Capítulo III | Farmácia comunitária: relatório de estágio
10. Contabilidade e gestão
10.2. Gestão e aspetos fiscais
Os aspetos de gestão e contabilidade não devem ser desvalorizados, em especial do contexto de instabilidade económica presente. Os farmacêuticos devem cada vez mais apostar em fortes conhecimentos de gestão, pois o conceito de farmácia como espaço de saúde não pode ser dissociado da realidade que também é uma empresa privada, dependente da sua gestão interna de recursos. Os farmacêuticos devem assumir um papel proactivo na gestão da farmácia, a nível dos stocks – balançando o que é necessário dispor para as necessidades dos utentes, com o seu custo, baseando-se em noções como rotatividade de stocks e classificações ABC -, a nível dos tipos de serviços prestados e do seu pagamento – apostando em novos serviços de saúde úteis à comunidade e aos seus utentes - e nas próprias vendas – utilizando as regras de marketing farmacêutico para atrair novos utentes à farmácia.
A nível financeiro, devem ser conhecidos os vários documentos fiscais e legais que compõem a contabilidade de uma empresa (Anexo 32). Destaco que com o DL 198/2012, tornou-se obrigatória a emissão de fatura para todas as transações comerciais. Como tal, a noção de recibo deixou de ser válida, passado a existir apenas faturas e faturas simplificadas.
Caso a farmácia seja gerida por uma empresa de contabilidade, importa garantir que há uma sólida relação de confiança e comunicação, para que a laboração diária desequilibrada não gere défices financeiros não comunicados ou não compreendidos pelo farmacêutico.
11. Conclusão
Nunca os cuidados de saúde foram tão complexos e especializados. Em particular, os cuidados destinados à faixa etária mais elevada, multiplicam-se em intervenções e profissionais destinados a prolongar a vida, tratar e prevenir a doença.
Por outro lado, quanto mais especializado o cuidado, maior o encargo financeiro que implica – custos de desenvolvimento, custos de produção, honorários… - ficando uma fatura por pagar bastante dispendiosa, a qual, cabe em determinada percentagem ao utente e o restante a toda a sociedade. As políticas e visões de saúde do passado derivaram numa política de saúde insustentável economicamente. Somando a outros gastos irrefletidos, chegou-se ao presente momento de crise económica, em que nem os utentes nem o estado têm capacidade para suportar os encargos de todos os cuidados de saúde necessários.
Torna-se urgente repensar os cuidados de saúde, no sentido de optar pela gestão racional da própria saúde do utente, melhorando até a qualidade do cuidado prestado. Visto os medicamentos serem a origem de inúmeros problemas quando utilizados indevidamente, o
105 papel dos cuidados farmacêuticos será cada vez mais valorizado, promovendo terapêuticas lógicas, evitando morbilidades derivadas do medicamento e garantindo o sucesso das terapêuticas.
Como tal, o papel do farmacêutico está a mudar e as expectativas que os seus utentes colocam sobre a sua ação profissional também. Ao longo de 5 anos de MICF os alunos são preparados com conhecimentos teóricos extensos, numa tentativa de os tornar profissionais esclarecidos e aptos. Naturalmente, por mais completo que seja, a teoria não é suficiente, daí a necessidade de executar estágios curriculares.
No entanto, esse conhecimento não pode ser desligado das mudanças que estão a acontecer. Mesmo em termos teóricos, há que ir adaptando as informações relevantes a ensinar: o farmacêutico, para além de especialista do medicamento, tem de ser especialista de produtos de saúde e saber distinguir de entre os vários utentes que o procuram, quais deverão ser reencaminhados para o médico.
Este estágio curricular conferiu-me competências e conhecimentos para agir um dia enquanto profissional, mostrando o quão importante é a função que o farmacêutico executa e quão dificultada é pela crise económica, como pelas próprias políticas burocráticas, por vezes desenquadradas da realidade, que regem a atividade. O estágio na FP foi uma experiência educativa muito positiva, onde acompanhada por uma equipa dinâmica e profissional, pude ter a primeira ligação à realidade da profissão farmacêutica, adquirindo os conhecimentos práticos necessários para tornar mais completa a formação dos últimos 5 anos.
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Anexo 1 – Requisição para aquisição de medicamentos estupefacientes e/ou