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4 – GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MUSEUS.

A necessidade de se propor a sistematização de uma política pública voltada para os museus brasileiros foi fundamental para que nossas instituições museais pudessem se desenvolver e ganhar mais atenção do Governo Federal e da sociedade. No início do ano de 2003, compreendendo a importância dos museus na vida cultural e social brasileira, o Ministério da Cultura - MinC criou a Coordenação de Museus e Artes Plásticas vinculada à secretaria de Patrimônio, Museus e Artes Plásticas. Naquele momento, a comunidade museológica foi convidada a participar democraticamente da construção de uma política pública para o setor.

Passados cinco meses da posse do novo governo, em 18 de maio de 2003, foi lançada a Política Nacional de Museus em meio às comemorações do Dia Internacional dos Museus, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Intencionalmente emblemático, este gesto demonstrou a sensibilidade e o comprometimento do MinC em relação às questões museológicas e, ao mesmo tempo, reafirmou a capacidade de mobilização dos atores que operam na área museal.198 Lançada como um documento, a Política Nacional de Museus possui sete eixos programáticos199 capazes de aglutinar, orientar e estimular a realização de projetos e ações museológicas. Estes eixos se tornaram, com algumas modificações, a base de todos os debates que se seguiram sobre o campo museológico.

O primeiro desdobramento institucional da Política Nacional de Museus, já em 2003, foi a criação, dentro da estrutura do MinC, do Departamento de Museus - Demu no âmbito do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fortalecendo todos os museus de maneira geral e os museus vinculados ao MinC em particular. Visando à consolidação da Política Nacional de Museus, o Demu criou instrumentos na perspectiva de desenvolver todos os sete eixos programáticos, desencadeando um debate em nível nacional sobre as necessidades de desenvolvimento do setor museológico brasileiro. As ações empreendidas

198 BRASIL; Ministério da Cultura; Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Política Nacional de

Museus: relatório de gestão 2003-2004. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional,

Departamento de Museus e Centros Culturais, 2005, p.11.

199 Gestão e configuração do campo museológico, Democratização e acesso aos bens culturais, Formação e

capacitação de recursos humanos, Informatização de museus, Modernização de infra-estruturas museológicas, Financiamento e fomento para museus, Aquisição e gerenciamento de acervos culturais.

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Gestão e configuração do campo museológico, Democratização e acesso aos bens culturais, Formação e capacitação de recursos humanos, Informatização de museus, Modernização de infra-estruturas museológicas, Financiamento e fomento para museus, Aquisição e gerenciamento de acervos culturais.

buscaram consolidar o campo museal como estratégico dentro das políticas públicas de cultura.

Tendo por base parcerias com estados, municípios e sociedade civil, a Política Nacional de Museus ganhou a dimensão de movimento cultural de abrangência nacional, de caráter inclusivo e participativo. Fruto desta Política e do debate por ela suscitado, o setor vem se desenvolvendo e hoje os museus brasileiros contam com o apoio do Instituto Brasileiro de Museus - Ibram, autarquia federal ligada ao MinC, criada em 2009.200

Os reflexos positivos da Política Nacional de Museus estão registrados na elevação dos investimentos no setor; na criação de editais públicos específicos para modernização e criação de museus; na criação de prêmios voltados às práticas em instituições museais; no apoio a implantação de salas de exposições e de reformas e restauração de museus; na realização de encontros nacionais e oficinas de aperfeiçoamento em Museologia; no cadastramento das instituições museais brasileiras201; nas publicações de livros, revistas, relatórios e cadernos de diretrizes para o setor; no incentivo às instituições para desenvolverem seu Plano Museológico202; na articulação com instituições museais Ibero- americanas; na criação do Estatuto de Museus203.

A Lei nº 11.904, 14 de janeiro de 2009, que instituiu o Estatuto de Museus, em seu primeiro Artigo diz:

Art. 1o Consideram-se museus, para os efeitos desta Lei, as instituições sem fins lucrativos que conservam, investigam, comunicam, interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento.204

Nesta Lei estão enquadradas todas as instituições e os processos museológicos voltados para o trabalho com o patrimônio cultural e o território, visando ao desenvolvimento cultural e socioeconômico, à participação das comunidades. Para Benhamou205 “[...] o museu tem como função a transmissão de um legado, de geração em geração, por meio da conservação das próprias obras”. Seguindo o princípio de que os museus e seus acervos

200

Lei nº 11.906, de 20 de janeiro de 2009, que cria o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

201 Decreto nº 5.264, de 5 de novembro de 2004, que institui o Sistema Brasileiro de Museus.

202 Portaria Normativa nº 1, de 5 de julho de 2006, que dispõe sobre a elaboração do Plano Museológico dos

museus do IBRAM.

203

Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009, que institui o Estatuto de Museus.

204

LEI 11.904 de 14/02/2009. Disponível em http://www.museus.gov.br/legislacao/lei Acesso em 05/11/2011

fazem parte do patrimônio histórico de uma nação, trabalharemos o seu conceito segundo Choay206 , que designa a expressão patrimônio histórico como “um bem destinado ao usufruto de uma comunidade que se ampliou a dimensões planetárias, constituído pela acumulação de objetos que se congregam por seu passado comum”. Sendo o acervo do museu um patrimônio destinado ao usufruto de uma comunidade, se faz necessário identificar mecanismos apropriados que auxiliarão os gestores deste patrimônio a desenvolver com eficácia métodos e práticas capazes de atingir tal objetivo.