• Nenhum resultado encontrado

3. Novo Activo 33

3.1. Gestão e Contabilidade das Empresas 34

Do ponto de vista das empresas, os direitos de emissão deverão ser complementares ao seu natural esforço de aumento de eficiência. O principal objectivo será atingir os benefícios ambientais com o menor custo possível, mas com qualidade necessária, isto é eficientemente.

Qualquer empresa incluída no Plano Nacional de Atribuições, tem que possuir uma autorização de emissões e estar registada no registo nacional, RPLE no caso português. A empresa também deverá ter implementado os protocolos estabelecidos para a monitorização e elaboração dos relatórios das suas emissões de CO2.

Por outro lado, os valores dos direitos de emissões e os custos relativos às emissões de CO2 devem ser incorporados no sistema actual de gestão de risco de cada empresa. Para muitas destas empresas, poderá ser benéfico a opção de entregarem a gestão do seu portfolio de direitos de emissão, por exemplo a um banco de investimento ou a uma empresa especializada neste serviço.

Também ao nível da contabilidade existem mudanças, devendo as empresas assegurar o reconhecimento dos seus direitos de emissão na sua contabilidade. Estes devem ser registados no balanço da empresa, tendo um efeito directo no valor das acções da empresa. Em Dezembro de 2004, o IFRIC (International Financial Reporting Interpretations Committee) emitiu a sua interpretação final, IFRIC 3, com efeitos a partir de Março de 2005, sobre a contabilização das operações relacionadas com os sistemas Cap and Trade para as licenças de emissão de CO2, definindo que as licenças de emissão são Activos Intangíveis.

Para proceder ao correcto tratamento contabilístico e registo das operações relacionadas com os direitos de emissão, é necessário entender quais os principais conceitos relacionados que obrigam a movimentar as contas de CO2, nomeadamente:

i. Os direitos de emissão, os créditos resultantes de projectos MDL e de Implementações Conjuntas devem ser entendidos como um Activo (Intangível e de acordo com a nova versão da IAS (International Accouting Standards) 38, devendo ser reconhecidos pelo seu justo valor de mercado), quer tenham sido atribuídos gratuitamente quer tenham sido adquiridos no mercado;

ii. Quando atribuídos gratuitamente, devem ser reconhecidos como um subsídio, a imputar durante o período em que se façam sentir os respectivos efeitos económicos, de acordo com a IAS 20;

iv. No momento inicial, os direitos de emissão devem ser registados pelo valor justo de mercado, quando adquiridos a título gratuito;

v. Quando adquiridos a título oneroso devem ser contabilizadas ao seu preço de custo; vi. A valorização subsequente dos direitos e créditos deverá ser feita de acordo com o seu

justo valor;

vii. No caso de ser detentor dos direitos, a sua contabilização como um custo operacional deve ser feita pelo custo histórico, numa base FIFO – First In, First Out;

viii. No caso de ter-se emitido gases de estufa sem ser detentor dos respectivos direitos então deve-se contabilizar pelo seu valor justo ou de mercado, como um passivo de acordo com a IAS 37;

ix. No final de cada exercício, a 31 de Dezembro, deve-se valorizar os direitos detidos pelo seu valor justo. Caso haja lugar a proveitos ou perdas, por diferenças de mercado, estes devem ser contabilizados no mesmo o período;

x. Deve-se divulgar na nota 48 do anexo ao Balanço e Demonstração de Resultados as seguintes informações:

• Nº de direitos de emissão atribuídos para cada exercício;

• Emissões reais de gases de efeito de estufa, em toneladas de dióxido de carbono equivalentes;

• Direitos de emissão vendidos no exercício, em toneladas de dióxido de carbono equivalentes e respectivo preço;

• Direitos de emissão comprados no exercício, em toneladas de dióxido de carbono equivalentes e respectivo preço;

• Multas, coimas e sanções acessórias relacionadas com a emissão de gases de efeito de estufa;

• Justo valor dos direitos detidos a 31 de Dezembro.

A título exemplificativo indicam-se os registos contabilísticos mais importantes, para os quais poderá ser necessário desdobrar algumas contas do POC:

1. Atribuição de Direitos de Emissão

a) A Débito: 433X – Licenças de Emissão de CO2

b) A Crédito: 2749X – Subsídios de Licenças de Emissão CO2 a título gratuito 2. Compra de Direitos de CO2

a) A Débito: 433X – Licenças de Emissão de CO2

3. Venda de Direitos de CO2

a) A Débito: Conta de Disponibilidades ou Terceiros b) A Crédito: 433X – Licenças de Emissão de CO2 4. Emissão de CO2

a) A Débito: 65X – Emissão de CO2

b) A Crédito: 268X – Entidade Coordenadora do Licenciamento, IA; e simultaneamente (só para a parte correspondente aos títulos adquiridos a título gratuito)

c) A Débito: 2749X – Subsídios de Licenças de CO2 a título gratuito d) A Crédito: 74X – Subsídios à exploração

5. Entrega de Direitos de Emissão ao Instituto do Ambiente

a) A Débito: 268X – Entidade Coordenadora do Licenciamento, IA b) A Crédito: 433X – Licenças de Emissão de CO2

6. Cancelamento de Licenças de Emissão de CO2

a) A Débito: 2749X – Subsídios de Licenças de CO2 a título gratuito; ou b) A Débito: 68X – Custos ou Perdas Financeiras pela parte das licenças adquiridas a título oneroso

c) A Crédito: 433X – Licenças de Emissão de CO2 7. Custos Financeiros por Desvalorização de Licenças

a) A Débito: 68X – Custos ou Perdas Financeiras (Licenças de CO2) b) A Crédito: 433X – Licenças de Emissão de CO2

8. Proveitos Financeiros por Revalorização de Direitos de Emissão a) A Débito: 433X – Licenças de Emissão de CO2

b) A Crédito: 78X – Proveitos ou Ganhos Financeiros (Licenças de CO2) Quando uma empresa tem emissões superiores aos seus direitos atribuídos, deverá efectuar uma provisão para esta diferente pelo valor actual de mercado dos respectivos direitos.

Os derivados sobre os direitos e créditos de emissão de CO2 deverão ser tratados como os restantes derivados, de acordo com a IAS 39 e a Directriz Contabilística nº 17 “Contratos de Futuros”. Assim, a sua contabilização irá depender se o derivado é classificado como instrumento de hedging e se a relação de hedging é efectivamente única, ou se a operação for de especulação.

derivado deverão ser registadas na respectiva conta de resultados (proveitos ou custos, consoante a variação do justo valor), à semelhança das variações do justo valor dos respectivos direitos e créditos. Assim, se a relação de hedging for efectivamente única, o impacto das variações do justo valor das licenças de emissão será nulo nas demonstrações financeiras das empresas.

Documentos relacionados