnica EVM apresenta os indicadores de previsão TCPIEAC e TCPIBAC, sendo que este último assume
uma especial importância quando na perspectiva de recuperar o projecto, de modo a completa-lo dentro do orçamento inicial.
O indicador EAC informa à status date preconizada, a estimativa do custo total do projecto, considerando um cenário optimista, ou seja, partindo do pressuposto que as variações verificadas até à status date são desprezáveis, com a expectativa de que no futuro não voltarão a acontecer desvios similares. Para situações mais agravadas, foram representaram na tabela 5, duas expressões adicionais para obtenção do EAC.
Em conclusão e dadas as diversas variáveis condicionantes que podem acontecer num projecto de construção, os factores de previsão não deverão funcionar como sendo decisivos na tomada de medidas, mas sim como motivadores para uma análise detalhada ao projecto, proporcionando o equacionar de vários cenários para apoiar quaisquer decisões definitivas.